{"id":340033,"date":"2024-11-03T11:00:55","date_gmt":"2024-11-03T14:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=340033"},"modified":"2024-11-03T11:00:55","modified_gmt":"2024-11-03T14:00:55","slug":"cordel-deixa-pernambuco-e-desembarca-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cordel-deixa-pernambuco-e-desembarca-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Cordel deixa Pernambuco e desembarca em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>Recife, Salvador, Belo Horizonte e agora S\u00e3o Paulo. Uma viagem hist\u00f3rica em que o verso da can\u00e7\u00e3o Chico Preto, dos compositores Jo\u00e3o Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro, j\u00e1 dizia: \u201ca tua hist\u00f3ria um dia vai virar cordel\u201d. E desde o s\u00e1bado (2), qualquer pessoa que passar pelo Museu da L\u00edngua Portuguesa, na regi\u00e3o da Luz, na capital paulista, poder\u00e1 se deparar com uma exposi\u00e7\u00e3o que conta a hist\u00f3ria de 21 pessoas por meio da literatura de cordel.<\/p>\n<p>Chamada de Vidas em Cordel, a exposi\u00e7\u00e3o celebra a tradi\u00e7\u00e3o oral, a poesia popular e a ancestralidade e \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o do Museu da L\u00edngua Portuguesa com o Museu da Pessoa, espa\u00e7o virtual e colaborativo que se dedica, h\u00e1 30 anos, a registrar, preservar e disseminar hist\u00f3rias de vida. A curadoria \u00e9 do poeta e cordelista Jonas Sama\u00fama, do cordelista e pesquisador do folclore brasileiro Marco Haur\u00e9lio, e da xilogravadora Luc\u00e9lia Borges.<\/p>\n<p>Entre as personalidades que tiveram suas hist\u00f3rias cordelizadas e que est\u00e3o retratadas na mostra est\u00e3o o jornalista Gilberto Dimenstein e o l\u00edder ind\u00edgena e imortal da Academia Brasileira de Letras, Ailton Krenak. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m nomes menos conhecidos, de pessoas comuns, que tamb\u00e9m tiveram trabalhos relevantes ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>A mostra chega a S\u00e3o Paulo depois de passar por Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Em S\u00e3o Paulo, ela ganhou tr\u00eas hist\u00f3rias in\u00e9ditas, de personalidades que desenvolveram trabalhos de impacto na regi\u00e3o da Luz, onde o Museu da L\u00edngua Portuguesa est\u00e1 inserido.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rias<\/strong><br \/>\nUma dessas tr\u00eas personalidades \u00e9 C\u00e9sar Vieira, pseud\u00f4nimo de Idibal Matto Pivetta (1931-2023), que, como advogado, teve uma atua\u00e7\u00e3o importante na defesa de presos pol\u00edticos durante a ditadura militar no Brasil. Ele tamb\u00e9m foi um dos fundadores do grupo Teatro Popular Uni\u00e3o e Olho Vivo, pioneiro na utiliza\u00e7\u00e3o de processos de cria\u00e7\u00e3o coletiva. Perseguido pela censura do regime militar, passou a assinar suas pe\u00e7as como C\u00e9sar Vieira.<\/p>\n<p>\u201cPara mim, ele sempre vai ser um ser humano incr\u00edvel: uma pessoa de um cora\u00e7\u00e3o muito grande. Por uma necessidade do pa\u00eds, ele viu que era necess\u00e1rio se juntar a outras pessoas para trocar experi\u00eancias, aprender e poder tamb\u00e9m construir um pa\u00eds mais justo. Ele se formou em direito e jornalismo e tamb\u00e9m era dramaturgo. Ele foi fundador do Teatro Popular Uni\u00e3o e Olho Vivo, que \u00e9 um grupo que h\u00e1 75 anos faz essa troca de experi\u00eancia nos bairros populares da capital\u201d, explicou seu filho, Lucas Cesar Pizzetta.<\/p>\n<p>Cesinha, como ele \u00e9 mais conhecido por herdar o pseud\u00f4nimo do pai, contou que foi convidado pelo Museu da Pessoa e do Museu da L\u00edngua Portuguesa para contar essa hist\u00f3ria. \u201cAcho que \u00e9 fundamental esse tipo de iniciativa que contribui para contar a hist\u00f3ria da cultura popular brasileira. Principalmente hoje, quando vivemos em um momento de domina\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande da cultura estrangeira. Precisamos contar essas hist\u00f3rias de uma forma agregada, relacionando esses temas para entender o contexto do pa\u00eds\u201d, disse ele, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do pai de Cesinha foi cordelizada pela poeta Maria Celma. O cordel, que pode ser retirado gratuitamente na exposi\u00e7\u00e3o ou ser visualizado por meio do site, inicia essa hist\u00f3ria pelos seguintes versos: \u201cFalar de Idibal Pivetta. Requer bom senso e coragem. Homem de muitas facetas. E de uma imensa bagagem. Marcou a hist\u00f3ria das gentes. Como autor e personagem\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 reportagem, Maria Celma contou que, para iniciar o cordel sobre Idibal, ela come\u00e7ou a consultar sua biografia, assistindo entrevistas e lendo muitos trabalhos publicados sobre ele. \u201cE a\u00ed eu me apaixonei pelos feitos, pela pessoa, pelo humano, pelo social dele. Al\u00e9m de prazeroso, foi uma experi\u00eancia enriquecedora escrever sobre ele. Isso me enriqueceu como pessoa, como cidad\u00e3, como brasileira\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da hist\u00f3ria de Pivetta, as outras hist\u00f3rias in\u00e9ditas cordelizadas para a mostra foram a de Cleone Santos, uma mineira de Juiz de Fora que criou o Coletivo Mulheres da Luz, que oferece apoio e d\u00e1 visibilidade \u00e0s mulheres em situa\u00e7\u00e3o de prostitui\u00e7\u00e3o; e do rapper MC Kawex, que viveu por 20 anos na chamada Cracol\u00e2ndia, sendo uma voz ativa na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTrazer a exposi\u00e7\u00e3o para S\u00e3o Paulo abriu uma porta grande para que a gente pudesse tamb\u00e9m trazer a hist\u00f3ria de pessoas que est\u00e3o aqui, digamos, na nossa vizinhan\u00e7a, no nosso territ\u00f3rio\u201d, falou Camila Aderaldo, coordenadora do Centro de Refer\u00eancia do Museu da L\u00edngua Portuguesa. \u201cConseguimos reunir tr\u00eas nomes para compor essa mostra. Organizar e colocar a hist\u00f3ria dessas pessoas em literatura \u00e9 quase uma maneira de faz\u00ea-las ainda presentes. E isso \u00e9 muito poderoso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para Karen Worcman, fundadora e curadora do Museu da Pessoa, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma grande celebra\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa. Al\u00e9m disso, ela expande o nosso conceito de constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria do pa\u00eds. \u201cA ideia b\u00e1sica do Museu da Pessoa \u00e9 fazer com que a hist\u00f3ria de cada pessoa se torne um objeto de museu. O museu tem como objetivo promover uma mudan\u00e7a, uma democratiza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria social, ampliar o jeito que a gente conta a nossa hist\u00f3ria na sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Todas as hist\u00f3rias que est\u00e3o sendo apresentadas nesta exposi\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo foram inclu\u00eddas no acervo do Museu da Pessoa. Inclusive as que ser\u00e3o contadas pelo pr\u00f3prio p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Cabine<\/strong><br \/>\nEssa exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita s\u00f3 de hist\u00f3rias apresentadas em pain\u00e9is e em cord\u00e9is que podem ser retirados de forma gratuita no museu. H\u00e1 tamb\u00e9m uma cabine interativa, onde os visitantes poder\u00e3o gravar seus pr\u00f3prios depoimentos.<\/p>\n<p>\u201cO Museu da Pessoa, que \u00e9 sempre colaborativo, traz sempre uma cabine de hist\u00f3rias de vida. Toda vida d\u00e1 um cordel. Toda vida \u00e9 parte de um museu. Ent\u00e3o a pessoa que vem tem a possibilidade de gravar a sua hist\u00f3ria e integrar o acervo do museu &#8211; e de forma gratuita\u201d, contou Karen Worcman.<\/p>\n<p>Todos esses depoimentos do p\u00fablico v\u00e3o depois integrar o acervo digital do Museu da Pessoa.<\/p>\n<p><strong>Cordel<\/strong><br \/>\nO cordel surgiu em um tempo onde n\u00e3o havia r\u00e1dio, internet ou TV e poucos sabiam ler. Para saber as hist\u00f3rias, as pessoas sa\u00edam \u00e0s ruas para ouvir os artistas populares que narravam, em forma de versos, os acontecimentos da regi\u00e3o. At\u00e9 que surgiram as t\u00e9cnicas baratas de impress\u00e3o e essas hist\u00f3rias come\u00e7aram a ser reproduzidas em pequenos livros que se propagaram pela Europa.<\/p>\n<p>Quando chegou ao Brasil, isso ganhou uma linguagem pr\u00f3pria, com humor, cr\u00edticas e capas ilustradas com xilogravuras, t\u00e9cnica que consiste em entalhar em peda\u00e7os de madeira imagens de alto e baixo relevo que depois receber\u00e3o camadas de tinta e ser\u00e3o reproduzidas em papel, como uma esp\u00e9cie de carimbo.<\/p>\n<p>\u201cA literatura de cordel, enquanto g\u00eanero, enquanto cultura, enquanto hist\u00f3ria, tem uma for\u00e7a enorme para todos os brasileiros. Esse projeto de exposi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de bonito, \u00e9 important\u00edssimo do ponto de vista s\u00f3cio-cultural. Esse projeto \u00e9 realmente uma a\u00e7\u00e3o de salvaguarda da literatura de cordel\u201d, disse a cordelista Maria Celma.<\/p>\n<p>Desde 2018, a literatura de cordel e seus bens associados, como a xilogravura, s\u00e3o reconhecidos como patrim\u00f4nio cultural e imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<\/p>\n<p><strong>Mostra<\/strong><br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo apresentada no Sagu\u00e3o B do museu e tem entrada gratuita. Ela ficar\u00e1 em cartaz at\u00e9 fevereiro do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias que est\u00e3o em exposi\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser acessadas tamb\u00e9m de forma virtual, por meio do site Nesse conte\u00fado online tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel o livreto Vidas em Cordel para Educadores, um material educativo e gratuito voltado para professores e que pode ser utilizado em atividades educativas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recife, Salvador, Belo Horizonte e agora S\u00e3o Paulo. Uma viagem hist\u00f3rica em que o verso da can\u00e7\u00e3o Chico Preto, dos compositores Jo\u00e3o Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro, j\u00e1 dizia: \u201ca tua hist\u00f3ria um dia vai virar cordel\u201d. 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