{"id":346915,"date":"2025-02-03T00:00:46","date_gmt":"2025-02-03T03:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=346915"},"modified":"2025-02-03T04:19:59","modified_gmt":"2025-02-03T07:19:59","slug":"educacao-ambiental-aproxima-estudantes-do-maior-manguezal-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/educacao-ambiental-aproxima-estudantes-do-maior-manguezal-do-planeta\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o ambiental aproxima estudantes do maior manguezal do planeta"},"content":{"rendered":"<p>Ajuru, turu e caranguejo-u\u00e7\u00e1 s\u00e3o esp\u00e9cies de frutos e animais que fazem parte da cultura alimentar e da economia da maior faixa cont\u00ednua de manguezal do mundo. S\u00e3o t\u00e3o presentes no dia a dia dos moradores de Bragan\u00e7a, no estado do Par\u00e1, que \u00e9 bem comum receber um convite para tomar um caldo do molusco turu, ou para catar ajuru, um fruto rosado e doce, na praia.<\/p>\n<p>Localizada na chamada Regi\u00e3o do Salgado, no nordeste do estado, a cidade da Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m est\u00e1 \u00e0s margens do Oceano Atl\u00e2ntico e por isso mistura as paisagens da floresta com a vida marinha, resultando em uma natureza \u00fanica no planeta: um manguezal que se estende desde a costa do estado do Par\u00e1 at\u00e9 o Maranh\u00e3o, por 679 quil\u00f4metros. \u00c9 a maior extens\u00e3o cont\u00ednua desse ecossistema do planeta.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador Marcus Fernandes, coordenador do Laborat\u00f3rio de Ecologia dos Mangues, da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), a presen\u00e7a abundante desse ecossistema costeiro posiciona o Brasil como o segundo pa\u00eds com a maior \u00e1rea de manguezal do mundo, atr\u00e1s apenas da Indon\u00e9sia. E a costa amaz\u00f4nica, que inclui os estados do Amap\u00e1, Par\u00e1 e Maranh\u00e3o, concentra mais de 80% dessas \u00e1reas. \u201c\u00c9 uma regi\u00e3o extremamente diferenciada, porque tem uma bacia hidrogr\u00e1fica muito grande de \u00e1gua doce e a\u00ed diferencia muito dos outros manguezais da costa brasileira. Da costa Nordeste, que tem uma bacia fluvial menor, da costa Sudeste e da costa Sul\u201d, explica.<\/p>\n<p>De acordo com Fernandes, o grande volume de \u00e1gua doce carrega sedimentos e nutrientes que tornam esse ecossistema \u00fanico na Regi\u00e3o Norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAqui, a gente tem uma alta conectividade com diferentes sistemas. Conectividade tanto com os recifes de coral \u2013 os corais amaz\u00f4nicos que se descobriu desde a d\u00e9cada de 70 \u2013 conectividade com todo um outro tipo de floresta de novos ecossistemas como v\u00e1rzeas de mar\u00e9, igap\u00f3s, terra firme, restingas e outros sistemas que s\u00e3o florestados e s\u00e3o t\u00e3o ricos tamb\u00e9m em diversidade, tanto de fauna quanto de flora\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Viv\u00eancia<\/strong><br \/>\nApesar de o Brasil estar entre os 15 pa\u00edses com as maiores zonas costeiras do mundo e ter mais da metade da popula\u00e7\u00e3o, 54,8%, vivendo no litoral, conhecer um mangue ainda \u00e9 uma experi\u00eancia para poucos. Aos 17 anos, Maria Eduarda Mendes mora no litoral, cresceu vendo o mar de Bragan\u00e7a, mas durante toda a inf\u00e2ncia s\u00f3 conhecia os manguezais pelas hist\u00f3rias que o av\u00f4 e o tio pescadores contavam.<\/p>\n<p>Em 2024, quando cursava o 1\u00ba ano no ensino m\u00e9dio, participou do Escola Vai ao Mangue, um projeto de educa\u00e7\u00e3o ambiental promovido pelo Instituto Peabiru, uma organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil de interesse p\u00fablico (Oscip). Ao conhecer detalhes do ecossistema de \u00e1gua salobra, com uma biodiversidade diferente da floresta e tamb\u00e9m do mar, Maria Eduarda p\u00f4de sentir a textura da lama, ver as longas ra\u00edzes da vegeta\u00e7\u00e3o e aprender sobre os animais que trazia na mem\u00f3ria de cada hist\u00f3ria ouvida.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente veio de l\u00e1, quando eu voltei, eu cheguei contando para todo mundo aqui de casa o quanto foi divertido e o quanto eu queria poder vivenciar isso cada vez mais\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Segundo o coordenador do Escola Vai ao Mangue, Madson Galv\u00e3o, o projeto \u00e9 parte de um programa de educa\u00e7\u00e3o maior chamado Mangues da Amaz\u00f4nia, que, somente em 2024, recebeu a visita de cerca de 2 mil alunos e 300 professores, de 29 escolas e duas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior.<\/p>\n<p>\u201cMuitos desses estudantes veem a Amaz\u00f4nia s\u00f3 como uma floresta de terra firme. Mas n\u00e3o, a gente tem uma outra faixa, com outra fei\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a Amaz\u00f4nia costeira, onde est\u00e3o o ecossistema manguezal e o ecossistema mar\u00edtimo. Ent\u00e3o, quando eles chegam nessa Amaz\u00f4nia, eles veem as conex\u00f5es dos nossos rios com a floresta, com o manguezal e o mar\u201d, explica Madson Galv\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Expans\u00e3o<\/strong><br \/>\nEm 2025, ano em que o Par\u00e1 sediar\u00e1 a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (COP30), em Bel\u00e9m, em novembro, os organizadores do projeto esperam expandir a capacidade e alcan\u00e7ar mais estudantes. Eles j\u00e1 planejam o encaminhamento de propostas de educa\u00e7\u00e3o ambiental para a 1\u00aa Confer\u00eancia Internacional Infantojuvenil sobre Educa\u00e7\u00e3o e Mudan\u00e7a do Clima, um encontro preparat\u00f3rio da COP, que tamb\u00e9m ocorrer\u00e1 na capital paraense, entre 7 e 21 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Imers\u00e3o<\/strong><br \/>\nPara Marcus Fernandes, as aulas a c\u00e9u aberto s\u00e3o experi\u00eancias sensoriais, cient\u00edficas e de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do manguezal para prote\u00e7\u00e3o da zona costeira, seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o local e capacidade de estocar carbono e proteger o planeta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cO manguezal tem a capacidade de estoque superior \u00e0 da terra firme, de duas a tr\u00eas vezes mais. Isso \u00e9 importante para o efeito de equil\u00edbrio ambiental\u201d, explica.<\/p>\n<p>Na viv\u00eancia, \u00e0 medida que os estudantes interagem com o ecossistema, as esp\u00e9cies s\u00e3o apresentadas. \u201cA gente mostra como identificar as tr\u00eas mais dominantes: a Rhizophora mangle, o mangue-vermelho; a Avicennia schaueriana, o mangue-preto, e a Laguncularia racemosa, o mangue-branco. Ent\u00e3o a gente trabalha a associa\u00e7\u00e3o delas com o sedimento, e a partir da\u00ed a gente j\u00e1 vai entrando na fauna, porque \u00e9 no mangue-vermelho, com solo mais lamoso e f\u00e1cil de construir galerias e tocas, que o caranguejo tem uma maior distribui\u00e7\u00e3o associada\u201d, detalha o coordenador do projeto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de aprenderem sobre a distribui\u00e7\u00e3o dos manguezais na Amaz\u00f4nia e as esp\u00e9cies da fauna e da flora desse ecossistema, os estudantes participam do plantio de mudas para reflorestamento em \u00e1reas de manguezais degradadas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito incr\u00edvel saber que a gente plantou coisas novas no mangue e quando eu passar de novo por l\u00e1, para ir \u00e0 praia por exemplo, eu vou ver o quanto estar\u00e1 grande\u201d, diz Maria Eduarda.<\/p>\n<p>A partir das iniciativas de educa\u00e7\u00e3o ambiental, o programa j\u00e1 recuperou 16 hectares de manguezal da Amaz\u00f4nia, onde o retorno dos caranguejos \u00e9 monitorado e a variabilidade gen\u00e9tica das esp\u00e9cies \u00e9 estudada para identifica\u00e7\u00e3o de sementes mais resistentes e que garantam maior sucesso em reflorestamentos futuros.<\/p>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o com pescadores e extrativistas soma \u00e0 experi\u00eancia os saberes tradicionais, da economia e cultura alimentar regional. \u201c\u00c9 uma atividade que traz aprendizagens que s\u00e3o interdisciplinares, porque a gente vai lidar com uma s\u00e9rie de temas l\u00e1 dentro. Ci\u00eancias, geografia, cultura local. A gente vai lidar com conhecimento da rela\u00e7\u00e3o entre o meio ambiente e as pessoas e a sociedade\u201d, conclui Fernandes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ajuru, turu e caranguejo-u\u00e7\u00e1 s\u00e3o esp\u00e9cies de frutos e animais que fazem parte da cultura alimentar e da economia da maior faixa cont\u00ednua de manguezal do mundo. 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