{"id":346705,"date":"2025-01-30T00:01:44","date_gmt":"2025-01-30T03:01:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=346705"},"modified":"2025-01-30T07:18:17","modified_gmt":"2025-01-30T10:18:17","slug":"pessoas-trans-negras-pedem-respeito-e-acesso-a-politicas-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pessoas-trans-negras-pedem-respeito-e-acesso-a-politicas-publicas\/","title":{"rendered":"Pessoas trans negras pedem respeito e acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p>Educa\u00e7\u00e3o de qualidade, respeito institucional e forma\u00e7\u00e3o profissional est\u00e3o entre as principais demandas de travestis e transexuais negras e negros no Brasil, segundo o estudo in\u00e9dito Travestilidades Negras: Movimento Social, Ativismo e Pol\u00edticas P\u00fablicas, lan\u00e7ado esta semana pelo F\u00f3rum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (Fonatrans).<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, para 32% dos entrevistados, quando perguntados o que o Estado pode fazer para melhorar a vida de pessoas trans, a prioridade \u00e9 educa\u00e7\u00e3o de qualidade. O respeito pelas institui\u00e7\u00f5es aparece em segundo lugar, apontado por 17%, seguido por forma\u00e7\u00e3o profissional, 16%, garantia de perman\u00eancia na escola (9%), uma cultura acolhedora (8%), empregabilidade (4%), assist\u00eancia psicol\u00f3gica (2%), seguran\u00e7a p\u00fablica (2%) e garantia \u00e0 sa\u00fade (1%).<\/p>\n<p>O levantamento foi feito com base em 300 question\u00e1rios respondidos online por pessoas trans negras de todos os estados e do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Segundo a autora da pesquisa, a pesquisadora do Fonatrans Jessyka Rodrigues, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisadora da Fiocruz Piau\u00ed, o ineditismo do estudo est\u00e1 no foco na popula\u00e7\u00e3o trans negra. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para a gente construir pol\u00edticas p\u00fablicas sem trazer essas informa\u00e7\u00f5es sobre pessoas trans, travestis, negras no Brasil. Historicamente, n\u00f3s somos marginalizadas e apagada o nosso status de cidad\u00e3 e de cidad\u00e3os na sociedade\u201d, defende. \u201cO mais importante na pesquisa, que a gente tem tamb\u00e9m que est\u00e1 evidenciando, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o negra que est\u00e1 dentro da pesquisa dizendo, olha, a gente existe\u201d.<\/p>\n<p>Os dados mostram que para muitas dessas pessoas, as pol\u00edticas p\u00fablicas parecem estar distantes. Para 21% dos entrevistados, as pol\u00edticas voltadas para pessoas trans no Brasil precisam de melhorias urgentes, s\u00e3o pouco acess\u00edveis (19%), pouco eficazes (19%), n\u00e3o oferecem suporte adequado (15%) ou s\u00e3o insuficientes (14%). Apenas 7% disseram que essas pol\u00edticas s\u00e3o boas.<\/p>\n<p>Sobre o acesso a essas pol\u00edticas, 40% disseram nunca terem sido assistidas por pol\u00edtica espec\u00edfica para pessoas trans, outras 49% tiveram acesso \u00e0 retifica\u00e7\u00e3o do nome no registro de nascimento e 3% tiveram acesso \u00e0 carteira de nome social. Apenas 2% frequentaram um ambulat\u00f3rio trans.<\/p>\n<p>O estudo tra\u00e7a o perfil de travestis e transexuais negras e negros e mostra que, no Brasil, ainda falta acesso a direitos b\u00e1sicos, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, moradia, lazer, entre outros, e que esses direitos s\u00e3o reivindicados por essa parcela da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 tamb\u00e9m diversa.<\/p>\n<p>Os question\u00e1rios foram respondidos por pessoas trans, travestis, n\u00e3o bin\u00e1ries pretas (55,67%), pardas (42,89%) e ind\u00edgenas (1,44%), sem defici\u00eancia (92,97%) e com defici\u00eancia (7,03%).<\/p>\n<p>A maioria disse que j\u00e1 sofreu racismo e transfobia (70,14%), outros 24,12% j\u00e1 sofreram transfobia, que \u00e9 o preconceito e a discrimina\u00e7\u00e3o contra pessoas trans, e 5,74%, racismo.<\/p>\n<p>A maioria das pessoas entrevistadas n\u00e3o estuda mais (61,74%) e t\u00eam at\u00e9 o ensino m\u00e9dio completo (35,65%). Outras 14,35% n\u00e3o completaram o ensino m\u00e9dio e 5,22% n\u00e3o conclu\u00edram sequer o ensino fundamental. Dentre os respondentes, 9,57% t\u00eam p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e 8,26%, ensino superior.<\/p>\n<p>O principal motivo para abandonar os estudos foram as dificuldades financeiras (52,07%), seguido por transfobia (28,79%).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, 20% n\u00e3o costumam frequentar unidades de sa\u00fade e apontam como principal motivo a transfobia e o mal atendimento como empecilhos para o acesso.<\/p>\n<p>Sobre o trabalho, menos da metade, 45,83%, t\u00eam algum emprego formal. Entre aqueles que est\u00e3o no mercado informal, a prostitui\u00e7\u00e3o aparece em primeiro lugar, com 15,2%. A maior parcela, 41% do total, recebe, por m\u00eas, menos de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, o que atualmente \u00e9 equivalente a R$ 1.518.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a acesso a programas sociais como o Bolsa Fam\u00edlia, programa de transfer\u00eancia de renda do Governo Federal, um ter\u00e7o, 33%, est\u00e3o inscritos.<\/p>\n<p>Apesar de ser um direito garantido e qualquer pessoa com mais de 18 anos de idade pode requerer ao Cart\u00f3rio de Registro Civil de origem a adequa\u00e7\u00e3o de sua certid\u00e3o de nascimento ou casamento \u00e0 identidade autopercebida, o estudo mostra que mais de um ter\u00e7o n\u00e3o o fez porque afirma que n\u00e3o t\u00eam recursos (32%) ou porque n\u00e3o teve tempo ou n\u00e3o quis (10%).<\/p>\n<p>A pesquisa ressalta que muitas pessoas ficaram de fora do question\u00e1rio, principalmente as mais vulner\u00e1veis, para as quais o question\u00e1rio aplicado na internet n\u00e3o chegou.<\/p>\n<p><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nO estudo faz uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es para garantir a inclus\u00e3o e os direitos das pessoas trans negras no pa\u00eds. Entre as medidas, est\u00e3o a reserva de vagas em universidades p\u00fablicas e empresas p\u00fablicas e privadas; a garantia da gratuidade no registro civil na retifica\u00e7\u00e3o de prenome e g\u00eanero; pol\u00edticas de combate \u00e0 viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o e moradia digna e segura.<\/p>\n<p>A coordenadora nacional de Sa\u00fade e estadual do Rio de Janeiro do Fonatrans, Thaylla Vargas, que tamb\u00e9m \u00e9 assistente em pesquisa cl\u00ednica no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz (INI-Fiocruz), ressaltou a import\u00e2ncia de se ter dados de pessoas negras trans.<\/p>\n<p>\u201cA gente consegue agora, com essa pesquisa, com esses dados, mostrar o quanto isso afeta a popula\u00e7\u00e3o na sa\u00fade mental, na quest\u00e3o financeira e principalmente na moradia\u201d, explica. \u201cA popula\u00e7\u00e3o trans est\u00e1 envelhecendo, as que n\u00e3o morrem conseguem envelhecer e n\u00e3o ter onde morar\u201d, alerta.<\/p>\n<p>O estudo foi lan\u00e7ado no dia 27 de janeiro, em Bras\u00edlia, quando foi apresentado para as ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, e dos Direitos Humanos e da Cidadania, Maca\u00e9 Evaristo.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, o estudo ser\u00e1 apresentado no dia 7 de fevereiro, no Museu da Vida, na Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educa\u00e7\u00e3o de qualidade, respeito institucional e forma\u00e7\u00e3o profissional est\u00e3o entre as principais demandas de travestis e transexuais negras e negros no Brasil, segundo o estudo in\u00e9dito Travestilidades Negras: Movimento Social, Ativismo e Pol\u00edticas P\u00fablicas, lan\u00e7ado esta semana pelo F\u00f3rum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (Fonatrans). 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