{"id":339005,"date":"2024-10-20T06:12:35","date_gmt":"2024-10-20T09:12:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=339005"},"modified":"2024-10-20T06:12:35","modified_gmt":"2024-10-20T09:12:35","slug":"debaixo-dos-coqueirais-nao-ha-cabelos-com-caracois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/debaixo-dos-coqueirais-nao-ha-cabelos-com-caracois\/","title":{"rendered":"Debaixo dos coqueirais n\u00e3o h\u00e1 cabelos com carac\u00f3is"},"content":{"rendered":"<p><em>Um dia a areia branca\/Seus p\u00e9s ir\u00e3o tocar\/E vai molhar seus cabelos\/A \u00e1gua azul do mar\u2026<\/em> (Roberto Carlos).<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos que ela s\u00f3 sonhava com as f\u00e9rias. Os dias cinzentos do Recife pareciam longos, intermin\u00e1veis, e a rotina a arrastava como uma onda que n\u00e3o quebrava nunca. Mas agora, sob o sol quente e o c\u00e9u azul, ela finalmente estava l\u00e1: na praia. O cheiro da maresia, o vento suave balan\u00e7ando as folhas dos coqueiros e o som relaxante das ondas a faziam, ao lado do marido, esquecer de tudo.<\/p>\n<p>E foi ent\u00e3o que ela come\u00e7ou a cantarolar:<\/p>\n<p><strong>&#8220;Debaixo dos coqueirais, do litoral,<\/strong><br \/>\n<strong>Onde o vento brinca e sopra o sal,<\/strong><br \/>\n<strong>Voc\u00ea se esconde do calor do sol,<\/strong><br \/>\n<strong>E o mar te abra\u00e7a sem nenhum farol.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>A melodia de Roberto Carlos vinha f\u00e1cil \u00e0 mente, mas agora com novos versos, gerando uma par\u00f3dia. Ela n\u00e3o pensava mais nos carac\u00f3is dos cabelos (h\u00e1 muido desaparecidos) do amado, mas nos coqueirais que se erguem imponentes \u00e0 beira-mar. O balan\u00e7o das folhas combina com o ritmo suave da can\u00e7\u00e3o original, e ela ria da simplicidade da vida \u00e0 beira do oceano.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Debaixo dos coqueirais, do litoral,<\/strong><br \/>\n<strong>O seu sorriso \u00e9 t\u00e3o natural,<\/strong><br \/>\n<strong>As ondas v\u00eam dan\u00e7ando sem parar,<\/strong><br \/>\n<strong>Enquanto os p\u00e1ssaros no c\u00e9u v\u00e3o cantar.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Cada verso lembrava do quanto a vida na cidade a fazia esquecer que existe algo al\u00e9m dos pr\u00e9dios altos e do tr\u00e1fego barulhento. Ali, nos coqueirais de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho, tudo \u00e9 leve, sem pressa, e at\u00e9 o tempo parece respeitar o espa\u00e7o do \u00f3cio. Ela olhava para o horizonte, com o sol descendo devagar, tingindo o c\u00e9u de cores que a cidade jamais poderia lhe oferecer.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Debaixo dos coqueirais, do litoral,<\/strong><br \/>\n<strong>O horizonte \u00e9 o seu grande postal,<\/strong><br \/>\n<strong>O p\u00f4r do sol se estende pelo mar,<\/strong><br \/>\n<strong>E a paz te encontra ao caminhar.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Ela cantava e ria, sentindo-se mais viva do que nunca, como se a letra e o ritmo a envolvessem num abra\u00e7o morno e calmo, assim como o mar. Sob os coqueiros, naquele instante, ela era s\u00f3 mais um pedacinho da natureza, parte de uma cena que Roberto Carlos, talvez, tamb\u00e9m imaginasse quando comp\u00f4s a can\u00e7\u00e3o t\u00e3o cheia de saudades. S\u00f3 que agora, a saudade era dos dias na praia, e n\u00e3o dos carac\u00f3is dos cabelos de \u00c2ngelo, que sumiram faz tempo, dando lugar a uma lustrosa calv\u00edcie.<\/p>\n<p>Mariana, cantando, brincando, capturava o sentimento de liberdade e descontra\u00e7\u00e3o que vem com o contato com a natureza, principalmente em um cen\u00e1rio de praia tropical.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia a areia branca\/Seus p\u00e9s ir\u00e3o tocar\/E vai molhar seus cabelos\/A \u00e1gua azul do mar\u2026 (Roberto Carlos). H\u00e1 tempos que ela s\u00f3 sonhava com as f\u00e9rias. Os dias cinzentos do Recife pareciam longos, intermin\u00e1veis, e a rotina a arrastava como uma onda que n\u00e3o quebrava nunca. 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