{"id":344579,"date":"2025-01-03T03:12:53","date_gmt":"2025-01-03T06:12:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=344579"},"modified":"2025-01-03T03:14:19","modified_gmt":"2025-01-03T06:14:19","slug":"farinha-da-mesma-mandioca-somos-iguais-cortando-a-esquerda-ou-a-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/farinha-da-mesma-mandioca-somos-iguais-cortando-a-esquerda-ou-a-direita\/","title":{"rendered":"Farinha da mesma mandioca, somos iguais, cortando \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita"},"content":{"rendered":"<p>Levitando democr\u00e1tica e hipot\u00e9tica e sugestivamente pela Lagoa da Foice Amolada, eis que, ap\u00f3s dar de cara com dois tamandu\u00e1s do tipo bandeira verde amarela, me enrosco em uma inusitada passeata ecum\u00eanica. Menos pelo sentido religioso e mais pelos aparatos su\u00e1sticos e avermelhados que o povo de l\u00e1 carregava, inicialmente me senti em casa. No m\u00ednimo, apadrinhado pela turma que seguia \u00e0 direita da suposta prociss\u00e3o sacerdotal-evang\u00e9lica-umbandista gritando palavras de ordem contra a ditadura e pela paz no mundo dos mortos. Mais \u00e0 esquerda do grupo do bumba-meu-boi, vislumbrei um andor com a figura de S\u00e3o Jorge fantasiado de patriota raiz.<\/p>\n<p>Com a acidez peculiar de quem \u00e9 contra aqueles que s\u00e3o a favor, algu\u00e9m me cutucou nas orelhas e cantou a pedra: Aqui tamb\u00e9m h\u00e1 polariza\u00e7\u00e3o de santos. S\u00e3o Jorge, o guerreiro, agora \u00e9 nosso, todo nosso. Sem entender o que se assucedia, matutei silenciosamente e decidi seguir o cortejo, cuja ideologia \u2013 se \u00e9 que tinha \u2013 ainda n\u00e3o havia aflorado. Acompanhei porque, ao longo do s\u00e9quito, fora as diretrizes regulamentares e as prescritas palavras de ordem, n\u00e3o vi nada que pudesse macular minha conduta de fiel seguidor do cristianismo, da democracia e do catecismo dos machos confiantes.<\/p>\n<p>Fecho com o perseguido seguimento porque, para mim, est\u00e1 bem claro que a polariza\u00e7\u00e3o realmente tem limites. Na hora H, n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese de se perguntar ao interlocutor do cangote arrepiado se ele \u00e9 13, 17, 22, 24 ou nenhuma das alternativas acima. Na hora X, todos est\u00e3o para o que der e vier, principalmente para o que vier e der. O importante \u00e9 ser feliz. Ou seja, na fict\u00edcia prociss\u00e3o ecum\u00eanica s\u00e3o todos farinha da mesma mandioca. Conhecendo as manhas e as manh\u00e3s, sigo em frente sem nenhum tipo de preocupa\u00e7\u00e3o com as l\u00ednguas felinas e ferinas. Tudo em nome do amor infinito e de todas as formas. E quem somos n\u00f3s para julgar supostos erros alheios ou para determinar o que \u00e9 melhor para o outro.<\/p>\n<p>Para poder sorrir, fa\u00e7o qualquer sacrif\u00edcio pela paz, inclusive pedir ao santo irm\u00e3o de todas as horas para que, sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus, estenda seu escudo e suas poderosas armas em defesa daqueles que, deslumbrados com as patas de seu fiel ginete, optam pela humildade. \u00c9 claro que, no caso narrado, mesmo ut\u00f3pico, a humildade se mostra com temporal, tem\u00e1tica e exclusiva dos que se mant\u00eam escondidos ou enrolados nas j\u00e1 multicoloridas bandeiras, com destaque para o vermelho, o verde e o azul anil. E da\u00ed? De homem para homem, continuarei seguindo o p\u00e9riplo da tchurma at\u00e9 que possam me acusar de espi\u00e3o. Gra\u00e7as a S\u00e3o Jorge, meu protetor de frente e, particularmente das costas, jamais serei porque defendo \u2013 e defenderei sempre \u2013 o direito de ser feliz.<\/p>\n<p>Em paz e, sobretudo em nome do amor livre, opto e optarei at\u00e9 o fim pela paz de se viver em paz. Embora n\u00e3o seja entendido, faz tempo que assumi sem medos e pavores meu lado duvidoso, aquele em que, \u00e0s vezes, a gente acorda achando que tem dupla personalidade. Eu tenho, mas felizmente minha segunda \u00e9 igual a primeira: macho at\u00e9 de c\u00f3coras. E desafio para um duelo quem ousar me classificar como fruta de teor mais \u00e1cido, algo pr\u00f3ximo do lim\u00e3o ou do maracuj\u00e1. Ali\u00e1s, devo registrar que sou f\u00e3 das caipirinhas, mas declino do maracuj\u00e1. Na verdade, at\u00e9 hoje n\u00e3o degustei sequer uma semente de maraca. O resto j\u00e1. N\u00e3o sei se me fa\u00e7o entender, mas, como diz o ditado, \u00e9 o h\u00e1bito que faz o monge.<\/p>\n<p>Como sou habitu\u00e9 do chantili perfumado, estou certo de que n\u00e3o corro risco algum de derramar o leite condensado em v\u00e3os desconhecidos. Criado mamando nas tetas das vacas libertas, tive certeza de que jamais cortaria dos dois lados quando, l\u00e1 pelos idos da quinta s\u00e9rie, me vi diante de uma professoral e atroz d\u00favida: escrever a respeito do que me pediram ou relativamente sobre o que havia entendido. A reda\u00e7\u00e3o era sobre as pir\u00e2mides do Egito, mas escrevi sobre as piranhas do agito. Tomei zero, mas fiz meu comercial. Minha moral da hist\u00f3ria \u00e9 que somos todos iguais, n\u00e3o importa de que lado estejamos, tampouco de que lado cortamos. E viva a liberdade de ser quem quisermos ser. E viva 2025.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>*Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levitando democr\u00e1tica e hipot\u00e9tica e sugestivamente pela Lagoa da Foice Amolada, eis que, ap\u00f3s dar de cara com dois tamandu\u00e1s do tipo bandeira verde amarela, me enrosco em uma inusitada passeata ecum\u00eanica. Menos pelo sentido religioso e mais pelos aparatos su\u00e1sticos e avermelhados que o povo de l\u00e1 carregava, inicialmente me senti em casa. 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