{"id":337378,"date":"2024-09-27T04:35:35","date_gmt":"2024-09-27T07:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=337378"},"modified":"2024-09-27T04:35:35","modified_gmt":"2024-09-27T07:35:35","slug":"autora-argentina-acha-aqui-inspiracao-para-sua-obra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/autora-argentina-acha-aqui-inspiracao-para-sua-obra\/","title":{"rendered":"Autora argentina acha aqui inspira\u00e7\u00e3o para sua obra"},"content":{"rendered":"<p>A <em>hermana<\/em> Isabel Furini nasceu com um destino j\u00e1 tra\u00e7ado: escrever contos, poemas e muita literatura destinada ao p\u00fablico infanto-juvenil. Trocou sua Argentina dos idos de Evita Per\u00f3n pela eterna cidade-jardim que \u00e9 Curitiba. Suas obras liter\u00e1rias s\u00e3o destinadas aos mais diferentes segmentos.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Isabel, longa, \u00e9 coroada de sucesso. Lendo a entrevista a seguir, feita por e-mail, ser\u00e1 f\u00e1cil conhecer um pouco mais da vida da escritora que fez do Brasil, ao fincar ra\u00edzes no Paran\u00e1, sua segunda p\u00e1tria.<\/p>\n<p><strong>Fale um pouco sobre voc\u00ea, seu nome, onde nasceu, onde mora, sobre sua trajet\u00f3ria como escritora.<\/strong><\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 Isabel Furini, nasci em Buenos Aires, Argentina, em 1949, mas h\u00e1 muitos anos que moro em Curitiba, PR, Brasil. Sempre amei a poesia. Escrevo poemas desde crian\u00e7a. Tenho livros publicados em v\u00e1rios segmentos (poesia, contos, ensaios e para o p\u00fablico infantil). A obra \u201cOs rel\u00f3gios de Dal\u00ed\u201d foi analisada e apresentada como disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado na \u00e1rea de Literatura. Minha trajet\u00f3ria \u00e9 longa. Publiquei meu primeiro livro de poesia em 1983. O livro mais recente \u00e9 \u201cDan\u00e7ando entre as estrelas\u201d, de 2023, pela editora Nogue.<\/p>\n<p><strong>Como a escrita surgiu na sua vida?<\/strong><\/p>\n<p>A poesia surgiu como divertimento infantil e converteu-se em uma grande paix\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>De onde vem a inspira\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o dos seus textos?<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 um assunto complicado, pois s\u00e3o v\u00e1rias vertentes. Um poema pode surgir de uma palavra, da leitura de um texto de jornal, da contempla\u00e7\u00e3o de um quadro\u2026 O livro \u201cOs Corvos de Van Gogh\u201d surgiu do impacto que essa maravilhosa obra art\u00edstica teve na minha mente.<\/p>\n<p><strong>Como a sua forma\u00e7\u00e3o ou sua hist\u00f3ria de vida interferem no seu processo de escrita?<\/strong><\/p>\n<p>A Filosofia acompanha-me, especialmente os fil\u00f3sofos pr\u00e9-socr\u00e1ticos Her\u00e1clito, Parm\u00eanides, Dem\u00f3crito, e os socr\u00e1ticos, como Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles, fascinam-me. Her\u00e1clito est\u00e1 de nosso lado falando da imperman\u00eancia do mundo, afirmando que \u201csomos e n\u00e3o somos\u201d. Essa dualidade faz perceber que em cada ser humano a raz\u00e3o e a emo\u00e7\u00e3o est\u00e3o jogando de puxar corda\u2026 At\u00e9 na escolha de um candidato podemos perceb\u00ea-la: Jo\u00e3o \u00e9 um bom candidato, mas sinto mais simpatia por Pedro. Lembro-me de uma aluna que disse em sala de aula: sei que n\u00e3o era o melhor candidato, mas ele \u00e9 t\u00e3o lindo, que tive que votar nele\u2026 Isso revela que a tecnologia e a sofistica\u00e7\u00e3o de nossa \u00e9poca s\u00e3o facilmente anuladas pela emo\u00e7\u00e3o e pelo instinto. A poesia tem a fun\u00e7\u00e3o de ajudar-nos na decanta\u00e7\u00e3o de nossas emo\u00e7\u00f5es. E a emo\u00e7\u00e3o est\u00e9tica \u00e9, talvez, a mais sublime de todas elas.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os seus livros favoritos?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o muitos\u2026 O Livro de Areia, de Jorge Luis Borges; Vinte Poemas de Amor e uma Can\u00e7\u00e3o Desesperada, de Pablo Neruda; Todas as Horas e Antes: poesia reunida de Neide Arcanjo; Infinito Presente, de Helena Kolody.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o seus autores favoritos?<\/strong><\/p>\n<p>Os poetas Jorge Luis Borges, Pablo Neruda, Neide Arcanjo, Ferreira Gullar, Amado Nervo, Helena Kolody e J\u00e9ssica Iancoski.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 mais importante no seu processo de escrita? A inspira\u00e7\u00e3o ou a concentra\u00e7\u00e3o? Precisa esperar pela inspira\u00e7\u00e3o chegar ou a escrita \u00e9 um h\u00e1bito constante?<\/strong><\/p>\n<p>Inspira\u00e7\u00e3o ou concentra\u00e7\u00e3o? No momento de escrever penso que o mais importante \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o. Depois, quando \u00e9 preciso ler e reler o poema para fazer as corre\u00e7\u00f5es, o mais importante \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Qual \u00e9 o tema mais presente nos seus escritos? E por que voc\u00ea escolheu esse assunto?<\/strong><\/p>\n<p>O tempo\u2026 aparece em muitos de meus poemas. O tempo, o velho Cronos \u00e9 poderoso e assustador. Quem n\u00e3o teme o passo do tempo? Alguns temem as rugas do rosto, outros temem a morte, mas o tempo desperta o interesse de poetas e cientistas. Somos prisioneiros do tempo.<\/p>\n<p><strong>Para voc\u00ea, qual \u00e9 o objetivo da literatura?<\/strong><\/p>\n<p>Permite visualizar novos horizontes. A literatura \u00e9 instigante, provoca a imagina\u00e7\u00e3o, comove emocionalmente e faz refletir. Pode divertir e ensinar.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 trabalhando em algum projeto neste momento?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, em um novo livro de poesia.<\/p>\n<p><strong>Quais livros formaram quem voc\u00ea \u00e9 hoje? O Jos\u00e9 Seabra sempre cita Camilo Castelo Branco como seu escritor predileto, o Daniel Marchi tem fascina\u00e7\u00e3o pelo Augusto Frederico Schmidt, e o Eduardo Mart\u00ednez aponta Machado de Assis como a sua maior refer\u00eancia liter\u00e1ria. Voc\u00ea tamb\u00e9m deve ter as suas prefer\u00eancias. Quem s\u00e3o? E h\u00e1 algum ou alguns escritores e poetas contempor\u00e2neos que voc\u00ea queira citar?<\/strong><\/p>\n<p>Meus amados poetas e mestres na minha adolesc\u00eancia foram Amado Nervo e Rub\u00e9n Dario. Lembro-me que vi uma fotografia de Amado Nervo em um livro e cheguei a sonhar com ele. No sonho, ele disse que a poesia \u00e9 como a luz que preenche o universo.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 ser escritor hoje em dia?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil, pois com a democratiza\u00e7\u00e3o da escrita muitas pessoas sem voca\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria entram na \u00e1rea para engrandecer o ego, mas, se n\u00e3o t\u00eam voca\u00e7\u00e3o, em pouco tempo encontram outro passatempo e afastam-se da literatura.<\/p>\n<p><strong>Tem alguma coisa que eu n\u00e3o perguntei e voc\u00ea gostaria de falar?<\/strong><\/p>\n<p>Gostaria de falar sobre os chamados \u201cerros\u201d. Por exemplo: \u201cerrou nesse poema\u201d. Talvez nem exista erro em poesia\u2026<br \/>\nAffonso Romano de Sant\u2019Anna, no poema dedicado ao pintor Picasso, aborda o assunto de um artista \u201cerrar\u201d. Vejamos um fragmento do poema: \u201cPicasso erra quando pinta e erra quando ama. Mas quando erra, erra violenta e generosamente com exuberante arrog\u00e2ncia [\u2026]\u201d.<\/p>\n<p>Penso que, ao lermos poemas, dever\u00edamos evitar a afirma\u00e7\u00e3o \u201cesse poema \u00e9 ruim\u201d. Mas, podemos dizer: \u201ceu n\u00e3o gostei desse poema\u201d. N\u00e3o gostei, \u00e9 isso, uma prefer\u00eancia. Dizer que um poema \u00e9 ruim, \u00e9 sentir-se superior e julgar. E os poemas podem desagradar a um leitor e comover e apaixonar a outro leitor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hermana Isabel Furini nasceu com um destino j\u00e1 tra\u00e7ado: escrever contos, poemas e muita literatura destinada ao p\u00fablico infanto-juvenil. Trocou sua Argentina dos idos de Evita Per\u00f3n pela eterna cidade-jardim que \u00e9 Curitiba. Suas obras liter\u00e1rias s\u00e3o destinadas aos mais diferentes segmentos. A trajet\u00f3ria de Isabel, longa, \u00e9 coroada de sucesso. Lendo a entrevista [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":337379,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-337378","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cafe-literario"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/337378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=337378"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/337378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":337380,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/337378\/revisions\/337380"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/337379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=337378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=337378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=337378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}