{"id":345011,"date":"2025-01-08T07:23:23","date_gmt":"2025-01-08T10:23:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=345011"},"modified":"2025-01-08T07:23:23","modified_gmt":"2025-01-08T10:23:23","slug":"grupos-nordestinos-de-reisado-buscam-inspirar-jovens-a-manter-tradicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/grupos-nordestinos-de-reisado-buscam-inspirar-jovens-a-manter-tradicoes\/","title":{"rendered":"Grupos nordestinos de reisado buscam inspirar jovens a manter tradi\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>A segunda-feira, 6, passou, mas a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficou para tr\u00e1s. Ainda se ouve o toque da zabumba, os versos, as cantorias, as cores das roupas, a dan\u00e7a e o legado dos mais velhos\u2026 Tudo encantou os olhos de C\u00edcera Flatenara desde a inf\u00e2ncia. Hoje, aos 27 anos de idade, a cearense nascida e moradora de Juazeiro do Norte \u00e9 mestra do reisado, manifesta\u00e7\u00e3o cultural que celebra o nascimento de Cristo e a visita dos reis Magos ao \u201cMenino Deus\u201d.<\/p>\n<p>A data de 6 de janeiro, Dia de Reis, que \u00e9 o mais importante para a festividade, tem dois sentidos para ela. Antes, de celebra\u00e7\u00e3o. Mas, agora, tamb\u00e9m de dor. O pai dela, mestre Cicinho (C\u00edcero da Silva, de 44) foi assassinado neste dia, no ano passado, enquanto preparava o evento. Mesmo em luto, ela diz que tem a miss\u00e3o de inspirar outros jovens a participarem do reisado e fazer com que mais olhos brilhem, como ocorreu com ela, pela arte do pai.<\/p>\n<p>Mestre Cicinho era do Reisado de Manuel Messias. A filha abra\u00e7ou o legado e segue com o grupo. Ela aprendeu tudo com o pai, inclusive porque ele criou tamb\u00e9m um grupo para filha para que ela abra\u00e7asse a miss\u00e3o de fazer com que a cantoria nunca findasse. \u201cFoi meu pai que me incentivou, ensinou, e fez crescer. A gente montou um grupo de reisados chamado Mirim Santos Expedito\u201d, diz. Ela explica que o pai tirou dinheiro do pr\u00f3prio bolso para fazer as roupas e os instrumentos. Hoje pelo menos 30 crian\u00e7as e adolescentes participam das atividades.<\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as veem o colorido e pedem para brincar. Hoje eu passo para os meus dois filhos. Quando eu n\u00e3o estiver aqui, vai ter quem d\u00ea continuidade por mim\u201d, conta C\u00edcera Flatenara.<\/p>\n<p>Eles j\u00e1 conhecem o que fazem os mestres (que coordenam o reisado), os contramestres, as personagens de Mateus, Catirina, reis, rainha, a princesa e o pr\u00edncipe, al\u00e9m de embaixadores, que puxam a m\u00fasica na hora da dan\u00e7a. Assim, se organiza o cord\u00e3o. Os sons dos instrumentos de percuss\u00e3o e corda se misturam para encanto de quem aprecia a tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Diversidade<\/strong><br \/>\nE pensar que mulheres, no s\u00e9culo passado, n\u00e3o costumavam ser as mestras. \u201cMulher dan\u00e7ava mais o \u2018guerreiro\u2019 (de Alagoas). Meu pai foi um dos mestres que mais incentivava a participa\u00e7\u00e3o das mulheres aqui em Juazeiro do Norte\u201d. J\u00e1 \u00e9 normal \u00e0s vistas dos juazeirenses quando a mestra Flatenara \u2018desafia\u2019 homens para o tradicional jogo de espadas, em uma coreografia que impressiona quem est\u00e1 na roda. \u201cO rei vai proteger a rainha e o pr\u00edncipe no trono. Ele tem o dia todo para proteger a realeza do reisado e n\u00e3o deixar ningu\u00e9m vir tomar.\u201d<\/p>\n<p>Um dos pares no jogo de espadas de Flatenara \u00e9 o mestre Ant\u00f4nio Candido, de 35 anos, tamb\u00e9m conhecido na tradi\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. \u201cNosso foco \u00e9 manter a tradi\u00e7\u00e3o dos reisados como surgiram na regi\u00e3o do Cariri, ao som da viola [do reisado de Congo)] e do marac\u00e1\u201d. Ele celebra que a filha de 15 anos tamb\u00e9m j\u00e1 participa da festa e j\u00e1 fez at\u00e9 o papel de rainha. O mestre enfatiza que essa \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o nas comunidades tradicionais no per\u00edodo natalino, com participantes nas portas das casas, nas ruas, louvando o sagrado.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 ligado ao Reisado Santo Ant\u00f4nio e faz ensaios todas as ter\u00e7as-feiras.<\/p>\n<p>\u201cMeu grupo \u00e9 pequeno, a gente s\u00f3 tem 18 pessoas. O reisado, para mim, \u00e9 alegria, amor e esperan\u00e7a de um futuro melhor. Isso \u00e9 o que a gente passa aos mais jovens\u201d, afirma Ant\u00f4nio Candido.<\/p>\n<p>Em sua mem\u00f3ria, a manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e1 vinculada ao som da zabumba, caixa e p\u00edfano, mas tamb\u00e9m \u00e0 viola, que faz parte da tradi\u00e7\u00e3o local. Outra a\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u201cqueima da lapinha\u201d, que s\u00e3o as folhagens secas levadas ao fogo a fim de simbolizar as esperan\u00e7as de cada pessoa. \u201cEssas tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para mim desde a minha inf\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p><strong>Desafio<\/strong><br \/>\nRefer\u00eancia de sons para Ant\u00f4nio Candido foi o mestre Nando, nome art\u00edstico do amigo violeiro Francisco Valmir da Silva Santos, de 45 anos, que aprendeu o reisado na zona rural. Ele entende que, apesar das tradi\u00e7\u00f5es, h\u00e1 dificuldades de manter o reisado vivo. \u201cChega a ser um desafio por conta da internet. Existem brincantes jovens ou at\u00e9 adultos que n\u00e3o querem mais. N\u00f3s, que mantemos o reisado de Congo leg\u00edtimo sempre convidamos os jovens a levar em frente esse folguedo do reisado.\u201d<\/p>\n<p>Ele observa que, nas escolas, as apresenta\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o cont\u00ednuas e existem dificuldades para que projetos sejam contemplados em editais p\u00fablicos. \u201cQuando a cultura vai para a escola, os alunos tornam-se novos aprendizes dos reisados. Principalmente para formar novos tocadores de viola ou viol\u00e3o\u201d, diz. Mestre Nando explica que, mesmo com as caracter\u00edsticas particulares de cada estado, os reisados t\u00eam semelhan\u00e7as pelo pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A segunda-feira, 6, passou, mas a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficou para tr\u00e1s. Ainda se ouve o toque da zabumba, os versos, as cantorias, as cores das roupas, a dan\u00e7a e o legado dos mais velhos\u2026 Tudo encantou os olhos de C\u00edcera Flatenara desde a inf\u00e2ncia. 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