{"id":337155,"date":"2024-09-24T18:03:08","date_gmt":"2024-09-24T21:03:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=337155"},"modified":"2024-09-24T18:04:28","modified_gmt":"2024-09-24T21:04:28","slug":"escrever-e-como-criar-cenarios-guardados-na-profundidade-da-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/escrever-e-como-criar-cenarios-guardados-na-profundidade-da-mente\/","title":{"rendered":"&#8216;Escrever \u00e9 como criar cen\u00e1rios guardados na profundidade da mente&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Mal deixou de engatinhar, ganhou o mundo pelas m\u00e3os dos pais. \u00c9 Vicente de Melo, que trocou o cheiro das matas, o sabor do leite fresco e o mugir de boiadas pela selva de pedra de Bras\u00edlia. Veio da mineir\u00edssima Uberaba para a capital da Rep\u00fablica, onde transformou-se em um cidad\u00e3o respeitado, de car\u00e1ter firme e sorriso suave.<\/p>\n<p>&#8216;Candango nato&#8217;, conforme sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o, Vicente \u00e9 uma agrad\u00e1vel surpresa no campo das letras. Tanto, que sua primeira obra liter\u00e1ria foi premiada pelo Sesc. Ele comemora nesta entrevista a iniciativa de <strong>Notibras<\/strong> de abrir um espa\u00e7o para contistas, cronistas, poetas e romancistas.<\/p>\n<p>Leia trechos a seguir:<\/p>\n<p><strong>Fale um pouco sobre voc\u00ea, seu nome (se quiser, pode falar apenas o art\u00edstico), onde nasceu, onde mora, sobre sua trajet\u00f3ria como escritor.<\/strong><\/p>\n<p>Eu me chamo Vicente de Melo. Nasci em Uberaba-MG, mas cheguei cedo em Bras\u00edlia, aos 2 anos de idade. Portanto, me considero um candango nato. Moro na cidade-sat\u00e9lite de Ceil\u00e2ndia, bem ao lado da Casa do Cantador, obra de Oscar Niemeyer criada para homenagear os candangos construtores de Bras\u00edlia. Sempre gostei de escrever, mas guardava meus escritos nas gavetas. Por\u00e9m, minha trajet\u00f3ria como escritor come\u00e7ou a partir do dia em que escrevi meu primeiro conto chamado \u201cOs estultos\u201d, enviei sem muita pretens\u00e3o para o \u201cPr\u00eamio SESC de Contos Machado de Assis\u201d, edi\u00e7\u00e3o 2005, e, para minha surpresa, fui vencedor do concurso. A partir da\u00ed, n\u00e3o parei mais. Tenho cinco livros publicados, sendo quatro colet\u00e2neas de contos e um romance. O romance \u201cA saga de um candango\u201d, obra selecionada entre os escritores do DF, lan\u00e7ado na II Bienal do Livro e Leitura de Bras\u00edlia, em abril de 2014. Em 2023, no meu primeiro contrato oficial, lancei a colet\u00e2nea \u201cContos de mendigos, putas e outros p\u00e1rias\u201d, pela Editora Folheando. Al\u00e9m disso, tenho ainda in\u00fameros contos avulsos publicados em revistas e colet\u00e2neas de livros, todos frutos de participa\u00e7\u00e3o em concursos liter\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Como a escrita surgiu na sua vida?<\/strong><\/p>\n<p>Com certeza atrav\u00e9s da leitura, muita leitura. Eu costumo repetir sempre que a necessidade de ler me levou \u00e0 magia de escrever. Sim, ler, para mim, n\u00e3o \u00e9 apenas um mero passatempo, mas tamb\u00e9m uma necessidade. Quanto a escrever, trata-se simplesmente de uma grande viagem passando por diversos cen\u00e1rios da vida.<\/p>\n<p><strong>De onde vem a inspira\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o dos seus textos?<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos meus contos s\u00e3o inspirados na realidade social transformada em fic\u00e7\u00e3o. S\u00e3o contos considerados marginais, quase sempre denunciando as dicotomias do luxo e do lixo, da riqueza e da mis\u00e9ria, da fome e da fartura. Contos, na verdade, para ler, pensar e refletir.<\/p>\n<p><strong>Como a sua forma\u00e7\u00e3o ou sua hist\u00f3ria de vida interferem no seu processo de escrita?<\/strong><\/p>\n<p>De quase todas as formas. Na verdade, muitas vezes eu me vejo incorporado em v\u00e1rios personagens, em v\u00e1rias cenas e em v\u00e1rios enredos. Dessa forma, tudo se parece bem mais real.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os seus livros favoritos?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o tantos, que fica muito dif\u00edcil falar de apenas um. Por\u00e9m, n\u00e3o posso deixar de citar as obras de Jorge Amado, principalmente Capit\u00e3es de Areia, minha primeira leitura de verdade. E, na literatura internacional, Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, Crime e Castigo, de Dostoievski e Guerra e Paz de Tolst\u00f3i. Sem falar dos contos de Anton Tchekhov, principalmente o conto \u201cA pamonha\u201d, que me inspirou a escrever \u201cOs estultos\u201d, meu primeiro conto.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o seus autores favoritos?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios. Mas como romancistas eu adoro Jorge Amado, M\u00e1rio Vargas Llosa e Gabriel Garcia M\u00e1rquez. E, como contistas, sem d\u00favida alguma, Rubem Fonseca, S\u00e9rgio Sant\u2019Anna e Anton Tchekhov. Na literatura atual, Carla Madeiro, Milton Hatoum e Leonardo Padura.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 mais importante no seu processo de escrita? A inspira\u00e7\u00e3o ou a concentra\u00e7\u00e3o? Precisa esperar pela inspira\u00e7\u00e3o chegar ou a escrita \u00e9 um h\u00e1bito constante?<\/strong><\/p>\n<p>Ambas s\u00e3o importantes. Por\u00e9m, a inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 bem mais essencial. Muitas vezes, quando estou muito inspirado, escrevo um conto por dia. Sendo assim, a escrita acaba se tornando um h\u00e1bito constante.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o tema mais presente nos seus escritos? E por que voc\u00ea escolheu esse assunto?<\/strong><\/p>\n<p>Como eu j\u00e1 disse, o tema mais presente nos meus contos \u00e9 a realidade social. Meus personagens est\u00e3o muito presentes nas ruas, nas rodovi\u00e1rias, nos metr\u00f4s, nos bares, nas pra\u00e7as, nos mercados, nos hospitais, nos bordeis e em muitos outros lugares. Assim, fica mais f\u00e1cil, nas minhas andan\u00e7as, encontr\u00e1-los no dia a dia no meio do povo.<\/p>\n<p><strong>Para voc\u00ea, qual \u00e9 o objetivo da literatura?<\/strong><\/p>\n<p>Obviamente, al\u00e9m dos momentos de prazer, informar, esclarecer e principalmente transformar a sociedade.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 trabalhando em algum projeto neste momento?<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da divulga\u00e7\u00e3o do meu novo livro, eu estou escrevendo. Sim, eu escrevo todos os dias e, quando aparece a oportunidade, envio meus contos para concursos liter\u00e1rios de relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Quais livros formaram quem voc\u00ea \u00e9 hoje? O Jos\u00e9 Seabra sempre cita Camilo Castelo Branco como seu escritor predileto, o Daniel Marchi tem fascina\u00e7\u00e3o pelo Augusto Frederico Schmidt, e o Eduardo Mart\u00ednez aponta Machado de Assis como a sua maior refer\u00eancia liter\u00e1ria. Voc\u00ea tamb\u00e9m deve ter as suas prefer\u00eancias. Quem s\u00e3o? E h\u00e1 algum ou alguns escritores e poetas contempor\u00e2neos que voc\u00ea queira citar?<\/strong><\/p>\n<p>O romance \u201cCapit\u00e3es de Areia\u201d foi a minha primeira leitura, me levando a aprender a gostar de ler. Sendo assim, Jorge Amado passou a ser uma refer\u00eancia para mim. Agora, no \u00e2mbito do conto, sem d\u00favida alguma, minha refer\u00eancia liter\u00e1ria foi Anton Tchekhov, que me inspirou a escrever meu primeiro conto. Atualmente, al\u00e9m de muitos outros, eu destaco a literatura de Milton Hatoum, Carla Madeiro e Marcelino Freire.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 ser escritor hoje em dia?<\/strong><\/p>\n<p>Para mim, \u00e9 escrever para n\u00e3o enlouquecer, como dizia Bukowski. Al\u00e9m de lutar para incentivar a leitura e, principalmente, para n\u00e3o deixar morrer a literatura no mundo alienado da tecnologia moderna.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio, a nova editoria do Notibras?<\/strong><\/p>\n<p>Nota mil. Trata-se de uma iniciativa maravilhosa, principalmente para divulgar os autores novatos, sem m\u00eddia e desconhecidos do p\u00fablico. Parab\u00e9ns a todos pelo projeto.<\/p>\n<p><strong>Tem alguma coisa que eu n\u00e3o perguntei e voc\u00ea gostaria de falar?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Gostaria somente de agradecer a voc\u00eas pela oportunidade. Obrigado por tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mal deixou de engatinhar, ganhou o mundo pelas m\u00e3os dos pais. \u00c9 Vicente de Melo, que trocou o cheiro das matas, o sabor do leite fresco e o mugir de boiadas pela selva de pedra de Bras\u00edlia. 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