{"id":341620,"date":"2024-11-23T09:49:40","date_gmt":"2024-11-23T12:49:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=341620"},"modified":"2024-11-23T09:49:40","modified_gmt":"2024-11-23T12:49:40","slug":"brasil-pais-de-macunaimas-nao-pode-silenciar-diante-de-tragedias-golpistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-pais-de-macunaimas-nao-pode-silenciar-diante-de-tragedias-golpistas\/","title":{"rendered":"Brasil, Pa\u00eds de Macuna\u00edmas, n\u00e3o pode silenciar diante de trag\u00e9dias golpistas"},"content":{"rendered":"<p>Antes de qualquer an\u00e1lise sobre os atentados que marcaram a hist\u00f3ria do Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio afirmar, sem hesita\u00e7\u00e3o: repudiamos qualquer forma de viol\u00eancia. O arremedo de terrorismo, por mais incompetente ou desastrado que seja, sempre deixa marcas profundas, desviando o foco das discuss\u00f5es nacionais para o terreno do medo e da inseguran\u00e7a. A morte de Francisco Wanderley Luiz, ocorrida em 2024 diante das c\u00e2meras, \u00e9 um exemplo desse impacto. Em meio a uma a\u00e7\u00e3o claramente prec\u00e1ria, o Brasil foi confrontado com uma trag\u00e9dia que exp\u00f4s a vulnerabilidade de suas institui\u00e7\u00f5es e a fragilidade humana de um homem visivelmente em sofrimento mental.<\/p>\n<p>Macuna\u00edma, o her\u00f3i sem car\u00e1ter de M\u00e1rio de Andrade, simboliza o improviso e a falta de planejamento que permeiam n\u00e3o apenas a cultura brasileira, mas tamb\u00e9m epis\u00f3dios hist\u00f3ricos de viol\u00eancia pol\u00edtica. No Brasil, at\u00e9 mesmo a\u00e7\u00f5es que pretendem abalar as estruturas de poder acabam refletindo o caos e a desorganiza\u00e7\u00e3o que parecem intr\u00ednsecos ao nosso modo de fazer as coisas.<\/p>\n<p><strong>Aeroporto dos Guararapes<\/strong><br \/>\nO atentado ao Aeroporto dos Guararapes, no Recife, em 1966, foi um dos primeiros epis\u00f3dios de viol\u00eancia pol\u00edtica urbana no Brasil. Planejado para atingir l\u00edderes do regime militar, o ataque deixou dois mortos \u2013 o almirante Nelson Gomes Fernandes e o jornalista Edson R\u00e9gis de Carvalho \u2013 e 14 feridos, a maioria civis.<\/p>\n<p>Embora tr\u00e1gico, o plano fracassou em seu objetivo pol\u00edtico e acabou fortalecendo o regime ao fornecer argumentos para aumentar a repress\u00e3o. O epis\u00f3dio j\u00e1 trazia tra\u00e7os daquilo que se repetiria em outros momentos: o custo humano de a\u00e7\u00f5es mal concebidas e executadas \u00e0s pressas, onde o caos sobrep\u00f5e-se \u00e0 estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p><strong>Riocentro<\/strong><br \/>\nTalvez o epis\u00f3dio mais emblem\u00e1tico do &#8220;terrorismo \u00e0 brasileira&#8221; seja o atentado do Riocentro. Durante um show em comemora\u00e7\u00e3o ao Dia do Trabalhador, em 1981, agentes do DOI-CODI planejavam detonar uma bomba para incriminar a esquerda e justificar a continuidade da repress\u00e3o militar. O plano falhou de maneira grotesca: o artefato explodiu dentro do carro dos pr\u00f3prios agentes, matando um deles e ferindo gravemente o outro.<\/p>\n<p>O fiasco n\u00e3o diminui a gravidade do epis\u00f3dio. A inten\u00e7\u00e3o de manipular a opini\u00e3o p\u00fablica com viol\u00eancia revela o quanto esses arremedos de terrorismo s\u00e3o prejudiciais, mesmo quando fracassam de forma espetacular. O saldo, como sempre, foi mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de amadorismo com consequ\u00eancias reais.<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas Poderes e Anexo I<\/strong><br \/>\nEm 2024, outro arremedo de terrorismo veio \u00e0 tona, desta vez na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes. Os explosivos, feitos com fogos de artif\u00edcio, produziram mais fuma\u00e7a e barulho do que perigo real. A cena, marcada por improviso e precariedade, poderia ser confundida com a &#8220;guerra de espadas&#8221; de Cruz das Almas, na Bahia, onde fogos s\u00e3o lan\u00e7ados em disputas festivas, causando caos e ferimentos, mas sem inten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No entanto, o desfecho tr\u00e1gico desse epis\u00f3dio n\u00e3o pode ser ignorado. A morte de Francisco Wanderley Luiz, um homem com claros problemas psiqui\u00e1tricos, revelou o custo humano de a\u00e7\u00f5es que, por mais desorganizadas que pare\u00e7am, possuem impacto devastador. Sua morte, ao vivo, foi um lembrete doloroso de que o terrorismo, mesmo em sua forma mais desastrada, sempre deixa cicatrizes profundas na sociedade.<\/p>\n<p><strong>Peso de Macuna\u00edma<\/strong><br \/>\nOs epis\u00f3dios de viol\u00eancia pol\u00edtica no Brasil trazem a marca de Macuna\u00edma, refletindo improviso, desorganiza\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia de um prop\u00f3sito claro. Por\u00e9m, o humor involunt\u00e1rio que permeia essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o pode obscurecer sua gravidade. Ao contr\u00e1rio: cada explos\u00e3o, cada plano falho e cada trag\u00e9dia pessoal refor\u00e7am a necessidade de condenar, sem hesita\u00e7\u00e3o, qualquer forma de viol\u00eancia como instrumento de poder.<\/p>\n<p>O Brasil precisa superar a influ\u00eancia de Macuna\u00edma em sua hist\u00f3ria pol\u00edtica. O hero\u00edsmo n\u00e3o est\u00e1 em atentados fracassados ou em gestos desesperados, mas na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade que rejeita o uso da for\u00e7a e do medo como ferramentas de transforma\u00e7\u00e3o. Cada epis\u00f3dio de arremedo de terrorismo nos lembra do alto pre\u00e7o do improviso e da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Condenamos, de forma inequ\u00edvoca, qualquer ato que busque desestabilizar o pa\u00eds por meio da destrui\u00e7\u00e3o e do caos. Por mais desastrado que pare\u00e7a, todo ato de viol\u00eancia carrega consequ\u00eancias reais \u2013 e \u00e9 por isso que deve ser repudiado em todas as suas formas. Afinal, a trag\u00e9dia n\u00e3o precisa de jeitinho brasileiro para ser devastadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de qualquer an\u00e1lise sobre os atentados que marcaram a hist\u00f3ria do Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio afirmar, sem hesita\u00e7\u00e3o: repudiamos qualquer forma de viol\u00eancia. 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