{"id":346864,"date":"2025-02-02T00:00:35","date_gmt":"2025-02-02T03:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=346864"},"modified":"2025-02-02T07:41:38","modified_gmt":"2025-02-02T10:41:38","slug":"apos-intervalo-de-5-meses-massacre-de-paraisopolis-tem-nova-audiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/apos-intervalo-de-5-meses-massacre-de-paraisopolis-tem-nova-audiencia\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s intervalo de 5 meses, massacre de Parais\u00f3polis tem nova audi\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Na sexta audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o do caso do Massacre de Parais\u00f3polis,\u00a0 a defesa dos policiais militares (PM) acusados atribuiu a responsabilidade pelas mortes das v\u00edtimas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o em que foi realizado o Baile da DZ7. O intervalo entre essa audi\u00eancia e a anterior foi de cerca de cinco meses, tempo criticado pelas fam\u00edlias dos nove jovens mortos em 1\u00ba de dezembro de 2019.<\/p>\n<p>Desde o incidente, os familiares das v\u00edtimas t\u00eam organizado manifesta\u00e7\u00f5es na comunidade de Parais\u00f3polis e nos dias das audi\u00eancias, pedindo justi\u00e7a, com a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos 12 policiais acusados de homic\u00eddio, e mais agilidade no processo. Ontem, eles permaneceram novamente diante dos port\u00f5es do F\u00f3rum Criminal da Barra Funda, zona central da capital paulista, onde as audi\u00eancias est\u00e3o sendo feitas.<\/p>\n<p>Nesta fase do processo, ser\u00e1 definido se os policiais ir\u00e3o a j\u00fari popular. A audi\u00eancia teve como objetivo colher o depoimento de dez testemunhas, todas indicadas pelos agentes. Al\u00e9m de enfatizar o espa\u00e7o onde o baile funk foi feito, a defesa dos agentes de seguran\u00e7a, ao questionar as testemunhas, explorou a forma\u00e7\u00e3o e o preparo que fazem dentro da corpora\u00e7\u00e3o para atuar em situa\u00e7\u00f5es como a desse caso.<\/p>\n<p>Nas primeiras audi\u00eancias de instru\u00e7\u00e3o, a defesa dos policiais deu mais destaque \u00e0 causa da morte das v\u00edtimas, sustentando que teria sido resultado de pisoteamentos. Esse fator era um contraponto \u00e0 suspeita de que os jovens morreram por asfixia mec\u00e2nica, o que foi apontado por uma biom\u00e9dica do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (Caaf) da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e poderia ser um aspecto central do processo, desfavor\u00e1vel aos policiais. Os familiares dos jovens acreditam que eles foram encurralados propositalmente pelos agentes em uma viela.<\/p>\n<p>Ouvido ontem, o tenente da PM Diego Fel\u00edcio Novaes, ao ser indagado pela defesa dos colegas de corpora\u00e7\u00e3o, disse que o lugar onde o baile foi realizado n\u00e3o era adequado, porque n\u00e3o foi feito para comportar a quantidade de pessoas que foi \u00e0 festa. Durante o depoimento, ele insistiu em afirmar que a situa\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio foi excepcional, pelo fato de a equipe n\u00e3o estar previamente preparada para lidar com o caos que se formou, com uma &#8220;multid\u00e3o desordenada&#8221; no dia do baile, mesmo com treinamentos.<\/p>\n<p>Segundo Novaes e a defesa dos r\u00e9us, a equipe da PM chegou ao endere\u00e7o e foi surpreendida por duas pessoas que entraram, em uma moto, em meio \u00e0s pessoas da festa, com armas de fogo. Isso e uma suposta hostiliza\u00e7\u00e3o contra eles, com o arremesso de objetos como garrafas, teria gerado a rea\u00e7\u00e3o de fazer o grupo de pessoas recuar, para que ficasse protegido.<\/p>\n<p><strong>Uso de granadas e morteiro<\/strong><br \/>\nUma das ferramentas usadas na ocasi\u00e3o foi a granada. Diego disse que n\u00e3o existe uma regra j\u00e1 estipulada de quantidade de armas n\u00e3o letais, como \u00e9 o caso de granadas, o que \u00e9 feito com base na experi\u00eancia dos policiais em campo. &#8220;[A quantidade de granadas]n\u00e3o foi exagerada, foi adequada&#8221;, resumiu.<\/p>\n<p>Conforme citou um dos advogados que representam os policiais, houve rumores de que a equipe chegou a utilizar um morteiro, equipamento que serve para lan\u00e7ar granadas a curtas dist\u00e2ncias desenvolvido e empregado na Primeira Guerra Mundial. Ao ser perguntado se poderia explicar o que \u00e9 um morteiro, indicou n\u00e3o saber do que se trata. &#8220;Morteiro? \u00c9 um equipamento de festa, de luz e som?&#8221;, devolveu ao advogado o PM, que acrescentou que ele e seus colegas, a equipe convocada para dar refor\u00e7o \u00e0 primeira, estavam &#8220;muito preocupados&#8221; com sua pr\u00f3pria vulnerabilidade e que, apesar das capacita\u00e7\u00f5es que os ensinam a como agir nessas circunst\u00e2ncias, na pr\u00e1tica \u00e9 outra coisa. Novaes negou, por\u00e9m, ter visto qualquer um dos colegas feridos.<\/p>\n<p>Outra testemunha ouvida ontem, o capit\u00e3o da PM Lailton de Paula Souza disse que &#8220;a prioridade \u00e9 que a equipe esteja protegida&#8221;. Acrescentou que casos do Rio de Janeiro servem de exemplo para mostrar o que acontece quando os policiais v\u00e3o desarmados. &#8220;Simplesmente apanharam dos integrantes da turba&#8221;, afirmou Souza, que foi encarregado de produzir um relat\u00f3rio sobre o ocorrido para a Corregedoria da Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo, \u00f3rg\u00e3o que tem como finalidade apurar casos em que h\u00e1 suposto abuso de autoridade.<\/p>\n<p>Diego Fel\u00edcio Novaes respondeu que teriam a mesma conduta se o chamado fosse &#8220;um bloquinho de carnaval em Vila Madalena&#8221;, bairro de classes m\u00e9dia e alta da capital. Nesse momento, houve um burburinho e, em seguida, a promotora Luciana Andr\u00e9 Jord\u00e3o Dias contestou a pergunta de um dos advogados de defesa dos policiais, por ele ter, segundo ela, induzido a resposta do agente, favor\u00e1vel aos colegas de corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o pelo emprego de armas n\u00e3o letais, na perspectiva da promotoria, n\u00e3o garantiu plenamente a seguran\u00e7a de todos do local, pelo contr\u00e1rio. &#8220;A a\u00e7\u00e3o com armas n\u00e3o letais preservou a integridade f\u00edsica das pessoas?&#8221;, perguntou ela a Souza.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m morreu&#8221;, respondeu ele, ap\u00f3s uma pausa. &#8220;E as nove pessoas&#8221;?, rebateu a promotora, que imediatamente recebeu in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es de obje\u00e7\u00e3o por parte dos advogados dos r\u00e9us e dos pr\u00f3prios r\u00e9us.<\/p>\n<p><strong>Local da morte dos jovens<\/strong><br \/>\nUm ponto levantado pelos advogados de acusa\u00e7\u00e3o, que representam os familiares das v\u00edtimas e pedem a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos policiais militares, diz respeito a um suposto direcionamento dos agentes \u00e0 viela em que os jovens morreram. O advogado Dimitri Sales viu contradi\u00e7\u00e3o no que alegou, em seu relat\u00f3rio, o capit\u00e3o Souza.<\/p>\n<p>Sales estranhou o fato de o capit\u00e3o n\u00e3o ter ido a fundo nas informa\u00e7\u00f5es sobre a viela para a qual os jovens teriam sido orientados, na hora do tumulto, e em que teriam sido executados pelos agentes, asfixiados, j\u00e1 que ficaram amontoados em um espa\u00e7o min\u00fasculo. Para o advogado, n\u00e3o faz sentido que as pessoas do pancad\u00e3o preferissem vielas a ruas mais amplas para se proteger.<\/p>\n<p>Sales perguntou ao capit\u00e3o por que falta detalhamento, inclusive, de imagens da viela no relat\u00f3rio que assinou e que foi feito em duas semanas. &#8220;Porque n\u00e3o me foi pedido analisar as rotas de fuga.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Massacre<\/strong><br \/>\nDoze policiais militares s\u00e3o acusados de matar nove jovens em opera\u00e7\u00e3o realizada durante o Baile da DZ7, de funk, na favela de Parais\u00f3polis, em S\u00e3o Paulo. Ocorrido na noite de 1\u00ba de dezembro de 2019, o epis\u00f3dio ficou conhecido como Massacre de Parais\u00f3polis. A decis\u00e3o da Justi\u00e7a agora \u00e9 se eles ir\u00e3o a j\u00fari popular.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos policiais acusados de cometer os homic\u00eddios, outro responde por colocar pessoas da festa em risco. O crime \u00e9 imputado ao agente porque teria soltado explosivos durante a opera\u00e7\u00e3o, aumentando o tumulto no local.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sexta audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o do caso do Massacre de Parais\u00f3polis,\u00a0 a defesa dos policiais militares (PM) acusados atribuiu a responsabilidade pelas mortes das v\u00edtimas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o em que foi realizado o Baile da DZ7. 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