{"id":345836,"date":"2025-01-17T06:16:21","date_gmt":"2025-01-17T09:16:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=345836"},"modified":"2025-01-17T06:16:21","modified_gmt":"2025-01-17T09:16:21","slug":"pandemia-ainda-impacta-educacao-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pandemia-ainda-impacta-educacao-no-nordeste\/","title":{"rendered":"Pandemia ainda impacta educa\u00e7\u00e3o no Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil ainda n\u00e3o se recuperou, na educa\u00e7\u00e3o, dos impactos gerados na pandemia. O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, que vinha melhorando, teve piora durante a pandemia e ainda n\u00e3o recuperou o mesmo patamar observado em 2019. A alfabetiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, que tiveram as aulas presenciais suspensas, piorou e o percentual daquelas que ainda n\u00e3o sabem ler e escrever aos 8 anos de idade aumentou consideravelmente entre 2019 e 2023. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais sentida no Nordeste, seguindo-se o Norte e extremo Norte de Minas Gerais.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do estudo Pobreza Multidimensional na Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia no Brasil \u2013 2017 a 2023, lan\u00e7ado pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) nesta quinta-feira (16). O estudo, que \u00e9 baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad C) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, analisou as priva\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 escola na idade certa e alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dados mostram que em rela\u00e7\u00e3o ao acesso, ao longo dos anos houve oscila\u00e7\u00f5es, com avan\u00e7os e retrocessos, muitos deles ocorridos no per\u00edodo de pandemia. Em 2017, 8,5% das crian\u00e7as e adolescentes de at\u00e9 17 anos estavam privados de educa\u00e7\u00e3o de alguma forma. Essa porcentagem caiu para 7,1% em 2019, subiu para 8,8% em 2021 e caiu para 7,7% em 2023.<\/p>\n<p>Ao todo, s\u00e3o quatro milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes que est\u00e3o atrasados nos estudos, que repetiram de ano ou que n\u00e3o foram alfabetizados at\u00e9 os 7 anos. Apesar de representarem um percentual inferior a 2017, o pa\u00eds ainda n\u00e3o retomou o patamar que havia alcan\u00e7ado em 2019.<\/p>\n<p>O estudo mostra ainda que h\u00e1 no pa\u00eds 619 mil crian\u00e7as e adolescentes em priva\u00e7\u00e3o extrema da educa\u00e7\u00e3o, ou seja, que n\u00e3o frequentam as escolas. Eles correspondem a 1,2% daqueles com at\u00e9 17 anos. Esse percentual, que chegou a 2,3% em 2021, na pandemia, \u00e9 inferior ao registrado em 2019, 1,6%.<\/p>\n<p>No Brasil, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria dos 4 at\u00e9 os 17 anos \u00e9 obrigat\u00f3ria no Brasil de acordo com a Emenda Constitucional 59 e com o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE).<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que na educa\u00e7\u00e3o, leva-se muito mais tempo recuperar os impactos. Ent\u00e3o, essa faixa \u00e9 a que mais sofreu e os dados mostram realmente a import\u00e2ncia de que se fa\u00e7am pol\u00edticas mais focadas e se fortale\u00e7am as que est\u00e3o sendo implementadas&#8221;, diz a chefe de Pol\u00edticas Sociais do Unicef no Brasil, Liliana Chopitea.<\/p>\n<p><strong>Alfabetiza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o, a pesquisa mostra que cerca de 30% das crian\u00e7as de 8 anos n\u00e3o estavam alfabetizadas em 2023. Uma piora em rela\u00e7\u00e3o a 2019, quando esse percentual era 14%.<\/p>\n<p>\u201cEsta disparidade sugere que as crian\u00e7as que tinham entre 5 e 7 anos de idade em 2020, e que, consequentemente, experimentaram interrup\u00e7\u00f5es educacionais cr\u00edticas durante a pandemia, enfrentam um dano persistente em sua alfabetiza\u00e7\u00e3o. O ensino remoto e as dificuldades associadas a ele, como falta de acesso a recursos educacionais adequados e suporte pedag\u00f3gico, podem ter contribu\u00eddo para essa defasagem significativa\u201d, destaca o estudo.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m mostra que h\u00e1 maior disparidade entre as crian\u00e7as que vivem em \u00e1reas rurais. \u201cNotavelmente, para crian\u00e7as de 7 a 8 anos de idade em \u00e1reas rurais, o percentual de analfabetismo em 2023 atinge cerca de 45%, demonstrando uma grave defici\u00eancia no acesso ou na qualidade da educa\u00e7\u00e3o inicial nessas localidades\u201d, diz o texto.<\/p>\n<p><strong>Renda familiar<\/strong><br \/>\nH\u00e1 ainda desigualdades de aprendizagem de acordo com a renda das fam\u00edlias. Segundo a pesquisa, em 2019, os 25% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o apresentaram um percentual de analfabetismo de 15,6%, enquanto o quintil (medida estat\u00edstica) mais alto, ou seja, os 20% mais ricos, registrava apenas 2,5%. Em 2023, essa diferen\u00e7a aumenta. O quintil mais baixo passa para cerca de 30%, e o quintil mais alto aumenta ligeiramente para 5,9%.<\/p>\n<p>\u201cEste padr\u00e3o sugere que crian\u00e7as de fam\u00edlias de menor renda foram desproporcionalmente afetadas pelas interrup\u00e7\u00f5es na educa\u00e7\u00e3o causadas pela pandemia de Covid-19, enquanto aquelas em situa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas mais favor\u00e1veis tiveram mais recursos e resili\u00eancia para mitigar os impactos negativos no aprendizado. A crescente disparidade entre os quintis de renda destaca a necessidade urgente de interven\u00e7\u00f5es educacionais direcionadas que possam fornecer suporte adicional \u00e0s crian\u00e7as das fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>A meta do Brasil de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelece o que as crian\u00e7as e os adolescentes devem aprender a cada etapa de ensino na escola, \u00e9 que todas as crian\u00e7as estejam alfabetizadas ao fim do 2\u00ba ano do ensino fundamental, ou seja, aos 7 anos de idade.<\/p>\n<p>Em 2023, o governo federal instituiu o Compromisso Nacional Crian\u00e7a Alfabetizada, para garantir o direito \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o na idade certa e tamb\u00e9m para recuperar as aprendizagens das crian\u00e7as do 3\u00ba, 4\u00ba e 5\u00ba ano do ensino fundamental afetadas pela pandemia.<\/p>\n<p>O estudo diz que h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de \u201cprogressos significativos\u201d, nos \u00faltimos dois anos. A taxa de analfabetismo entre crian\u00e7as de 8 anos caiu de 29,9%, em 2022, para 23,3%, em 2024. Entre as crian\u00e7as de 9 anos, houve uma redu\u00e7\u00e3o de 15,7%, em 2022, para 10,2%, em 2024.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 urgente que se tenha pol\u00edticas p\u00fablicas coordenadas em n\u00edvel nacional, estadual e municipal para reverter o problema do analfabetismo e retomar essa aprendizagem. Muitas pol\u00edticas e programas est\u00e3o sendo desenvolvidos nos \u00faltimos anos. Como vimos, leva mais tempo para recuperar o que foi o impacto da pandemia, mas \u00e9 importante continuar investindo nesses programas, como, por exemplo, o Compromisso Nacional Crian\u00e7a Alfabetizada, que justamente tem como finalidade garantir o direito \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as at\u00e9 o fim do segundo ano de ensino fundamental&#8221;, defende Chopitea.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o, o estudo, analisou outras dimens\u00f5es que considera fundamentais para garantir o bem-estar de crian\u00e7as e adolescentes: renda, acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e1gua, saneamento, moradia, prote\u00e7\u00e3o contra o trabalho infantil e seguran\u00e7a alimentar. Esta \u00e9 a quarta edi\u00e7\u00e3o desta pesquisa, realizada pelo Unicef.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil ainda n\u00e3o se recuperou, na educa\u00e7\u00e3o, dos impactos gerados na pandemia. 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