{"id":337150,"date":"2024-09-24T10:45:17","date_gmt":"2024-09-24T13:45:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=337150"},"modified":"2024-09-24T10:45:17","modified_gmt":"2024-09-24T13:45:17","slug":"viuva-negra-escapa-da-clausura-e-morre-ao-cair","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/viuva-negra-escapa-da-clausura-e-morre-ao-cair\/","title":{"rendered":"Vi\u00fava Negra escapa da clausura e morre ao cair"},"content":{"rendered":"<p>Eu nasci em uma fam\u00edlia grande, com muitos tios, tias, primos e primas, mas era filha \u00fanica. Minha m\u00e3e nunca quis ter mais filhos, pois dizia que a dor que sentiu no parto, era algo que jamais gostaria de experimentar novamente. Durante a minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, fui extremamente feliz quando morava com meus pais em um bonito sobrado amarelo com um pequeno pomar no quintal. Ah, como eu adorava subir naquelas \u00e1rvores e comer aquelas frutas frescas. Muitas goiabas vermelhas, mangas, acerolas e lim\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo estava indo muito bem, at\u00e9 eu completar 20 anos. Por eu ser a \u00fanica filha, meu pai, que era bastante conhecido na regi\u00e3o em que mor\u00e1vamos, me prometeu em casamento a um rico senhor que era dono da Fazenda Pingo de Ouro. A qual era respons\u00e1vel por comandar a economia da nossa cidade e da regi\u00e3o, empregando muitas pessoas na gigantesca planta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. Eu amo caf\u00e9 e mataria qualquer um por uma x\u00edcara fumegante desse precioso l\u00edquido. Mas eu n\u00e3o queria casar com ele ou com qualquer outro homem, eu s\u00f3 queria viver minha vida em paz. Eu s\u00f3 tinha 20 anos e ele j\u00e1 estava com 58 anos. Tinha idade para ser meu av\u00f4.<\/p>\n<p>Apesar de eu ter chorado diversas vezes para meu pai desfazer a promessa, de nada adiantou. Minha m\u00e3e apenas me consolava dizendo que o casamento dela tamb\u00e9m havia sido arranjado e ela havia sido feliz e amada pelo meu pai. O que minha m\u00e3e n\u00e3o sabia era que eu era uma alma livre e jamais poderia ser feliz sendo for\u00e7ada a fazer algo. O casamento foi marcado para o segundo s\u00e1bado do m\u00eas de Maio. Ainda faltavam tr\u00eas meses at\u00e9 eu ser sentenciada a conviver com aquele ser asqueroso.<\/p>\n<p>Ele se chamava Joaquim Roriz, e j\u00e1 havia se casado seis vezes e eu seria sua s\u00e9tima esposa. As m\u00e1s l\u00ednguas, ou boas, dizem que todas elas haviam morrido de complica\u00e7\u00f5es no parto. Nenhum filho sobreviveu. Ele me visitava frequentemente e sempre trazia rosas brancas e sacos de caf\u00e9. Mesmo com todas as caras feias que eu fazia para ele, ele nunca desistiu de me cortejar. O que me restava era aceitar aquilo e pensar em como eu escaparia dele no futuro.<\/p>\n<p>Como tudo que \u00e9 bom dura pouco, o dia do casamento logo chegou e eu me vi no altar ao lado daquele homem, que em breve seria meu marido. Todos os meus familiares e boa parte dos nossos vizinhos e conhecidos estavam presentes. Apesar da tristeza que eu sentia, sorri o tempo todo e tratei todos com muita gentileza, da mesma forma que minha m\u00e3e havia me ensinado. Ap\u00f3s os votos, fui tomada nos bra\u00e7os e beijada por Joaquim, apenas uma formalidade. Logo ao final da festa, ele me conduziu pela enorme casa e me levou aos seus aposentos.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e j\u00e1 havia me explicado o que viria a seguir. Ao longo da noite, consumamos o casamento e me tornei a Sra. Roriz. Mas a que pre\u00e7o? Minha alma gritava por liberdade e eu me via sufocando em uma bela pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Pela manh\u00e3 eu acordei com batidas na porta, era uma das empregadas da casa, Sra. Jocasta. Ela trazia o caf\u00e9 em uma enorme bandeja e me informou que o Sr. Roriz havia ido para a cidade. Ela se mostrou bastante eficiente e j\u00e1 me contou de todas as coisas da casa, a qual eu fazia parte agora. Em certo momento, ela perguntou se eu estava feliz por ter me casado. Quando eu perguntei o motivo da sua curiosidade, ela contou que j\u00e1 trabalhava ali h\u00e1 anos e havia conhecido todas as esposas anteriores a mim e que a pergunta que ela fazia era por pura preocupa\u00e7\u00e3o, afinal eu era jovem e tinha uma vida toda pela frente.<\/p>\n<p>Nos olhos de Jocasta, havia uma bondade genu\u00edna, ent\u00e3o me abri com ela e contei como eu estava me sentindo. E sem mais rodeios, ela contou que o Sr. Joaquim havia feito um pacto maligno para ser rico. E em troca da riqueza, ele deveria entregar todos os seus filhos assim que nascessem. Aquilo me subiu como um n\u00f3 na garganta, eu mal tinha feito 20 anos e estava atolada at\u00e9 o pesco\u00e7o naquele caos.<\/p>\n<p>Perguntei a ela, se havia alguma forma de eu me livrar daquilo. E ela me disse que a \u00fanica op\u00e7\u00e3o seria matar o meu marido e tomar o l\u00edquido anticoncepcional que ela havia me trazido para evitar uma gravidez indesejada. Sem pensar duas vezes, tomei o l\u00edquido e senti tudo queimando dentro de mim. Toda noite, meu marido se perdia em meu corpo antes de voltar para o seu pr\u00f3prio quarto. E toda manh\u00e3, Jocasta trazia o l\u00edquido anticoncepcional. Enquanto isso, eu planejava a melhor forma de envenen\u00e1-lo, j\u00e1 que ele nunca aceitava nada das minhas m\u00e3os e a empregada, Anette, o servia em tudo.<\/p>\n<p>Certa noite, ele me perguntou se eu estava seca por dentro. Quando perguntei o motivo, ele me disse que eu ainda n\u00e3o tinha lhe dado um filho. E eu ciente dos seus desejos e da sua sina, falei em seu ouvido que seria mais receptiva para receber suas sementes. Ao ouvir a minha resposta sussurrada, percebi que ele se contorceu em deleite. Ele n\u00e3o era um marido ruim, eu s\u00f3 n\u00e3o o queria na minha vida e n\u00e3o queria ser a incubadora de um beb\u00ea com o destino selado.<\/p>\n<p>Peguei em sua m\u00e3o e o levei ao quarto, pedi que ele se deitasse em minha cama e fui ao banheiro. Com a porta fechada misturei o veneno com uma lo\u00e7\u00e3o hidratante e passei em meus seios. Voltei ao quarto enrolada em um roup\u00e3o cor de rosa e com os cabelos soltos. Me encaixei em seu corpo e o beijei ardentemente. Ergui meu corpo, para que contemplasse meus seios, e sem pensar nenhum segundo, ele abocanhou o seio direito enquanto apertava o esquerdo. Ele estava t\u00e3o excitado que n\u00e3o notou o veneno atacando seu cora\u00e7\u00e3o e a dor subindo em seu peito. Em um momento, ele me amava freneticamente, e no outro, os seus olhos se tornavam v\u00edtreos.<\/p>\n<p>A porta abriu em um clique. Era Jocasta. Ela me olhava incr\u00e9dula. A boca de Joaquim ainda estava aberta e direcionada a meu seio pois eu ainda estava sentada sobre ele.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1 se lavar\u201d, disse Jocasta num sussurro.<\/p>\n<p>Eu ainda n\u00e3o havia me dado conta de que havia matado um homem. Meu marido. Tomei um banho demorado, lavando cada parte do meu corpo e joguei fora todo o veneno que ainda estava guardado no pote. Assim que sa\u00ed do quarto, notei que o m\u00e9dico da cidade j\u00e1 estava examinando o corpo. Ele me olhou carinhosamente e disse: \u201cFico feliz que n\u00e3o tenha sido voc\u00ea.\u201d<\/p>\n<p>Ao ouvir essas palavras chorei copiosamente enquanto Jocasta me abra\u00e7ava. O Dr. Faustino determinou a morte de Joaquim Roriz, como infarto. O que foi aceit\u00e1vel para todos, j\u00e1 que ele era velho e estava praticando obscenidades com sua jovem e bela esposa.<\/p>\n<p>Meses ap\u00f3s a morte do meu marido, descobri que eu estava gr\u00e1vida. Devido a todos os eventos que ocorreram no dia da sua morte, eu esqueci de tomar o l\u00edquido anticoncepcional. E como a minha gravidez estava avan\u00e7ada, eu decidi seguir em diante e ter o beb\u00ea. No dia do nascimento, ap\u00f3s 12 horas sentindo dores perturbadoras, descobri que n\u00e3o havia nenhum beb\u00ea dentro de mim. De acordo com o Dr. Faustino, se tratava de uma gravidez psicol\u00f3gica devido eu ter passado pelo trauma de ver meu marido morrer na minha frente.<\/p>\n<p>Aparentemente, todo castigo para quem j\u00e1 est\u00e1 sofrendo \u00e9 pouco. Passei meses tentando entender tudo o que tinha me acontecido e quando vi que n\u00e3o adiantava perder minha sanidade, decidi viver minha vida e gerenciar a fazenda. Me relacionei com alguns homens ao longo da minha vida, mas nunca consegui manter nenhum relacionamento por mais de sete anos. Ou eles me deixavam ou morriam misteriosamente.<\/p>\n<p>Eu estava amaldi\u00e7oada, mas pelo menos ainda tinha a amizade de Jocasta. Jocasta. Como ela ainda conservava a mesma apar\u00eancia se j\u00e1 haviam passado anos que eu a conhecia?<\/p>\n<p>\u201cJocasta?\u201d, eu a chamei.<\/p>\n<p>\u201cSim, Loren\u201d.<\/p>\n<p>Num estalo, ela apareceu ao meu lado.<\/p>\n<p>\u201cO que voc\u00ea \u00e9?\u201d, gritei assustada, ao notar que ela surgiu magicamente na minha frente como se fosse a mais pura escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOh, finalmente voc\u00ea percebeu. Eu sou voc\u00ea. Ou melhor, quem voc\u00ea ser\u00e1 depois que morrer. Voc\u00ea n\u00e3o pensou que iria matar seu marido e ser feliz, ne?\u201d.<\/p>\n<p>Jocasta mostrava um sorriso viperino.<\/p>\n<p>\u201cMas voc\u00ea me induziu a mat\u00e1-lo\u201d, sibilei para ela.<\/p>\n<p>\u201cOh, n\u00e3o, querida, voc\u00ea fez tudo sozinha. N\u00e3o pode me culpar por ter sido uma tola. Agora recomponha-se e aproveite enquanto est\u00e1 viva\u201d, disse ela e desapareceu em um redemoinho de sombras.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, nunca mais vi Jocasta. Eu tive uma vida razoavelmente normal at\u00e9 aos 83 anos, n\u00e3o tive filhos, e morri ao trope\u00e7ar em uma pedra. Era tudo o que eu merecia: uma morte tola e sem gl\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu nasci em uma fam\u00edlia grande, com muitos tios, tias, primos e primas, mas era filha \u00fanica. Minha m\u00e3e nunca quis ter mais filhos, pois dizia que a dor que sentiu no parto, era algo que jamais gostaria de experimentar novamente. 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