{"id":340767,"date":"2024-11-12T00:00:26","date_gmt":"2024-11-12T03:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=340767"},"modified":"2024-11-12T07:13:10","modified_gmt":"2024-11-12T10:13:10","slug":"operacoes-de-seguranca-publica-afetam-mobilidade-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/operacoes-de-seguranca-publica-afetam-mobilidade-urbana\/","title":{"rendered":"Opera\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica afetam mobilidade urbana"},"content":{"rendered":"<p>No per\u00edodo de um ano, Salvador teve pelo menos 85 interrup\u00e7\u00f5es do transporte p\u00fablico por causa de conflitos relacionados \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica. \u00c9 o que revela o estudo in\u00e9dito Catraca Racial: o impacto da seguran\u00e7a p\u00fablica na mobilidade urbana da capital da Bahia, divulgado nesta segunda-feira (11).<\/p>\n<p>A pesquisa mostra que as interrup\u00e7\u00f5es afetaram 30 bairros da capital baiana, majoritariamente habitados por pessoas negras. Ao todo, foram 316 horas de interrup\u00e7\u00e3o no transporte p\u00fablico registradas em 15 dos epis\u00f3dios mapeados, o equivalente a 13 dias sem acesso \u00e0 mobilidade urbana.<\/p>\n<p>Realizado em parcerias da Iniciativa Negra por uma Nova Pol\u00edtica sobre Drogas, do Observat\u00f3rio da Mobilidade de Salvador e do Instituto Fogo Cruzado, o estudo analisou o per\u00edodo de 4 de agosto de 2023 a 15 de agosto de 2024, a partir de registros disponibilizados pela Prefeitura de Salvador, por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI) e pelo Sindicato dos Rodovi\u00e1rios da Bahia.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do historiador e diretor-executivo da Iniciativa Negra por uma Nova Pol\u00edtica sobre Drogas, Dudu Ribeiro, o levantamento evidencia o impacto da seguran\u00e7a p\u00fablica na mobilidade a opera\u00e7\u00f5es ligadas a ataques ou conflitos entre grupos armados, incluindo opera\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o negra e perif\u00e9rica de Salvador hoje sofre at\u00e9 para permanecer em suas comunidades, devido aos conflitos recorrentes produzidos por um modelo violento de seguran\u00e7a p\u00fablica. Mas tamb\u00e9m sofre se precisa deixar a sua moradia para acessar direitos em outras \u00e1reas da cidade. Se n\u00e3o h\u00e1 mobilidade urbana, compromete-se o direito \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de renda e ao lazer. \u00c9 como se o Estado constru\u00edsse uma catraca racial n\u00e3o vis\u00edvel a todos os olhos, mas que define quem, quando e para onde pode se mover na cidade de Salvador&#8221;, avalia Dudu Ribeiro, um dos respons\u00e1veis pelo levantamento.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, o bairro de Mussurunga foi o mais impactado. Ao longo do per\u00edodo analisado, a frota de \u00f4nibus teve interrup\u00e7\u00e3o total ou parcial por 14 dias. Chama aten\u00e7\u00e3o a interrup\u00e7\u00e3o em maio, quando os moradores da regi\u00e3o ficaram 7 dias seguidos sem \u00f4nibus, na interrup\u00e7\u00e3o mais longa registrada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Mussurunga, os bairros mais afetados pela interrup\u00e7\u00e3o no transporte em decorr\u00eancia de tiroteios foram Fazenda Coutos e Val\u00e9ria, com oito epis\u00f3dios cada; Pernambu\u00e9s (seis), \u00c1guas Claras (cinco), Nordeste de Amaralina e Engenheiro Velho da Federa\u00e7\u00e3o (quatro cada), Beiru\/Tancredo Neves e Mirantes de Periperi (tr\u00eas cada), Boa Vista de S\u00e3o Caetano, Santa Cruz, Santa M\u00f4nica, Narandiba, Piraj\u00e1, Engomadeira e IAPI (dois cada), e um epis\u00f3dio registrado em cada um destes bairros: Alto das Pombas, Fazenda Grande do Retiro, S\u00e3o Caetano, Conjunto Piraj\u00e1, Paripe, Periperi, Capelinha, Castelo Branco, S\u00e3o Jo\u00e3o do Cabrito\/Plataforma, Barragem de Ipitanga, San Martin, Ilha Amarela, Jardim Nova Esperan\u00e7a, Barreiras, Cajazeiras e Arenoso.<\/p>\n<p>O doutor em urbanismo e membro do Observat\u00f3rio da Mobilidade de Salvador Daniel Carib\u00e9 ressalta que entre os impactos junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o aus\u00eancias no emprego e impossibilidade de obter servi\u00e7os\/consultas agendados, entre outros problemas. Na avalia\u00e7\u00e3o do arquiteto, a quest\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica tamb\u00e9m virou um problema de mobilidade urbana.<\/p>\n<p>\u201cA suspens\u00e3o tempor\u00e1ria do servi\u00e7o de transporte p\u00fablico por conta de conflitos armados em bairros populares e negros de Salvador tamb\u00e9m tem que ser vista como um problema de mobilidade urbana, pois a imobilidade urbana tempor\u00e1ria ou obriga as pessoas a caminharem dist\u00e2ncias mais longas para ter acesso ao servi\u00e7o ou ao emprego, se esses continuam funcionando em bairros pr\u00f3ximos. Outros, sem alternativa, recorrem ao transporte irregular, aos motot\u00e1xis ou aos aplicativos. Tudo isso corr\u00f3i a renda dessa popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 vulner\u00e1vel, rouba-lhe tempo de vida e tira o acesso a outros direitos, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, lazer e trabalho\u201d.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 compartilhada pela coordenadora do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, Tailane Muniz, que ressalta que a quest\u00e3o da mobilidade \u00e9 um problema hist\u00f3rico da cidade.<\/p>\n<p>&#8220;A mobilidade prec\u00e1ria e a viol\u00eancia urbana s\u00e3o problemas hist\u00f3ricos para a popula\u00e7\u00e3o mais pobre de Salvador. Quando a viol\u00eancia armada interfere de forma t\u00e3o direta na oferta de um servi\u00e7o fundamental como o transporte p\u00fablico, \u00e9 porque h\u00e1 algo muito errado na pol\u00edtica de seguran\u00e7a e isso n\u00e3o deve ser tomado como algo natural. Por isso, os dados revelados por esse levantamento s\u00e3o fundamentais para o poder p\u00fablico visualizar o cen\u00e1rio por suas evid\u00eancias e para tomar para si a responsabilidade de garantir um direito que \u00e9 b\u00e1sico\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Entre os questionamentos realizados \u00e0 Prefeitura de Salvador pelos pesquisadores, est\u00e3o a quantidade de eventos de interrup\u00e7\u00e3o de mobilidade urbana ocorridos durante opera\u00e7\u00f5es policiais A municipalidade n\u00e3o respondeu ao questionamento.<\/p>\n<p>Entretanto, a base de registros do Fogo Cruzado mostra que 19 eventos estiveram associados a a\u00e7\u00f5es policiais &#8211; outros 57 epis\u00f3dios aconteceram em diferentes contextos da seguran\u00e7a p\u00fablica e apenas nove situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o se relacionaram a alguma interven\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Por outro lado, a prefeitura informou que existe uma iniciativa, ainda em fase de minuta, voltada para garantir a continuidade dos servi\u00e7os de transporte p\u00fablico em \u00e1reas afetadas por viol\u00eancia urbana.<\/p>\n<p>A prefeitura explicou que \u201cexiste uma minuta de cria\u00e7\u00e3o do comit\u00ea de crise, sugerida pela Cofat [Coordenadoria de Administra\u00e7\u00e3o e Fiscaliza\u00e7\u00e3o], j\u00e1 encaminhada para DIT e Gabinete (GAB) desta Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), sugerindo a participa\u00e7\u00e3o de representantes da Semob, Integra, Sindicato dos Rodovi\u00e1rios e Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Pol\u00edcia Militar e Pol\u00edcia Civil), onde prev\u00ea a busca de solu\u00e7\u00f5es para garantia da continuidade dos servi\u00e7os de transporte p\u00fablico em \u00e1reas afetadas por viol\u00eancia urbana\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No per\u00edodo de um ano, Salvador teve pelo menos 85 interrup\u00e7\u00f5es do transporte p\u00fablico por causa de conflitos relacionados \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica. \u00c9 o que revela o estudo in\u00e9dito Catraca Racial: o impacto da seguran\u00e7a p\u00fablica na mobilidade urbana da capital da Bahia, divulgado nesta segunda-feira (11). 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