{"id":336593,"date":"2024-09-16T00:00:40","date_gmt":"2024-09-16T03:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=336593"},"modified":"2024-09-16T09:30:23","modified_gmt":"2024-09-16T12:30:23","slug":"ato-por-liberdade-religiosa-e-primeira-agenda-publica-de-macae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ato-por-liberdade-religiosa-e-primeira-agenda-publica-de-macae\/","title":{"rendered":"Ato por liberdade religiosa \u00e9 primeira agenda p\u00fablica de Maca\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>A Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, realizada anualmente no Rio de Janeiro, foi a primeira agenda p\u00fablica da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Maca\u00e9 Evaristo. Nomeada na semana passada, ela compareceu \u00e0 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o do ato, que aconteceu neste domingo (15).<\/p>\n<p>Como tradicionalmente ocorre no terceiro fim de semana do m\u00eas de setembro, praticantes das mais variadas religi\u00f5es caminharam juntos ao longo da orla da Praia de Copacabana, na zona sul da capital fluminense. A mobiliza\u00e7\u00e3o tem como objetivo pedir paz e denunciar casos de intoler\u00e2ncia e de racismo.<\/p>\n<p>&#8220;O grande desafio hoje no nosso pa\u00eds \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. Para mim, \u00e9 muito importante estar presente nessa caminhada porque, al\u00e9m do direito \u00e0 liberdade religiosa, toda essa gente tamb\u00e9m luta por muitas coisas: contra a fome, pelo trabalho decente e por uma pol\u00edtica de cuidado, que talvez seja a principal pauta das nossas comunidades. Cuidar das crian\u00e7as, que muitas vezes est\u00e3o no trabalho infantil. Cuidar do direito da popula\u00e7\u00e3o idosa. Cuidar de quem cuida. E, na maioria das vezes, quem cuida s\u00e3o as mulheres&#8221;, disse Maca\u00e9 Evaristo.<\/p>\n<p>A nova ministra \u00e9 deputada estadual da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e foi nomeada para substituir Silvio Almeida. At\u00e9 ent\u00e3o titular do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania, ele foi exonerado no in\u00edcio do m\u00eas em meio a den\u00fancias de ass\u00e9dio sexual. Investiga\u00e7\u00f5es foram abertas para apurar os fatos e ele ter\u00e1 direito a ampla defesa.<\/p>\n<p>Maca\u00e9 falou sobre sua trajet\u00f3ria que a credenciou a assumir a pasta. &#8220;Eu sou professora de escola p\u00fablica. Trabalhei 20 anos dentro de escolas nas comunidades mais vulner\u00e1veis de Belo Horizonte. Comecei no territ\u00f3rio de menor IDH [\u00cdndice de Desenvolvimento Humano] de Belo Horizonte. Depois fui para o Aglomerado da Serra, na d\u00e9cada de 1990, em um momento onde a comunidade tinha sua maior taxa de homic\u00eddios. Creio que temos muito trabalho a fazer. Precisamos conectar agendas, construir objetivos e metas muito claros, pra que seja poss\u00edvel, nesse curto espa\u00e7o de tempo de dois anos, fazer diferen\u00e7a para cada um e cada uma nas comunidades&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa \u00e9 convocada anualmente por duas entidades. Uma delas \u00e9 o Centro de Articula\u00e7\u00e3o de Popula\u00e7\u00f5es Marginalizadas (Ceap), que desde 1989 atua na promo\u00e7\u00e3o da cultura negra como forma de combate ao racismo e \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa. A outra \u00e9 a Comiss\u00e3o de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR), fundada em 2008 inicialmente por umbandistas e candomblecistas, mas que agrega atualmente representantes das mais variadas cren\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;A intoler\u00e2ncia cresce baseada no racismo, na homofobia, na misoginia, no antissemitismo. Temos que dar um basta nisso. E ter a ministra logo na sua primeira semana reafirma o caminho que queremos, o di\u00e1logo que queremos. No passado, ela j\u00e1 veio \u00e0 caminhada como cidad\u00e3 e militante. Veio de \u00f4nibus com o pessoal de Minas Gerais. E hoje ela est\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o de ministra. Ela recebeu o convite e confirmou antes de ser nomeada ministra&#8221;, disse o babalaw\u00f4 Ivanir dos Santos, interlocutor da CCIR.<\/p>\n<p>Segundo ele, desde a primeira edi\u00e7\u00e3o, a caminhada tem como mote a defesa da democracia, da liberdade religiosa com equidade, da diversidade, do Estado laico e dos direitos humanos. &#8220;A f\u00e9 une. Aquilo que desune n\u00e3o \u00e9 f\u00e9. \u00c9 outra coisa. E a f\u00e9 est\u00e1 baseada no respeito, na liberdade e na equidade. A liberdade n\u00e3o pode ser s\u00f3 para um grupo, a liberdade tem que ser para todos. Equidade quer dizer o qu\u00ea? Quer dizer justamente que a minha liberdade deve ser garantida e a dos outros tamb\u00e9m. Equidade \u00e9 proteger aqueles mais perseguidos, aqueles que n\u00e3o t\u00eam esses direitos respeitados pela sociedade&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>Homenagens<\/strong><br \/>\nOs participantes come\u00e7aram a se concentrar \u00e0s 10h no posto 5 de Copacabana e, por volta das 13h, iniciaram a caminhada pela orla. Houve homenagens \u00e0 professora Darci da Penha, integrante dos Agentes de Pastoral Negros (APNs), entidade com ra\u00edzes na Igreja Cat\u00f3lica. Ela morreu em maio deste ano. A homenagem p\u00f3stuma a lideran\u00e7as religiosas que se engajaram na luta pela paz \u00e9 algo que ocorre em todas as edi\u00e7\u00f5es. No ano passado, por exemplo, houve um tributo \u00e0 l\u00edder quilombola M\u00e3e Bernadete: tratou-se simultaneamente de resgatar o seu legado e de cobrar justi\u00e7a, j\u00e1 que ela havia sido assassinada um m\u00eas antes, aos 72 anos.<\/p>\n<p>Apesar da presen\u00e7a de praticantes de diferentes cren\u00e7as, a maioria dos participantes era vinculada a religi\u00f5es de matriz africana. No carro de som, a diversidade pautou a programa\u00e7\u00e3o: houve apresenta\u00e7\u00f5es de grupos culturais umbandistas, candomblecistas, cat\u00f3licos, evang\u00e9licos, entre outros.<\/p>\n<p>Caravanas de outros estados tamb\u00e9m contribu\u00edram para engrossar o n\u00famero de manifestantes. O ato contou ainda com a presen\u00e7a de representantes de credos com menos express\u00e3o no pa\u00eds, ainda que diversos deles tenham longa tradi\u00e7\u00e3o no mundo como o budismo, o juda\u00edsmo, o islamismo e a religi\u00e3o Wicca.<\/p>\n<p>A evang\u00e9lica Andressa Oliveira afirmou que a caminhada \u00e9 uma aula de harmonia, de respeito e de conviv\u00eancia. Lideran\u00e7a do Movimento Negro Evang\u00e9lico, ela explica as origens da entidade. &#8220;Por meio do conhecimento, ampliamos nossa vis\u00e3o e aprendemos a combater o racismo a partir do olhar de evang\u00e9licos. No Brasil, sabemos que a intoler\u00e2ncia religiosa \u00e9 muito forte contra praticantes das religi\u00f5es de matriz africana. E n\u00f3s temos uma conex\u00e3o com eles, afinal de contas somos negros&#8221;.<\/p>\n<p>Ela considera que a B\u00edblia foi &#8220;embranquecida&#8221; no per\u00edodo colonial. &#8220;A hist\u00f3ria b\u00edblica \u00e9 a hist\u00f3ria de um povo africano oprimido e de um Deus que se levanta para ajud\u00e1-los. Essa hist\u00f3ria sempre esteve ao nosso lado e nos foi negada pela coloniza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, buscamos fortalecer a negritude do cristianismo e a atualidade dessa mensagem para quem luta contra o racismo&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, realizada anualmente no Rio de Janeiro, foi a primeira agenda p\u00fablica da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Maca\u00e9 Evaristo. Nomeada na semana passada, ela compareceu \u00e0 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o do ato, que aconteceu neste domingo (15). 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