{"id":342140,"date":"2024-12-01T00:02:31","date_gmt":"2024-12-01T03:02:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=342140"},"modified":"2024-12-01T00:36:07","modified_gmt":"2024-12-01T03:36:07","slug":"artistas-defendem-que-hip-hop-se-torne-patrimonio-imaterial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/artistas-defendem-que-hip-hop-se-torne-patrimonio-imaterial\/","title":{"rendered":"Artistas defendem que hip hop se torne patrim\u00f4nio imaterial"},"content":{"rendered":"<p>\u201cQuero ter tempo de honrar sempre de onde eu venho (&#8230;) Tem tempo de plantar, tem tempo de colher\/Mas todo tempo \u00e9 tempo quando a meta \u00e9 crescer\u201d.<\/p>\n<p>Os versos da m\u00fasica O tempo, de Nenzin MC (nome art\u00edstico do rapper Jonathan Williano), de 29 anos, de Ceil\u00e2ndia, ajudam a descrever os caminhos do m\u00fasico, que come\u00e7ou a criar aos 15 anos de idade e que ouviu, at\u00e9 mesmo dentro de casa, receio se a arte poderia garantir os caminhos profissionais. Nos versos, temas da periferia tiveram o som da transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de compor, o artista \u00e9 respons\u00e1vel por \u201cbatalhas de rap\u201d que garantem pelo menos 50 empregos diretos e 150 indiretos na pr\u00f3pria Ceil\u00e2ndia.<\/p>\n<p>\u201cDepois do rap, tudo mudou. A minha fam\u00edlia entendeu que a m\u00fasica ia ser o que ia pagar as contas da nossa casa. Al\u00e9m disso, a gente gera uma economia para dentro da nossa cidade com cultura, divers\u00e3o e arte\u201d.<\/p>\n<p>No caso de Nenzin MC, ele virou m\u00fasico de verdade depois que ingressou, aos 18 anos, em uma ONG chamada Jovem de Express\u00e3o, que oferece vagas para pessoas da periferia em cursos para empoderamento da juventude perif\u00e9rica, com a l\u00f3gica de ser impulsionada pela cultura hip hop (que o rap faz parte).<\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio<\/strong><br \/>\nGra\u00e7as a projetos como esse que artistas e ativistas integrantes do movimento iniciaram uma campanha para que o hip hop se torne patrim\u00f4nio imaterial do Brasil. Inclusive, Bras\u00edlia encerrou no s\u00e1bado (30), o 1\u00ba Semin\u00e1rio Internacional Constru\u00e7\u00e3o Nacional Hip-Hop. O evento teve a presen\u00e7a da ministra da Cultura, Margareth Menezes, que defende a avalia\u00e7\u00e3o da iniciativa pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<\/p>\n<p>A artista Claudia Maciel, que integra o comit\u00ea gestor de juventude negra e facilitadora da constru\u00e7\u00e3o nacional do hip hop da ONG na Ceil\u00e2ndia, explica que h\u00e1 um invent\u00e1rio com mais de duas mil p\u00e1ginas para que o movimento cultural se torne patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>\u201cA nossa cultura \u00e9 vilipendiada. A gente busca o direito de exercer a nossa cultura nas ruas\u201d.<\/p>\n<p>Ela lamenta que artistas ainda s\u00e3o v\u00edtimas da viol\u00eancia por racismo.<\/p>\n<p>Por isso, o reconhecimento oficial, na opini\u00e3o da educadora, pode colaborar para que os artistas recebam mais recursos. \u201cEsse semin\u00e1rio \u00e9 fruto de um pacote robusto de entregas do Minist\u00e9rio da Cultura para n\u00f3s\u201d, afirmou Claudia Maciel. Ela acrescentou que uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), a ser divulgada neste s\u00e1bado, deve mostrar que a maioria dos artistas do hip hop no Brasil s\u00e3o homens negros.<\/p>\n<p><strong>Vetor de transforma\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO diretor da Jovens de Express\u00e3o, Ant\u00f4nio de P\u00e1dua Oliveira, de 45 anos, avalia que o hip hop \u00e9 um dos movimentos que t\u00eam mais entrada nas periferias.<\/p>\n<p>\u201cA cultura se transforma em um vetor de transforma\u00e7\u00e3o social. A gente entende que pode gerar renda para o jovem de periferia, o que inclui n\u00e3o s\u00f3 m\u00fasica, mas tamb\u00e9m moda, literatura, dan\u00e7a, produ\u00e7\u00e3o audiovisual\u2026\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>Outra das vidas transformadas pelo hip hop \u00e9 a do produtor de audiovisual Ricardo Soares Azevedo, de 31 anos, conhecido pelo apelido de Palito, na comunidade. Ele chegou na ONG em Ceil\u00e2ndia para dar aula de basquete de rua.<\/p>\n<p>\u201cLogo em seguida eu entrei na oficina de audiovisual. \u00c9 uma \u00e1rea muito cara e muito inacess\u00edvel para mim na \u00e9poca. O curso foi de gra\u00e7a\u201d. Depois que aprendeu a filmar, passou a registrar a comunidade e entrar no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cEu trabalho muito com cobertura de eventos. J\u00e1 gravei videoclipes de artistas da cidade tamb\u00e9m\u201d. Hoje ele vive das filmagens.<\/p>\n<p>Um filme do produtor, com o t\u00edtulo Faz seu Corre, de 23 minutos, foi selecionado para a Mostra do Festival de Cinema de Bras\u00edlia. \u201cConta justamente a realidade dos jovens de periferia que passam por dificuldade. Jovens que, \u00e0s vezes, n\u00e3o t\u00eam muita oportunidade e acabam encontrando na arte uma oportunidade de ganhar a vida\u201d, diz o profissional com uma vida de imagens que ele nunca imaginou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuero ter tempo de honrar sempre de onde eu venho (&#8230;) Tem tempo de plantar, tem tempo de colher\/Mas todo tempo \u00e9 tempo quando a meta \u00e9 crescer\u201d. 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