{"id":345468,"date":"2025-01-13T00:00:08","date_gmt":"2025-01-13T03:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=345468"},"modified":"2025-01-13T05:30:50","modified_gmt":"2025-01-13T08:30:50","slug":"pesquisadores-revelam-historias-invisiveis-de-povos-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisadores-revelam-historias-invisiveis-de-povos-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Pesquisadores revelam hist\u00f3rias invis\u00edveis de povos da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Escondidos h\u00e1 pelos menos 12 mil anos sob a densa vegeta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica, vest\u00edgios dos povos origin\u00e1rios se revelam aos poucos por meio dos conhecimentos ind\u00edgenas e quilombolas, do trabalho de arque\u00f3logos e da contribui\u00e7\u00e3o da tecnologia light detection and ranging (Lidar). O sensor remoto \u00e9 colocado em pequenos avi\u00f5es, que sobrevoam a floresta e emitem lasers para mapear s\u00edtios antigos.<\/p>\n<p>\u00c9 dessa forma que atuam os pesquisadores do projeto Amaz\u00f4nia Revelada: Mapeando Legados Culturais. Antes do Lidar, muitas descobertas arqueol\u00f3gicas foram feitas em \u00e1reas com movimenta\u00e7\u00e3o de solo e transforma\u00e7\u00e3o da paisagem. Caso dos geoglifos encontrados no Acre. Com o novo uso da tecnologia, \u00e9 poss\u00edvel mapear \u00e1reas da floresta sem nenhuma interven\u00e7\u00e3o f\u00edsica, como desmatamento ou escava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o projeto tamb\u00e9m tem como miss\u00e3o \u201cadicionar uma nova camada de prote\u00e7\u00e3o para a Amaz\u00f4nia e ajudar a conter a destrui\u00e7\u00e3o da floresta\u201d. Para isso, pesquisadores locais, pertencentes aos povos tradicionais, t\u00eam trabalhado em conjunto no levantamento de elementos materiais ou inscritos na paisagem que remetem a s\u00edtios arqueol\u00f3gicos ou lugares significativos para as comunidades.<\/p>\n<p>A coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 do arque\u00f3logo Eduardo Neves, professor e diretor do Museu de Arqueologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que trabalha h\u00e1 mais de 30 anos na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu fui para a escola na d\u00e9cada de 70, aprendi que a cidade mais antiga do Brasil era S\u00e3o Vicente, fundada pelo portugu\u00eas Martim Afonso de Souza em 1532. No entanto, quem anda pelo interior da Amaz\u00f4nia e, particularmente pela cidade de Santar\u00e9m, vai perceber que existe um solo muito escuro que a gente conhece como terra preta. Ele est\u00e1 cheio de fragmentos de cer\u00e2micas produzidas por povos que viviam ali h\u00e1 pelo menos pelo menos 800 anos\u201d, disse Neves, no TEDxAmaz\u00f4nia 2024, ocorrido em Manaus.<\/p>\n<p>\u201cA gente sabe que a presen\u00e7a ind\u00edgena come\u00e7a h\u00e1 pelo menos 13 mil anos. Em 1492, quando Crist\u00f3v\u00e3o Colombo chegou \u00e0s Antilhas, havia entre 8 e 10 milh\u00f5es de ind\u00edgenas em toda a regi\u00e3o amaz\u00f4nica. A Amaz\u00f4nia que a gente conhece hoje em dia s\u00f3 existe por causa da contribui\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, quilombolas e ribeirinhos que formaram essa regi\u00e3o\u201d, complementou.<\/p>\n<p>O arque\u00f3logo destacou que o discurso colonial de desprezo \u00e0s origens da Amaz\u00f4nia foi usado politicamente em diferentes momentos da hist\u00f3ria. E contribuiu para legitimar projetos de desmatamento e ocupa\u00e7\u00e3o descontrolada da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu me lembro de um slogan repetido pelo governo militar de que a Amaz\u00f4nia era uma terra sem gente, para gente sem terra. Isso fez com que camponeses que viviam em situa\u00e7\u00f5es de conflito fundi\u00e1rio em diferentes lugares do pa\u00eds se mudassem para locais como Par\u00e1 e Rond\u00f4nia, e tivesse in\u00edcio uma hist\u00f3ria muito violenta\u201d, disse. \u201cEssa imagem da Amaz\u00f4nia como uma regi\u00e3o esvaziada justifica a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia hoje em dia pelo desmatamento, pela minera\u00e7\u00e3o descontrolada e pela abertura de estradas.\u201d<\/p>\n<p>O que o projeto liderado pelo arque\u00f3logo quer fazer \u00e9 inverter essa l\u00f3gica, ao tornar vis\u00edveis contribui\u00e7\u00f5es milenares dos povos tradicionais, valorizar e proteger s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, e trazer li\u00e7\u00f5es do passado que permitiram manter a floresta viva, de p\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cQueremos fazer os registros e promover uma camada adicional de prote\u00e7\u00e3o para essas \u00e1reas amea\u00e7adas\u201d, disse Eduardo Neves. \u201cQuando a gente fala sobre arqueologia, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre o passado. Tamb\u00e9m contemplamos as manifesta\u00e7\u00f5es atuais das culturas dos povos da floresta, que nos ensinam como eles a constru\u00edram. Se existe uma solu\u00e7\u00e3o para o futuro da Amaz\u00f4nia, \u00e9 continuar apostando nessa diversidade e construir uma alian\u00e7a entre o conhecimento cient\u00edfico e o conhecimento tradicional dos povos da floresta.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escondidos h\u00e1 pelos menos 12 mil anos sob a densa vegeta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica, vest\u00edgios dos povos origin\u00e1rios se revelam aos poucos por meio dos conhecimentos ind\u00edgenas e quilombolas, do trabalho de arque\u00f3logos e da contribui\u00e7\u00e3o da tecnologia light detection and ranging (Lidar). 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