{"id":339901,"date":"2024-11-01T09:03:03","date_gmt":"2024-11-01T12:03:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=339901"},"modified":"2024-11-01T09:21:20","modified_gmt":"2024-11-01T12:21:20","slug":"alem-da-razao-uma-expedicao-ao-coracao-do-sobrenatural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/alem-da-razao-uma-expedicao-ao-coracao-do-sobrenatural\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m da Raz\u00e3o &#8211; Uma Expedi\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o do Sobrenatural"},"content":{"rendered":"<p>Naquele ano distante, ainda nos primeiros passos da minha carreira como perito criminal, encontrei-me imerso em uma realidade dif\u00edcil. Est\u00e1vamos em um Estado da Federa\u00e7\u00e3o marcado pela car\u00eancia de infraestrutura \u2014 especialmente na rede vi\u00e1ria e na seguran\u00e7a p\u00fablica. Como se n\u00e3o bastasse, o ver\u00e3o se mostrava implac\u00e1vel, com dias inteiros submersos em chuvas intermin\u00e1veis que transformavam estradas em rios lamacentos, isolando as cidades mais remotas e formando uma paisagem de alagamentos. Foi nesse cen\u00e1rio \u00famido e sombrio que chegou at\u00e9 n\u00f3s o pedido para atender a uma ocorr\u00eancia: um cad\u00e1ver enforcado, que exigia nossa apresenta\u00e7\u00e3o em uma dessas remotas cidades esquecidas do resto do mundo.<\/p>\n<p>Sem possibilidades de transporte a\u00e9reo e com as viaturas da Pol\u00edcia Civil incapazes de enfrentar as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es das vias, nossa salva\u00e7\u00e3o surgiu na forma de uma oferta inesperada. O fazendeiro, dono das terras onde o corpo foi encontrado, colocou \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o um motorista que conhecia a regi\u00e3o e uma caminhonete robusta com tra\u00e7\u00e3o nas quatro rodas \u2014 um dos poucos ve\u00edculos capazes de enfrentar a jornada que nos aguardava. Sem outra escolha, aceitei a oferta e organizei a log\u00edstica do modo poss\u00edvel, carregando somente os apetrechos periciais indispens\u00e1veis: na cabine apertada, que s\u00f3 comportava tr\u00eas pessoas, embarquei junto com o motorista e guia, encarregado de conduzir o ve\u00edculo, enquanto, al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o de perito criminal, tamb\u00e9m assumia a de auxiliar de per\u00edcia, assim juntando o \u00fatil ao agrad\u00e1vel, pois, com uma pessoa a menos para dividir espa\u00e7o, a viagem seria mais confort\u00e1vel. Deste modo, eu e o motorista partimos, solit\u00e1rios, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 in\u00f3spita e distante regi\u00e3o de Nhacol\u00e2ndia, com uma jornada estimada de doze horas, entre ida e volta.<\/p>\n<p>Ao passarmos pela cidade de Rio Negro, o cora\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o onde a per\u00edcia seria realizada, o delegado local se juntou a expedi\u00e7\u00e3o, trazendo sua viatura e alguns de seus agentes. Contudo, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas prec\u00e1rias e a estrada ruim confirmaram nossos temores: a viatura do delegado atolou-se logo adiante. Prosseguimos ent\u00e3o, apertados na cabine da caminhonete \u2013 eu, o delegado e o motorista \u2013 em meio a um cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de caminhos sinuosos e trai\u00e7oeiros, a nossa jornada prosseguiu, impulsionada pela firmeza do nosso prop\u00f3sito. A cada curva, a cada ponte prec\u00e1ria, a cada obst\u00e1culo que se erguia em nosso caminho, a promessa de encontrar uma comitiva de pe\u00f5es \u2013 nossos guias para o local sinistro \u2013 nos impulsionava. O crep\u00fasculo pintava o c\u00e9u com tons de laranja e roxo, quando, por volta das nove e meia da noite, a esperan\u00e7a, quase esva\u00edda, renasceu. \u00c0 beira da estrada, surgiu, como um o\u00e1sis no deserto, a t\u00e3o esperada comitiva. Dez figuras, silhuetas contra a escurid\u00e3o, compunham o grupo: o Capataz, l\u00edder resoluto; o Pi\u00e3o Principal, seu bra\u00e7o direito; seis Vaqueiros, homens curtidos sob o sol escaldante, condutores da boiada; e dois Campeiros, mestres da log\u00edstica, respons\u00e1veis por erguer acampamentos, cuidar dos animais, alimentar a comitiva e solucionar os imprevistos que a longa viagem impunha.<\/p>\n<p>A partir daquele instante, ent\u00e3o liberta do fardo do gado, que tinham sido deixados a residir em uma fazenda vizinha, a comitiva se metamorfoseou em uma prociss\u00e3o solene, com o capataz \u00e0 frente, guia experiente que nos transferiu em fila indiana, como um navegador que liderou sua tripula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de \u00e1guas turbulentas. Pois, a partir daquele ponto em diante, sa\u00edmos da estrada e come\u00e7amos a atravessar um vasto territ\u00f3rio alagadi\u00e7o, cujo caminho seguro estava submerso, apenas acess\u00edvel ao conhecimento de quem j\u00e1 conhecia a regi\u00e3o como a palma da m\u00e3o, onde cada passo era uma aposta na sorte e no destino.<\/p>\n<p>Quase \u00e0s vinte e duas horas, alcan\u00e7amos uma regi\u00e3o mais alta, onde a paisagem se erguia como um cen\u00e1rio teatral. Foi ent\u00e3o que nos deparamos com uma \u00e1rvore frondosa que sustentava, em um de seus fortes galhos, o corpo de um ser humano, suspenso no ar, pendurado pelo pesco\u00e7o, como uma sombria oferenda aos deuses. Seus p\u00e9s, inertes, emparelhavam a cerca de um metro e meio do solo, como se a pr\u00f3pria morte tivesse sido suspensa no tempo.<\/p>\n<p>Neste momento, lembro-me de ter olhado para o rel\u00f3gio, registrando o in\u00edcio da per\u00edcia \u00e0s 22h30. Como n\u00e3o havia trazido um auxiliar para ajudar nos trabalhos de levantamento de local, peguei uma c\u00e2mera e comecei a capturar o cen\u00e1rio, alternando entre fotos panor\u00e2micas e de detalhes. Contudo, chegou o momento em que seria preciso remover o corpo de sua posi\u00e7\u00e3o original. Solicitei ajuda a algu\u00e9m da comitiva, mas, em quase un\u00edssono, movimentaram os bra\u00e7os, tra\u00e7ando um s\u00edmbolo de cruz no ar. Esse gesto transcendia a mera religiosidade; era uma recusa impl\u00edcita, um recuo diante do mist\u00e9rio da morte.<\/p>\n<p>Os olhares se encontraram, formando uma teia invis\u00edvel de hesita\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que todos convergiram em um \u00fanico indiv\u00edduo. Assim conheci o capataz, o l\u00edder daquele grupo silencioso e supersticioso. Em poucas palavras, mas significativas, ele expressou uma opini\u00e3o profundamente enraizada: n\u00e3o se deve tocar nos mortos. Segundo ele, mover o corpo poderia enfurecer a alma. Conheciam bem os desejos do falecido, que ansiava por ser enterrado na terra onde nasceu, cresceu e agora falecera. Quem tentasse impedir esse \u00faltimo desejo, que se alertasse, pois, enfrentaria s\u00e9rias consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sem o apoio dos membros da comitiva e percebendo que as extremidades inferiores dos p\u00e9s da v\u00edtima se encontravam a cerca de 1,5 metros do ch\u00e3o, solicitei ao condutor que estacionasse a picape em revers\u00e3o, de modo a alinhar a sua ca\u00e7amba com as pernas pendentes do desafortunado. Com a assist\u00eancia do delegado e minha pr\u00f3pria for\u00e7a, procedemos ao corte da corda que o enforcava. Como o corpo se encontrava em rigor mortis, ele desceu ereto sobre a ca\u00e7amba da picape, sendo depois deslocado como se transport\u00e1ssemos um refrigerador, acomodando-o sobre a superf\u00edcie do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>Em seguida, coletei as provas fotogr\u00e1ficas e fiz as anota\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, concluindo assim os meus trabalhos periciais por volta das 23h30. A comitiva ent\u00e3o nos guiou de volta por uma trilha sinuosa at\u00e9 a estrada, no ponto onde hav\u00edamos sido recebidos anteriormente. Durante o trajeto de retorno, ouvimos constantes premoni\u00e7\u00f5es de m\u00e1 sorte e press\u00e1gios de desastres iminentes, alertando-nos de que dever\u00edamos ter deixado o cad\u00e1ver para ser sepultado na regi\u00e3o local, em vez de transport\u00e1-lo para a Capital.<\/p>\n<p>Quando restavam apenas dez minutos para a meia-noite, atingimos nosso destino, e a comitiva se despediu, n\u00e3o sem antes nos lembrar, pela \u00faltima vez, de que jamais dever\u00edamos transportar o corpo para a Capital. Poucos momentos depois, tivemos de parar na primeira ponte, uma vez que uma vaca se encontrava bloqueando a passagem, com uma de suas patas presas entre as t\u00e1buas de madeira. Olhei para o rel\u00f3gio: exatamente meia-noite. Quando voltei a olhar para tr\u00e1s, a comitiva havia desaparecido como fuma\u00e7a no ar, deixando-nos sozinhos na escurid\u00e3o da noite.<\/p>\n<p>A partir daquele momento, os desafios se sucederam como um desfile intermin\u00e1vel de percal\u00e7os. Uma \u00e1rvore, imponente e rebelde, se despencou sobre a estrada, bloqueando o caminho como uma sentinela obstinada. Em seguida, o ch\u00e3o se transformou em um atoleiro trai\u00e7oeiro, onde cada passo parecia um convite ao desastre. As pontes, j\u00e1 cansadas pelo peso do tempo, amea\u00e7avam desmoronar a qualquer instante, balan\u00e7ando como se compartilhassem o medo de ceder. E, para adicionar trama de desventuras, uma tempestade repentinamente se abateu sobre o cen\u00e1rio, trazendo rel\u00e2mpagos que iluminavam o c\u00e9u e ventos uivantes que ponderavam sussurrar advert\u00eancias. Cada obst\u00e1culo era uma nova camada de drama, tornando a jornada um \u00e9pico de resili\u00eancia e coragem.<\/p>\n<p>A jornada que se esperava ser uma odisseia de doze horas, ida e volta, havia se transformado em uma intermin\u00e1vel prova\u00e7\u00e3o de 24 horas quando, finalmente, alcan\u00e7amos a cidade de Rio Negro, onde paramos na delegacia para deixar e se despedir do delegado, bem como recolher as requisi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para os nossos exames de local e necrosc\u00f3pico. O cansa\u00e7o e a fadiga se haviam apossado de n\u00f3s, como uma n\u00e9voa pesada que pairava sobre nossas cabe\u00e7as.<\/p>\n<p>Ao deixarmos a delegacia, a cren\u00e7a de que o pior j\u00e1 havia passado em nossos cora\u00e7\u00f5es era uma miragem, uma doce ilus\u00e3o tecida pela ingenuidade. O motorista, com um olhar de p\u00e2nico, logo descobriu que um vazamento trai\u00e7oeiro se instalara no sistema de alimenta\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel, uma ferida aberta que nos impedia de alcan\u00e7ar a Capital. O ve\u00edculo, agora, tornara-se um navio furado, \u00e0 merc\u00ea dos caprichos de um destino que se divertia em nos atormentar.<\/p>\n<p>Diante dessa nova adversidade, e com um espanto crescente, decidimos buscar ref\u00fagio em uma funer\u00e1ria, como se ao tentar mostrar respeito ao defunto pudesse oferecer a solu\u00e7\u00e3o para nossas desventuras. L\u00e1, adquirimos o maior caix\u00e3o que conseguimos encontrar; o corpo, agora inchado e em um estado grotesco, mal cabia em seu compartimento original. A tampa, relutante, parecia querer se rebelar, como se desejasse libertar o macabro conte\u00fado que guardava. Os cravos de fixa\u00e7\u00e3o, impotentes, eram meros espectadores da for\u00e7a que se escondia em seu interior. Era como se a pr\u00f3pria morte, em uma risada cruel, nos observasse.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s cobrir o caix\u00e3o com uma lona, seguimos para uma oficina mec\u00e2nica, onde a espera por consertos se arrastou por intermin\u00e1veis cinco horas. Somente ent\u00e3o pudemos retomar a viagem, como se a pr\u00f3pria estrada zombasse de n\u00f3s em cada curva.<\/p>\n<p>Quase alcan\u00e7ando a divisa do munic\u00edpio onde, segundo sussurros, o defunto desejava ser enterrado, um pe\u00e3o que caminhava \u00e0 beira da estrada nos pediu carona. Reduzimos a velocidade, e ele pulou para dentro da ca\u00e7amba, como uma sombra que se unia ao nosso destino sombrio. Seguindo por uma estrada esburacada e repleta de trepida\u00e7\u00f5es, a proximidade do rio que marcava a divisa parecia um aviso sombrio. Na entrada da ponte um grande buraco apareceu repentinamente, e senti minha cabe\u00e7a se chocar contra o teto da cabine. Em seguida, um grito, um grito que parecia emanar do pr\u00f3prio abismo, irrompeu do fundo carroceria do ve\u00edculo. Olhei para tr\u00e1s e percebi que o carona havia saltado do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>Naquele instante, uma sensa\u00e7\u00e3o de desespero me invadiu. Era como se o destino tivesse selado nossa sorte, cumprindo o press\u00e1gio do chefe da comitiva. Acreditava que nosso carona se ferira, e que n\u00e3o poder\u00edamos mais escapar daquela terra maldita, obrigados a retornar ao munic\u00edpio de Rio Negro.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o pod\u00edamos parar sobre a ponte. Atravessamos a divisa, levando o corpo, e retornamos a p\u00e9 para prestar socorro ao carona. Ele se encontrava atolado na lama macia, sem s\u00e9rios ferimentos, apenas algumas escoria\u00e7\u00f5es que pareciam insignificantes diante do nosso horror. Recusou-se a ser levado a um posto de sa\u00fade, como se a pr\u00f3pria morte o tivesse marcado, ao ver a tampa do caix\u00e3o saltar e expor o cad\u00e1ver e assim, naquele cen\u00e1rio de desespero e ironia, o carona n\u00e3o quis nos acompanhar e seguimos juntos, com o peso da incerteza que ainda teria algo por acontecer.<\/p>\n<p>E assim, continuamos em frente, carregando o corpo e o desconhecimento do nosso destino, esperando por algo pior. A estrada se estendia diante de n\u00f3s, uma serpente sinuosa que nos levava para casa. Por\u00e9m algo havia mudado, o sol, que a dias n\u00e3o aparecia, come\u00e7ou a se p\u00f4r, lan\u00e7ando uma luz dourada sobre a paisagem, e por um momento, esquecemos de nossas desventuras. Mas apenas por um momento.<\/p>\n<p>Ao t\u00e9rmino daquela longa e tortuosa jornada, deixamos o corpo no IML, e um al\u00edvio estranho e superficial pareceu tomar conta de mim. A c\u00e2mara fria, em sua solid\u00e3o descompromissada, sugava os resqu\u00edcios do que vivemos, quase como se nada daquilo tivesse acontecido. Mas, enquanto me afastava, cada detalhe da viagem retornava \u00e0 mente, como se n\u00e3o fossem simples infort\u00fanios, mas ecos de algo intang\u00edvel que desafiava minha compreens\u00e3o racional. Poderiam mesmo ter sido apenas coincid\u00eancias aterradoras? Ou existia alguma for\u00e7a misteriosa naquela terra alagada e no olhar resoluto do capataz, como um aviso que ignoramos?<\/p>\n<p>De alguma forma, o simbolismo daquele instante em que cruzamos a ponte da divisa para fora do munic\u00edpio assombrava meus pensamentos. As desventuras que haviam se sucedido como uma corrente sem fim \u2013 a \u00e1rvore ca\u00edda, o atoleiro trai\u00e7oeiro, a vaca bloqueando a passagem, e at\u00e9 a tempestade que se abateu sobre n\u00f3s \u2013 pareciam milagrosamente encerrar-se assim que o corpo atravessou a divisa. A partir daquele ponto, o trajeto se desenrolou sem maiores incidentes, como se uma linha invis\u00edvel tivesse sido tra\u00e7ada entre a raz\u00e3o e a supersti\u00e7\u00e3o, entre a l\u00f3gica do meu of\u00edcio e as cren\u00e7as daquela comitiva silenciosa.<\/p>\n<p>E se, de fato, tiv\u00e9ssemos respeitado o limite do munic\u00edpio? Se tiv\u00e9ssemos parado a caminhonete antes de cruzar a ponte? Ser\u00e1 que o carona que saltou da ca\u00e7amba teria sido ferido mais gravemente \u2013 ou at\u00e9 perdido a vida \u2013 como um sacrif\u00edcio destinado a impedir que o corpo ultrapassasse a divisa, for\u00e7ando-nos a retornar? Esse pensamento me atormentava. Teria ele encontrado um destino mais tr\u00e1gico caso n\u00e3o tiv\u00e9ssemos ignorado aquele \u00faltimo press\u00e1gio e atravessado a ponte?<\/p>\n<p>Ao cruzar a ponte com o cad\u00e1ver, interrompemos n\u00f3s mesmos a sequ\u00eancia de desventuras ou simplesmente seguimos um destino j\u00e1 tra\u00e7ado? Esses pensamentos permanecem, como uma d\u00favida insistente entre o mundo s\u00f3lido da ci\u00eancia e a fronteira nebulosa do inexplic\u00e1vel. Era imposs\u00edvel n\u00e3o sentir que, naquela noite, a linha entre raz\u00e3o e supersti\u00e7\u00e3o fora transposta \u2013 talvez para nunca mais ser esquecida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naquele ano distante, ainda nos primeiros passos da minha carreira como perito criminal, encontrei-me imerso em uma realidade dif\u00edcil. Est\u00e1vamos em um Estado da Federa\u00e7\u00e3o marcado pela car\u00eancia de infraestrutura \u2014 especialmente na rede vi\u00e1ria e na seguran\u00e7a p\u00fablica. 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