{"id":346912,"date":"2025-02-03T00:00:35","date_gmt":"2025-02-03T03:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=346912"},"modified":"2025-02-03T04:10:36","modified_gmt":"2025-02-03T07:10:36","slug":"periodicidade-de-mamografias-divide-medicos-e-autoridades-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/periodicidade-de-mamografias-divide-medicos-e-autoridades-de-saude\/","title":{"rendered":"Periodicidade de mamografias divide m\u00e9dicos e autoridades de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>A partir de quantos anos se deve fazer a mamografia de rastreio, ou seja, como um exame de rotina, mesmo sem sintomas? Para autoridades p\u00fablicas, como o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), o ideal \u00e9 que a mamografia seja feita a cada dois anos por todas as mulheres entre 50 e 69 anos. Algumas entidades m\u00e9dicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), entretanto, recomendam exame anual a partir dos 40 anos.<\/p>\n<p>As diverg\u00eancias ganharam notoriedade h\u00e1 alguns dias, depois que a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) fez consulta p\u00fablica sobre as atualiza\u00e7\u00f5es do Manual de Boas Pr\u00e1ticas em Aten\u00e7\u00e3o Oncol\u00f3gica, usado no Programa de Certifica\u00e7\u00e3o de Boas Pr\u00e1ticas em Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade. \u00d3rg\u00e3o regulador dos planos de sa\u00fade, cabe \u00e0 ANS fiscalizar o servi\u00e7o prestado e criar normas e outras iniciativas que melhorem o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os crit\u00e9rios para que as operadoras de planos de sa\u00fade sejam certificadas, est\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de exames de rastreamento de diversos tipos de c\u00e2ncer, o que contribui para o diagn\u00f3stico precoce. No caso do c\u00e2ncer de mama, a minuta elaborada pela ANS estabelece o rastreamento organizado, com a convoca\u00e7\u00e3o de todas as benefici\u00e1rias dentro da faixa et\u00e1ria para fazer a mamografia e outros exames complementares que forem necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>At\u00e9 esse ponto, h\u00e1 consenso. &#8220;A melhor maneira de desenvolver a linha de cuidados do c\u00e2ncer \u00e9 tentar fazer o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a o mais precocemente poss\u00edvel. Porque quanto mais precoce for o diagn\u00f3stico, o tratamento \u00e9 mais efetivo e \u00e9 menos dispendioso&#8221;, diz o diretor-geral do Inca, Roberto Gil.<\/p>\n<p>A mastologista Rosemar Rahal, que integra a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo), complementa: &#8220;Este \u00e9 o caminho, n\u00e3o tenho d\u00favida. Os pa\u00edses que reduziram a mortalidade por causa de c\u00e2ncer de mama conseguiram fazendo o rastreamento organizado.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Diverg\u00eancias<\/strong><br \/>\nA ANS decidiu, entretanto, seguir em sua minuta o protocolo do Inca, que tamb\u00e9m \u00e9 adotado no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e preconiza a realiza\u00e7\u00e3o de mamografia de rastreio apenas a partir dos 50 anos, com intervalo de dois anos entre os exames, caso nenhum problema seja encontrado. &#8220;O rastreamento do c\u00e2ncer deve ser direcionado \u00e0s mulheres na faixa et\u00e1ria e periodicidade em que h\u00e1 evid\u00eancia conclusiva sobre redu\u00e7\u00e3o da mortalidade por c\u00e2ncer de mama e em que o balan\u00e7o entre benef\u00edcios e poss\u00edveis danos \u00e0 sa\u00fade dessa pr\u00e1tica seja mais favor\u00e1vel&#8221;, diz a minuta.<\/p>\n<p>A escolha motivou protestos de v\u00e1rias entidades m\u00e9dicas, que defendem a inclus\u00e3o de pessoas de 40 a 50 anos e a realiza\u00e7\u00e3o anual dos exames. &#8220;Esse j\u00e1 \u00e9 um posicionamento das sociedades m\u00e9dicas h\u00e1 alguns anos. N\u00f3s j\u00e1 temos tr\u00eas diretivas publicadas pela SBM, pela Febrasgo [Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia] e pelo Col\u00e9gio Brasileiro de Radiologia nos anos de 2012, 2017 e 2023, colocando o que essas tr\u00eas sociedades m\u00e9dicas consideram como sendo ideal para o rastreamento mamogr\u00e1fico no Brasil. (&#8230;) Porque n\u00f3s temos no Brasil 25% dos c\u00e2nceres de mama entre 40 e 50 anos de idade. Ent\u00e3o, se n\u00f3s fazemos esse rastreamento s\u00f3 a partir dos 50 anos, estaremos postergando o diagn\u00f3stico. Essa les\u00e3o prolifera dentro desse tecido mam\u00e1rio e chega para gente em um est\u00e1gio mais avan\u00e7ado&#8221;, afirma Rosemar Rahal.<\/p>\n<p>O diretor-geral do Inca enfatiza que o protocolo do instituto est\u00e1 de acordo com a recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e da Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa em C\u00e2ncer: &#8220;A informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que temos hoje n\u00e3o \u00e9 da opini\u00e3o de um especialista, \u00e9 da literatura m\u00e9dica, avaliada com o n\u00edvel de evid\u00eancia 1, meta-an\u00e1lise e estudo randomizado, que \u00e9 o maior n\u00edvel de evid\u00eancia que se tem. Grande parte dos trabalhos n\u00e3o conseguiu mostrar nenhum aumento de sobrevida na faixa dos 40 aos 50 anos. S\u00f3 houve aumento de sobrevida na faixa de 50 a 69 anos.&#8221;<\/p>\n<p>Roberto Gil explica por que esses estudos consideram que os 50 anos s\u00e3o a idade certa para o in\u00edcio do rastreamento na popula\u00e7\u00e3o em geral: &#8220;N\u00e3o estamos negando que mulheres abaixo de 50 anos tenham c\u00e2ncer de mama. Estamos falando que, abaixo dos 50 anos, acumulam-se outros problemas e o rastreamento populacional \u00e9 menos eficiente. A mamografia \u00e9 um exame de raio X, que vai ser mais efetivo na medida que a mama seja menos densa e que se tenha mais contraste na imagem, para n\u00e3o se confundir o par\u00eanquima normal com um n\u00f3dulo. Ent\u00e3o [antes dessa idade], aumenta muito mais a possibilidade de ter falsos positivos e ter que fazer mais exames. Posso fazer uma bi\u00f3psia e ser mais dif\u00edcil interpretar e levar a uma cirurgia desnecess\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n<p>O m\u00e9dico afirma tamb\u00e9m que a mudan\u00e7a da faixa et\u00e1ria pode atrapalhar o rastreamento da popula\u00e7\u00e3o atualmente inclu\u00edda. &#8220;Hoje, 30% das mulheres brasileiras nunca fizeram uma mamografia. Ent\u00e3o, para dar um exemplo, seria como se eu estivesse fazendo um salto em altura. Eu botei o meu sarrafo em 2 metros e n\u00e3o estou conseguindo pular. A minha pr\u00f3xima medida vai ser tentar melhorar e treinar muito para pular os 2 metros, ou elevar o sarrafo para 2,50?&#8221;<\/p>\n<p>A mastologista Rosemar Rahal, por\u00e9m, ressalta que o aumento da demanda n\u00e3o seria um problema por si s\u00f3. &#8220;No Brasil, n\u00e3o temos d\u00e9ficit de aparelho de mamografia, temos d\u00e9ficit de mamografias. O aparelho est\u00e1 l\u00e1, mas n\u00e3o \u00e9 usado. E a\u00ed tem uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que v\u00eam \u00e0 tona. Talvez esse exame n\u00e3o seja solicitado, ou quando \u00e9 solicitado a paciente n\u00e3o faz por medo do exame e do diagn\u00f3stico. A nossa quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de falta de equipamento, a nossa quest\u00e3o \u00e9 de comunica\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cobertura<\/strong><br \/>\nQuando a discuss\u00e3o chegou \u00e0s redes sociais, muitos usu\u00e1rios come\u00e7aram a dizer que a ANS pretendia mudar as regras de cobertura, impedindo mulheres mais jovens de fazer a mamografia pelos planos A ag\u00eancia esclareceu que os crit\u00e9rios do manual se referem apenas ao programa de certifica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 de ades\u00e3o volunt\u00e1ria das operadoras, e n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com o chamado rol obrigat\u00f3rio: uma lista com todas as consultas, exames, cirurgias e tratamentos que as operadoras devem cobrir.<\/p>\n<p>Atualmente, o rol garante direito \u00e0 mamografia bilateral para mulheres de qualquer idade, conforme indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, e mamografia digital, dos 40 aos 69 anos. At\u00e9 a Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica divulgou nota enfatizando que os planos de sa\u00fade n\u00e3o podem negar mamografia, sob pena de multa.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a mastologista Rosemar Rahal teme que a ado\u00e7\u00e3o do manual com a reda\u00e7\u00e3o atual possa embasar negativas de cobertura por parte dos planos de sa\u00fade: &#8220;Se a Ag\u00eancia Nacional coloca um selo de qualidade e considera como qualidade realizar mamografia a partir dos 50 anos, de 2 em 2 anos, toda a sa\u00fade suplementar vai considerar aquilo como ideal. O que a gente acredita \u00e9 que, se o documento for publicado desse jeito, os planos de sa\u00fade v\u00e3o assumir isso como regra.&#8221;<\/p>\n<p>Na \u00faltima segunda-feira (27), a ANS realizou reuni\u00e3o com representantes de diversas entidades m\u00e9dicas para esclarecer d\u00favidas sobre a consulta p\u00fablica e concedeu prazo de 30 dias para que s apresentem os estudos cient\u00edficos e dados t\u00e9cnicos que embasam o pedido de mudan\u00e7as nos crit\u00e9rios de rastreamento. Al\u00e9m disso, a ANS recebeu mais de 63 mil contribui\u00e7\u00f5es por meio da consulta p\u00fablica e informou que vai analisar todas as propostas recebidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir de quantos anos se deve fazer a mamografia de rastreio, ou seja, como um exame de rotina, mesmo sem sintomas? 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