{"id":343725,"date":"2024-12-23T01:15:45","date_gmt":"2024-12-23T04:15:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=343725"},"modified":"2024-12-23T01:15:33","modified_gmt":"2024-12-23T04:15:33","slug":"maldicao-de-brasilia-que-enterra-politicos-ja-mira-presidentes-lira-e-pacheco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/maldicao-de-brasilia-que-enterra-politicos-ja-mira-presidentes-lira-e-pacheco\/","title":{"rendered":"Maldi\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia que enterra pol\u00edticos j\u00e1 mira presidentes Lira e Pacheco"},"content":{"rendered":"<p>Arte do poss\u00edvel, a pol\u00edtica \u00e9 o of\u00edcio de captar em proveito pr\u00f3prio a paix\u00e3o dos outros. Ela tamb\u00e9m faz desejos ego\u00edstas parecerem do interesse nacional. Mesmo tardio, o contraponto lembra um dos mais c\u00e9lebres versos do poema Versos \u00cdntimos. De Augusto dos Anjos: \u201cA m\u00e3o que afaga \u00e9 a mesma que apedreja\u201d. Maioria das tr\u00eas \u00faltimas gera\u00e7\u00f5es de pol\u00edticos, os que somem dos eleitores e os que buscam o poder \u00e0 custa da lama que espalha um dia sentir\u00e3o o peso da \u201cespada de D\u00e2mocles\u201d, met\u00e1fora que representa a inseguran\u00e7a de quem se acha muito poderoso.<\/p>\n<p>Sem o prest\u00edgio, o comando, a for\u00e7a e a autoridade natural de pol\u00edticos do passado, alguns atuais deputados e senadores conquistam poder pelo autoritarismo ou pela forma como conseguem emparedar presidentes da Rep\u00fablica. Como se fossem os donos do mundo, fizeram isso com Luiz In\u00e1cio, Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e novamente com Lula. Sem coroa e sem trono, agem como reizinhos, sempre explorando o apoio de seus pares despudorados, ing\u00eanuos ou loucos pelo resultado das barganhas que seus \u201cl\u00edderes\u201d imp\u00f5em aos mandat\u00e1rios que falsamente apoiam.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso dos presidentes da C\u00e2mara e do Senado, respectivamente Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Como o tempo \u00e9 o senhor da raz\u00e3o e normalmente se transforma em um metaf\u00f3rico escultor de ru\u00ednas, a batata de ambos est\u00e1 pra l\u00e1 de assada. A partir de fevereiro, eles deixam de ter o regimento debaixo do bra\u00e7o, a chave do balc\u00e3o de neg\u00f3cios e o chicote na m\u00e3o direita ou, conforme a conveni\u00eancia, \u00e0s vezes na esquerda. Est\u00e1 chegando a hora. Mesmo mantendo o mandato, os citados caciques sabem que come\u00e7ar\u00e3o a trilhar o tortuoso caminho do plen\u00e1rio sem pompas, algo muito pr\u00f3ximo do ostracismo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Antigo na cobertura pol\u00edtica e velho conhecedor de casos semelhantes, sempre soube que os poderosos combatem entre si at\u00e9 a morte f\u00edsica ou pol\u00edtica. Por conta do que j\u00e1 vivi nos corredores e gabinetes do Congresso Nacional, o que posso adiantar \u00e9 que Bras\u00edlia, particularmente a Esplanada dos Minist\u00e9rios, n\u00e3o perdoa aqueles que, se achando mais poderosos do que os imperadores, entendem como incapazes todos os s\u00faditos aristocraticamente mais fracos. Agem assim porque esquecem que a for\u00e7a e a soberba s\u00e3o tempor\u00e1rias.<\/p>\n<p>Ou seja, os eminentes, dominantes e influentes de hoje naturalmente ser\u00e3o os plebeus de amanh\u00e3, principalmente porque, \u00e0 sombra deles, cresce o ressentimento dos que malandramente vivem dos seus favores. Foi assim com Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es, com Luiz Eduardo Magalh\u00e3es, A\u00e9cio Neves, Michel Temer, Ibsen Pinheiro, Severino Cavalcanti, Jos\u00e9 Roberto Arruda e mais recentemente com Eduardo Cunha. Nenhum deles morreu ou se encostou como her\u00f3i. Pelo contr\u00e1rio. Definitivamente, na pol\u00edtica os costumes s\u00e3o mais fortes do que as leis.<\/p>\n<p>Como prova de que n\u00e3o h\u00e1 bem que nunca se acabe e mal que dure para sempre, alguns tiveram de renunciar ao mandato para se livrar da tem\u00edvel cassa\u00e7\u00e3o, enquanto outros acabaram vergonhosamente presos por conta da riqueza adquirida \u00e0s custas do suor alheio. Um ou outro pode at\u00e9 emprestar seus nomes para batismo de ruas, pra\u00e7as, avenidas, aeroportos e at\u00e9 de cidades. O que nunca conseguir\u00e3o \u00e9 a perpetua\u00e7\u00e3o como exemplos de homens p\u00fablicos. Do meu tempo, talvez M\u00e1rio Covas e o mestre e sempre lembrado Ulysses Guimar\u00e3es tenham se salvado da maldi\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Morreram, mas permanecem vivos na lembran\u00e7a de todos os que lamentam a lamban\u00e7a em que se transformou a pol\u00edtica brasileira do s\u00e9culo XXI. Cientes de que novos malignos vir\u00e3o, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco correm contra o tempo. Sem a caneta, a varinha de comando do painel de vota\u00e7\u00f5es e sem a teatralidade do cargo, ambos descer\u00e3o do pedestal e obrigatoriamente ter\u00e3o de dobrar o joelho e rezar na mesma cartilha dos mais roucos. Deixar de lembrar que o grito dos mais silenciosos tamb\u00e9m ecoa \u00e9 o mesmo que desaprender que o maior castigo para pol\u00edticos poderosos \u00e9 a mem\u00f3ria curta.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arte do poss\u00edvel, a pol\u00edtica \u00e9 o of\u00edcio de captar em proveito pr\u00f3prio a paix\u00e3o dos outros. Ela tamb\u00e9m faz desejos ego\u00edstas parecerem do interesse nacional. Mesmo tardio, o contraponto lembra um dos mais c\u00e9lebres versos do poema Versos \u00cdntimos. De Augusto dos Anjos: \u201cA m\u00e3o que afaga \u00e9 a mesma que apedreja\u201d. 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