{"id":338844,"date":"2024-10-17T16:38:35","date_gmt":"2024-10-17T19:38:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=338844"},"modified":"2024-10-17T16:38:35","modified_gmt":"2024-10-17T19:38:35","slug":"eric-gustavo-traido-enterra-sonho-de-poli-de-dirigir-a-oab-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/eric-gustavo-traido-enterra-sonho-de-poli-de-dirigir-a-oab-em-brasilia\/","title":{"rendered":"\u00c9ric Gustavo, tra\u00eddo, enterra sonho de Poli de dirigir a OAB em Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria mostra que filhos nascem para enterrar os pais. H\u00e1, por\u00e9m, exce\u00e7\u00f5es. \u00c9 quando trag\u00e9dias deixam marcas dolorosas. E por doerem, n\u00e3o vem ao caso lembr\u00e1-las. Mas pode-se, eventualmente, retratar a hist\u00f3ria recente, mesmo que com cores que fazem lembrar a Velha Senhora com a foice na m\u00e3o. Morte, no sentido do corpo inerte, n\u00e3o. Por\u00e9m, morte moral, sim.<\/p>\n<p>H\u00e1, aqui, tr\u00eas personagens. Fl\u00e1vio Dino, hoje ministro do Supremo; seu disc\u00edpulo Paulo Maur\u00edcio, que tenta tornar eterno, com seu incestuoso mandato, o grupo de de Jr \u00e0 frente da Seccional Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; e, por fim, a figura de \u00c9ric Gustavo, lideran\u00e7a inconteste que tem como escudo mais de dois mil colegas que o ajudaram a fazer da subse\u00e7\u00e3o da \u00c1guas Claras uma das mais respeitadas e conceituadas ra\u00edzes da OAB na capital da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00c9ric, foi o que me confidenciaram, vive amargurado por ter sido tra\u00eddo por Poli, aluno nota 10 de Dino. O ministro &#8211; quem o conhece sabe &#8211; \u00e9 dono de personalidade controversa. Help, ele gritou aos vizinhos, quando mais precisava, h\u00e1 cerca de 10, 12 anos atr\u00e1s. Socorro, ministro, foi-lhe dito, em tom quase de s\u00faplica, quando procurado no in\u00edcio do governo Lula 3. Dino, por\u00e9m, fez-se de surdo e mudo.<\/p>\n<p>As promessas v\u00e3s de Dino, passaram a se encaixar no perfil de Paulo Maur\u00edcio. Os dois s\u00e3o unha e carne. Por\u00e9m, quando surge uma manicure, uma pod\u00f3loga, o sangue jorra. E velhas e amargas lembran\u00e7as fazem escorrer l\u00e1grimas. Sinceras, talvez. Fingidas, mais prov\u00e1vel. &#8216;Voc\u00ea ser\u00e1 isso, ser\u00e1 aquilo. Comigo est\u00e1 voc\u00ea. N\u00e3o h\u00e1 fulano nem beltrano&#8217;, diz Poli, sempre avalizado por Dino.<\/p>\n<p>S\u00e3o duas m\u00e1scaras. A rela\u00e7\u00e3o, respeitado o campo em que atuam, \u00e9 prom\u00edscua. Como bom ap\u00f3stolo, Poli faz o que Dino manda. Afinal, o primeiro \u00e9 um mero candidato \u00e0 cadeira de Jr. O segundo, j\u00e1 tem cadeira vital\u00edcia, embora intimamente sonhe com nova trai\u00e7\u00e3o e almeje a cadeira de quem o colocou no Supremo.<\/p>\n<p>Cabe aqui, para encurtar a hist\u00f3ria, o prov\u00e9rbio &#8220;Dize-me com quem andas, que te direi quem \u00e9s&#8221;. Supostamente b\u00edblica, a express\u00e3o tem uma for\u00e7a persuasiva poderosa, especialmente quando a associamos ao campo do Direito. No contexto jur\u00eddico, a no\u00e7\u00e3o de quem anda com quem, isto \u00e9, as rela\u00e7\u00f5es e os v\u00ednculos entre profissionais da \u00e1rea, pode adquirir, com raz\u00e3o, um sentido pejorativo que ultrapassa a mera reflex\u00e3o sobre car\u00e1ter e comportamentos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica forense, as rela\u00e7\u00f5es interpessoais carregam um peso espec\u00edfico, visto que advogados, ju\u00edzes, promotores e outros operadores do Direito convivem em um espa\u00e7o onde a neutralidade e a imparcialidade s\u00e3o imperativos. No entanto, quando observamos o uso pejorativo desse prov\u00e9rbio, ele sugere uma leitura mais cr\u00edtica das associa\u00e7\u00f5es e dos la\u00e7os que surgem no meio jur\u00eddico.<\/p>\n<p>O &#8220;andar com quem&#8221; passa a evocar favoritismos, compadrio, e, em casos mais extremos, coniv\u00eancia com pr\u00e1ticas anti\u00e9ticas. A reputa\u00e7\u00e3o de um profissional pode ser julgada n\u00e3o apenas por sua atua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e conhecimento jur\u00eddico, mas por sua proximidade com determinadas figuras de poder, sejam elas reconhecidas pela integridade ou por envolvimentos question\u00e1veis. E, claro, pela quebra da palavra.<\/p>\n<p>Imaginemos, a t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o, um advogado que, por compet\u00eancia, frequenta os mesmos espa\u00e7os de altos magistrados ou de pol\u00edticos influentes. A percep\u00e7\u00e3o pejorativa que pode recair sobre ele \u00e9 a de que n\u00e3o se destaca pelo m\u00e9rito de sua advocacia, mas pela conveni\u00eancia das suas rela\u00e7\u00f5es pessoais. &#8220;Se anda com ju\u00edzes, ser\u00e1 que tem decis\u00f5es a seu favor por isso?&#8221; \u2013 essa \u00e9 uma d\u00favida que surge facilmente quando o prov\u00e9rbio \u00e9 aplicado em sua acep\u00e7\u00e3o mais negativa. O valor das suas conquistas pode ser subestimado, desconsiderando-se a \u00e9tica e a habilidade que ele possua, simplesmente porque h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o indireta com figuras de prest\u00edgio ou poder.<\/p>\n<p>O prov\u00e9rbio tamb\u00e9m pode ser evocado quando se v\u00ea advogados circulando em ambientes de grande influ\u00eancia econ\u00f4mica ou social. Uma proximidade demasiado frequente com grandes empres\u00e1rios ou figuras do alto escal\u00e3o do governo pode trazer \u00e0 tona suspeitas de favorecimentos il\u00edcitos ou tr\u00e1fico de influ\u00eancia. Por outro lado, quando advogados aparecem em meio a ambientes socialmente mais perif\u00e9ricos ou com clientela pol\u00eamica, surge a indaga\u00e7\u00e3o: &#8220;Ser\u00e1 que ele compactua com atividades criminosas?&#8221;.<\/p>\n<p>O campo do Direito, especialmente o brasileiro, carrega uma hist\u00f3ria onde la\u00e7os de favoritismo j\u00e1 foram determinantes na escolha de cargos p\u00fablicos, decis\u00f5es judiciais e at\u00e9 mesmo na ascens\u00e3o profissional. Esse cen\u00e1rio faz com que o prov\u00e9rbio, quando usado de forma pejorativa, seja uma ferramenta de cr\u00edtica a um sistema que, aos olhos da sociedade, ainda sofre com o peso de influ\u00eancias externas e interesses privados. \u00c9 como se a independ\u00eancia dos operadores do Direito fosse constantemente colocada \u00e0 prova, tanto pelos v\u00ednculos que constroem como pelos c\u00edrculos em que se movimentam.<\/p>\n<p>Assim, o &#8220;andar com quem&#8221; pode determinar como algu\u00e9m \u00e9 percebido no universo jur\u00eddico: sua \u00e9tica pode ser posta em d\u00favida, suas conquistas questionadas e, por fim, sua identidade profissional forjada menos por suas a\u00e7\u00f5es e mais pelas companhias que o cercam.<\/p>\n<p>Defenestrado de uma chapa, Eric Gustavo anda atordoado. Jamais imaginaria Poli incorporar o papel de Judas. Tra\u00eddo, aprendeu uma li\u00e7\u00e3o. Poli representa \u00e1guas passadas que n\u00e3o movem moinho. O futuro a curt\u00edssimo prazo do ainda presidente da subse\u00e7\u00e3o de \u00c1guas Claras est\u00e1 tra\u00e7ado. Trata-se, entretanto, de uma quest\u00e3o de foro \u00edntimo. As m\u00e1goas existem. O rancor \u00e9 maior ainda. E Poli, Judas II, est\u00e1 fora do jogo. Ao menos na \u00f3tica de \u00c9ric Gustavo e seu grupo.<\/p>\n<p>&#8216;Dize-me com quem andas, que te direi quem \u00e9s&#8217;. Como conhe\u00e7o o presidente \u00c9ric Gustavo h\u00e1 algum tempo, e acompanho sua trajet\u00f3ria, sei que o rumo que ele tomar\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 o do calv\u00e1rio. Ali\u00e1s, cruz n\u00e3o serve nem para Dino, muito menos para Poli. Aos dois caberia o papel da mo\u00e7a que foi apedrejada. Desta vez, por\u00e9m, sem a interfer\u00eancia de Jesus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria mostra que filhos nascem para enterrar os pais. H\u00e1, por\u00e9m, exce\u00e7\u00f5es. \u00c9 quando trag\u00e9dias deixam marcas dolorosas. 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