{"id":337003,"date":"2024-09-22T00:00:21","date_gmt":"2024-09-22T03:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=337003"},"modified":"2024-09-22T07:11:15","modified_gmt":"2024-09-22T10:11:15","slug":"indigenas-lutam-por-sobrevivencia-apos-um-mes-de-queimadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/indigenas-lutam-por-sobrevivencia-apos-um-mes-de-queimadas\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas lutam por sobreviv\u00eancia ap\u00f3s um m\u00eas de queimadas"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de um m\u00eas, povos ind\u00edgenas de Mato Grosso sofrem com os inc\u00eandios florestais que atingem o estado. Segundo a Federa\u00e7\u00e3o dos Povos e Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas de Mato Grosso (Fepoimt), cerca de 41 terras ind\u00edgenas foram afetadas pelas chamas.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a ind\u00edgena Mara Barreto Sinhowawe Xavante relatou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil a situa\u00e7\u00e3o passada na Terra Ind\u00edgena Pimentel Barbosa, no leste do Mato Grosso, onde crian\u00e7as Xavante subiram em ocas com garrafas de \u00e1gua para se protegerem do fogo que atingiu a comunidade no in\u00edcio da semana.<\/p>\n<p>\u201cNo nosso territ\u00f3rio, a queimada come\u00e7ou na aldeia Pimentel, \u00e9 uma aldeia muito longe da nossa. E ela come\u00e7ou ali, foi um inc\u00eandio criminoso e esse inc\u00eandio foi se estendendo e ficou duas semanas o cerrado queimando, quil\u00f4metros e quil\u00f4metros, at\u00e9 chegar dentro da nossa aldeia&#8221;, detalha. De acordo com Mara, o fogo chegou muito forte pela manh\u00e3, queimando tudo ao redor da aldeia com vento e uma fuligem muito fortes.<\/p>\n<p>\u201cQuando o fogo come\u00e7ou a pegar tudo ali, os nossos jovens, os parentes, subiram nas ocas com garrafinha pet de \u00e1gua para tentar se proteger e proteger a casa para n\u00e3o vir fogo em cima da oca\u201d, continuou emocionada.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito forte, muito emblem\u00e1tica, porque foi exatamente isso que eles fizeram\u201d, relatou.<\/p>\n<p><strong>Treinamento<\/strong><br \/>\nMara contou que na aldeia, duas pessoas foram selecionadas para fazer o curso de brigadistas, e que eles pouco puderam fazer para conter as chamas. Ela denunciou que, ap\u00f3s a conclus\u00e3o do curso oferecido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, n\u00e3o foram deixados equipamentos suficientes para a atua\u00e7\u00e3o dos brigadistas.<\/p>\n<p>\u201cUma capacita\u00e7\u00e3o dessas n\u00e3o d\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es fazer um trabalho num territ\u00f3rio do tamanho do nosso. \u00c9 fazer para ingl\u00eas ver. Os nossos brigadistas n\u00e3o t\u00eam os extintores suficientes e n\u00e3o t\u00eam quantidade suficiente para combater qualquer tipo de fogo. At\u00e9 que o brigadista l\u00e1 da outra comunidade chegasse at\u00e9 a nossa, n\u00f3s j\u00e1 estar\u00edamos todos mortos pelo fogo\u201d, criticou.<\/p>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o fosse o vento, o povo ia morrer queimado vivo. Crian\u00e7as, idosos, inocentes, os bichos. Os bichos j\u00e1 est\u00e3o queimados vivos. Porque ali onde o fogo passou, queimou tudo\u201d, lamentou Mara<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de terem que se proteger dos inc\u00eandios, os ind\u00edgenas sofrem ainda em raz\u00e3o de doen\u00e7as respirat\u00f3rias causadas pela fuma\u00e7a, dificuldade de acesso a alimentos e tamb\u00e9m a \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cEstamos h\u00e1 um m\u00eas sem \u00e1gua dentro da comunidade. N\u00f3s s\u00f3 temos um c\u00f3rrego dentro da comunidade e ele est\u00e1 secando, est\u00e1 com uma propor\u00e7\u00e3o m\u00ednima de \u00e1gua. Ainda bem que a nossa comunidade \u00e9 pequena, \u00e9 uma comunidade com 150 pessoas, ent\u00e3o est\u00e1 dando para sobreviver&#8221;. Ela ressalta, entretanto, que a \u00e1gua do c\u00f3rrego est\u00e1 causando v\u00e1rios problemas, como disenteria. &#8220;Essa \u00e1gua do c\u00f3rrego n\u00e3o \u00e9 apropriada para beber. E \u00e9 a \u00e1gua que eles est\u00e3o bebendo nesse momento. Ent\u00e3o, est\u00e1 gerando v\u00e1rios transtornos na sa\u00fade da comunidade\u201d.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o deixou todos na aldeia muito abalados.<\/p>\n<p>\u201cA gente fica muito triste, ficamos abalados e enfraquecidos quando a gente v\u00ea a nossa fauna, a nossa flora, o nosso cerrado, sendo destru\u00eddo de forma criminosa. N\u00f3s vivemos dentro do bioma e damos a vida para que ele permane\u00e7a de p\u00e9, como forma de garantir \u00e0s nossas futuras gera\u00e7\u00f5es um territ\u00f3rio que, para n\u00f3s, \u00e9 sagrado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mara relembra que os antepassados do povo dela deram a vida pelo territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;Muito sangue foi derramado e continua sendo. \u00c9 muito dif\u00edcil ver toda essa destrui\u00e7\u00e3o, principalmente para n\u00f3s, que dependemos tanto da fauna, da flora. Nosso territ\u00f3rio ainda sobrevive da ca\u00e7a. \u00c9 muito triste\u201d, completou.<\/p>\n<p><strong>Agroneg\u00f3cio<\/strong><br \/>\nMara criticou ainda o governo por omiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos direitos dos povos ind\u00edgenas. \u201cSe hoje existe esse aquecimento acima do normal dentro do estado de Mato Grosso, com temperaturas alcan\u00e7ando uma m\u00e9dia de quase 45\u00b0 graus e que j\u00e1 chegou a quase 50\u00b0 graus, os respons\u00e1veis por isso s\u00e3o as atividades do agroneg\u00f3cio, porque s\u00e3o essas atividades que est\u00e3o gerando toda essa combust\u00e3o, ao ponto de qualquer fogo se alastrar muito r\u00e1pido\u201d, criticou. \u201cLevando em conta que \u00e9 o \u00fanico estado que tem tr\u00eas biomas [Amaz\u00f4nia, Cerrado e Pantanal], a gente v\u00ea um governador que est\u00e1 governando somente para a bancada ruralista\u201d, criticou.<\/p>\n<p>Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que, apenas em setembro, Mato Grosso j\u00e1 registou 16.746 focos de queimadas ativos.<\/p>\n<p><strong>Crime<\/strong><br \/>\nNa quinta-feira (19), os governadores das regi\u00f5es Centro-Oeste e Norte se reuniram, no Pal\u00e1cio do Planalto, com ministros do governo federal para debater medidas de enfrentamento \u00e0s queimadas Uma das principais demandas apresentadas \u00e9 o endurecimento da puni\u00e7\u00e3o contra quem ateia fogo de forma intencional. O inc\u00eandio criminoso foi apontado pelos pr\u00f3prios governadores como sendo um dos fatores de agravamento da crise.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, disse que boa parte dos inc\u00eandios no estado foram criminosos. &#8220;N\u00f3s tivemos, esse ano, al\u00e9m de um problema clim\u00e1tico, que era previs\u00edvel, muitos inc\u00eandios, uma boa parte, come\u00e7ou por a\u00e7\u00f5es notadamente criminosas. Nenhum inc\u00eandio come\u00e7a sen\u00e3o por a\u00e7\u00e3o humana. Algumas por descuido, algumas por neglig\u00eancia, mas muitas come\u00e7aram por a\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, disse Mendes, em declara\u00e7\u00e3o a jornalistas ao fim da reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Mendes defendeu um \u201cendurecimento gigantesco\u201d da pena, para desestimular as a\u00e7\u00f5es. \u201cNo meu estado, prendemos v\u00e1rias pessoas e, em poucas horas, eles eram libertados em audi\u00eancias de cust\u00f3dia. Um crime que est\u00e1 causando preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade, ao meio ambiente, \u00e0 imagem do pa\u00eds, com a pena que n\u00e3o corresponde ao tamanho do dano que est\u00e1 causando \u00e0 sociedade brasileira&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a reuni\u00e3o, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, disse que o governo federal planeja a libera\u00e7\u00e3o de mais recursos para o combate \u00e0s queimadas e a compra de equipamentos para que os estados enfrentem uma das piores estiagens em d\u00e9cadas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O ministro disse que ser\u00e3o enviados cr\u00e9ditos somando R$ 514 milh\u00f5es aos estados que pedirem ajuda. Costa tamb\u00e9m ressaltou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) tem autoriza\u00e7\u00e3o para liberar, na pr\u00f3xima semana, mais de R$ 400 milh\u00f5es para apoio aos corpos de bombeiros dos estados da Amaz\u00f4nia Legal, para compra de materiais, equipamentos, viaturas. &#8220;Outros cr\u00e9ditos ser\u00e3o publicados na medida que os governadores apresentem e materializem suas demandas&#8221;, disse o ministro.<\/p>\n<p>Participaram do encontro os governadores H\u00e9lder Barbalho (Par\u00e1), Mauro Mendes (Mato Grosso), Ronaldo Caiado (Goi\u00e1s), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul), Wilson Lima (Amazonas), Gladson Cameli (Acre), Wanderlei Barbosa (Tocantins) e Antonio Denarium (Roraima). Tamb\u00e9m compareceram os vice-governadores S\u00e9rgio Gon\u00e7alves da Silva (Rond\u00f4nia) e Ant\u00f4nio Pinheiro Teles J\u00fanior (Amap\u00e1).<\/p>\n<p><strong>Outras a\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nEsta semana, o ministro da Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Regional, Waldez G\u00f3es, disse que o governo federal vai garantir todos os recursos financeiros necess\u00e1rios para o combate aos inc\u00eandios e \u00e0 estiagem que atingem quase todos os estados brasileiros. Em entrevista ao Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC), Go\u00e9s disse que o governo est\u00e1 com liberdade para apoiar estados, Distrito Federal e munic\u00edpios porque as despesas para combater os efeitos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica e ambiental foram exclu\u00eddas do atual teto de gastos. Segundo o ministro esses recursos inicialmente s\u00e3o para a Amaz\u00f4nia e o Pantanal.<\/p>\n<p>O ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, Ricardo Lewandowski, tamb\u00e9m autorizou o uso da For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica em munic\u00edpios dos estados do Amazonas, do Par\u00e1, de Rond\u00f4nia, do Mato Grosso, de Roraima e do Acre para atuar no combate a inc\u00eandios florestais, por 90 dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de um m\u00eas, povos ind\u00edgenas de Mato Grosso sofrem com os inc\u00eandios florestais que atingem o estado. Segundo a Federa\u00e7\u00e3o dos Povos e Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas de Mato Grosso (Fepoimt), cerca de 41 terras ind\u00edgenas foram afetadas pelas chamas. 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