{"id":339171,"date":"2024-10-22T07:06:55","date_gmt":"2024-10-22T10:06:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=339171"},"modified":"2024-10-22T07:06:55","modified_gmt":"2024-10-22T10:06:55","slug":"devaneios-de-amarildo-vao-de-duelo-a-apendicite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/devaneios-de-amarildo-vao-de-duelo-a-apendicite\/","title":{"rendered":"Devaneios de Amarildo v\u00e3o de duelo a apendicite"},"content":{"rendered":"<p>Amarildo, homem sem grandes feitos na vida, tentava aplacar a pr\u00f3pria mediocridade em devaneios. Desse modo, n\u00e3o raro, imaginava-se na pele de algum desbravador, seja algu\u00e9m que j\u00e1 teria existido, seja at\u00e9 mesmo algum Indiana Jones das telas do cinema.<\/p>\n<p>Tamanhos pensamentos, o sujeito j\u00e1 havia atravessado o Atl\u00e2ntico tantas vezes, que perdera as contas. Cinco, seis, nove? Talvez duas d\u00fazias, contando as viagens em navios piratas, sem mencionar aquela outra em uma jangada t\u00edpica da sua Fortaleza.<\/p>\n<p>Em uma dessas travessias, eis que houve um motim comandado pelo terr\u00edvel Barba-Negra. Amarildo, justamente o capit\u00e3o, foi atirado ao mar repleto de tubar\u00f5es famintos. Por sorte do resqu\u00edcio de sonho naquele pesadelo, eis que surgiu um golfinho salvador. O homem, agarrado \u00e0 barbatana dorsal do inesperado amigo, conseguiu sair ileso daquelas mand\u00edbulas ferozes.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s se ver a salvo, Amarildo se despediu do golfinho. O bicho tinha fam\u00edlia e precisava retornar para o lar, doce lar, que ficava ali mesmo no salgado Atl\u00e2ntico. Ademais, o gajo s\u00f3 precisaria dar algumas bra\u00e7adas para chegar a uma ilha no meio do oceano.<\/p>\n<p>N\u00e3o tardou, Amarildo pisou na alva areia. O local parecia deserto. Com a barriga roncando, ele tratou de arrumar algo para saciar a fome. Por sorte que \u00e0s vezes acomete os aventureiros, ele encontrou alguns coqueiros carregados.<\/p>\n<p>Com sua destreza, conseguiu pegar e abrir tantos cocos que desejou. Barriga cheia, sentiu, pela primeira vez desde que foi arremessado do seu navio aos tubar\u00f5es, um leve sono.<\/p>\n<p>Quase adormecido, Amarildo tomou um susto. N\u00e3o era poss\u00edvel! O cruel e trai\u00e7oeiro Barba-Negra surgiu do nada e encostou a ponta da espada na barriga do Amarildo.<\/p>\n<p>\u2014 Pensou que iria me escapar, Amarildo?<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea de novo, Barba-Negra!<\/p>\n<p>\u2014 Sim, Amarildo!<\/p>\n<p>\u2014 D\u00ea-me uma espada para lutarmos de homem para homem.<\/p>\n<p>Barba-Negra, vendo aquele maltrapilho esva\u00eddo, teve um raro momento de compaix\u00e3o. Desembainhou a outra espada que carregava e a jogou na areia ao lado do rival. Este, ligeiro que nem falc\u00e3o-peregrino, pegou a espada e rolou para o lado para se desvencilhar do primeiro golpe do trai\u00e7oeiro rival, que cortou as areias da praia.<\/p>\n<p>As l\u00e2minas afiadas logo come\u00e7aram a travar o combate de uma vida. A cada toque entre elas, fa\u00edscas eram liberadas para surpresa dos animais que se juntaram para assistir ao duelo. Enquanto os macacos mostravam os dentes, os papagaios charlavam coisas inintelig\u00edveis, enquanto duas serpentes, atr\u00e1s de uma moita, sibilavam antes do acasalamento.<\/p>\n<p>E l\u00e1 estavam aqueles dois seres humanos digladiando, quando um dos oponentes, justamente o Amarildo, se distraiu com o zumbido de uma mosca e foi atingido na barriga pelo vil metal do Barba-Negra. E l\u00e1 se foram as tripas do perdedor ca\u00edrem sobre a areia. N\u00e3o tardou, lobos, sa\u00eddos n\u00e3o se sabe de onde, avan\u00e7aram sobre o banquete de \u00faltima hora.<\/p>\n<p>Pobre Amarildo, contorcendo-se em dores, foi devorado vivo, enquanto o malvado Barba-Negra gargalhava alto para todos ouvirem.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1, h\u00e1, h\u00e1, h\u00e1!!!<\/p>\n<p>De t\u00e3o alto, acabou despertando o Amarildo, que dormia na rede pendurada na varanda. Acordou suando em bicas e com forte dor no lado direito da barriga. Por sorte, foi socorrido ao hospital pelos vizinhos do edif\u00edcio onde morava. Era apendicite.<\/p>\n<p><strong>*Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro \u201c57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor muito Velho\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">http:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amarildo, homem sem grandes feitos na vida, tentava aplacar a pr\u00f3pria mediocridade em devaneios. 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