{"id":346494,"date":"2025-01-26T00:01:49","date_gmt":"2025-01-26T03:01:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=346494"},"modified":"2025-01-26T06:13:32","modified_gmt":"2025-01-26T09:13:32","slug":"memorial-da-resistencia-lembra-vitimas-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/memorial-da-resistencia-lembra-vitimas-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Memorial da Resist\u00eancia lembra v\u00edtimas da ditadura"},"content":{"rendered":"<p>O Memorial da Resist\u00eancia de S\u00e3o Paulo, \u00fanico espa\u00e7o do pa\u00eds a salvaguardar um acervo sobre os atos de resist\u00eancia a aparatos de repress\u00e3o no Brasil, comemorou 16 anos de atividade nesta sexta-feira (24). Para marcar o anivers\u00e1rio, o museu, instalado no pr\u00e9dio onde funcionou por quase quatro d\u00e9cadas o Departamento Estadual de Ordem Pol\u00edtica e Social (Deops\/SP), preparou um mural para provocar reflex\u00f5es bastante atuais.<\/p>\n<p>A obra Este cap\u00edtulo n\u00e3o foi Conclu\u00eddo (2024), de Rafael Pagatini, ficar\u00e1 em exibi\u00e7\u00e3o no mural externo do museu. Para homenagear e honrar a mem\u00f3ria de perseguidos pol\u00edticos durante a ditadura civil-militar instaurada em 1964, com o golpe que derrubou o presidente Jo\u00e3o Goulart, Pagatini escolheu expor um painel de 14,2m x 4,5m composto por 72 p\u00e1ginas dos processos do Superior Tribunal Militar (STM) relacionados \u00e0s viol\u00eancias praticadas contra tais pessoas, como retalia\u00e7\u00e3o aos questionamentos que faziam.<\/p>\n<p>Para tornar mais pronunciadas as presen\u00e7as das v\u00edtimas da ditadura, o pesquisador e docente ga\u00facho mostra as folhas de papel com itens como roupas e adere\u00e7os. Essas p\u00e1ginas foram copiadas do projeto Brasil: Nunca Mais, que, com esfor\u00e7os coletivos de diversos segmentos, de militantes a figuras das igrejas cat\u00f3lica e presbiteriana, preservou 1 milh\u00e3o de p\u00e1ginas contidas em 707 processos do STM entre 1979 e 1985.<\/p>\n<p>Uma das leituras poss\u00edveis conecta o painel ao livro O Processo, de Franz Kafka, escrito no contexto da Primeira Guerra Mundial, em 1914. O romance serve de refer\u00eancia na medida em que tamb\u00e9m trata do assombro do protagonista, Josef K., a quem imputam algo que n\u00e3o sabe o que \u00e9 e que por isso \u00e9 levado a julgamento. A ang\u00fastia, por n\u00e3o haver certeza do que ser\u00e3o o desfecho do julgamento e, portanto, seu destino e por ser v\u00edtima de uma justi\u00e7a s\u00e3o algo que marca o livro e tamb\u00e9m identificado em per\u00edodos de regimes autorit\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Exposi\u00e7\u00e3o <\/strong><br \/>\nO painel integra a exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria Uma Vertigem Vision\u00e1ria &#8211; Brasil: Nunca Mais, de 400 m\u00b2 e curadoria de Diego Matos. Uma das se\u00e7\u00f5es oferece aos visitantes a oportunidade de ver obras da Cole\u00e7\u00e3o Al\u00edpio Freire, realizadas por ex-presos pol\u00edticos como Artur Scavone, \u00c2ngela Rocha, Rita Sipahi, Manoel Cyrillo, S\u00e9rgio Ferro, S\u00e9rgio Sister e o pr\u00f3prio Al\u00edpio Freire, durante a perman\u00eancia em pres\u00eddios de S\u00e3o Paulo, na ditadura.<\/p>\n<p>Segundo a diretora do Memorial da Resist\u00eancia, Ana Mattos Pato, um dos pontos mais interessantes e relevantes a se notar \u00e9 a natureza do material que serviu de base para o Brasil: Nunca Mais: documentos elaborados pelos pr\u00f3prios militares, agentes da repress\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma documenta\u00e7\u00e3o e, nesse sentido, irrefut\u00e1vel&#8221;, diz \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, acrescentando que nisso o Brasil difere da Argentina, que tamb\u00e9m \u00e9 retratada em outra exposi\u00e7\u00e3o atualmente aberta no museu, de nome Mem\u00f3ria argentina para o mundo: o Centro Clandestino ESMA.<\/p>\n<p>Parte dos visitantes, diz a diretora, chega ao museu sem saber nada do Brasil: Nunca Mais, enquanto alguns j\u00e1 viram uma c\u00f3pia impressa, mas, sem t\u00ea-la aberto antes, somente agora, pisando no memorial \u00e9 que desvendam seu conte\u00fado. &#8220;O que noto das pessoas que v\u00eam aqui \u00e9, primeiro, uma surpresa. Muita gente n\u00e3o conhecia, diz, ah, tinha na estante do meu av\u00f4, do meu pai, do meu tio. Um &#8216;ah, j\u00e1 ouvi falar&#8217;. Mas esse &#8216;j\u00e1 ouvi falar&#8217;, quando voc\u00ea come\u00e7a a conversar, v\u00ea que \u00e9 uma mem\u00f3ria distante&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>&#8220;E isso me impressionou muito tamb\u00e9m, porque, se a gente for pensar, do ponto de vista dessa hist\u00f3ria, ela merecia um longa-metragem, ser conhecida, estudada a fundo, porque \u00e9 uma hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 de uma coragem muito grande, mas, com pouco, se produzir uma rea\u00e7\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o \u00fanica e um relato profundo da viol\u00eancia de Estado na ditadura. E, mais, um retrato da tortura como estrat\u00e9gia de coer\u00e7\u00e3o&#8221;, emenda.<\/p>\n<p>Uma das principais tarefas de que se ocupam as equipes do memorial \u00e9 a coleta de depoimentos de pessoas que narram o que ocorria na ditadura. Com a exposi\u00e7\u00e3o, tem sido retomada com mais intensidade. &#8220;\u00c9 a primeira vez que muitas dessas pessoas v\u00eam a p\u00fablico&#8221;, salienta Ana.<\/p>\n<p>Para a diretora, o sil\u00eancio prolongado at\u00e9 hoje \u00e9 explicado por um pacto que se fez, a fim de n\u00e3o deixar ningu\u00e9m vulner\u00e1vel na \u00e9poca, mas tamb\u00e9m por um receio que ainda perdura. &#8220;Acho que tem a ver com o arquivo da milit\u00e2ncia, arquivos que foram criados, muitas vezes, para n\u00e3o serem encontrados. Tinham que viver na clandestinidade&#8221;, pondera.<\/p>\n<p>&#8220;E acho que muita gente tamb\u00e9m se envolveu intensamente, no per\u00edodo da redemocratiza\u00e7\u00e3o continuou com muito medo de falar, de dizer &#8216;olha, eu participei&#8217;, porque era fato, a vigil\u00e2ncia continuou depois, no per\u00edodo da democracia. [Demonstra] o quanto essas pessoas s\u00e3o marcadas por esse receio.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o <\/strong><br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o Uma Vertigem Vision\u00e1ria &#8211; Brasil: Nunca Mais fica em cartaz at\u00e9 o dia 27 de julho, no Memorial da Resiste\u0302ncia, em S\u00e3o Paulo. A mostra tem entrada gratuita e est\u00e1 aberta todos os dias (exceto ter\u00e7a), das 10h \u00e0s 18h.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Memorial da Resist\u00eancia de S\u00e3o Paulo, \u00fanico espa\u00e7o do pa\u00eds a salvaguardar um acervo sobre os atos de resist\u00eancia a aparatos de repress\u00e3o no Brasil, comemorou 16 anos de atividade nesta sexta-feira (24). 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