{"id":336506,"date":"2024-09-15T00:36:46","date_gmt":"2024-09-15T03:36:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=336506"},"modified":"2024-09-14T22:59:46","modified_gmt":"2024-09-15T01:59:46","slug":"explorador-ja-idoso-lembra-aventuras-que-menino-um-dia-viveu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/explorador-ja-idoso-lembra-aventuras-que-menino-um-dia-viveu\/","title":{"rendered":"Explorador, j\u00e1 idoso, lembra aventuras que menino um dia viveu"},"content":{"rendered":"<p>O intr\u00e9pido explorador avan\u00e7ou pela floresta indiana, cortando com o machete a vegeta\u00e7\u00e3o densa que barrava o seu caminho. De s\u00fabito, numa clareira, deparou-se com um tigre de olhos amarelados.<\/p>\n<p>N\u00e3o. O intr\u00e9pido explorador era na verdade um moleque de uns 11 anos, se tanto. N\u00e3o estava numa floresta da \u00cdndia, e sim num matinho de um terreno baldio de uma cidade serrana fluminense. E, claro, n\u00e3o havia tigre. Mas ele adorava brincar de aventureiro audaz e se embrenhar pelo matagal, empunhando, n\u00e3o um machete, mas um simples peda\u00e7o de pau achado por ali mesmo.<\/p>\n<p>N\u00e3o. O menino ainda existia dentro dele, o intr\u00e9pido explorador continuava a visit\u00e1-lo em sonhos \u2013 embora cada vez menos \u2013, mas ele havia crescido. Era pai de uma menininha de 10 anos, e fora visit\u00e1-la em uma cidadezinha do interior paulista. A mata, nada cerrada, ficava junto \u00e0 casa onde ela morava com a m\u00e3e, do lado de l\u00e1 de uma cerca que ele transp\u00f4s com facilidade. E n\u00e3o, ele n\u00e3o tinha um fac\u00e3o, nem mesmo uma faca. Como havia feito d\u00e9cadas antes, o intr\u00e9pido explorador\/o garoto\/o homem feito empunhava um peda\u00e7o de madeira recolhido do ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Sim, havia uma clareira. Pelo menos isso. N\u00e3o, n\u00e3o havia tigre. O que havia era uma aranha grande, n\u00e3o uma caranguejeira, mas grande, de colora\u00e7\u00e3o marrom. Ele a olhou, e teve a sensa\u00e7\u00e3o de ser olhado de volta. Aparentemente, ela percebeu o risco que corria. O bicho ergueu algumas patas em posi\u00e7\u00e3o de ataque ou defesa (ou o ferr\u00e3o, ele nem sabia como as aranhas atacavam e se defendiam), mas a paulada j\u00e1 havia partido e a esmagou.<\/p>\n<p>N\u00e3o. N\u00e3o foi exatamente uma posi\u00e7\u00e3o de luta, e foi essa circunst\u00e2ncia que inscreveu o confronto para sempre em sua mem\u00f3ria. O bicho ergueu o ferr\u00e3o (ou dois de seus v\u00e1rios ap\u00eandices) para o alto, como se implorasse prote\u00e7\u00e3o aos deuses dos aracn\u00eddeos. Mas a s\u00faplica n\u00e3o foi atendida, a madeira cortou o espa\u00e7o e esmagou o bicho. O intr\u00e9pido explorador\/garoto\/homem feito at\u00e9 pensou em desviar o golpe, mas era tarde demais para mudar-lhe a dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois disso, n\u00e3o houve mais sentido em continuar a expedi\u00e7\u00e3o. Ele havia matado \u2013 n\u00e3o, desferido um golpe vindo do alto, irresist\u00edvel, impessoal, como uma divindade que arremessa um raio contra reles mortais \u2013 e n\u00e3o estava nada orgulhoso do que fizera, sentia um gosto amargo na boca. Arremessou longe o pau, deixou a clareira, voltou sobre seus passos, pulou de volta a cerca e entrou na casa da filha.<\/p>\n<p>N\u00e3o. Quem fez isso foi o homem feito. O garoto e o intr\u00e9pido explorador limitaram-se a olh\u00e1-lo gravemente, sem julgamento, e a desaparecer em seguida. N\u00e3o, n\u00e3o para sempre.<\/p>\n<p>Os dois est\u00e3o aqui, observando com o mesmo olhar grave, enquanto o homem \u2013 hoje um idoso \u2013 relata este epis\u00f3dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O intr\u00e9pido explorador avan\u00e7ou pela floresta indiana, cortando com o machete a vegeta\u00e7\u00e3o densa que barrava o seu caminho. De s\u00fabito, numa clareira, deparou-se com um tigre de olhos amarelados. N\u00e3o. O intr\u00e9pido explorador era na verdade um moleque de uns 11 anos, se tanto. 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