{"id":343212,"date":"2024-12-17T06:00:29","date_gmt":"2024-12-17T09:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=343212"},"modified":"2024-12-17T06:02:13","modified_gmt":"2024-12-17T09:02:13","slug":"vaidade-cria-conflitos-politicos-juridicos-e-ideologicos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vaidade-cria-conflitos-politicos-juridicos-e-ideologicos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Vaidade cria conflitos pol\u00edticos, jur\u00eddicos e ideol\u00f3gicos no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O desgastante vai e vem e o exagerado <em>timing<\/em> do Poder Judici\u00e1rio para julgar quest\u00f5es demasiadamente conflituosas s\u00e3o capazes de suscitar d\u00favidas quanto ao desfecho de determinados processos. Beltranos e ciclanos que tentaram mudar o rumo da prosa democr\u00e1tica, inclusive com amea\u00e7as a vida de fulanos, ser\u00e3o mesmos condenados? O que falta para isso? Os ind\u00edcios e as presun\u00e7\u00f5es s\u00e3o irrelevantes diante da relev\u00e2ncia das provas? Enquanto isso n\u00e3o \u00e9 dito de forma clara, objetiva e sem sen\u00f5es, h\u00e1 que se considerar que exageros n\u00e3o significam m\u00e1 conduta e que excessos de vaidade existem em qualquer segmento profissional, inclusive e sobretudo no meio jur\u00eddico.<\/p>\n<p>Chegamos ao atual n\u00edvel de conflito pol\u00edtico, social, ideol\u00f3gico e jur\u00eddico exatamente pela vaidade excessiva de um desses segmentos. N\u00e3o fossem a sanha, a vol\u00fapia, a \u00e2nsia e o desejo de poder a todo custo de um grupo enjaulado e louco pelo Planalto, certamente estar\u00edamos vivendo uma quadra diferente, com menos contencioso, mais paci\u00eancia e, quem sabe, muito mais expectativas positivas. Se os perdedores tivessem esperado 2026, a pol\u00edtica brasileira estaria pacificada e provavelmente longe das p\u00e1ginas policiais. Infelizmente, a realidade que nos \u00e9 apresentada \u00e9 outra. O passado recente do radicalismo todos conhecem. O presente ainda n\u00e3o aconteceu de fato e o futuro \u00e9 uma inc\u00f3gnita.<\/p>\n<p>Apesar dos atrasos e de eventuais d\u00favidas acerca da isen\u00e7\u00e3o no andamento do processo, o que n\u00e3o se deve ignorar, tampouco duvidar, \u00e9 que os 40 indiciamentos e a pris\u00e3o de generais estrelados seguiram todos os ditames da lei. Por consequ\u00eancia, n\u00e3o houve ilegalidade alguma. Na outra ponta, embora tabajara, a tentativa de golpe n\u00e3o foi uma brincadeira de meninos rec\u00e9m-chegados da Disney. Al\u00e9m de verdadeiro, o motim s\u00f3 n\u00e3o se consolidou por raz\u00f5es alheias \u00e0 vontade de seus mentores. Diante das evid\u00eancias irrefut\u00e1veis, o ex-vice-presidente e atual senador Hamilton Mour\u00e3o (Republicanos-RS) tamb\u00e9m se viu obrigado a reconhecer publicamente o plano golpista. At\u00e9 bem pouco tempo ele admitia as reuni\u00f5es, mas n\u00e3o a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bom reconhecer, mas desnecess\u00e1rio e inoportuno minimizar o frustrado planejamento, afirmando que a rebeli\u00e3o militar era \u201cum tro\u00e7o sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a\u201d. Pode ser, mas tinha cabe\u00e7a pensante, tronco e membros. Ali\u00e1s, muitos membros e todos dispostos a matar para se ocuparem de um posto para o qual n\u00e3o foram eleitos. Ou seja, o general senador passou recibo e confirmou o que a Pol\u00edcia Federal e o ministro Alexandre de Moraes investigam profundamente h\u00e1 dois anos. N\u00e3o sei se combinado, mas simultaneamente a Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FAP), entidade que re\u00fane 340 deputados federais e senadores, tamb\u00e9m fez sua mea culpa. Para alguns ruralistas, esses dois gestos n\u00e3o querem dizer nada. Como nada? Dizem muita coisa.<\/p>\n<p>O \u00f3bvio \u00e9 que, depois da pris\u00e3o do general Braga Netto, parece que o medo do ferr\u00e3o oculto do marimbondo de fogo despertou nos menos radicais a necessidade de tirar o deles da reta. Isso ficou claro ap\u00f3s a suspeita de que o \u201cpessoal do agroneg\u00f3cio\u201d teria financiado o levante. Rapidamente as excel\u00eancias da FAP passaram a defender uma investiga\u00e7\u00e3o conduzida com urg\u00eancia e rigor a respeito da den\u00fancia feita pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo eles, a\u00e7\u00f5es isoladas n\u00e3o podem comprometer a imagem do setor. Isoladas ou coletivas, as a\u00e7\u00f5es ora combatidas n\u00e3o s\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o da PF ou de Alexandre de Moraes, diz.<\/p>\n<p>A exemplo dos demais poderes, o Judici\u00e1rio tem suas mazelas. Simb\u00f3lica, a principal delas \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 meio termo na avalia\u00e7\u00e3o dos que o procuram: 50% amam e 50% odeiam. A metade para l\u00e1 e para c\u00e1 \u00e9 representada pelos vencedores e pelos perdedores das demandas. Portanto, o Judici\u00e1rio e parte de seus integrantes podem ter errado. Errar n\u00e3o \u00e9 crime. Erraram e talvez continuem errando porque s\u00e3o homens e n\u00e3o anjos. Erram, mas n\u00e3o subestimam as leis e n\u00e3o atentam contra a ordem. Se um dia fizerem isso, ter\u00e3o de ser punidos com o mesmo rigor que buscam aplicar aos que tentaram tomar na marra uma elei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o souberam ganhar. Simples assim.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desgastante vai e vem e o exagerado timing do Poder Judici\u00e1rio para julgar quest\u00f5es demasiadamente conflituosas s\u00e3o capazes de suscitar d\u00favidas quanto ao desfecho de determinados processos. Beltranos e ciclanos que tentaram mudar o rumo da prosa democr\u00e1tica, inclusive com amea\u00e7as a vida de fulanos, ser\u00e3o mesmos condenados? O que falta para isso? 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