{"id":339936,"date":"2024-11-02T08:22:29","date_gmt":"2024-11-02T11:22:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=339936"},"modified":"2024-11-02T08:23:44","modified_gmt":"2024-11-02T11:23:44","slug":"no-calendario-gregoriano-falecido-nem-bola-da-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/no-calendario-gregoriano-falecido-nem-bola-da-mais\/","title":{"rendered":"No calend\u00e1rio gregoriano, falecido nem bola d\u00e1 mais"},"content":{"rendered":"<p>Estou vivo e hoje nem \u00e9 meu dia de escrever. Sei disso, mas n\u00e3o posso deixar de lembrar que, para sorte dos machos alfas, h\u00e1 sempre uma noite no meio de um dia atr\u00e1s do outro. \u00c9 o tempo necess\u00e1rio que n\u00f3s, os do verbo homem at\u00e9 debaixo d\u2019\u00e1gua, levamos para pensar, sair do castigo e concluir que, al\u00e9m de sofrer e chorar por amor e morrer de paix\u00e3o, toda penit\u00eancia para macho \u00e9 pouco. Com a rapidez de um raio, vamos da ben\u00e7\u00e3o \u00e0 prova\u00e7\u00e3o. O m\u00eas de novembro \u00e9 a prova mais irrefut\u00e1vel de que os var\u00f5es s\u00e3o iguais a um cachimbo: nasceram para levar fumo. \u00c9 o per\u00edodo em que somos punidos desde seu limiar. E n\u00e3o h\u00e1 nenhuma liminar que consiga reverter o quadro.<\/p>\n<p>Nada contra, mas n\u00e3o fa\u00e7o parte do grosso dos sujeitos que s\u00e3o machos at\u00e9 debaixo de vara. Portanto, t\u00f4 fora desse neg\u00f3cio do fumo. No entanto, t\u00f4 dentro da m\u00e1xima de que nascemos para carregar \u00e1gua na peneira para as mulheres e, conforme o erro, apanhar de toalha molhada. E n\u00e3o importa que sejamos amigados, juntados, concubinados ou amancebados. O pior deles (os erros) \u00e9 deixar de comparecer no Dia de Finados com o chamado inativo, murcho ou falecido. E por conta desse tipo de situa\u00e7\u00e3o que vem aquela hist\u00f3ria de que dependemos das mo\u00e7as de sexo forte at\u00e9 para ostentar o safado do chifre.<\/p>\n<p>Deus me livre! Antes de seguir com a sofrida narrativa do sofrimento dos var\u00f5es, tenho de registrar a gl\u00f3ria e a ingl\u00f3ria do d\u00e9cimo primeiro m\u00eas do ano no calend\u00e1rio gregoriano. Ainda bem que descobriram que ele \u00e9 que proporciona \u00e0 malandragem um ponto facultativo, tr\u00eas feriados nacionais e um distrital, o Dia dos Evang\u00e9licos que, apesar de ter sido criado por uma lei de car\u00e1ter nacional, s\u00f3 \u00e9 comemorado no Distrito Federal. Pois s\u00e3o os feriados que desgra\u00e7aram novembro. Sei l\u00e1 quando, mas, honrosa e prazerosamente, fomos aben\u00e7oados pelas m\u00e3os do Pai Nosso com um dia s\u00f3 para os homens. Falo de 1\u00ba de novembro, Dia de Todos os Santos.<\/p>\n<p>A felicidade e a alegria duraram menos de 24 horas. N\u00e3o sei o que se assucedeu l\u00e1 no c\u00e9u, mas quero crer em uma desaven\u00e7a familiar, pois, na mesma data \u00e0 noite, a M\u00e3e Santificada revogou a homenagem. Sem d\u00f3 e nem piedade, Ela estabeleceu que o dia seguinte, o 2 de novembro, seria consagrado aos finados, vulgarmente conhecidos como aqueles cujo prazo de validade costuma n\u00e3o passar de 50 anos. E diziam que era um brinquedo para toda a vida. Passado um dia dos 51 anos, \u00e0s vezes horas, e tudo que nos resta \u00e9 ver o bigorrilho fazendo mingau em cima de uma \u00e1rvore de Natal. \u00c9 n\u00f3s!<\/p>\n<p>Sem medo de assombra\u00e7\u00e3o, confesso que, em vida, convivi \u2013 de longe, \u00e9 claro \u2013 com tantos desses finados que poucos podem imaginar. Convivi tamb\u00e9m com o que os muitos est\u00e3o imaginando. Nada mudou. Os inv\u00e1lidos est\u00e3o cada vez mais inanimados. Para n\u00e3o correr risco, j\u00e1 meu sombreiro para assombrear o morto. E as bolas? N\u00e3o \u00e9 novidade que, quando sobram, nem para enfeite servem. Por falar em falecidos, o que sei \u00e9 que estou morrendo de medo do Novembro Azul, criado para lembrar aos machos alfas, betas e gamas que existe escondido em n\u00f3s uma tal de pr\u00f3stata. Meu temor \u00e9 que um desses deputados que passam o dia pensando em como sacanear o brasileiro apresente um projeto de lei instituindo o Dia da Dedada. Oh dor! Meu Deus! O que posso dizer? No meu, nem morto!<\/p>\n<p>\u00c9 triste lembrar dos mortos. Mais triste \u00e9 perceber que o outrora colosso, al\u00e9m de n\u00e3o ralar e nem rolar, ele hoje tem pouca serventia at\u00e9 para atender \u00e0 necessidade n\u00famero um dos homens. Choremos o defunto mirrado dos mortos dos outros. Para os nossos im\u00f3veis sobrou o Viagra sob recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Fora disso \u00e9 fria, principalmente ap\u00f3s a dobradura do Cabo da Boa Esperan\u00e7a. Que esperan\u00e7a? Sou um menino no corpo de um velho, mas portador de um impotente que ultimamente s\u00f3 faz gra\u00e7a para urologistas. Paz para os mortos e muito cuidado com o Viagra. Se o cabra murchou, acalme-se. N\u00e3o gaste todo o seu dinheiro com o azulzinho, pois vai acabar ficando duro. Est\u00e1 dado o recado.<\/p>\n<p><strong>*Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou vivo e hoje nem \u00e9 meu dia de escrever. 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