{"id":344984,"date":"2025-01-08T06:05:30","date_gmt":"2025-01-08T09:05:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=344984"},"modified":"2025-01-08T06:05:25","modified_gmt":"2025-01-08T09:05:25","slug":"relogio-do-tempo-marca-o-dia-em-que-o-brasil-gritou-ainda-estou-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/relogio-do-tempo-marca-o-dia-em-que-o-brasil-gritou-ainda-estou-aqui\/","title":{"rendered":"Rel\u00f3gio do Tempo marca o dia em que democracia gritou &#8216;Ainda estou aqui&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Fosse eu um poeta renascentista, lembraria o 8 de janeiro de 2023 com um verso simb\u00f3lico: N\u00e3o grite a sua felicidade, pois a inveja tem o sono leve. Decorrente da vit\u00f3ria da democracia, a inveja surgiu exatamente na semana em que a esperan\u00e7a voltava a reinar no pa\u00eds. Como prefiro o lirismo, opto por algo menos dram\u00e1tico e muito mais abrangente: janeiro de novo &#8220;oitou&#8221;, a luz n\u00e3o se apagou, o Brasil se animou, o povo sonhou e a democracia n\u00e3o melou. Na poesia cabocla, n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese de imaginar que hoje ser\u00e1 um dia de festa para a maioria dos 213 milh\u00f5es de brasileiros. Tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 para a minoria. Resposta ao fracasso do golpe, o 8 de janeiro \u00e9, para uns e para outros, de mem\u00f3ria triste e de suma import\u00e2ncia para futuros livros de cabeceira de vencedores e, principalmente, de vencidos.<\/p>\n<p>Portanto, vejo a necessidade de lembrar para n\u00e3o esquecer como a principal (sen\u00e3o a \u00fanica) justificativa do ato desta quarta-feira. Data escolhida para condenar a viol\u00eancia e celebrar a liberdade, o 8 de janeiro de 2023, o de hoje, o de 2226 e o dos pr\u00f3ximos dois milh\u00f5es de anos certamente ficar\u00e3o na lembran\u00e7a de todos como o dia da maior afronta \u00e0 democracia e da maior express\u00e3o do autoritarismo no s\u00e9culo 21. E n\u00e3o foi menor do que a experimentada pelo mesmo Brasil em meados do s\u00e9culo 20. Diante da sucess\u00e3o de erros de alto abaixo, a ferida provocada pelos defensores &#8220;do que \u00e9 certo&#8221; provavelmente levar\u00e1 anos para ser cicatrizada. Tudo em nome de um reacionarismo tacanho e patrocinado pela elite e seus prepostos travestidos de populares.<\/p>\n<p>Era \u2013 e \u00e9 \u2013 a chamada horda de &#8220;patriotas&#8221; do Brasil paralelo que n\u00e3o tolera a tranquilidade do pa\u00eds. Conscientes de que perderam o bonde da hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel que at\u00e9 2026 tentem de novo transformar a na\u00e7\u00e3o da paz e da alegria em um imp\u00e9rio de tristeza, de intranquilidade e de indec\u00eancias pol\u00edticas. Comandados por extremistas sem raz\u00e3o, sem votos suficientes e sem no\u00e7\u00e3o, os orix\u00e1s sem rumo do terreiro da escurid\u00e3o e do conservadorismo golpista topam qualquer neg\u00f3cio para retomar o poder. Eles perderam, mas n\u00e3o se retiraram. Hoje faz dois anos que o Brasil deixou de andar para tr\u00e1s. Mesmo contra a vontade de expressiva parcela da popula\u00e7\u00e3o, caminhamos para o futuro. Resumindo a \u00f3pera golpista, ainda estamos aqui.<\/p>\n<p>Pois \u00e9 justamente esse futuro sem sobressaltos, de avan\u00e7o socioecon\u00f4mico e de consolida\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do pa\u00eds o maior inc\u00f4modo dos que querem negar a liberdade \u00e0 maioria. \u00c9 a velha hist\u00f3ria de que a paz alheia aborrece e desassossega os amargos e os que vivem de amea\u00e7as por conta de uma eterna infelicidade. Valho-me da velha m\u00e1xima de que quem \u00e9 feliz n\u00e3o atazana ningu\u00e9m. Ali\u00e1s, desculpa perturbar, mas preciso dizer \u00e0queles que se mant\u00eam inconformados com a derrota em 2022 que eu prefiro incomodar com a verdade do que agradar com adula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda que vivam uma situa\u00e7\u00e3o de precariedade e de frustra\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica ou econ\u00f4mica, os s\u00e1bios e felizes conseguem aguardar o tempo necess\u00e1rio para mudar e para serem o querem ser. Apesar da afli\u00e7\u00e3o e do medo do retorno da escurid\u00e3o aos c\u00e9us de Bras\u00edlia, os amantes da liberdade souberam esperar quatro anos para, enfim, comemorar, sem alvoro\u00e7o, quebra-quebra ou vandalismo, a volta do Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia internacional. Silenciosamente, o grito da multid\u00e3o foi em defesa da esperan\u00e7a e contra c\u00f3pias sem defini\u00e7\u00e3o e de conte\u00fado duvidoso.<\/p>\n<p>Recolhidos, mas n\u00e3o satisfeitos com os novos rumos do pa\u00eds, a ordem da horda \u00e9 desconstruir o que est\u00e1 pronto e, se poss\u00edvel, destruir a democracia conquistada com o sangue e o suor de brasileiros que certamente preferem qualquer coisa ao inferno do despotismo. E n\u00e3o importa que o d\u00e9spota sonhado pelos &#8220;patriotas&#8221; agitadores n\u00e3o tenha cultura, farda ou cassetete. Basta que ele traga no peito cren\u00e7a, \u00f3dio e insensatez e que, amea\u00e7ado por uma nova derrota, aperte o bot\u00e3o da bomba que, por enquanto, n\u00e3o passou de um traque.<\/p>\n<p>A comemora\u00e7\u00e3o do segundo anivers\u00e1rio do 8 de janeiro simboliza a exalta\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria contra a conspira\u00e7\u00e3o vazia, deplor\u00e1vel e desonrosa. Aquele domingo de 2022 tamb\u00e9m simboliza o dia em que o Diabo baixou no Cerrado, mas foi contido pelo Deus acima de todos. Foi a prova definitiva de que o povo brasileiro n\u00e3o precisa de governantes raivosos e com ideais individualistas para comandar os que defendem a integra\u00e7\u00e3o nacional e, por consequ\u00eancia, a vida daqueles que estiveram marcados para morrer.<\/p>\n<p>Aos que teimam em se somar aos agitadores que n\u00e3o se cansam de declarar guerra \u00e0 democracia, sugiro estudar a ess\u00eancia de uma frase antologicamente cunhada por Abraham Lincoln: &#8220;Se a ditadura n\u00e3o \u00e9 ruim, nada \u00e9 ruim&#8221;. Nada como lembrar aos revoltosos sem causa uma outra frase. Escrita pelo inesquec\u00edvel e simb\u00f3lico Bar\u00e3o de Itarar\u00e9, a locu\u00e7\u00e3o deveria servir de bord\u00e3o por todos os brasileiros, inclusive pelos que hoje simulam viver em um pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 o deles: &#8220;O Brasil \u00e9 feito por n\u00f3s. Est\u00e1 na hora de desatar esses n\u00f3s&#8221;. Felizmente o amor est\u00e1 no ar. O melhor de toda essa triste hist\u00f3ria \u00e9 que eu, n\u00f3s e o Brasil ainda estamos aqui.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fosse eu um poeta renascentista, lembraria o 8 de janeiro de 2023 com um verso simb\u00f3lico: N\u00e3o grite a sua felicidade, pois a inveja tem o sono leve. Decorrente da vit\u00f3ria da democracia, a inveja surgiu exatamente na semana em que a esperan\u00e7a voltava a reinar no pa\u00eds. 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