{"id":346431,"date":"2025-01-24T00:15:44","date_gmt":"2025-01-24T03:15:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=346431"},"modified":"2025-01-24T10:17:17","modified_gmt":"2025-01-24T13:17:17","slug":"mudanca-climatica-tem-influencia-direta-com-emprego-e-renda-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mudanca-climatica-tem-influencia-direta-com-emprego-e-renda-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a clim\u00e1tica tem influ\u00eancia direta com emprego e renda dos pobres"},"content":{"rendered":"<p>Eventos clim\u00e1ticos extremos e impactos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica afetam com maior intensidade as popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, inclusive no contexto de empregabilidade e acesso a renda. De acordo com o boletim Emprego e Renda, do Centro Brasileiro de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica (CBJC), esse grupo \u00e9 majoritariamente formado por pessoas negras &#8211; pretas e pardas -, com destaque para as mulheres. Pessoas negras s\u00e3o as que mais ocupam empregos informais nas \u00e1reas urbanas, trabalham como pequenos agricultores e s\u00e3o maioria entre os moradores em \u00e1reas de risco.<\/p>\n<p>\u201cEmprego e renda s\u00e3o agendas que se conectam muito \u00e0 discuss\u00e3o clim\u00e1tica e ambiental, porque tratam de vulnerabilidade. Quem est\u00e1 mais inseguro, quem tem menos acesso a uma situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio clim\u00e1tico, de recompor a renda, de recompor a moradia, est\u00e1 muito mais exposto [aos impactos da crise clim\u00e1tica]\u201d, aponta a coordenadora de pesquisa do Centro Brasileiro de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica, Taynara Gomes, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Ela destaca a import\u00e2ncia de interpretar os dados de forma segmentada e racializar o debate. \u201cOs n\u00fameros normalmente repercutem de maneira muito superficial e colocam a popula\u00e7\u00e3o como se todo mundo fosse atravessado pela crise clim\u00e1tica da mesma maneira.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO boletim mostra que nem todo mundo \u00e9 impactado do mesmo modo. Tem popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 muito mais vulnerabilizada. N\u00e3o d\u00e1 para olhar para o dado bruto, precisa interseccionar a agenda [da justi\u00e7a clim\u00e1tica], precisa conseguir racializar o debate a partir de uma perspectiva racial e de g\u00eanero\u201d, explicou.<\/p>\n<p><strong>Diferen\u00e7as<\/strong><br \/>\nO documento aponta que trabalhadores negros ganham cerca de 60% do sal\u00e1rio de trabalhadores brancos, ainda que tenham a mesma qualifica\u00e7\u00e3o. A taxa de informalidade no trabalho para pessoas brancas (32,7%) \u00e9 menor do que para pretas (43,4%) e pardas (47%).<\/p>\n<p>Os cargos de lideran\u00e7a s\u00e3o ocupados majoritariamente por pessoas brancas (69%), enquanto pretos e pardos ocupam o total de 29,5% dessas posi\u00e7\u00f5es. Dentre a popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, 56,1% \u00e9 negra. Pessoas negras desocupadas somam 65,1%. Al\u00e9m disso, a inseguran\u00e7a da posse de moradia atinge 10% de brancos, 19,7% de pretos e 20,8% de pardos.<\/p>\n<p>\u201c[O boletim] fala sobre a concentra\u00e7\u00e3o de renda e a vulnerabilidade, mostrando que a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 a que menos tem acesso a uma renda, ao mercado formal de trabalho, ent\u00e3o est\u00e1 protagonizando a informalidade, e recebe os menores sal\u00e1rios\u201d, menciona Taynara.<\/p>\n<p>Nove em cada dez trabalhadores dom\u00e9sticos s\u00e3o mulheres. Ao menos, seis em cada dez s\u00e3o mulheres negras (65%). Quando se trata de trabalho do cuidado, as mulheres dedicam 9,6 horas por semana a mais do que os homens. Mulheres negras fazem 92,7% dos afazeres dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p><strong>Zona rural<\/strong><br \/>\n\u201cNo emprego rural, \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente negra, num trabalho muitas vezes n\u00e3o reconhecido e n\u00e3o formalizado na sua maioria, e consequentemente com menos acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas, com menos acesso \u00e0 renda, com menos acesso a programas afirmativos e com mais dificuldades de [acesso] a tecnologias adequadas para essa m\u00e3o de obra\u201d, relata.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho no campo, 54,4% da agricultura familiar \u00e9 composta por pessoas pretas e pardas. Do total de trabalhadores do campo, 60% est\u00e3o na informalidade. Sete em cada dez agricultores negros possuem menos de 0,1 hectares. Enquanto oito em cada dez agricultores brancos possuem 10 mil hectares ou mais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sofrendo diretamente os impactos de queimadas, os impactos da press\u00e3o do agroneg\u00f3cio, fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam a sua situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria regulamentada, ent\u00e3o est\u00e3o muito mais vulner\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a da terra\u201d, diz Taynara.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, por exemplo, h\u00e1 comunidades que muitas vezes ficam isoladas em fun\u00e7\u00e3o das secas e chegam a uma situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar. \u201cOs ciclos t\u00eam mudado &#8211; de sol, chuva e alagamento -, e [essa popula\u00e7\u00e3o] tamb\u00e9m n\u00e3o tem acesso a uma pol\u00edtica formal que v\u00e1 reparar ou mitigar o impacto disso.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 falando de calor, de alagamento, s\u00e3o processos que vulnerabilizam ainda mais quem j\u00e1 era vulnerabilizado nesse processo de empregabilidade antes de grandes emerg\u00eancias clim\u00e1ticas. No cen\u00e1rio extremo de clima, essa vulnerabilidade vai se acentuando cada vez mais\u201d, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eventos clim\u00e1ticos extremos e impactos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica afetam com maior intensidade as popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, inclusive no contexto de empregabilidade e acesso a renda. 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