{"id":340826,"date":"2024-11-13T00:00:28","date_gmt":"2024-11-13T03:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=340826"},"modified":"2024-11-13T06:30:27","modified_gmt":"2024-11-13T09:30:27","slug":"desequilibrio-climatico-impacta-cada-vez-mais-combate-a-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/desequilibrio-climatico-impacta-cada-vez-mais-combate-a-fome\/","title":{"rendered":"Desequil\u00edbrio clim\u00e1tico impacta cada vez mais combate \u00e0 fome"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras da C\u00fapula de l\u00edderes do G20, que ser\u00e1 realizada nos dias 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro, o diretor do Centro de Excel\u00eancia do Programa Mundial de Alimentos das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Daniel Balaban, reconhece o Brasil como uma lideran\u00e7a na pauta ambiental, especialmente ao lan\u00e7ar a Alian\u00e7a Global Contra a Fome e a Pobreza, com apoio das 20 maiores da economia do mundo.<\/p>\n<p>O diretor do Programa Mundial de Alimentos alerta para os impactos sociais e humanit\u00e1rios decorrentes das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, entre eles a fome, e afirma que a economia do pa\u00eds poder\u00e1 tamb\u00e9m ser uma das mais afetadas pelo desmatamento e aquecimento global.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva \u00e0 jornalista Adrielen Alves, como parte da produ\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie de podcast \u201cS.O.S! Terra Chamando!\u201d, uma parceria da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o e da Casa de Oswaldo Cruz, com estreia prevista para 2025, Balaban destaca os esfor\u00e7os mundiais pr\u00f3-planeta, e os desafios de manter a pauta ambiental como prioridade com a elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, para presid\u00eancia dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Veja os principais trechos da entrevista<\/p>\n<p><strong>Em entrevista recente, o m\u00e9dico infectologista, Eug\u00eanio Scannavino Netto, que mora na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, disse que a fome \u00e9 a doen\u00e7a mais cruel decorrente das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Como senhor, que est\u00e1 \u00e0 frente do Centro de Excel\u00eancia do Programa Mundial de Alimentos, percebe a rela\u00e7\u00e3o da fome com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p>Eu concordo plenamente com ele. Hoje, um dos principais males do mundo \u00e9 a fome. \u00c9 a desigualdade social e a extrema mis\u00e9ria. A fome tem v\u00e1rias causas, mas hoje, uma das principais \u00e9 exatamente as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seus efeitos. Logicamente, que tem outras formas que levam a popula\u00e7\u00e3o a sentir e a passar fome, como os conflitos armados e as crises econ\u00f4micas. Mas a quest\u00e3o clim\u00e1tica est\u00e1 no centro. Hoje, se n\u00f3s quisermos o mundo sem fome, n\u00f3s temos que trabalhar as quest\u00f5es clim\u00e1ticas do nosso planeta. As secas s\u00e3o cada vez mais persistentes, em v\u00e1rias \u00e1reas que antigamente n\u00e3o tinham secas. Temos enchentes em \u00e1reas que n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos no passado. E isso afeta a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de uma maneira permanente, de uma maneira forte, principalmente nos pa\u00edses menos desenvolvidos, aqueles que mais precisam estar produzindo alimentos para as suas fam\u00edlias. S\u00f3 um caso recente, o deserto Sahara. Hoje, o deserto Sahara est\u00e1 ficando verde porque est\u00e1 come\u00e7ando a chover l\u00e1. \u00c9 lindo, mas \u00e9 assustador, porque n\u00e3o era para acontecer isso. E outras \u00e1reas que sempre teriam chuvas como a nossa querida Amaz\u00f4nia, est\u00e3o sofrendo com secas muito fortes. Esses desequil\u00edbrios clim\u00e1ticos que s\u00e3o ocasionados pelo homem, pelo ser humano, t\u00eam que ser evitados. Existe uma s\u00e9rie de medidas. Para que a gente consiga acabar, de uma vez por todas, com as quest\u00f5es da fome no planeta, n\u00f3s temos que lidar com a quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>O senhor falou da Amaz\u00f4nia, e fa\u00e7o refer\u00eancia aos ribeirinhos afetados, ora por secas, ora por cheias hist\u00f3ricas. Mas n\u00e3o s\u00f3 as comunidades amaz\u00f4nicas, temos as pessoas que moram em favelas, os quilombolas. Como as Na\u00e7\u00f5es Unidas olham para essas pessoas, para as comunidades mais vulner\u00e1veis? E como \u00e9 poss\u00edvel fazer justi\u00e7a clim\u00e1tica hoje, diante de tantos desafios, entre eles, o negacionismo e a divulga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas?<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 um trabalho extremamente dif\u00edcil, porque n\u00f3s temos que conscientizar essas popula\u00e7\u00f5es do que realmente est\u00e1 acontecendo. Porque \u00e9 muito f\u00e1cil algumas pessoas dizerem, assim, \u201cmas \u00e9 fim do mundo\u201d, \u201c\u00e9 a volta de Jesus\u201d, sabe? Porque s\u00e3o fatores f\u00e1ceis de serem assimilados. Dizem que n\u00e3o t\u00eam culpa e que isso j\u00e1 estava escrito na B\u00edblia. N\u00e3o h\u00e1 o que fazer. Isso leva as pessoas a uma ina\u00e7\u00e3o. O que a gente tem que fazer \u00e9 explicar atrav\u00e9s da ci\u00eancia e da educa\u00e7\u00e3o que esses eventos clim\u00e1ticos extremos est\u00e3o sendo ocasionados por conta dos erros que os seres humanos est\u00e3o cometendo com a nossa M\u00e3e Terra, com a nossa Gaya. Se n\u00f3s n\u00e3o mostrarmos isso de uma forma did\u00e1tica para as pessoas, elas n\u00e3o v\u00e3o conseguir compreender. Ficou muito f\u00e1cil dizer coisas que apavoram: \u201cmas eu acho que a Terra n\u00e3o \u00e9 redonda, at\u00e9 porque se fosse redonda eu cairia\u201d. Ou seja, as pessoas n\u00e3o compreendem nem a Lei da Gravidade. Imagina compreenderem por que est\u00e1 chovendo muito ou por que que deixou de chover em determinada \u00e9poca? Quando algum cientista tem de explicar, \u00e9 dif\u00edcil. \u00c9 dif\u00edcil at\u00e9 para quem estudou compreender esses eventos. O que a gente tem que fazer \u00e9 conseguir mostrar para essas pessoas, que tudo isso que est\u00e1 acontecendo pode ser evitado, se n\u00f3s mudarmos a nossa cultura e as nossas pr\u00e1ticas para com a nossa M\u00e3e Terra.<\/p>\n<p><strong>Quando a gente fala de fome, falamos sobre a quest\u00e3o da desigualdade social e tamb\u00e9m da economia, inclusive dos pa\u00edses mais vulner\u00e1veis. H\u00e1 previs\u00f5es de que, em um futuro pr\u00f3ximo, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas v\u00e3o impactar muito severamente o Brasil, que \u00e9 um pa\u00eds que tem na agropecu\u00e1ria um forte poder econ\u00f4mico. Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre essa rela\u00e7\u00e3o, que \u00e9 mais ampla do que a gente imagina. E como a fome pode ser agravada nos pr\u00f3ximos tempos, inclusive no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 ficou comprovado pelos cientistas que o Brasil ser\u00e1 um dos pa\u00edses que ter\u00e1 mais agravada a situa\u00e7\u00e3o de crises clim\u00e1ticas extremas por conta das mudan\u00e7as que est\u00e3o acontecendo no planeta. N\u00f3s temos a maior floresta \u00famida do mundo, e n\u00e3o estamos cuidando dela do jeito que dever\u00edamos. Al\u00e9m da Floresta Amaz\u00f4nica, n\u00f3s temos aqui o Cerrado que tem sido devastado ao longo dos \u00faltimos anos. E tudo isso, por que est\u00e1 acontecendo? Por quest\u00f5es econ\u00f4micas. O nosso sistema de planejamento agr\u00e1rio \u00e9 focado em lucro. Temos que falar isso abertamente. Em nenhum pa\u00eds do mundo o lucro \u00e9 o principal fator de desenvolvimento agr\u00edcola de um pa\u00eds. Aqui no Brasil, \u00e9. \u201cVou plantar o que d\u00e1 mais dinheiro\u201d. N\u00f3s come\u00e7amos a n\u00e3o plantar mais comida e come\u00e7amos a plantar gr\u00e3os que servem para alimentar animais em outros pa\u00edses. Isso n\u00e3o \u00e9 algo vi\u00e1vel, mas d\u00e1 dinheiro. D\u00e1 dinheiro realmente. Pagam muito bem por esses gr\u00e3os. Mas para o pa\u00eds, isso n\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o de planejamento futuro para o sistema econ\u00f4mico, porque vai chegar no momento em que vai se degradar demais as nossas terras. Hoje, o Brasil tem mais terras degradadas do que terras agricult\u00e1veis. N\u00f3s temos mais terras que n\u00e3o tem plantado nada do que terras que est\u00e3o produzindo. N\u00f3s temos que trabalhar essas terras que est\u00e3o estragadas e temos que voltar a fazer com que existam t\u00e9cnicas (de recupera\u00e7\u00e3o). Leva tempo? Leva um ano, dois anos, tr\u00eas anos, mas tem que se fazer esse trabalho de recupera\u00e7\u00e3o das terras degradadas no pa\u00eds. O Brasil, hoje, tem mais terras degradadas do que terras sendo utilizadas para agricultura. E cada vez mais isso vai crescer por conta da utiliza\u00e7\u00e3o. Para pecu\u00e1ria ou para t\u00e9cnicas como essa, principalmente da soja, vamos \u201cdar o nome aos bois\u201d, a soja, n\u00e3o \u00e9? D\u00e1 muito dinheiro para quem produz, mas n\u00e3o \u00e9 algo que seja bom para o combate \u00e0 fome no planeta.<\/p>\n<p><strong>O movimento em defesa da \u201cfloresta em p\u00e9\u201d e tamb\u00e9m do agroflorestamento vai de encontro com essa l\u00f3gica s\u00f3 do incentivo ao lucro. Pelo contr\u00e1rio, pensa de uma forma mais organizada no futuro do planeta e dos humanos. Qual sua avalia\u00e7\u00e3o sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho extremamente importante. A gente trabalha muito com pa\u00edses africanos, ajudando-os a recuperarem as terras deles, a voltarem a colocar as pessoas para produzir. S\u00f3 fazendo um paralelo aqui. O continente africano foi extremamente degradado, porque foi explorado. As pessoas foram exploradas. Hoje existe um trabalho muito forte de voltar a fazer com que as pessoas voltem a acreditar e a produzir alimentos, os pequenos agricultores familiares, com capacidade, com condi\u00e7\u00f5es, com sementes, com todas as estruturas, para que eles possam produzir os alimentos para o que o continente precisa. O continente africano, durante muito tempo, tem precis\u00e3o de comida de fora, gente trazendo comida e alimentos. E tamb\u00e9m a quest\u00e3o de voc\u00ea voltar a recuperar as florestas. A explora\u00e7\u00e3o degradante n\u00e3o quer saber. \u00c9 o lucro estar acima de tudo. Se eu vou ter lucro acabando com todas as \u00e1reas dessa regi\u00e3o, eu vou cortar todas as \u00e1rvores. \u00c9 assim que pensam os explorat\u00f3rios, aqueles que querem explorar, para ganhar dinheiro. O dinheiro n\u00e3o \u00e9 um meio, \u00e9 um fim. Eu estou \u00e0 procura do dinheiro. E n\u00f3s temos que relembrar que o dinheiro \u00e9 um meio. E o fim \u00e9 a nossa vida, \u00e9 a nossa felicidade, a felicidade do ser humano, em conjunto aqui, morando nesse lindo planeta. Se a gente n\u00e3o compreender isso, n\u00e3o voltar principalmente a aprender com as popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias, com os famosos ind\u00edgenas em cada regi\u00e3o, porque eles t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o de muita paz, de muito respeito com a natureza. E n\u00f3s n\u00e3o entendemos isso. N\u00f3s at\u00e9 fazemos chacota disso, como se eles n\u00e3o fossem desenvolvidos por conta dessa rela\u00e7\u00e3o. Muito mais, eles s\u00e3o muito mais desenvolvidos que n\u00f3s. Eu acho que est\u00e1 na hora de a gente ter humildade e aprendermos com os povos origin\u00e1rios, aprendermos a ter mais respeito pela nossa natureza. Ter uma rela\u00e7\u00e3o de amor com o planeta, uma rela\u00e7\u00e3o de amor com todos os sistemas. Se a gente come\u00e7ar a n\u00e3o fazer isso, n\u00f3s vamos sofrer as consequ\u00eancias. E ainda d\u00e1 tempo. \u00c9 que eu digo, ainda d\u00e1 tempo de a gente aprender. E de a gente voltar a ter uma rela\u00e7\u00e3o boa. Ningu\u00e9m \u00e9 contra o lucro. O lucro \u00e9 importante. Mas o lucro tem que ser considerado de acordo com o desenvolvimento natural das coisas. A gente n\u00e3o pode acabar com a quest\u00e3o natural, acabar com a natureza para ter mais lucro. \u00c9 uma quest\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o, de discuss\u00e3o, de leis mais definidas. O Brasil precisa disso. A gente foge muito, a gente quer desregulamento. Eu acho que tem que regulamentar mais. O agro vai ficar zangado ouvindo isso, mas eu acho que a gente precisa regulamentar mais. E vai ser bom at\u00e9 para os produtores. O dia em que eles trabalharem de uma forma organizada, regulamentar, respeitando a natureza, os produtos brasileiros v\u00e3o ser tamb\u00e9m muito mais consumidos no exterior. O que n\u00e3o vem acontecendo atualmente.<\/p>\n<p><strong>\u00c0s v\u00e9speras da C\u00fapula do G20, que desde as reuni\u00f5es preparat\u00f3rias tem discutido a quest\u00e3o da bioeconomia, da economia verde, e das energias limpas no cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O senhor acha que esse \u00e9 o caminho poss\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p>Acho talvez seja a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o. A gente tem que voltar nossos olhares, a nossa ci\u00eancia principalmente, toda vez que o ser humano come\u00e7a a fazer uma pesquisa em algo diferenciado, a gente chega a solu\u00e7\u00f5es. O ser humano \u00e9 muito capaz. A gente conseguiu fazer uma vacina em menos de um ano, quando teve uma pandemia, e nunca isso tinha acontecido na hist\u00f3ria do planeta. Por que? Porque houve interesse, vontade, uni\u00e3o, e principalmente financiamento, recursos financeiros. Sim. A quest\u00e3o hoje \u00e9 achar recursos renov\u00e1veis como fontes de incentivo a essas novas tecnologias. \u00c9 extremamente importante e vi\u00e1vel. Combust\u00edveis f\u00f3sseis, a gente j\u00e1 sabe o resultado. A gente j\u00e1 sabe o que ele pode trazer de mal para o planeta. Est\u00e1 na hora de a gente voltar as nossas ideias, as nossas ci\u00eancias, o nosso desenvolvimento para fontes diferenciadas. Existem in\u00fameras. Eu acompanho muitos cientistas, j\u00e1 vi as coisas maravilhosas que eles est\u00e3o estudando e tentando fazer. E h\u00e1 pouco tempo, a energia solar era pouca. Hoje, o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que mais t\u00eam energia solar e tem trabalhado a energia solar principalmente em resid\u00eancias e empresas. S\u00e3o fontes alternativas para as quais a gente deve voltar a olhar.<\/p>\n<p><strong>Estamos a cerca de um ano da COP30, a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, que ser\u00e1 realizada em novembro de 2025, em Bel\u00e9m, Par\u00e1. Ser\u00e1 mais um momento em que todos os olhos estar\u00e3o voltados aqui para o Brasil. S\u00f3 que agora temos um novo cen\u00e1rio, com a volta de Donald Trump \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos. Ele j\u00e1 se posicionou de forma contr\u00e1ria \u00e0s quest\u00f5es relacionadas ao clima. Ent\u00e3o, qual \u00e9 o cen\u00e1rio que se espera diante da possibilidade de que a maior a economia do mundo possivelmente n\u00e3o esteja favor\u00e1vel aos encaminhamentos da maioria dos pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil tem uma lideran\u00e7a natural na quest\u00e3o do clima. N\u00e3o somente pelo fato de termos a maior floresta tropical do mundo, n\u00f3s temos um pa\u00eds continental, com todas as condi\u00e7\u00f5es de ser um l\u00edder. Os nossos diplomatas e a nossa pol\u00edtica internacional sempre foram de defesa do meio ambiente, de defesa das quest\u00f5es clim\u00e1ticas. Com a COP30 sendo alojada em Bel\u00e9m do Par\u00e1, no ano que vem, que n\u00e3o \u00e0 toa, fica na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, acho que \u00e9 um momento muito importante para que n\u00f3s coloquemos de uma vez por todas, \u201cou n\u00f3s vamos para a a\u00e7\u00e3o, ou n\u00f3s sofreremos as consequ\u00eancias da ina\u00e7\u00e3o\u201d. O Trump ganhou nos Estados Unidos, ele \u00e9 contr\u00e1rio, j\u00e1 declarou isso. N\u00e3o sou eu que estou falando, ele j\u00e1 falou que, no primeiro dia de mandato, ele acaba com essas quest\u00f5es. Vai incentivar combust\u00edveis f\u00f3sseis. Ele \u00e9 contr\u00e1rio a tudo isso, mas ele \u00e9 um presidente. L\u00f3gico que \u00e9 a maior economia do mundo, mas ele \u00e9 \u201cum\u201d. Acho que o mais importante \u00e9 que todos os demais se posicionem fortemente a favor de a\u00e7\u00f5es contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Eu acho que \u00e9 a \u00fanica forma. N\u00e3o adianta colocarmos todos os demais pa\u00edses, a maioria que tiver, dizendo que n\u00f3s queremos tomar atitudes, n\u00f3s queremos resolver esse problema. Se ele se isolar, \u00e9 problema dele, entendeu? Mas eu acho que o importante \u00e9 que os demais continuem. N\u00e3o vamos mudar a linha por conta de percal\u00e7os no caminho. H\u00e1 uma pedra no caminho. A gente passa por cima da pedra ou desvia, n\u00e3o vai ficar chorando.<\/p>\n<p><strong>Entre Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), com metas previstas at\u00e9 2030, est\u00e1 ali no topo \u201cacabar com a fome, alcan\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar, melhorar a nutri\u00e7\u00e3o\u201d. Isso ser\u00e1 poss\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma boa pergunta. Se n\u00f3s levarmos em conta a situa\u00e7\u00e3o de hoje e a curva at\u00e9 o ano de 2030, n\u00e3o estamos no caminho. Estamos muito longe do caminho. Mas eu ainda acredito que, se n\u00f3s nos unirmos e come\u00e7armos a tomar atitudes mais firmes, a gente consegue colocar o trem nessa dire\u00e7\u00e3o para chegar ao ano de 2030, se n\u00e3o acabar com a fome, mas diminu\u00ed-la ao menor ponto poss\u00edvel. Hoje, o Brasil tamb\u00e9m \u00e9 lideran\u00e7a. Eu enalte\u00e7o muito o Brasil. Muitas vezes as pessoas colocam o Brasil como um ator que n\u00e3o \u00e9 muito grande no cen\u00e1rio internacional. Voc\u00eas n\u00e3o imaginam como o Brasil \u00e9 respeitado internacionalmente. Aqui n\u00f3s tivemos a ECO 92, no ano de 1992, no Rio de Janeiro. Depois n\u00f3s tivemos a Rio, que deu origem aos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, os ODMs, que foram at\u00e9 o ano de 2015. Foi a primeira vez que o planeta teve objetivos concretos de desenvolvimento. Depois n\u00f3s tivemos a Rio+20, tamb\u00e9m no Rio de Janeiro, que era de 1992, mais 20, no ano de 2012. E l\u00e1 deu origem aos ODS, os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, que n\u00f3s temos hoje os 17 ODS, para a gente levar at\u00e9 o ano de 2030. O Brasil est\u00e1 sempre sendo um anfitri\u00e3o dessas discuss\u00f5es, sempre colocando a sua lideran\u00e7a a favor do planeta. Agora n\u00f3s temos, no G20, a cria\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a Global contra a Fome e a Pobreza. \u00c9 a primeira vez no planeta que se cria uma Alian\u00e7a Global contra a Fome e contra a Pobreza. Porque antes disso era ret\u00f3rica, era s\u00f3 bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1, discuss\u00f5es, discursos bonitos. Mas sa\u00eda do discurso, n\u00e3o tinha nada colocado como objetivo num papel. Agora, a Alian\u00e7a Global est\u00e1 colocando como que vai fazer para ajudar os pa\u00edses a combater a fome, como executar as pol\u00edticas p\u00fablicas, como vai ser financiado esse recurso para os pa\u00edses. \u00c9 uma alian\u00e7a de 20 pa\u00edses, hoje do G20. Mas n\u00f3s temos que estar abertos para todos os pa\u00edses do mundo e v\u00e1rios pa\u00edses j\u00e1 est\u00e3o aderindo a essa alian\u00e7a e com a lideran\u00e7a do Brasil. N\u00f3s temos que enaltecer essa lideran\u00e7a brasileira. N\u00f3s temos que enaltecer a Alian\u00e7a Global contra a Fome e a Pobreza. N\u00e3o sei se n\u00f3s vamos chegar ao ano de 2030 com a fome acabando no mundo, mas eu sei que eu n\u00e3o vou parar de trabalhar para que isso aconte\u00e7a. Isso eu sei. Eu vou fazer o meu papel. Se cada um pensar desse jeito, cada pa\u00eds pensar desse jeito, n\u00f3s vamos atingir. Para chegarmos numa caminhada longa, n\u00f3s temos que dar um primeiro passo. No outro dia, mais um passo, no terceiro dia, mais um passo e perseverar. \u00c9 a \u00fanica forma de a gente chegar no nosso objetivo. Conclamo todos, que todos trabalhem, que todos se unam, que todos perseverem, porque \u00e9 poss\u00edvel acabar com a fome no planeta. A fome n\u00e3o \u00e9 natural. A fome n\u00e3o \u00e9 cultural. A fome n\u00e3o \u00e9 geogr\u00e1fica. A fome \u00e9 pol\u00edtica. E se ela \u00e9 pol\u00edtica, significa que, vontade pol\u00edtica resolve esse problema. Eu tenho vontade pol\u00edtica. 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