{"id":343176,"date":"2024-12-16T00:00:15","date_gmt":"2024-12-16T03:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=343176"},"modified":"2024-12-16T07:40:04","modified_gmt":"2024-12-16T10:40:04","slug":"escola-resgata-dignidade-de-pessoas-em-situacao-de-vulnerabilidade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/escola-resgata-dignidade-de-pessoas-em-situacao-de-vulnerabilidade-social\/","title":{"rendered":"Escola resgata dignidade de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social"},"content":{"rendered":"<p>Antes de conhecer a Escola Meninos e Meninas do Parque, o estudante Thiago Dias, 38 anos, n\u00e3o imaginava que um dia iria prestar o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem). Natural de Minas Gerais, ele cursou s\u00f3 at\u00e9 a 8\u00aa s\u00e9rie do ensino regular e est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de rua desde que chegou \u00e0 capital federal, em 2020. Anos mais tarde, a realidade \u00e9 diferente: al\u00e9m de ter prestado o exame pela primeira vez, Thiago concluiu os estudos por meio da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) e descobriu o sonho de ser professor de geografia.<\/p>\n<p>\u201cO que mais quero \u00e9 contribuir com a escola porque sei que, sem a educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chegamos em lugar algum\u201d, conta Thiago, que, junto a outros 50 estudantes, foi agraciado com o certificado de conclus\u00e3o do semestre escolar. \u201cAntes eu s\u00f3 ficava nas ruas vendendo balas, n\u00e3o fazia mais nada. Hoje passo a tarde aqui, estudando e pensando no meu futuro. Isso \u00e9 muito importante para n\u00f3s que n\u00e3o tivemos oportunidade l\u00e1 atr\u00e1s. E aqui na escola s\u00f3 temos vantagem, podemos tomar banho, tem almo\u00e7o e janta, momentos para conversar, \u00e9 bom demais.\u201d<\/p>\n<p>Vinculada \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, a Escola Meninos e Meninas do Parque atende, atualmente, cerca de 250 crian\u00e7as, jovens e adultos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, sendo a maioria do sexo masculino. A unidade fica localizada no Parque da Cidade, pr\u00f3ximo ao Estacionamento 6, e completou 29 anos de hist\u00f3ria em abril deste ano. As matr\u00edculas podem ser feitas a qualquer momento do ano pelo telefone 3901-7780.<\/p>\n<p><strong>Cidadania<\/strong><br \/>\nO trabalho ultrapassa os limites do conhecimento formal, fortalecendo a cidadania da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua. Os alunos t\u00eam acesso a servi\u00e7os essenciais, como encaminhamentos m\u00e9dicos e odontol\u00f3gicos, aux\u00edlio na solicita\u00e7\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o e programas sociais, entre outros. Al\u00e9m disso, h\u00e1 oferta de espa\u00e7o para banho, itens de higiene pessoal, troca de roupas e duas refei\u00e7\u00f5es, como almo\u00e7o e lanche.<\/p>\n<p>\u201cAo chegar \u00e0 escola, eles n\u00e3o v\u00e3o diretamente para a sala de aula, passam primeiro pelo banho\u201d, explica a supervisora pedag\u00f3gica Cristina Tib\u00farcio. \u201cRecebem xampu, condicionador, sabonete l\u00edquido, hidratante corporal, uma toalha pr\u00f3pria da escola e o uniforme, que s\u00e3o lavados todos os dias aqui mesmo. Depois, tem o almo\u00e7o e s\u00f3 ent\u00e3o come\u00e7am as aulas. No final do dia tem a janta, para que saiam daqui alimentados, j\u00e1 que muitos voltam para a rua.\u201d<\/p>\n<p>A unidade tamb\u00e9m recebe doa\u00e7\u00f5es de roupas, itens de higiene pessoal e outros artigos, novos ou usados (em bom estado), com o objetivo de distribuir entre os estudantes. As doa\u00e7\u00f5es s\u00e3o disponibilizadas em um bazar, em que a moeda de troca \u00e9 o tempo de perman\u00eancia na escola. \u201c\u00c9 uma forma de incentivar a perman\u00eancia em sala de aula e atender as necessidades espec\u00edficas dos alunos\u201d, frisa Tib\u00farcio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o planejamento pol\u00edtico-pedag\u00f3gico considera a hist\u00f3ria de vida de cada estudante, observando as limita\u00e7\u00f5es e potencialidades para o processo de aprendizagem. Na aula de l\u00edngua portuguesa, por exemplo, a professora Ana C\u00e9lia Costa Braga aposta na literatura de cordel para abordar o conte\u00fado. \u201cTrabalhamos as classes gramaticais e a quest\u00e3o po\u00e9tica, por exemplo. Constru\u00edmos cord\u00e9is sobre viv\u00eancias na rua, sobre o ambiente em que vivemos, como o Parque da Cidade, a diversidade, as mazelas que j\u00e1 viveram, e com isso desenvolvemos tamb\u00e9m a oralidade do estudante\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Novos horizontes<\/strong><br \/>\n\u201cNo dia em que n\u00e3o venho para a aula, me sinto mal. Penso que, no lugar de estar trabalhando em troca de dose de cacha\u00e7a, poderia estar estudando, aprendendo, refletindo, ocupando a mente\u201d, diz o estudante Erivando M\u00e1rio Mota, 45 anos<\/p>\n<p>O estudante Erivando M\u00e1rio Mota, 45, tamb\u00e9m receber\u00e1 o certificado de conclus\u00e3o do semestre nesta sexta (13). Natural de Fortaleza (CE), ele chegou ao DF em 2022 e, devido \u00e0 falta de v\u00ednculo empregat\u00edcio, passou a morar nas ruas. Pouco depois, conheceu a Escola Meninos e Meninas e retomou os estudos a partir da etapa do EJA equivalente \u00e0 6\u00aa s\u00e9rie. Neste ano, ele e outros alunos foram campe\u00f5es na fase distrital do Circuito de Ci\u00eancias de Escolas P\u00fablicas do DF.<\/p>\n<p>\u201cPara mim foi uma cena de sucesso, em que um morador de rua que n\u00e3o tem nada e aos poucos vai subindo, vai evoluindo. Quero servir de espelho para meus amigos\u201d, celebra ele, que conta que os estudos resgataram sonhos profissionais e influenciaram a decis\u00e3o de reduzir o consumo de \u00e1lcool e drogas. \u201cNo dia em que n\u00e3o venho para a aula, me sinto mal. Penso que, no lugar de estar trabalhando em troca de dose de cacha\u00e7a, poderia estar estudando, aprendendo, refletindo, ocupando a mente. Quero terminar os estudos e montar meu pr\u00f3prio neg\u00f3cio.\u201d<\/p>\n<p>Erivando compartilha ainda como \u00e9 a rotina no equipamento educacional: \u201cChego 12h15 e tenho o almo\u00e7o, o banho, com toalha e sabonete, e depois a aula. Ainda tem o lanche da tarde e levar marmita, a janta tamb\u00e9m. N\u00e3o tenho o que reclamar, adoro assistir aula e aqui sou muito bem tratado, gra\u00e7as a Deus\u201d, comenta. \u201cO que mais acho interessante da escola \u00e9 a maneira como abra\u00e7am n\u00f3s, moradores de rua. Esse certificado mostra o meu esfor\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 a estudante Daniela Roberta Silva, 44, acredita que, mais do que um espa\u00e7o de estudo, a escola \u00e9 lugar de acolhimento. Ela conta que conheceu a escola em 2013, mas, devido a problemas com o ex-marido, n\u00e3o p\u00f4de estudar. Neste ano, teve a chance de concluir o primeiro semestre letivo e recebeu suporte dos professores e colegas de classe em momentos delicados de sa\u00fade. \u201cQuando comecei a adoecer, j\u00e1 nem caminhava mais, a escola me deu suporte, me ajudou\u201d, contou. \u201cO apoio dos professores nos d\u00e1 for\u00e7a para caminhar e seguir em frente, mesmo diante das dificuldades que conhecemos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de conhecer a Escola Meninos e Meninas do Parque, o estudante Thiago Dias, 38 anos, n\u00e3o imaginava que um dia iria prestar o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem). 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