{"id":340076,"date":"2024-11-04T00:01:38","date_gmt":"2024-11-04T03:01:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=340076"},"modified":"2024-11-03T23:58:58","modified_gmt":"2024-11-04T02:58:58","slug":"tema-da-redacao-e-atual-e-apropriado-avaliam-professores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tema-da-redacao-e-atual-e-apropriado-avaliam-professores\/","title":{"rendered":"Tema da reda\u00e7\u00e3o \u00e9 atual e apropriado, avaliam professores"},"content":{"rendered":"<p>O tema da reda\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) deste ano, &#8220;Desafios para a valoriza\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a africana no Brasil&#8221;, proposto pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), \u00e9 \u201cpertinente\u201d, \u201catual\u201d, \u201capropriado\u201d, \u201cinteressante\u201d, \u201cnecess\u00e1rio\u201d, \u201curgente\u201d e \u201cpedag\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p>As palavras s\u00e3o de professores, que avaliam que o assunto proposto na reda\u00e7\u00e3o do Enem permite aos alunos demonstrarem suas compet\u00eancias textuais e refletirem sobre a realidade brasileira.<\/p>\n<p>Professora de reda\u00e7\u00e3o do SEB, em Bras\u00edlia, Analu Vargas avalia que o tema escolhido \u201cprop\u00f5e reflex\u00e3o acerca do funcionamento da sociedade&#8221;. &#8220;Estamos falando de uma necessidade de valorizar a heran\u00e7a da cultura africana. Isso abre bagagem para se abordar tamb\u00e9m preconceito, o racismo, que \u00e9 um crime, e tratar de processos que chamamos de resqu\u00edcios p\u00f3s-escravid\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A coordenadora e professora de reda\u00e7\u00e3o do PB Col\u00e9gio e Curso, Juliana Rettich, acredita que o Enem, com suas tem\u00e1ticas de reda\u00e7\u00e3o, tem car\u00e1ter pedag\u00f3gico para toda a sociedade brasileira; e que este ano o Inep acertou novamente ao propor um tema que pode se transformar em pauta para reportagens de diferentes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que temos tr\u00eas matrizes culturais no Brasil, mas ainda vivemos sob o que podemos chamar de colonialidade, um regime de poder que continua a subalternizar os povos racializados, como os povos africanos. Nas nossas aulas de reda\u00e7\u00e3o, trabalhamos a partir da perspectiva da descoloniza\u00e7\u00e3o e da decolonialidade, discutindo a problem\u00e1tica dos curr\u00edculos eurocentrados nas escolas e nas universidades. Diante disso, o nosso primeiro desafio \u00e9 combater o epistemic\u00eddio, o assassinato do conhecimento, hist\u00f3ria e cultura produzidos pelos povos africanos e afrodiasp\u00f3ricos\u201d, aponta a docente.<\/p>\n<p><strong>Racismo estrutural<\/strong><br \/>\nCoordenadora de reda\u00e7\u00e3o e professora do Col\u00e9gio Etapa, Nayara de Barros, destaca que h\u00e1 v\u00e1rios t\u00f3picos a serem explorados no tema do Enem. \u201cOs estudantes poderiam tratar do debate racial que tem havido no campo da educa\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio conceito de racismo estrutural poderia ser mencionado, em rela\u00e7\u00e3o ao racismo como parte da estrutura social, um sistema que se manifesta nas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e jur\u00eddicas, que vai se apresentar tamb\u00e9m como um desafio \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o dessa heran\u00e7a nas mais diversas inst\u00e2ncias.\u201d<\/p>\n<p>Colega de trabalho de Nayara no Etapa, Luiz Carlos Dias acrescentou que o assunto da reda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m diz respeito aos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Segundo ele, o ODS 18 \u201cprima pela igualdade \u00e9tnico-racial&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, para que haja a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura africana, temos que entender que os povos africanos s\u00e3o marginalizados historicamente no Brasil, desde o mercado de escravizados\u201d, afirma o professor.<\/p>\n<p>Para Hagda Vasconcelos, professora do Col\u00e9gio Galois, o tema \u201cn\u00e3o surpreendeu\u201d porque \u00e9 uma \u201cproblem\u00e1tica persistente\u201d no Brasil. \u201cO Enem \u00e9 uma prova muito democr\u00e1tica. \u00c9 uma prova que coloca em quest\u00e3o aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio ser discutido.\u201d<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dela, os estudantes brasileiros est\u00e3o preparados. \u201cN\u00f3s temos de trabalhar a educa\u00e7\u00e3o antirracista. Valorizar o personagem negro. Valorizar o cientista negro. Eu acredito que os meninos est\u00e3o bem preparados, bem embasados para produzir esse texto\u201d, diz Hagda, considerando o conte\u00fado ensinado de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define as diretrizes e os assuntos que devem ser abordados em todas as escolas brasileiras \u2013 seja p\u00fablica ou privada.\u200b<\/p>\n<p>\u201cEu gostei muito do tema. \u00c9 muito apropriado. \u00c9 um tema que ampara as nossas discuss\u00f5es\u201d, avalia Gilmar F\u00e9lix, professor de l\u00edngua portuguesa da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal e tamb\u00e9m do Col\u00e9gio Marista de Bras\u00edlia. O docente lembra que h\u00e1 uma lei desde 2003 que estabelece a obrigatoriedade do ensino de cultura africana, al\u00e9m da cultura ind\u00edgena, nas escolas brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, que somos do movimento negro e que somos professores, queremos uma legitima\u00e7\u00e3o desse ensino. O tema n\u00e3o vai ficar s\u00f3 na quest\u00e3o de falar de ensino da cultura africana, mas vai entrar na quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o antirracista\u201d, ressalta.<\/p>\n<p><strong>Vis\u00e3o hier\u00e1rquica<\/strong><br \/>\nO docente, no entanto, aponta que \u201ca sociedade tem uma dificuldade em lidar com o tema.\u201d E que a abordagem de assuntos em sala de aula pode variar de escola em escola e at\u00e9 conforme a disposi\u00e7\u00e3o dos docentes. \u201cAlguns professores n\u00e3o querem debater o tema. Na nossa sociedade ainda tem indiv\u00edduos que mant\u00eam uma vis\u00e3o hier\u00e1rquica, de achar, por exemplo, que o papel e o lugar do negro s\u00e3o sempre aqueles que teve ao longo da escravid\u00e3o\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Para Gilmar F\u00e9lix, a reda\u00e7\u00e3o do Enem, ao fazer os estudantes olharem para as heran\u00e7as culturais africanas e a necessidade da valoriza\u00e7\u00e3o, \u201cajuda a desconstruir essa tend\u00eancia hier\u00e1rquica.\u201d<\/p>\n<p>O docente alerta que, caso algum aluno n\u00e3o tenha desenvolvido a proposta, ainda que escrevendo sem erros de portugu\u00eas e com argumenta\u00e7\u00e3o, corre o risco de ser eliminado ou ter nota baixa por apenas ter \u201ctangenciado o assunto.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA compet\u00eancia 2 e a compet\u00eancia 3 [exigidas pelo Inep] v\u00e3o cobrar justamente que ele trabalhe com repert\u00f3rios legitimados. N\u00e3o d\u00e1 para o aluno vir com achismo. O bom repert\u00f3rio \u00e9 aquele repert\u00f3rio que \u00e9 legitimado.\u201d<\/p>\n<p>A compet\u00eancia 2 exige que o candidato interprete corretamente o tema e traga uma abordagem integral em rela\u00e7\u00e3o a todas as palavras-chave contidas no tema e fa\u00e7a uma escolha adequada de repert\u00f3rios capazes de contextualizar essa interpreta\u00e7\u00e3o contida no tema. A compet\u00eancia 3 \u00e9 uma adequada formata\u00e7\u00e3o de um projeto de texto que prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de uma introdu\u00e7\u00e3o que apresente o tema, a tese e os argumentos, que aborde a problematiza\u00e7\u00e3o no desenvolvimento e depois caminho para o desfecho de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema da reda\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) deste ano, &#8220;Desafios para a valoriza\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a africana no Brasil&#8221;, proposto pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), \u00e9 \u201cpertinente\u201d, \u201catual\u201d, \u201capropriado\u201d, \u201cinteressante\u201d, \u201cnecess\u00e1rio\u201d, \u201curgente\u201d e \u201cpedag\u00f3gico\u201d. 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