{"id":342680,"date":"2024-12-08T00:31:49","date_gmt":"2024-12-08T03:31:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=342680"},"modified":"2024-12-07T23:45:11","modified_gmt":"2024-12-08T02:45:11","slug":"honestidade-morre-no-brasil-que-insiste-no-vale-tudo-por-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/honestidade-morre-no-brasil-que-insiste-no-vale-tudo-por-dinheiro\/","title":{"rendered":"Honestidade morre no Brasil que insiste no vale tudo por dinheiro"},"content":{"rendered":"<p>Saudosista? Eu? Jamais! Mas como esquecer a sonhada recep\u00e7\u00e3o que o falecido compositor mineiro Tavito preparou por anos a fio para receber os Beatles na Rua Ramalhete, no centro de Belo Horizonte. Imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar que passei semanas em frente \u00e0 TV tentando descobrir quem havia assassinado os rica\u00e7os e maldosos Salom\u00e3o Ayala e Odete Roitman, personagens de ponta de duas novelas inesquec\u00edveis: O Astro e Vale Tudo. N\u00e3o me lembro quem os matou, mas estou certo de que o ator Dion\u00edsio Azevedo e a atriz Beatriz Segall marcaram \u00e9poca na televis\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>S\u00f3 para registro, o folhetim Vale Tudo foi exibido em mais de 30 pa\u00edses, entre eles Portugal, Alemanha, B\u00e9lgica, Canad\u00e1, It\u00e1lia, Espanha, Estados Unidos, Turquia, Pol\u00f4nia, Argentina, Chile, Peru e Venezuela pr\u00e9-Nicol\u00e1s Maduro. O tema abordado pela novela \u2013 \u201cat\u00e9 que ponto vale a pena ser honesto no Brasil\u201d \u2013 \u00e9 atual\u00edssimo e vale um cap\u00edtulo a cada dia. Para escrev\u00ea-lo basta conhecer cada um dos 584 deputados e senadores. Valeu a pena o Vale Tudo, mas n\u00e3o esque\u00e7o dos tempos achados assistindo Perdidos no Espa\u00e7o (65\/68), Patrulheiro Rodovi\u00e1rio (68), Agente 86 (65\/70), A Feiticeira (64\/72), Terra de Gigantes (68\/70), O T\u00fanel do Tempo (68) e Os Waltons (72\/81), do quase irm\u00e3o John Boy.<\/p>\n<p>Nesse tempo ainda n\u00e3o havia para mim Rita Lee. S\u00f3 os Mutantes, aqueles que fizeram a trilha sonora do discurso de Caetano Veloso no c\u00e9lebre \u00c9 proibido proibir. Foi ali, na seletiva paulista para o III Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o (FIC), que um dos criadores da n\u00e3o menos c\u00e9lebre Tropic\u00e1lia descobriu que o artista que \u00e9 aplaudido \u00e9 um emerdalhado sem causa e sem hist\u00f3ria. Pelo menos em uma ocasi\u00e3o, o artista que se preza tem de ser vaiado. Os mais velhos certamente n\u00e3o esquecer\u00e3o jamais do compositor S\u00e9rgio Ricardo, morto em julho de 2020. Em 1967, durante o III Festival da Can\u00e7\u00e3o da Record, ele protagonizou outro c\u00e9lebre epis\u00f3dio musical.<\/p>\n<p>Motivado pelo som das vaias que o impedia de cantar Beto Bom de Bola, S\u00e9rgio Ricardo quebrou o viol\u00e3o no palco e o lan\u00e7ou sobre a plateia. Acabou eliminado ap\u00f3s o incidente, mas inspirou o falecido jornalista carioca Amado Ribeiro a produzir um dos t\u00edtulos mais autoexplicativos que j\u00e1 li: \u201cViolada no audit\u00f3rio\u201d. Por uma dessas obras do destino, mais tarde me fiz amigo de Amado, autor de outras chamadas ainda mais brilhantes. Um dia as enumerarei, desde que seja estimulado pela verve efervescentemente jornal\u00edstica do parceiro Jos\u00e9 Seabra, companheiro de ontem, de hoje e de sempre.<\/p>\n<p>Para os padr\u00f5es daquela \u00e9poca, o h\u00e1bito da leitura, a perspic\u00e1cia e um pouquinho de aten\u00e7\u00e3o aos acontecimentos do Brasil e do mundo poderiam significar sabedoria \u00edmpar. Foram anos de ouro, de pureza e de irresponsabilidade. De triste lembran\u00e7a s\u00f3 os anos de chumbo. Entre outras coisas, apaguei da lembran\u00e7a as fugas das incertas noturnas do cambur\u00e3o da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito. Apesar de menor de idade, eu fugia porque trabalhava informalmente e n\u00e3o tinha carteira de trabalho assinada. Para os meganhas da repress\u00e3o, mesmo na esquina de casa, perambular \u00e0 noite era sin\u00f4nimo de vadiagem. Eles n\u00e3o sabiam o que diziam. E deles lembrarei at\u00e9 deixar de viver.<\/p>\n<p>Geraldo Vandr\u00e9, Tim Maia, Vin\u00edcius de Moraes, Tom Jobim, Nara Le\u00e3o, Rita Lee, Elis Regina, Erasmo Carlos, Wally Salom\u00e3o, Raul Seixas, Belchior, Pel\u00e9, Ayrton Senna e o Maracan\u00e3 com 200 mil pessoas s\u00e3o inesquec\u00edveis. Mas como esquecer do Rio de Janeiro, especialmente de Campo Grande, Bangu e de Realengo, os bairros de ber\u00e7o e de ado\u00e7\u00e3o. N\u00e3o volto, mas n\u00e3o os deixo. Neles aprendi que bola, flor e mulher t\u00eam de ser tratadas com carinho e muito amor. \u00c9 por isso que hoje, no segundo s\u00e9culo de vida, fa\u00e7o tudo com amor, inclusive o amor. Parafraseando o mito Dad\u00e1 Maravilha, sou a solucion\u00e1tica de qualquer problem\u00e1tica. Eis porque, saudosismo \u00e0 parte, se um dia minha estrela n\u00e3o brilhar, vou l\u00e1 e a engraxo novamente. Sou saudosista porque estou vivo.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>*Armando Cardoso \u00e9 presidente do Conselho Editorial de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saudosista? Eu? Jamais! Mas como esquecer a sonhada recep\u00e7\u00e3o que o falecido compositor mineiro Tavito preparou por anos a fio para receber os Beatles na Rua Ramalhete, no centro de Belo Horizonte. 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