{"id":344764,"date":"2025-01-04T07:50:27","date_gmt":"2025-01-04T10:50:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=344764"},"modified":"2025-01-04T12:11:41","modified_gmt":"2025-01-04T15:11:41","slug":"deoclides-viuvo-de-gilda-acha-ouro-escondido-pelo-desafortunado-laureano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/deoclides-viuvo-de-gilda-acha-ouro-escondido-pelo-desafortunado-laureano\/","title":{"rendered":"De\u00f3clides, vi\u00favo de Gilda, acha ouro escondido pelo desafortunado Laureano"},"content":{"rendered":"<p>Laureano, solteir\u00e3o mais do que convicto, n\u00e3o se dava com De\u00f3clides, o cunhado. Os dois n\u00e3o trocavam palavras, apesar de morarem no mesmo s\u00edtio. Ali\u00e1s, o modo como essa situa\u00e7\u00e3o se deu \u00e9 at\u00e9 curiosa e, por isso, vale a pena ser contada.<\/p>\n<p>De\u00f3clides, aos 23 anos, se viu apaixonado por Gilda. A mo\u00e7a pareceu interessada, tanto \u00e9 que aceitou o pedido de casamento sem esbo\u00e7ar qualquer ind\u00edcio de desapontamento. Talvez fosse boa atriz ou, ent\u00e3o, t\u00edmida o suficiente para contrariar a aprova\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, ainda mais porque o noivo apresentava boa proced\u00eancia, sem contar que era propriet\u00e1rio de bom com\u00e9rcio na cidade e residia em bela propriedade rural.<\/p>\n<p>O casal, apesar de algumas rusgas, viveu uma vida harmoniosa. De\u00f3clides a tudo aceitava, inclusive o pedido da mulher para que o irm\u00e3o dela, Laureano, residisse no s\u00edtio. Obviamente em um pequeno galp\u00e3o, logo transformado em moradia. Gilda sabia que o irm\u00e3o e o marido n\u00e3o se bicavam, mas Laureano, com as finan\u00e7as \u00e0s minguas, precisava de um teto.<\/p>\n<p>O que parecia ser circunst\u00e2ncia moment\u00e2nea se estendeu por d\u00e9cadas. E, durante todo esse tempo, nenhuma palavra foi trocada entre os cunhados. Se precisassem se comunicar, usavam Gilda como intermedi\u00e1ria. Mas eis que, por mera distra\u00e7\u00e3o, Gilda trope\u00e7ou numa pedra qualquer de Drummond e bateu a cabe\u00e7a em outra menos po\u00e9tica.<\/p>\n<p>O enterro se deu no dia seguinte. Laureano e De\u00f3clides, cada um no seu canto, verteram l\u00e1grimas sinceras. Em seguida, voltaram para o s\u00edtio, onde se isolaram ainda mais um do outro. \u00c9 verdade que, diante de tamanha perda, pensaram em se reconciliar, fato que jamais aconteceu. Rabugentos que eram, deixaram de lado qualquer tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais um par de anos, foi a vez de Laureano deixar o plano material. O corpo enrijecido foi encontrado na poltrona. Quem o achou foi Chiquinha, empregada de De\u00f3clides. N\u00e3o que ele estivesse preocupado com o sumi\u00e7o do cunhado. Era mais por curiosidade sobre o que havia acontecido com o desafeto.<\/p>\n<p>\u2014 Chiquinha, v\u00e1 ver o que aconteceu com o irm\u00e3o da falecida.<\/p>\n<p>Assim que retornou, a mulher, cara mais branca do que vestido de noiva intocada, balbuciou:<\/p>\n<p>\u2014 Patr\u00e3o, o homi morreu.<\/p>\n<p>\u2014 Desgra\u00e7a! Agora vou ter que pagar at\u00e9 pelo enterro daquele traste.<\/p>\n<p>Durante o vel\u00f3rio, De\u00f3clides n\u00e3o fez quest\u00e3o de manter as apar\u00eancias. Tanto \u00e9 que chegou bem perto do defunto e disse o que estava represado durante mais de 40 anos. S\u00f3 n\u00e3o cuspiu no rosto do cunhado porque pensou que n\u00e3o valia a pena gastar ainda mais saliva.<\/p>\n<p>De\u00f3clides retornou \u00e0 noite para o s\u00edtio. Sentou-se na cadeira de balan\u00e7o na varanda e, pensativo, fitou a resid\u00eancia de Laureno madrugada adentro. Acabou adormecendo, sendo despertado pelo canto dos galos no amplo terreiro. Resmungou algumas palavras e ergueu o corpanzil dolorido.<\/p>\n<p>Quase uma semana ap\u00f3s o enterro, De\u00f3clides mandou atear fogo no barraco do desafei\u00e7oado. Foi momento de puro regozijo. Abriu a melhor garrafa de vinho tinto e a sorveu por inteiro, enquanto as labaredas tomavam paredes, telhado, assoalho e m\u00f3veis do antigo abrigo do finado.<\/p>\n<p>Livre! Finalmente livre! De\u00f3clides n\u00e3o precisaria mais se preocupar com o cunhado. Ele at\u00e9 imaginou que o desagrad\u00e1vel sujeito estivesse tendo uma conversinha com o Dem\u00f4nio em pessoa.<\/p>\n<p>\u2014 O bate-papo deve estar fervendo!<\/p>\n<p>No dia seguinte, De\u00f3clides foi se certificar de que s\u00f3 havia cinzas. Para seu espanto, percebeu um cofre intacto. Chegou mais perto, pegou o len\u00e7o no bolso da cal\u00e7a e limpou o objeto, que estava trancado. Qual o segredo? Tentou pelos pr\u00f3ximos dois dias, at\u00e9 que mandou vir o chaveiro.<\/p>\n<p>\u2014 Seu De\u00f3clides, fa\u00e7o o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>\u2014 Pois fa\u00e7a!<\/p>\n<p>\u2014 Hum&#8230; Quer o modo ligeiro ou demorado?<\/p>\n<p>\u2014 Ligeiro, homem!<\/p>\n<p>Menos de meia hora ap\u00f3s, o cofre estava arrombado. De\u00f3clides, precavido, pagou o pre\u00e7o combinado para o chaveiro e, em seguida, mandou o chaveiro ir embora. O dono do s\u00edtio observou o profissional entrar no autom\u00f3vel e sumir na estrada de ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Somente ap\u00f3s ter certeza de que ningu\u00e9m o estava observando \u00e9 que De\u00f3clides, finalmente, abriu a porta do cofre. Caiu para tr\u00e1s, ofuscado pelos raios do sol refletidos nas diversas barras de ouro devidamente empilhadas. O miser\u00e1vel do cunhado, apesar de ter levado uma vida de favores, era milion\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<div>*<strong>Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro \u201c57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor muito Velho\u201d.<\/strong><\/div>\n<div>\n<div class=\"mvp-post-soc-in\">\n<div id=\"mvp-content-body\" class=\"left relative\">\n<div id=\"mvp-content-body-top\" class=\"left relative\">\n<div id=\"mvp-content-main\" class=\"left relative\">\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">http:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laureano, solteir\u00e3o mais do que convicto, n\u00e3o se dava com De\u00f3clides, o cunhado. 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