{"id":339011,"date":"2024-10-20T07:05:11","date_gmt":"2024-10-20T10:05:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=339011"},"modified":"2024-10-20T07:33:04","modified_gmt":"2024-10-20T10:33:04","slug":"escritor-e-o-joalheiro-da-palavra-tem-definicao-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/escritor-e-o-joalheiro-da-palavra-tem-definicao-melhor\/","title":{"rendered":"&#8216;Escritor \u00e9 o joalheiro da palavra&#8217;. Tem defini\u00e7\u00e3o melhor?"},"content":{"rendered":"<p>Advogado, trocou a cidade pequena do interior pela que \u00e9 a selva de pedras onde os paulistanos esbarram uns nos outros, de tanta gente nas ruas. Mas eis que veio a pandemia. E Lucas Guimar\u00e3es, 27 anos, voltou para a sua saudosa Santa F\u00e9 do Sul. Leitor ass\u00edduo de grandes cl\u00e1ssicos (sem deixar de folhear tamb\u00e9m outros autores) ele traduz numa p\u00e9rola o que \u00e9 ser escritor: joalheiro de palavras. Por certo, desde que me entendo por cr\u00edtica liter\u00e1ria, nunca ouvi frase t\u00e3o perfeita.<\/p>\n<p>Lucas concedeu a entrevista a <strong>Notibras,<\/strong> que pode ser lida a seguir, por e-mail. Boa leitura.<\/p>\n<p><strong>Fale um pouco sobre voc\u00ea, seu nome (se quiser, pode falar apenas o art\u00edstico), onde nasceu, onde mora, sobre sua trajet\u00f3ria como escritor.<\/strong><\/p>\n<p>Me chamo Lucas Guimar\u00e3es, 27 anos, nasci e cresci em Santa F\u00e9 do Sul \u2013 SP, me mudei para S\u00e3o Paulo em 2015 onde me formei em Direito pelas FMU-Liberdade no ano de 2019, fiquei em Sampa at\u00e9 2021, quando, por decorr\u00eancia da falta de oportunidades de trabalho, das dificuldades, da solid\u00e3o, enfim, por conta da aus\u00eancia do m\u00ednimo existencial, reflexo da pandemia da covid-19, me vi obrigado a regressar a Santa F\u00e9, ap\u00f3s sete anos&#8230; Minha trajet\u00f3ria como escritor, se \u00e9 que posso me considerar como tal, come\u00e7ou l\u00e1 pelos nove ou oito anos de idade mais ou menos&#8230; Antes desta idade, eu j\u00e1 demonstrava alguma desenvoltura e algum talento para escrever (sempre foi algo natural e fluido), discorria sobre os temas b\u00e1sicos \u2013 obrigat\u00f3rios &#8211; que nos solicitavam, no \u00e2mbito das mat\u00e9rias que t\u00ednhamos na grade de ensino do meu saudoso Col\u00e9gio Rui Barbosa-Objetivo (onde estudei dos quatro aos 17 anos), mas aos nove anos de idade (aproximadamente), me recordo de escrever \u2013 j\u00e1 com um certo rigor e maior habitualidade &#8211; poemas ing\u00eanuos para paix\u00f5es e amores (plat\u00f4nicos). Me recordo do prazer de escrever nas aulas de reda\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio, me recordo da satisfa\u00e7\u00e3o e esmero das minhas professoras de reda\u00e7\u00e3o em conduzirem nossos estudos sobre a mat\u00e9ria, e com muito orgulho, tamb\u00e9m devo recordar aqui, de ter obtido a nota 980 (de 1000) quando prestei a prova do ENEM (no ano de 2014), surpresa esta que me deixou bastante orgulhoso de mim naquela ocasi\u00e3o. Dediquei boa parte da minha vida \u00e0 poesia, escrevi in\u00fameros poemas, muit\u00edssimos sonetos, e mais recentemente me divorciei dos sonetos porque infelizmente percebi que poucos entendiam de escans\u00e3o m\u00e9trica, e menos gente ainda sabia reconhecer o valor do 4-4-3-3 do soneto ou sonetilho (no caso das redondilhas maiores e menores), ent\u00e3o preferi me tornar minimamente mais intelig\u00edvel do que satisfazer minha vaidade art\u00edstica buscando a pris\u00e3o apaixonante do soneto. Desde a mais tenra idade me lembro de ter ficado f\u00e3 incomensur\u00e1vel de Vinicius de Moraes e isso veio a definir muitas coisas dali pra frente&#8230; Com o passar do tempo, musicalmente, fui me tornando mais f\u00e3 de Nelson Gon\u00e7alves, o qual julgo ser o maior cantor do Brasil de todos os tempos e Frank Sinatra, o qual, indubitavelmente, a meu ver, creio que ainda hoje seja o maior artista que o mundo j\u00e1 viu. Todavia, o que posso afirmar, \u00e9 que, o contato com a obra de Vinicius norteou muito na minha escrita e na minha vida \u2013 naqueles primeiros anos de arte e de vida &#8211; enfim; assim como, anos depois o contato com a obra de Machado de Assis acabou me catequizando em certos pontos narrativos e at\u00e9 nos vieses teleol\u00f3gicos de tudo aquilo que eu escrevi durante a vida, se a finalidade do meu escrito era uma sensa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica eu buscava direcionar as palavras e a estrutura para ressaltar aquela sensa\u00e7\u00e3o no leitor, se o fim do meu escrito era a cr\u00edtica, de forma furtiva (indireta) ou mesmo de forma escancarada (direta), eu buscava deixar ali os resqu\u00edcios ou os motivos inteiros da cr\u00edtica que eu estava fazendo&#8230; Ser um bom aluno de filosofia, ou melhor dizendo, ser um aluno dedicado de filosofia, tamb\u00e9m sempre contou muito na hora da escrita, pois, a filosofia estimula tanto o pensamento em motivos abstratos, como tamb\u00e9m refina a reflex\u00e3o e a abordagem que se aplica as coisas puramente materiais; h\u00e1 um outro fator, entretanto, que interessa ao escritor, que a filosofia traz consigo e que n\u00e3o pode jamais ser desprezado, que \u00e9 o fato de que quem l\u00ea um pouco sobre a dial\u00e9tica de certos fil\u00f3sofos, acaba, por fim, em criar sua pr\u00f3pria dial\u00e9tica \u2013 por assim dizer &#8211; atrav\u00e9s da forma e do conte\u00fado de seus escritos; assim como \u2013 a bem da verdade &#8211; n\u00e3o haveria o amor plat\u00f4nico do qual tantos romancistas e poetas c\u00e9lebres falaram e ainda falam, sem o pensamento voltado ao mundo intelig\u00edvel, e tamb\u00e9m n\u00e3o haveria a paix\u00e3o carnal, (aquela que faz certos homens e mulheres delirarem no mundo hedonista em que vivemos), sem uma prec\u00e1ria an\u00e1lise, que seja, do mundo sens\u00edvel. N\u00e3o poderia deixar de dizer, de forma alguma, que a m\u00fasica foi um ingrediente indispens\u00e1vel para as coisas que eu escrevi no decorrer de minha vida. Aprendi a tocar o violino dos nove aos 12 anos de idade, depois comecei a aprender a tocar o viol\u00e3o aos 12 anos e estou aprendendo a tocar at\u00e9 hoje&#8230; N\u00e3o dispenso a m\u00fasica de jeito nenhum durante o processo de escrita de certos temas. Confesso que seria imposs\u00edvel escrever em certos dias sem a m\u00fasica de Claude Debussy ou sem a voz tonitruante de Luciano Pavarotti. Eu poderia falar mais sobre a rela\u00e7\u00e3o que a m\u00fasica tem com meus escritos, mas acredito que haver\u00e1 oportunidades mais adequadas para discorrer com mais vagar sobre isso&#8230; No decorrer de minha vida, escrevi muito, como eu j\u00e1 disse. Escrevi, antes, em verso (quase que exclusivamente), sobre amores e desamores, paix\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es, mulheres e mais mulheres&#8230; Por\u00e9m, de alguns anos pra c\u00e1, me peguei na necessidade de colocar as minhas ideias em prosa, de forma a baliz\u00e1-las para apresentar ao meu p\u00fablico no YouTube, onde tenho um canal (www.youtube.com\/@lucasguimaraes97), pois, a vontade de escrever estava em surto dentro de mim, n\u00e3o somente a vontade de escrever est\u00f3rias como a de Turc\u00e3o Bicheiro &#8211; (que aqui neste portal foi publicada), onde, entre outras coisas, eu tanto exponho, como critico, certos usos, costumes e hipocrisias da sociedade brasileira com humor \u00e1cido e narrativa de f\u00e1cil entendimento \u2013 mas, outrossim, escritos no \u00e2mbito do ensaio, de uma forma bastante ampla e diversificada, onde analiso aspectos da vida, do ser humano, da sociedade hodierna (em v\u00e1rias searas), entre outros temas, de forma reflexiva e cr\u00edtica proporcionando ao meu p\u00fablico a oportunidade, de ao menos, (sem maiores pretens\u00f5es), n\u00e3o ouvir mais do mesmo &#8211; e at\u00e9 de poder &#8211; por alguns instantes, ter contato com um m\u00ednimo de conte\u00fado que n\u00e3o seja mormente \u201cemburrecedor\u201d e alienante, como muito do que se v\u00ea por a\u00ed. Enfim, eu poderia escrever, muito, muito, muito&#8230; Mas, em apertada s\u00edntese, eu posso dizer que comecei a escrever, em primeiro lugar, por amor \u00e0 beleza feminina, posteriormente, continuei escrevendo, pois, eu achava (e ainda acho), a arte da palavra escrita, bem como a arte de seus mestres em todas as \u00e9pocas, algo t\u00e3o lindo e sublime quanto a arte do viol\u00e3o, que quando bem tocado, por exemplo, nas m\u00e3os de um Tur\u00edbio Santos, de um Baden Powell, de um Paco de Luc\u00eda ou mesmo de um Andr\u00e9s Segovia, nos mostra que a arte, quando bem feita, \u00e9, de fato, um bem universal e uma leg\u00edtima riqueza da humanidade&#8230; Al\u00e9m de que, as palavras, tamb\u00e9m trazem consigo certos aspectos m\u00e1gicos especiais que valem o registro, eis que, as palavras: tanto podem ferir, quanto curar, tanto podem absolver, quanto condenar, etc&#8230; Por isto que \u00e9 necess\u00e1rio ter um certo tato e uma certa cautela ao escrever, pois, a tarefa de todo bom escritor, assemelha-se ao of\u00edcio do joalheiro que separa as melhores pedrarias e os melhores metais para a confec\u00e7\u00e3o de suas joias. O escritor \u00e9, portanto, o joalheiro da palavra.<\/p>\n<p><strong>Como a escrita surgiu na sua vida?<\/strong><\/p>\n<p>A escrita surgiu em minha vida atrav\u00e9s da leitura. Recordo meus primeiros anos de vida aos 4 ou 5 anos de idade, quando eu j\u00e1 gostava de fu\u00e7ar na biblioteca repleta de volumes na casa de meu av\u00f4 materno, Jos\u00e9 Ribeiro Guimar\u00e3es Filho (ou apenas \u201cZ\u00e9 Guimar\u00e3es\u201d, para os \u00edntimos), recordo da cole\u00e7\u00e3o completa da antiga Enciclop\u00e9dia Brit\u00e2nica Barsa e tamb\u00e9m da cole\u00e7\u00e3o completa de Machado de Assis que se destacava entre tantas e tantas obras de variados \u00edcones da literatura. Me recordo de ter sido o primeiro ou um dos primeiros alunos da sala a aprender a ler e a escrever, j\u00e1 ansioso \u2013 e curioso \u2013 por saber de que tratavam aqueles belos livros antigos com capas luxuosas. Ao passo em que fui lendo quase tudo o que ca\u00eda em minhas m\u00e3os, desde os manuais de filosofia do meu tio Renato Artur Guimar\u00e3es, at\u00e9 as obras mais singelas voltadas ao p\u00fablico infanto-juvenil; quando ca\u00ed em mim, j\u00e1 estava eu, ao meu modo, h\u00e1 tantos anos, vejam voc\u00eas &#8211; j\u00e1 h\u00e1 quase 20 anos &#8211; estava eu com o l\u00e1pis ou a caneta em m\u00e3os, escrevendo minhas coisas no papel, sem jamais imaginar que haveria uma oportunidade como esta, de mostrar ao mundo um pouco das minhas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>De onde vem a inspira\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o dos seus textos?<\/strong><\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o, geralmente, vem de situa\u00e7\u00f5es vividas por mim ou por pessoas pr\u00f3ximas&#8230; Contudo, ela tamb\u00e9m pode vir do desejo de ter feito algo (que n\u00e3o tive a oportunidade de realizar). A grande verdade, \u00e9 que a inspira\u00e7\u00e3o pode vir de ilimitadas possibilidades de lugares, situa\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es, \u00e9 algo definitivamente imprevis\u00edvel que apenas acontece. N\u00e3o tem uma f\u00f3rmula exata, nem uma invoca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. \u00c9 um lampejo inesperado. Mas, n\u00e3o raro, h\u00e1 ocasi\u00f5es em que a inspira\u00e7\u00e3o vem de excertos de outros autores. Sobre a inspira\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o me resta a menor sombra de d\u00favida que \u2013 por favor, me perdoem o lugar comum \u2013 tanto a vida imita a arte, quanto a arte imita a vida. Todavia, a minha inspira\u00e7\u00e3o, repito, \u00e9 um \u00eaxtase imprevis\u00edvel, ou seja, tudo ou nada pode ser motivo para que esta linda donzela apare\u00e7a para impulsionar os trabalhos.<\/p>\n<p><strong>Como a sua forma\u00e7\u00e3o ou sua hist\u00f3ria de vida interferem no seu processo de escrita?<\/strong><\/p>\n<p>Minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em Direito, tanto quanto meu estilo e gosto pessoal, talvez interfiram diretamente no meu processo de escrita quanto ao refino do vocabul\u00e1rio e no que tange \u00e0 forma de disposi\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de certas ideias em determinados momentos, todavia, por outro lado, interferem indiretamente em outros momentos onde minhas ideias e sentimentos aparecem em carne viva para todos (custe o que custar, at\u00e9 mesmo a polidez ou o formalismo); no fim, o que importa, \u00e9 o recado ser dado e ponto final. Quanto \u00e0 minha hist\u00f3ria de vida, ela est\u00e1 ali a todo momento, em tudo o que eu escrevi, em tudo o que eu penso e fa\u00e7o&#8230; Na s\u00e9rie ficcional Mad Men, Don Draper (o personagem principal) em um momento de extrema lucidez disse que \u201cQuando um homem entra numa sala, ele carrega consigo sua vida inteira. (&#8230;)\u201d. Pausa machadiana. Eu at\u00e9 gostaria de transcrever a fala toda do personagem aqui para voc\u00eas, mas me limitarei a dizer que, da mesma forma que, quando um homem entra em uma sala ele carrega consigo sua vida inteira, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o levar em considera\u00e7\u00e3o &#8211; como diria Nietzche &#8211; que em toda produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria (ou em quase toda, pra n\u00e3o falar aqui em unanimidade), o autor se vale de suas palavras para promover certas confiss\u00f5es: de pecados (inconfess\u00e1veis), de ideias sombrias, de amores imposs\u00edveis&#8230; A lista \u00e9 grande; contudo, assim como Ian Fleming emprestou a seu James Bond, gostos e caracter\u00edsticas pessoais, como a sua estima e prefer\u00eancia pelo Rolex Submariner; \u00e9 mais do que natural que todo autor, empreste caracter\u00edsticas e prefer\u00eancias pessoais a seus personagens, ou mesmo, como j\u00e1 dito, confesse suas verdades ocultas, atrav\u00e9s de seus escritos de forma geral. Afinal de contas, pessoas que viveram experi\u00eancias extremas, como eu, n\u00e3o teriam o menor valor (no \u00e2mbito das artes) se n\u00e3o pudessem, no entanto, colocar a servi\u00e7o da arte tudo o que foi ou ainda \u00e9 vivido e sentido por n\u00f3s, do amor \u00e0 dor&#8230; Seria um desperd\u00edcio de vida e de tempo.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os seus livros favoritos?<\/strong><\/p>\n<p>Amo o livro \u201cA M\u00e3o e a Luva\u201d, de Machado de Assis. Este livro, hoje em dia, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o popular como Dom Casmurro, pois n\u00e3o \u00e9 um daqueles livros obrigat\u00f3rios da grade das escolas e dos vestibulares da vida. Mas \u00e9 uma grande obra, que fala sobre amor, poder, uma linda mulher, homens com temperamentos e formas de ser distintas, que nos ensinam muito sobre autocontrole, frieza para encarar certas situa\u00e7\u00f5es e, como em todas as obras de Machado de Assis, esta tamb\u00e9m nos revela um retrato fidedigno daquilo que \u2013 com tanto \u201corgulho\u201d \u2013 chamamos de: sociedade. \u201cA M\u00e3o e a Luva\u201d \u00e9 um livro atemporal enfim. Muito pedag\u00f3gico sobre a arte de viver a vida e muito realista com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas do amor. \u00c9 muito certo que todos os homens j\u00e1 foram ou ir\u00e3o ser em algum momento da vida: um Estev\u00e3o, um Jorge ou um Lu\u00eds Alves e mais certo do que isto, \u00e9 o fato de que todos os homens j\u00e1 encontraram uma Guiomar (para sua alegria ou para sua completa infelicidade)&#8230; Faz muito tempo que li este livro, portanto, n\u00e3o saberia agora elencar todos os pormenores para uma exegese completa, n\u00e3o obstante, esta obra me marcou muito, pois, quando eu a li, foi como se Machado de Assis, me desse um comp\u00eandio de li\u00e7\u00f5es &#8211; sob uma perspectiva eterna &#8211; que eu precisava aprender atrav\u00e9s daquele romance. Por estas e outras, sou f\u00e3 de Machado de Assis e amo seu estilo \u00edmpar \u2013 inigual\u00e1vel &#8211; espero, inclusive, futuramente, ler outras obras dele, para al\u00e9m das que eu j\u00e1 li na fase de col\u00e9gio e vestibular, pois Machado \u00e9 um g\u00eanio imortal e sua genialidade, sem exagero, se expande para muito al\u00e9m dos conhecidos t\u00edtulos: Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas e Dom Casmurro. Amei ler \u201cSun Tzu \u2013 A Arte da Guerra, os 13 Cap\u00edtulos Originais\u201d e busco ter um exemplar deste livro sempre por perto assim como as \u201c48 Leis do Poder\u201d, s\u00e3o livros de cabeceira perfeitos e bons conselheiros para a maioria das quest\u00f5es da vida. J\u00e1 fui um leitor ass\u00edduo das \u201cF\u00e1bulas de Esopo\u201d, e fa\u00e7o votos de que um dia tenhamos mais \u201csapos\u201d do que \u201cescorpi\u00f5es\u201d por a\u00ed. Amo os livros de poesia do Vin\u00edcius de Moraes, assim como amei ler \u201cOs Lus\u00edadas\u201d e os poemas esparsos de Cam\u00f5es. Amei ter lido \u201cO Caibalion\u201d, e recomendo a leitura a qualquer pessoa que deseje um gr\u00e3o a mais de sabedoria em sua vida.m Gostei muito de ter lido \u201cModernidade L\u00edquida\u201d, de Zygmunt Bauman e me arriscaria a dizer que, quem quer entender a sociedade atual, ainda que minimamente, deve passar pela leitura deste livro (e de seus livros-irm\u00e3os do mesmo autor). Me perdoem neste ponto, pois realmente \u00e9 dif\u00edcil elencar quais s\u00e3o meus livros prediletos, porque depende muito da fase e do momento, conseguem me entender?! Por fim, meu \u00faltimo, e n\u00e3o menos importante amor, \u00e9 a obra do fil\u00f3sofo Friedrich Nietzche, at\u00e9 agora j\u00e1 li: \u201cA Filosofia na Era Tr\u00e1gica dos Gregos\u201d, \u201cCrep\u00fasculo dos \u00cddolos\u201d e \u201cA Genealogia da Moral\u201d. Espero ler (em breve) seu \u201cZaratustra\u201d e os outros livros can\u00f4nicos de sua autoria, confesso a voc\u00eas que tem sido uma aventura deveras prof\u00edcua e prazerosa \u2013 muito honestamente falando &#8211; ler Nietzsche, \u00e9 \u00f3bvio que \u00e9 preciso ter um certo preparo intelectual, uma interpreta\u00e7\u00e3o madura e um olhar parcimonioso sobre os escritos de Nietzche, afinal de contas, eu disse que a aventura da literatura nietzschiana era prof\u00edcua e \u2013 at\u00e9 mesmo \u2013 prazerosa, por\u00e9m n\u00e3o disse e nem poderia dizer, sob pena de estar criando um embuste, que a aventura n\u00e3o fosse dif\u00edcil, demandando muita for\u00e7a mental e tenacidade. Ler Nietzsche \u00e9 como escalar o Everest por meio de um livro, por isso mesmo, l\u00ea-lo \u00e9 algo t\u00e3o prazeroso e gratificante, como se fosse uma vit\u00f3ria pessoal sobre um desafio hom\u00e9rico. O livro \u201cO Profeta\u201d, de Khalil Gibran, tamb\u00e9m merece ser lido por todos, um outro bom exemplo de obra atemporal. Registre-se. Finalmente, eu diria que li muitos livros que amei ter lido, assim como leio muitos excertos de muitos livros que levo como tesouros em minha mente; esta pergunta realmente foi bem dif\u00edcil de ser respondida com objetividade, porque realmente, se eu pudesse, gostaria de listar uma s\u00e9rie de livros que li e poderiam ser \u00fateis a quem prestigia estas palavras neste momento.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o seus autores favoritos?<\/strong><\/p>\n<p>Outra pergunta dific\u00edlima, pois tenho admira\u00e7\u00e3o e estima por v\u00e1rios autores. Todavia, sendo bem objetivo, devo dizer que admiro: a poeticidade e o romantismo, de Vinicius de Moraes e de Cam\u00f5es; a maestria, genialidade e criatividade de Machado de Assis; a intelig\u00eancia vision\u00e1ria (e revolucion\u00e1ria) \u2013 e por que n\u00e3o dizer &#8211; a coragem, de Friedrich Nietzsche e o realismo e a clareza de Arthur Schopenhauer. Outros autores poderiam e deveriam estar aqui, mas acho que deixei a b\u00fassola direcionada para o caminho certo atrav\u00e9s do par\u00e1grafo anterior.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 mais importante no seu processo de escrita? A inspira\u00e7\u00e3o ou a concentra\u00e7\u00e3o? Precisa esperar pela inspira\u00e7\u00e3o chegar ou a escrita \u00e9 um h\u00e1bito constante?<\/strong><\/p>\n<p>No meu processo de escrita, sempre foi mais importante a inspira\u00e7\u00e3o; dou gra\u00e7as por nunca ter tido um processo art\u00edstico mec\u00e2nico, afinal, o sexo e a arte, devem brotar de forma natural no ser, al\u00e9m do mais, o mundo est\u00e1 cheio de m\u00e1quinas (de ferro ou de carne e osso) hoje em dia \u2013 de um lado \u2013 e poucos humanos sendo verdadeiramente humanos (com suas dores e del\u00edcias), de outro. Fato lastim\u00e1vel e temer\u00e1rio sob a minha \u00f3tica. S\u00e3o tempos tediosos e decepcionantes&#8230; Algu\u00e9m contraditaria esta afirma\u00e7\u00e3o?! Todavia sendo bem franco, \u00e9 preciso, a priori, de inspira\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida. A mat\u00e9ria prima de toda e qualquer arte \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o, contudo, quando a inspira\u00e7\u00e3o chega, \u00e9 preciso muita concentra\u00e7\u00e3o e disciplina para n\u00e3o deixar nada passar e para exprimir tudo o que est\u00e1 se sentindo e pensando na hora da inspira\u00e7\u00e3o. Equil\u00edbrio \u00e9 tudo. Sem mais. Quanto \u00e0 segunda parte da pergunta, eu diria que h\u00e1 fases mais f\u00e9rteis e fases menos f\u00e9rteis tanto no quesito inspira\u00e7\u00e3o, quanto no quesito frequ\u00eancia (ou h\u00e1bito) de escrever. H\u00e1 fases de escrita constante e fases des\u00e9rticas \u2013 n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que ouse escrever que nunca tenha passado por isto, gravem na mente &#8211; se n\u00e3o me engano, Vinicius de Moraes dizia, que quando a inspira\u00e7\u00e3o vem, \u00e9 preciso ser esperto e aproveitar, por\u00e9m, quando a inspira\u00e7\u00e3o foge, \u00e9 preciso dar um tempo e ir viver&#8230; A\u00ed ent\u00e3o, quando menos se espera, c\u00e1 novamente reaparece a inspira\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo c\u00edclico, como tudo na vida.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o tema mais presente nos seus escritos? E por que voc\u00ea escolheu esse assunto?<\/strong><\/p>\n<p>O tema mais recorrente em meus escritos \u00e9 o ser humano e suas nuances&#8230; Seja no amor, na sociedade, na pol\u00edtica, na cultura, no estilo de vida, na espiritualidade&#8230; O ser humano por vezes, me frustra, me machuca e me entristece de tantas formas que n\u00e3o seria poss\u00edvel nem dimensionar e retratar aqui. Todavia, para mim, o ser humano ainda continua sendo irresistivelmente interessante. Nada seria poss\u00edvel nesse mundo sem o ser humano. E um dos m\u00faltiplos privil\u00e9gios do escritor, \u00e9 o de poder falar das grandiosas fa\u00e7anhas e dos grandiosos fiascos que o animal humano perpetrou e perpetra no decorrer de sua passagem pelo tempo.<\/p>\n<p><strong>Para voc\u00ea, qual \u00e9 o objetivo da literatura?<\/strong><\/p>\n<p>A literatura, para mim, tem variados objetivos e n\u00e3o um \u00fanico e exclusivo. A pergunta \u00e9 bastante complexa (registre-se). Seria realmente um acinte limitar os objetivos da literatura em uma coisa s\u00f3&#8230; Al\u00e9m de uma estultice e uma grandios\u00edssima injusti\u00e7a, sem d\u00favida alguma. A meu ver, a literatura tem um primeiro objetivo hist\u00f3rico, eis que, atrav\u00e9s das obras liter\u00e1rias de todos os tempos, \u00e9 poss\u00edvel ir se tra\u00e7ando a linha cronol\u00f3gica de todos os acontecimentos hist\u00f3ricos da humanidade, de todas as civiliza\u00e7\u00f5es e sociedades enfim. O homem, desde os primeiros tempos, buscou nas diversas formas de escrita (e de c\u00f3digos), formas para registrar sua passagem pelos muitos momentos do planeta Terra e pelas muitas sociedades que aqui j\u00e1 existiram ou que ainda existem, isto pode ser facilmente verificado atrav\u00e9s das pinturas rupestres (antes da inven\u00e7\u00e3o dos alfabetos), depois pelas pir\u00e2mides, depois pelos pergaminhos e com o passar dos anos e s\u00e9culos enfim, pelas obras primas da literatura de cada tempo, at\u00e9 mesmo por seus tratados e arquivos escritos de cada povo, que retratavam fatores hist\u00f3ricos, sociol\u00f3gicos, antropol\u00f3gicos, de modo que qualquer um pode (nos dias atuais) entender como viviam e como pensavam os povos em cada fase da humanidade. Em literatura, verifica-se um outro objetivo, para al\u00e9m do hist\u00f3rico, que \u00e9 o objetivo de entreter o p\u00fablico, hoje em dia, numa sociedade em que a maioria das pessoas s\u00e3o alfabetizadas (ainda que exista a figura do analfabeto funcional), podemos falar na literatura tamb\u00e9m como pe\u00e7a de entretenimento, mas jamais devemos deixar de recordar, que j\u00e1 houve um tempo em que poucas pessoas sabiam ler e escrever, e a literatura era um artigo de luxo para poucos privilegiados. A literatura tem outros objetivos importantes, vale destacar, no \u00e2mbito da aquisi\u00e7\u00e3o, registro e transmiss\u00e3o do conhecimento, al\u00e9m de ser o fator mor de aprimoramento da escrita, afinal todos sabemos que, quem l\u00ea, escreve bem. A literatura, vale salientar, tamb\u00e9m tem atua\u00e7\u00e3o no campo fisiol\u00f3gico, pois trabalha como um est\u00edmulo ben\u00e9fico ao c\u00e9rebro e suas capacidades, e traz inenarr\u00e1veis benef\u00edcios \u00e0 mente. Ou seja, a literatura tem objetivos comprovadamente diversificados e acarreta incont\u00e1veis benef\u00edcios tanto para o indiv\u00edduo, quanto para a coletividade. Literatura, por derradeiro, \u00e9 um santo rem\u00e9dio para muitas coisas, sobretudo contra os grandes dem\u00f4nios do s\u00e9culo, quais sejam: a IGNOR\u00c2NCIA (e a BURRICE).<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 trabalhando em algum projeto neste momento?<\/strong><\/p>\n<p>No momento meu \u00fanico projeto no \u00e2mbito liter\u00e1rio, como eu j\u00e1 havia dito, s\u00e3o os textos para o meu canal no YouTube (www.youtube.com\/@lucasguimaraes97). Atrav\u00e9s destes textos eu sinto que contribuo para o coletivo tanto fazendo refletir, quanto estimulando o olhar cr\u00edtico de quem me assiste em rela\u00e7\u00e3o a temas contempor\u00e2neos variados e importantes para uma sociedade ou mesmo para o indiv\u00edduo, pois, como fal\u00e1vamos anteriormente um dos objetivos da literatura \u00e9 fazer pensar; neste ponto, eu comungo em partes com a assertiva do mito Jos\u00e9 Saramago, que dizia que \u201cum livro n\u00e3o muda o mundo e nem muda ningu\u00e9m\u201d, intertextualizando para a minha resposta eu diria que sei que meus textos n\u00e3o mudam o mundo, afinal s\u00e3o s\u00f3 palavras. Todavia, eu concordo \u2013 em partes \u2013 e n\u00e3o no todo, com Saramago, pois que, se os textos fazem pensar e toda a a\u00e7\u00e3o come\u00e7a, antes de mais nada, (no pensamento); sei que meus escritos por si s\u00f3, s\u00e3o apenas palavras, mas, creio que a revolu\u00e7\u00e3o que fatalmente mudar\u00e1 nosso mundo para melhor n\u00e3o surgir\u00e1, sen\u00e3o, \u00e0 partir de uma mudan\u00e7a de mentalidade &#8211; de uma mudan\u00e7a de ideias e ideais enfim &#8211; que por meio do convencimento racional (mais pela l\u00f3gica do que pela ret\u00f3rica, e pelo exemplo, obviamente), far\u00e3o com que possamos \u2013 me permitam ser um pouco otimista agora, por gentileza! \u2013 gozar de um mundo novo, mais justo, mais tolerante, mais amoroso, harm\u00f4nico, progressista e pac\u00edfico onde finalmente poderemos ser chamados de humanos (na acep\u00e7\u00e3o mais excelsa, virtuosa e brilhante da palavra).<\/p>\n<p><strong>Quais livros formaram quem voc\u00ea \u00e9 hoje? O Jos\u00e9 Seabra sempre cita Camilo Castelo Branco como seu escritor predileto, o Daniel Marchi tem fascina\u00e7\u00e3o pelo Augusto Frederico Schmidt, e o Eduardo Mart\u00ednez aponta Machado de Assis como a sua maior refer\u00eancia liter\u00e1ria. Voc\u00ea tamb\u00e9m deve ter as suas prefer\u00eancias. Quem s\u00e3o? E h\u00e1 algum ou alguns escritores e poetas contempor\u00e2neos que voc\u00ea queira citar?<\/strong><\/p>\n<p>Pois bem! A princ\u00edpio, eu ainda n\u00e3o me considero um ser formado; creio que estarei em \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d ou em \u201cconstru\u00e7\u00e3o\u201d at\u00e9 o fim de minha encarna\u00e7\u00e3o terrena \u2013 e creio, outrossim, que seguirei aprendendo e me formando, (me \u201cconstruindo\u201d), &#8211; para al\u00e9m dela&#8230; De forma preambular, eu registraria que a presen\u00e7a de livros e o contato com ilustres autores e pensadores, seja por meio dos livros f\u00edsicos, do Youtube, do Google, ou de outros meios de acesso \u00e0 conte\u00fados fizeram total e completa diferen\u00e7a no meu passado, ainda fazem total e completa diferen\u00e7a no presente e certamente continuar\u00e3o fazendo completa e total diferen\u00e7a no meu futuro. At\u00e9 mesmo porque, o conhecimento, qualquer que seja, nos permite o privil\u00e9gio de \u201csonhar na verdade\u201d inv\u00e9s de \u201camar na mentira\u201d como diria o fil\u00f3sofo e poeta Moacyr Franco; ou seja, o conhecimento \u00e9 e sempre ser\u00e1 libertador. Isto \u00e9 um fato. Ponto final. N\u00e3o obstante, posso afirmar, com muit\u00edssimo cuidado e humildade que sou fruto da leitura dos livros de Machado de Assis, autor que me fazia sentir como se tivesse escrito aqueles maravilhosos livros especialmente para mim, pois ali eu tinha contato com o melhor da l\u00edngua portuguesa somado com o melhor do que o Brasil j\u00e1 produziu em termos de narrativa e arquiteta\u00e7\u00e3o da trama liter\u00e1ria. Sou fruto, tamb\u00e9m, de livros diversos de filosofia, os quais n\u00e3o terei coragem de elencar aqui um por um, porque tenho medo de esquecer de algum livro interessante, mas \u00e9 certo que h\u00e1 excertos de Nietzche e Schopenhauer tatuados na minha mente e no meu cora\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje; assim como eu n\u00e3o poderia ter chegado at\u00e9 aqui sem um m\u00ednimo de Plat\u00e3o, S\u00f3crates, Maquiavel, Bauman e Epicuro &#8211; at\u00e9 mesmo porque, num mundo repleto de hedonistas, todo mundo deveria ler a \u201cCarta Sobre a Felicidade\u201d de Epicuro a Meneceu, um santo lenitivo contra os excessos que toda a malta, sobretudo a juventude, cometem por a\u00ed. Quanto \u00e0 sugest\u00e3o ou men\u00e7\u00e3o de poetas, eu apenas recomendaria aos amigos e amigas que fizessem uma viagem no trem da poesia&#8230; Nesta viagem, a primeira parada \u2013 obrigat\u00f3ria &#8211; dever\u00e1 ser na esta\u00e7\u00e3o Cam\u00f5es, a segunda parada, na esta\u00e7\u00e3o Vinicius de Moraes, a terceira parada na esta\u00e7\u00e3o Fernando Pessoa (ainda que apenas para a leitura do livro \u201cMensagem\u201d), depois disso, eu deixaria a crit\u00e9rio do viajante, se quisesse viajar mais longe (e profundamente) no trem m\u00e1gico da poesia, eu sugeriria, enfim, as esta\u00e7\u00f5es: Neruda e Verlaine. H\u00e1 muitas outras esta\u00e7\u00f5es a serem viajadas&#8230; Bilac e seus contempor\u00e2neos n\u00e3o merecem ser olvidados&#8230; Contudo, me permitam ser &#8211; ao meu modo &#8211; (sucinto), quanto a este ponto. Nas considera\u00e7\u00f5es finais desta pergunta, devo dizer ao amigo e amiga, que estas palavras assistem nesta hora, que, caso voc\u00ea tenha pregui\u00e7a de ler, ou leia pouco, se quer livros interessantes para formar seu gosto, seu repert\u00f3rio e seu racioc\u00ednio liter\u00e1rio, leia \u201cO Profeta\u201d, (de Khalil Gibran), leia a \u201cCarta Sobre a Felicidade\u201d (de Epicuro a Meneceu), leia \u201cModernidade L\u00edquida\u201d (de Zygmunt Bauman), tempere sua leitura com as repisadas \u201cF\u00e1bulas de Esopo\u201d, para relaxar, e deste modo, ter\u00e1 um bom come\u00e7o ou uma boa base para ler o que quiser; por fim, se quer realmente ler um livro que \u00e9 um verdadeiro \u201ctapa na cara\u201d at\u00e9 os dias de hoje, recomendo \u2013 novamente \u2013 a leitura da obra \u201cA M\u00e3o e a Luva\u201d (de Machado de Assis), um livro sobre verdades nuas e cruas e sobre a forma de ser da dita \u201csociedade civilizada\u201d do nosso pa\u00eds. Por derradeiro, sabendo que tudo est\u00e1 &#8211; e n\u00e3o &#8211; \u00e9, ou seja, sabendo que tudo na vida \u00e9 din\u00e2mico e muda conforme o tempo, devo confessar a t\u00edtulo de registro, que hoje, dia 16\/10\/2024 (dia em que respondo ao question\u00e1rio desta entrevista), meu autor predileto \u201ctem sido\u201d Friedrich Nietzsche \u2013 tamb\u00e9m tenho meus flertes com Schopenhauer, admito \u2013 todavia, devo dizer que a obra de Nietzche, para quem gosta de ler e de elucubrar, \u00e9 um prato cheio e \u00e9, outrossim, uma terra f\u00e9rtil para ideias libert\u00e1rias &#8211; (em amplo sentido) \u2013 podem confiar. Me restringirei a dizer que, Nietzsche, foi muito mais do que um fil\u00f3sofo e quem o leu sabe disso. Acho que seria uma tarefa quase imposs\u00edvel pensar (verdadeiramente) sobre a modernidade, ou at\u00e9 mesmo, sobre a p\u00f3s-modernidade, sem passar obrigatoriamente, no campo filos\u00f3fico &#8211; ao menos &#8211; por Friedrich Nietzsche, Karl Marx, e \u00e9 claro, por Zygmunt Bauman.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 ser escritor hoje em dia?<\/strong><\/p>\n<p>Ser escritor hoje em dia, \u00e9 ser resist\u00eancia \u00e0 todas as investidas nef\u00e1rias do chamado \u201cmundo moderno\u201d contra as belas artes (na acep\u00e7\u00e3o mais leg\u00edtima e ampla do termo). Ser escritor \u00e9 ser um defensor da liberdade e da beleza. \u00c9 ser um advogado e porta voz daqueles que n\u00e3o tem defesa e nem voz (na sociedade). \u00c9 ser um farol e um norte em meio a escurid\u00e3o e ao caos. Ser escritor &#8211; hoje em dia &#8211; \u00e9 ser trincheira e ser fuzil, e, ao mesmo tempo, ser o amanhecer da esperan\u00e7a em dias dif\u00edceis. Ser escritor hoje em dia \u00e9 insistir \u2013 com muita teimosia &#8211; no que \u00e9 belo e no que \u00e9 bom, ainda que, solitariamente. \u00c9 acreditar no imposs\u00edvel. \u00c9 fazer do imposs\u00edvel, poss\u00edvel, atrav\u00e9s da palavra. \u00c9 ser um pouco m\u00e1gico e um pouco fil\u00f3sofo. \u00c9 ser, \u00e0s vezes, deus, e, \u00e0s vezes dem\u00f4nio. \u00c9 ser um pouco m\u00e9dico e um pouco louco (ou monstro). \u00c9 levar um pouco de sonho e ilus\u00e3o aos desiludidos do mundo e da vida. \u00c9 ser a voz que alguns n\u00e3o querem ouvir e &#8211; ao mesmo tempo \u2013 ser a voz que alguns precisam ouvir. Ser escritor \u2013 como eu j\u00e1 disse em uma pergunta anterior \u2013 \u00e9 ser um joalheiro da palavra, mas tamb\u00e9m, \u00e9 ser um oper\u00e1rio das letras, que suja o seu macac\u00e3o, se for preciso, em nome do bem comum, da arte e da produ\u00e7\u00e3o de suas obras. Ser escritor \u00e9 persistir em acreditar: na educa\u00e7\u00e3o, na arte (como um todo) \u2013 repito &#8211; e na cultura, como ingredientes capazes de criar homens e mulheres melhores e por conseguinte, uma sociedade melhor.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua avali\u00e7\u00e3o sobre o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio, a nova editoria do <em>Notibras<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p>Avalio o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio como uma iniciativa extremamente louv\u00e1vel e heroica. Num mundo cada vez mais cercado de bares e \u2013 cada vez menos \u2013 ocupado por livrarias, onde o analfabeto funcional ri (na cegueira de sua ignor\u00e2ncia) e o erudito chora; proporcionar oportunidade e vitrine para produ\u00e7\u00f5es textuais de pessoas an\u00f4nimas, buscando fomentar no seio do povo a leitura e a escrita (por que n\u00e3o dizer?), \u00e9 uma semente aben\u00e7oada a ser cultivada a fim de colhermos um futuro melhor &#8211; cultural e intelectualmente &#8211; atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Tem alguma coisa que eu n\u00e3o perguntei e voc\u00ea gostaria de falar?<\/strong><\/p>\n<p>Certamente em outras oportunidades poderemos conversar sobre muitos outros temas, mas por ora, acredito que foi o suficiente, s\u00f3 restando a mim, deixar os votos de gratid\u00e3o a todos os envolvidos nas atividades do portal <strong>Notibras<\/strong> e aos amigos e amigas leitores e leitoras que me acompanharam at\u00e9 aqui&#8230; Muit\u00edssimo obrigado e um beijo no cora\u00e7\u00e3o de todos e todas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Advogado, trocou a cidade pequena do interior pela que \u00e9 a selva de pedras onde os paulistanos esbarram uns nos outros, de tanta gente nas ruas. 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