{"id":336590,"date":"2024-09-16T08:19:45","date_gmt":"2024-09-16T11:19:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=336590"},"modified":"2024-09-16T09:23:33","modified_gmt":"2024-09-16T12:23:33","slug":"arte-de-tentar-ser-idolo-entra-em-cena-fora-das-regras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/arte-de-tentar-ser-idolo-entra-em-cena-fora-das-regras\/","title":{"rendered":"Arte de tentar ser \u00eddolo entra em cena fora das regras"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 momentos na hist\u00f3ria que desafiam a l\u00f3gica, subvertem as regras e, de quebra, arrancam aplausos de quem est\u00e1 do outro lado. Em 1986, no Est\u00e1dio Azteca, Maradona criou um dos maiores epis\u00f3dios do futebol: \u201cLas Manos de Dios\u201d. N\u00e3o foi a jogada mais limpa do mundo, mas ali, com aquele soco disfar\u00e7ado de cabe\u00e7ada, ele se consagrou como o anti-her\u00f3i predileto de milh\u00f5es. O gol irregular levou a Argentina ao t\u00edtulo e aumentou o mito do camisa 10, que ganhou uma aura de divindade capaz de driblar at\u00e9 juiz ingl\u00eas. Maradona n\u00e3o apenas marcou um gol, ele fez o que milh\u00f5es de argentinos gostariam de fazer naquele momento: dar um soco na hist\u00f3ria e sair correndo pro abra\u00e7o.<\/p>\n<p>Agora, cortemos para um cen\u00e1rio menos glamouroso e muito mais brasileiro: um debate na TV Cultura. Em vez do brilho dos est\u00e1dios, temos o ringue improvisado dos est\u00fadios. E o protagonista n\u00e3o \u00e9 um g\u00eanio do futebol, mas um veterano do jornalismo maroto e escrachado. Datena, que pode n\u00e3o ser o Maradona da comunica\u00e7\u00e3o, resolveu que era hora de abandonar a polidez e, em vez da palavra, usar uma arma mais contundente: a cadeira. A v\u00edtima foi o \u201cM de Merda\u201d (ou M de Marcola, para um amigo querido), experimentou o peso de uma indigna\u00e7\u00e3o que muitos brasileiros conhecem bem, mas poucos t\u00eam a oportunidade de manifestar t\u00e3o diretamente.<\/p>\n<p>Assim como \u201cEl Pibe\u201d, Datena ignorou o manual de conduta. Maradona desrespeitou o fair play, mas se tornou o Deus dos argentinos porque fez o que muitos n\u00e3o podiam: ganhou a ta\u00e7a e a vingan\u00e7a contra os ingleses. Datena, com sua \u201ccadeirada de Deus\u201d, protagonizou um lance que n\u00e3o vai entrar na antologia dos grandes debates, mas deixou muita gente pensando: \u201cEle fez o que eu s\u00f3 sonhei fazer.\u201d N\u00e3o foi um lance de g\u00eanio, mas um soco no est\u00f4mago de quem se sente cansado das asneiras e agress\u00f5es que saem da boca de latrina do senhor M (de merda ou de Marcola, tanto faz<\/p>\n<p>E a\u00ed, surge a grande quest\u00e3o: ser\u00e1 que essa atitude impulsiva vai transformar Datena em uma esp\u00e9cie de her\u00f3i popular? Vai faz\u00ea-lo conquistar os cora\u00e7\u00f5es \u2014 ou pelo menos os votos \u2014 dos paulistas? Maradona foi perdoado porque trouxe gl\u00f3ria e al\u00edvio para um povo sedento de revanche. Mas Datena, o que ele promete al\u00e9m de uma cadeirada cat\u00e1rtica? A d\u00favida que fica \u00e9 se esse momento de insanidade ao vivo \u00e9 suficiente para conquistar as urnas ou se vai virar s\u00f3 mais um meme da era dos debates fervorosos.<\/p>\n<p>Maradona entrou para a hist\u00f3ria porque, apesar de tudo, ganhou. Datena, por enquanto, s\u00f3 venceu na arena dos desabafos. Mas para quem nunca teve a chance de jogar uma cadeira em quem acha que merece, Datena virou, pelo menos por um instante, o porta-voz de uma frustra\u00e7\u00e3o coletiva. No fim, ele fez o que muita gente gostaria de fazer, mas nunca teve a oportunidade. Agora, resta saber se esse impulso vai garantir uma vaga no p\u00f3dio da pol\u00edtica ou se vai ficar s\u00f3 como mais uma jogada de efeito. Para o eleitor paulista, o apito final est\u00e1 pr\u00f3ximo, e dessa vez, a decis\u00e3o \u00e9 pessoal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 momentos na hist\u00f3ria que desafiam a l\u00f3gica, subvertem as regras e, de quebra, arrancam aplausos de quem est\u00e1 do outro lado. Em 1986, no Est\u00e1dio Azteca, Maradona criou um dos maiores epis\u00f3dios do futebol: \u201cLas Manos de Dios\u201d. 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