{"id":347334,"date":"2025-02-07T03:50:25","date_gmt":"2025-02-07T06:50:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=347334"},"modified":"2025-02-07T03:53:40","modified_gmt":"2025-02-07T06:53:40","slug":"lula-tropeca-no-osso-ao-induzir-brasil-a-criar-confraria-de-faquires","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/lula-tropeca-no-osso-ao-induzir-brasil-a-criar-confraria-de-faquires\/","title":{"rendered":"Lula trope\u00e7a no osso ao induzir Brasil a criar confraria de faquires"},"content":{"rendered":"<p>O presidente Lula, do alto de sua sabedoria popular, est\u00e1 sugerindo que os brasileiros encarem a carestia com um golpe de mestre: parem de comprar. A teoria \u00e9 simples \u2014 se ningu\u00e9m abrir a carteira, os pre\u00e7os caem. L\u00f3gica de feira, dessas que resolvem a infla\u00e7\u00e3o no gog\u00f3. O recado \u00e9 claro: se os pre\u00e7os subiram, a culpa \u00e9 do consumidor, que insiste nessa mania antiquada de querer comer todo dia.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um detalhe intrigante: e se os pre\u00e7os n\u00e3o ca\u00edrem? Porque, convenhamos, comida n\u00e3o \u00e9 como um carro zero ou um celular da moda. Ningu\u00e9m compra arroz e feij\u00e3o por capricho. Se a regra presidencial vingar, o pa\u00eds pode, inadvertidamente, fundar a maior confraria de faquires do mundo, onde a fome vira disciplina e o est\u00f4mago ronca em protesto silencioso. Na melhor das hip\u00f3teses, o presidente anda trope\u00e7ando no osso e caindo de cara na picanha da vaca que foi pro brejo.<\/p>\n<p>Imaginem a cena: milh\u00f5es de brasileiros treinando para deitar em camas de prego, buscando ilumina\u00e7\u00e3o transcendental pela abstin\u00eancia compuls\u00f3ria do p\u00e3o nosso de cada dia. Uma na\u00e7\u00e3o inteira em jejum intermitente for\u00e7ado, esperando que o supermercado, enfim, se compade\u00e7a. O povo treinando o autocontrole enquanto observa vitrines de supermercados como quem contempla um o\u00e1sis no deserto. Isso acontecendo, o Brasil ter\u00e1 finalmente alcan\u00e7ado um novo patamar espiritual \u2014 um PIB robusto criado via jejum.<\/p>\n<p>Seria c\u00f4mico se n\u00e3o fosse tr\u00e1gico. A realidade \u00e9 que quem manda no pre\u00e7o do arroz n\u00e3o \u00e9 o fregu\u00eas, mas sim um tal de mercado \u2014 essa entidade invis\u00edvel que, ao contr\u00e1rio dos faquires, nunca passa fome.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia, claro, funciona perfeitamente com sup\u00e9rfluos. Carros, celulares de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, pacotes tur\u00edsticos para Paris \u2014 tudo isso d\u00e1 para segurar. Mas e o arroz? O feij\u00e3o? A carne j\u00e1 virou artigo de luxo h\u00e1 tempos. Contudo, ser\u00e1 que o brasileiro topa boicotar tamb\u00e9m o p\u00e3ozinho?<\/p>\n<p>Depois da fala presidencial, o Brasil continua caminhando entre a carestia e a utopia de que a economia obedece ao desejo do consumidor. Por\u00e9m, se a fome persistir, nos restar\u00e1 a op\u00e7\u00e3o de esperar que a infla\u00e7\u00e3o ilumine nossa consci\u00eancia e nos revele o verdadeiro sentido da vida. Se \u00e9 que d\u00e1 para filosofar de barriga vazia.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a fome n\u00e3o l\u00ea discurso, nem se comove com teoria econ\u00f4mica. E o mercado n\u00e3o se impressiona com protestos silenciosos de barrigas roncando. Ele continua ditando os pre\u00e7os enquanto o consumidor, agora promovido a asceta involunt\u00e1rio, descobre que for\u00e7a de vontade n\u00e3o enche prato.<\/p>\n<p>No final das contas, a carestia continua, o mercado finge que n\u00e3o \u00e9 com ele, e a \u00fanica coisa que cai mesmo \u00e9 o poder de compra. Mas, quem sabe, com um pouco mais de paci\u00eancia, os brasileiros n\u00e3o desenvolvem a incr\u00edvel habilidade de se alimentar de luz? A infla\u00e7\u00e3o, essa malvada que atormenta os pobres, ser\u00e1 vencida n\u00e3o com pol\u00edticas econ\u00f4micas, mas com o poder supremo do boicote popular. \u00c9 a revolu\u00e7\u00e3o do carrinho de compras vazio.<\/p>\n<p>J\u00e1 que o mercado n\u00e3o cede, nos resta o jejum compuls\u00f3rio. A classe m\u00e9dia sumir\u00e1, dando lugar \u00e0 elite dos que ainda mastigam e \u00e0 plebe dos que apenas observam.<\/p>\n<p>Nosso povo, conhecido por sua resili\u00eancia, ter\u00e1 que encontrar alternativas. &#8216;Embalar o vento&#8217; para comer depois? Sobreviver de esperan\u00e7a? Vamos criar a arte de fotoss\u00edntese humana, absorvendo nutrientes solares? Talvez seja uma sa\u00edda, porque, dizem, o futuro pertence aos iluminados \u2013 e aos que n\u00e3o desmaiarem antes.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o mercado segue inabal\u00e1vel, pois ele n\u00e3o tem est\u00f4mago, s\u00f3 bolsos fundos. O consumidor, promovido a asceta involunt\u00e1rio, descobre que fome n\u00e3o se combate com ideologia, mas com comida. Mas talvez haja um erro em todo esse racioc\u00ednio. Quem sabe, em breve, surja um programa social inovador, tipo Fome Zero 2.0 \u2013 Agora Vai Na For\u00e7a do Pensamento.<\/p>\n<p>Pelo visto, Lula, na condi\u00e7\u00e3o de pseudo professor, pretende ensinar que no Brasil, se a solu\u00e7\u00e3o para a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 simplesmente parar de comer, o problema nunca foi a economia \u2013 foi a falta de f\u00e9. Entretanto, como a cultura da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 o carro-chefe do petista, a turma do contra (ele) come\u00e7a a deitar e rolar de olho em 2026.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Seabra \u00e9 diretor da Sucursal Regional Nordeste de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente Lula, do alto de sua sabedoria popular, est\u00e1 sugerindo que os brasileiros encarem a carestia com um golpe de mestre: parem de comprar. A teoria \u00e9 simples \u2014 se ningu\u00e9m abrir a carteira, os pre\u00e7os caem. L\u00f3gica de feira, dessas que resolvem a infla\u00e7\u00e3o no gog\u00f3. 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