{"id":343229,"date":"2024-12-17T05:51:28","date_gmt":"2024-12-17T08:51:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=343229"},"modified":"2024-12-17T07:54:00","modified_gmt":"2024-12-17T10:54:00","slug":"pesquisadores-defendem-dialogo-da-ciencia-com-ecologia-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisadores-defendem-dialogo-da-ciencia-com-ecologia-indigena\/","title":{"rendered":"Pesquisadores defendem di\u00e1logo da Ci\u00eancia com ecologia ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"<p>A integra\u00e7\u00e3o entre a ci\u00eancia ind\u00edgena e o conhecimento cient\u00edfico ocidental \u00e9 crucial para salvar a Floresta Amaz\u00f4nica e a pr\u00f3pria vida humana no planeta Terra das amea\u00e7as de colapso ambiental e clim\u00e1tico em curso.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de um artigo in\u00e9dito publicado na prestigiada revista cient\u00edfica norte-americana Science, na \u00faltima semana, por pesquisadores ind\u00edgenas amaz\u00f4nicos dos povos Tuyuka, Tukano, Bar\u00e1, Baniwa e Sater\u00e9-Maw\u00e9, em parceria com n\u00e3o ind\u00edgenas vinculados a projeto do Brazil LAB, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos (EUA).<\/p>\n<p>Os cientistas participantes tamb\u00e9m t\u00eam v\u00ednculo com institui\u00e7\u00f5es brasileiras como as universidades federais de Santa Catarina (UFSC) e do Amazonas (Ufam).<\/p>\n<p>Em entrevista, uma das autoras do artigo, a pesquisadora Carolina Levis, da UFSC, e o cientista ind\u00edgena Justino Sarmento Rezende, da Ufam, o primeiro investigador ind\u00edgena a publicar na Science, tratam da import\u00e2ncia de se fomentar uma ci\u00eancia mais hol\u00edstica, que entenda a conex\u00e3o indissoci\u00e1vel entre cultura e natureza e que, portanto, reconhe\u00e7a a contribui\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios para a reabilita\u00e7\u00e3o dos ecossistemas.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o faz parte da s\u00e9rie de entrevistas para o podcast S.O.S! Terra Chamando, uma co-produ\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio MEC e da Casa de Oswaldo Cruz, com estreia prevista para o in\u00edcio de 2025.<\/p>\n<p>&#8220;Acreditamos que esse di\u00e1logo \u00e9 fundamental, n\u00e3o existe uma s\u00f3 sa\u00edda. A gente precisa de m\u00faltiplas ci\u00eancias, porque o problema \u00e9 muito complexo e muito s\u00e9rio, que a gente est\u00e1 vivendo, de emerg\u00eancia clim\u00e1tica, da crise da biodiversidade&#8221;, aponta Carolina Levis, que destaca ser muito recente ainda o movimento da ci\u00eancia ocidental de abrir para formas de conhecimento da ci\u00eancia ind\u00edgena.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que, finalmente, a sociedade est\u00e1 come\u00e7ando a se abrir para a import\u00e2ncia que tem poder divulgar e produzir a ci\u00eancia ind\u00edgena, em um patamar, digamos assim, de uma revista de alto impacto. Nunca \u00e9 tarde para isso, mas a inten\u00e7\u00e3o, com esse artigo, \u00e9 abrir as portas para que venham muitos outros.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia ancestral ind\u00edgena<\/strong><br \/>\nO trabalho publicado na Science sintetiza conhecimentos dos ind\u00edgenas do Alto Rio Negro, uma das regi\u00f5es de maior diversidade \u00e9tnica do planeta, localizada no Noroeste do Amazonas. Para esses povos, o mundo pode ser organizado em tr\u00eas dom\u00ednios: terrestre, a\u00e9reo e aqu\u00e1tico.<\/p>\n<p>Esses dom\u00ednios s\u00e3o ocupados n\u00e3o s\u00f3 pelos humanos, mas por outros seres, como animais, plantas, montanhas e rios, e pelos chamados outros humanos \u2013 ou encantados \u2013 que j\u00e1 habitavam o mundo antes dos humanos e que s\u00e3o consultados atrav\u00e9s dos especialistas ind\u00edgenas, comumente chamados de paj\u00e9s e xam\u00e3s.<\/p>\n<p>Para que os humanos possam acessar elementos da natureza, \u00e9 fundamental solicitar permiss\u00e3o e negociar com os outros seres presentes nesses dom\u00ednios, respeitando as pr\u00e1ticas e rituais que mant\u00eam o funcionamento dessa rede cosmopolita.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso a supera\u00e7\u00e3o dessa compreens\u00e3o ci\u00eancia-natureza, cultura-natureza. Enquanto os seres humanos entenderem que os outros seres s\u00e3o mat\u00e9ria, que n\u00e3o pensam como n\u00f3s, humanos, isso [o desequil\u00edbrio ambiental] vai continuar existindo. Os ind\u00edgenas t\u00eam outra vis\u00e3o&#8221;, aponta Justino Sarmento.<\/p>\n<p>&#8220;Por exemplo, a ci\u00eancia biol\u00f3gica come\u00e7ou a falar de ecologia mais recentemente, mas os povos ind\u00edgenas j\u00e1 tinham essa compreens\u00e3o de como funciona a ecologia h\u00e1 mil\u00eanios&#8221;, acrescenta. A presen\u00e7a ind\u00edgena na Amaz\u00f4nia data de pelo menos 12 mil anos.<\/p>\n<p>&#8220;Emergindo de mil\u00eanios de envolvimento concreto com o mundo e de uma longa hist\u00f3ria de experimenta\u00e7\u00e3o, os conhecimentos ind\u00edgenas n\u00e3o s\u00e3o dogm\u00e1ticos e devem ser levados a s\u00e9rio na tentativa de avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a um futuro sustent\u00e1vel. Os povos ind\u00edgenas t\u00eam observado e analisado a din\u00e2mica dos ecossistemas. Esses conhecimentos ecol\u00f3gicos emergem de suas rela\u00e7\u00f5es e observa\u00e7\u00f5es de outros participantes do ecossistema&#8221;, diz um trecho do artigo na Science.<\/p>\n<p>Uma dessas contribui\u00e7\u00f5es, mencionadas no texto, se refere \u00e0 n\u00e3o separa\u00e7\u00e3o entre os contextos sociais e naturais. &#8220;O enquadramento da teoria ind\u00edgena tamb\u00e9m captura vari\u00e1veis \u200b\u200be rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas sutis, muitas vezes negligenciadas pela ci\u00eancia ocidental tradicional, mas apoiadas por teorias socioecol\u00f3gicas contempor\u00e2neas em di\u00e1logo com as ci\u00eancias ind\u00edgenas, que tamb\u00e9m mostram que tratar os humanos como agentes excepcionais separados dos ecossistemas \u00e9 menos eficaz na compreens\u00e3o do funcionamento e da din\u00e2mica ecol\u00f3gica, do que considerar os humanos como participantes dos ecossistemas&#8221;, analisa o artigo.<\/p>\n<p><strong>Conhecimento emp\u00edrico<\/strong><br \/>\nOs pesquisadores ainda apontam a\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas ind\u00edgenas que podem ser somadas \u00e0s pesquisas cient\u00edficas, como, por exemplo, a influ\u00eancia do movimento das constela\u00e7\u00f5es e dos ciclos da Terra na produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>&#8220;Os ind\u00edgenas s\u00e3o especialistas em astronomia, porque tinham a compreens\u00e3o desse movimento, dessa din\u00e2mica das constela\u00e7\u00f5es que influenciavam tamb\u00e9m os ciclos de vida neste patamar terrestre, onde estamos vivendo. A flora\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores, o crescimento e amadurecimento das frutas, das coletas, que proporcionam festas rituais&#8221;, cita Justino Sarmento.<\/p>\n<p>Para Carolina Levis, uma das principais conclus\u00f5es para a efici\u00eancia da conserva\u00e7\u00e3o do bioma \u00e9 a inclus\u00e3o respeitosa de l\u00edderes e especialistas ind\u00edgenas em processos de investiga\u00e7\u00e3o e tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Essa abertura passa pelo respeito \u00e0 forma como esse conhecimento \u00e9 produzido. A gente fala que os especialistas ind\u00edgenas, de alguma forma, s\u00e3o fundamentais, porque s\u00e3o eles que, h\u00e1 muito tempo, t\u00eam manejado essa grande dimens\u00e3o do cuidado com a Terra&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A integra\u00e7\u00e3o entre a ci\u00eancia ind\u00edgena e o conhecimento cient\u00edfico ocidental \u00e9 crucial para salvar a Floresta Amaz\u00f4nica e a pr\u00f3pria vida humana no planeta Terra das amea\u00e7as de colapso ambiental e clim\u00e1tico em curso. 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