{"id":338958,"date":"2024-10-19T08:22:42","date_gmt":"2024-10-19T11:22:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=338958"},"modified":"2024-10-19T12:04:45","modified_gmt":"2024-10-19T15:04:45","slug":"de-mae-para-a-filha-para-a-neta-e-a-fruta-do-pecado-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/de-mae-para-a-filha-para-a-neta-e-a-fruta-do-pecado-do-amor\/","title":{"rendered":"De m\u00e3e para a filha, para a neta&#8230; \u00c9 a fruta do pecado do amor"},"content":{"rendered":"<p>Foi com o fruto nas m\u00e3os que sentiu as primeiras dores. Abandonou-o num canto qualquer e procurou socorro o mais r\u00e1pido que pode. Havia urg\u00eancia. A crian\u00e7a viria logo ap\u00f3s o l\u00edquido que escorria at\u00e9 os seus p\u00e9s.<\/p>\n<p>Num repente, nada do planejado funcionou. A bolsa com as roupinhas, onde estava? O telefone para ligar para o pai desavisado encontrou num canto, quase sem bateria. Recorreu \u00e0 vizinha que arregalou os olhos diante da situa\u00e7\u00e3o. Ligou 192, a ambul\u00e2ncia veio e ela foi. Sem amparo, sem as coisas da crian\u00e7a. Sem o chinelinho macio comprado para a ocasi\u00e3o. Na m\u00e3o crispada pela dor das contra\u00e7\u00f5es somente os documentos e o cart\u00e3o que dava direito ao atendimento no servi\u00e7o p\u00fablico. Sentiu-se desamparada.<\/p>\n<p>N\u00e3o podia reter a for\u00e7a da natureza e, ainda na viagem, a crian\u00e7a nasceu. Olho encheu d\u2019\u00e1gua quando ouviu o grito inaugurando a vida. N\u00e3o era emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Parab\u00e9ns, mam\u00e3e! \u00c9 saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8211; Cad\u00ea o pai? &#8211; nem foi avisado.<\/p>\n<p>Colocaram a crian\u00e7a de qualquer jeito em seu colo. Moa lembrou da ma\u00e7\u00e3 abandonada cortada na vertical. Feminina tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A menina cresceu como veio ao mundo, repleta de aus\u00eancias: do pai, da m\u00e3e que parecia n\u00e3o atender \u00e0s expectativas da maternidade. Apenas permanecia ao seu lado, cumprindo os rituais inevit\u00e1veis que a sociedade impunha. Fora isso, pouca coisa.<\/p>\n<p>Herdou de Moa o fasc\u00ednio pela fruta e dos poucos conselhos que ouvia, comer uma ma\u00e7\u00e3 por dia, foi o que mais acatou.<\/p>\n<p>Era a merenda recorrente na escola, vez ou outra transformava-se em presente para a professora, companheira nas horas de leitura, distra\u00e7\u00e3o durante os programas de TV. Sabor dividido entre os segredos trocados com a melhor amiga.<\/p>\n<p>Com o tempo, a maneira de degustar a fruta mudou. Mordidas, mais longas, provocando barulho, a sucul\u00eancia escorrendo no canto da boca. O primeiro beijo treinou numa red doce e bem macia.<\/p>\n<p>Fruto maduro, desejo e T\u00e1cio. Mistura perigosa, encontro de anseios. Descobertas. Fruta envolta na calda quente, resistente e brilhante. Apeteceu. No seu nome a fantasia do amor. Semente ingerida, pequena dose de cianeto, se n\u00e3o mata, engorda. No solo f\u00e9rtil, brotou.<\/p>\n<p>Moa n\u00e3o apoiou e T\u00e1cio lhe deu apenas uma ma\u00e7\u00e3 verde, t\u00e3o \u00e1cida quanto as acusa\u00e7\u00f5es proferidas na despedida.<\/p>\n<p>Meio sem querer, cortou a fruta na horizontal. Observou o resultado do engano e encheu-se de for\u00e7a.<\/p>\n<p>Foi com a fruta nas m\u00e3os que Evany sentiu as primeiras dores. Abandonou-a num canto qualquer e procurou socorro. Num repente, nada do planejado funcionou.<\/p>\n<p>Tudo aconteceu muito r\u00e1pido. O ciclo reiniciou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi com o fruto nas m\u00e3os que sentiu as primeiras dores. Abandonou-o num canto qualquer e procurou socorro o mais r\u00e1pido que pode. Havia urg\u00eancia. A crian\u00e7a viria logo ap\u00f3s o l\u00edquido que escorria at\u00e9 os seus p\u00e9s. Num repente, nada do planejado funcionou. A bolsa com as roupinhas, onde estava? O telefone para ligar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":338959,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-338958","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cafe-literario"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=338958"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338958\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":338960,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338958\/revisions\/338960"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/338959"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=338958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=338958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=338958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}