{"id":347365,"date":"2025-02-07T03:00:24","date_gmt":"2025-02-07T06:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=347365"},"modified":"2025-02-07T08:10:40","modified_gmt":"2025-02-07T11:10:40","slug":"plataformas-da-meta-facilitam-aplicacao-de-golpes-financeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/plataformas-da-meta-facilitam-aplicacao-de-golpes-financeiros\/","title":{"rendered":"Plataformas da Meta facilitam aplica\u00e7\u00e3o de golpes financeiros"},"content":{"rendered":"<p>O Laborat\u00f3rio de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), vinculado \u00e0 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicou os resultados de um estudo sobre a presen\u00e7a de an\u00fancios maliciosos nas redes sociais administradas pela Meta, como Facebook, Instagram e WhatsApp. O objetivo foi ampliar o conhecimento sobre a publicidade enganosa, por meio da qual s\u00e3o aplicados golpes aos cidad\u00e3os brasileiros. Os resultados indicam que as plataformas da Meta est\u00e3o sendo vistas por golpistas como um terreno f\u00e9rtil para a pr\u00e1tica de fraudes.<\/p>\n<p>O estudo envolveu um intenso monitoramento entre 10 e 21 de janeiro deste ano. Esse per\u00edodo coincide com os desdobramentos da edi\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Normativa 2.219\/2024 pela Receita Federal. O texto fixou a obrigatoriedade de operadoras de cart\u00f5es de cr\u00e9dito e institui\u00e7\u00f5es de pagamento apresentarem semestralmente determinadas informa\u00e7\u00f5es sobre opera\u00e7\u00f5es financeiras de contribuintes. A medida, que passou a valer a partir de 1\u00ba de janeiro de 2025, desencadeou uma onda de not\u00edcias falsas, segundo as quais as transa\u00e7\u00f5es por Pix passariam a ser taxadas. Pressionado pela dissemina\u00e7\u00e3o das fake news, o governo federal acabou decidindo revogar a nova regra no dia 15 de janeiro.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, a onda de not\u00edcias falsas fomentou d\u00favidas na popula\u00e7\u00e3o, e estelionat\u00e1rios aproveitaram o momento para aplicar golpes. Ao todo, foram identificados 151 anunciantes que compartilharam 1.770 an\u00fancios com conte\u00fado malicioso. Tamb\u00e9m foram mapeados 87 sites fraudulentos para os quais os usu\u00e1rios eram redirecionados. Ao anunciar a revoga\u00e7\u00e3o, o governo se justificou afirmando que o recuo buscava, entre outras coisas, frear a circula\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o. A an\u00e1lise do NetLab indica que, em rela\u00e7\u00e3o aos an\u00fancios fraudulentos, o objetivo n\u00e3o foi atingido. Ao contr\u00e1rio, nas plataformas da Meta, esses conte\u00fados cresceram 35% ap\u00f3s o recuo.<\/p>\n<p>Em muitos casos, os an\u00fancios recorreram \u00e0 simula\u00e7\u00e3o de p\u00e1ginas de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas. Em 40,5%, eles foram veiculados por anunciantes que se passavam pelo governo federal. Os pesquisadores do NetLab observam que os an\u00fancios exploram a desinforma\u00e7\u00e3o em torno das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 inclus\u00e3o financeira. Chamou a aten\u00e7\u00e3o deles que, entre as pe\u00e7as publicit\u00e1rias fraudulentas, aparecem promessas de acesso tanto a programas governamentais reais como tamb\u00e9m a outros fict\u00edcios. Resgata Brasil, Benef\u00edcio Cidad\u00e3o, Brasil Beneficiado e Compensa\u00e7\u00e3o da Virada s\u00e3o alguns nomes utilizados.<\/p>\n<p>&#8220;O fato de estas p\u00e1ginas terem obtido a permiss\u00e3o para veicular an\u00fancios em nome do governo evidencia as fragilidades dos processos de verifica\u00e7\u00e3o de anunciantes da Meta&#8221;, registra o estudo. Os golpistas ofereciam servi\u00e7os para identificar valores que os usu\u00e1rios teriam direito a receber ou anunciavam a possibilidade de resgate de dinheiro de determinado benef\u00edcio. Os usu\u00e1rios eram eventualmente levados a crer que precisavam pagar taxas antecipadas para ter acesso a estes servi\u00e7os. Alguns desses an\u00fancios tamb\u00e9m promoviam guias fraudulentos que instru\u00edam consumidores a \u201cdriblarem a taxa\u00e7\u00e3o do Pix.\u201d<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, o alcance das fraudes tem sido maximizado pela utiliza\u00e7\u00e3o das ferramentas de marketing disponibilizadas pela Meta, que permitem o impulsionamento de an\u00fancios maliciosos e seu direcionamento para p\u00fablicos segmentados de acordo com crit\u00e9rios demogr\u00e1ficos, geogr\u00e1ficos e interesses dos usu\u00e1rios. Eles criticam a falta de transpar\u00eancia no tratamento dos dados pessoais e veem uma falta de controle e de seguran\u00e7a contra a publicidade enganosa, o que favorece a aplica\u00e7\u00e3o de crimes digitais no Facebook, no Instagram e no WhatsApp.<\/p>\n<p>De acordo com o NetLab, ao permitir o direcionamento de an\u00fancios fraudulentos para p\u00fablicos espec\u00edficos, as ferramentas da Meta d\u00e3o aos golpistas a capacidade de atingir as v\u00edtimas ideais. &#8220;H\u00e1 no pa\u00eds uma vasta popula\u00e7\u00e3o \u00e1vida por oportunidades de ascens\u00e3o social, que precisa de suporte e pol\u00edticas p\u00fablicas do Estado para mudar de vida, o que faz com que os mais necessitados se tornem um alvo priorit\u00e1rio de golpes online&#8221;, registra o estudo.<\/p>\n<p>Procurada, a Meta afirmou em nota que an\u00fancios que tenham como objetivo enganar, fraudar ou explorar terceiros n\u00e3o s\u00e3o permitidos em suas plataformas. &#8220;Estamos sempre aprimorando a nossa tecnologia para combater atividades suspeitas. Tamb\u00e9m recomendamos que as pessoas denunciem quaisquer conte\u00fados que acreditem ir contra os Padr\u00f5es da Comunidade do Facebook, as Diretrizes da Comunidade do Instagram e os Padr\u00f5es de Publicidade da Meta atrav\u00e9s dos pr\u00f3prios aplicativos&#8221;, acrescenta o texto.<\/p>\n<p><strong>Intelig\u00eancia artificial<\/strong><br \/>\nO estudo revelou que em 1.244 dos an\u00fancios fraudulentos, 70,3% do total, houve uso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial. Foram encontrados v\u00eddeos que podem ser enquadrados como deepfakes (falsifica\u00e7\u00e3o profunda, em tradu\u00e7\u00e3o livre). As ferramentas foram largamente utilizadas para manipular a imagem do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), protagonista da campanha pela revoga\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Normativa 2.219\/2024. Ao todo, adultera\u00e7\u00f5es envolvendo o parlamentar aparecem em 561 an\u00fancios, sendo 70% destes veiculados ap\u00f3s o recuo do governo federal.<\/p>\n<p>Um deles faz uso de uma publica\u00e7\u00e3o original compartilhada por Nikolas em suas redes sociais, na qual comemorava a revoga\u00e7\u00e3o das novas regras e alegava que o trabalhador brasileiro poderia se tranquilizar por poder \u201cusar o Pix sem a lupa do governo\u201d. O an\u00fancio, por\u00e9m, manipula o trecho final do v\u00eddeo e mostra o parlamentar anunciando o lan\u00e7amento de uma medida que garantiria o reembolso parcial de gastos realizados com cart\u00e3o de cr\u00e9dito nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>Embora tenha sido o principal alvo das manipula\u00e7\u00f5es, Nikolas n\u00e3o foi a \u00fanica personalidade p\u00fablica que teve sua imagem explorada nos an\u00fancios fraudulentos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, \u00e9 outro que aparece em diferentes v\u00eddeos adulterados. Tamb\u00e9m h\u00e1 conte\u00fados que utilizam as imagens do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ex-presidente Jair Bolsonaro, dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL) e Fred Linhares (Republicanos) e do jornalista William Bonner, entre outros.<\/p>\n<p><strong>Modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado<\/strong><br \/>\nUma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha no ano passado aponta que fraudes baseadas em Pix e em boletos banc\u00e1rios s\u00e3o os tipos de crimes digitais que mais geram receitas no Brasil, causando um preju\u00edzo de R$ 25,5 bilh\u00f5es por ano aos consumidores. Tamb\u00e9m em 2024, identificar a origem dos golpes financeiros no pa\u00eds foi o foco de um levantamento realizado pela Silverguard, uma empresa de tecnologia que oferece servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o financeira digital.<\/p>\n<p>O trabalho revelou que 79,3% dos casos denunciados por v\u00edtimas por meio da plataforma SOS Golpe se iniciaram em alguma das tr\u00eas plataformas da Meta, sendo 39% no WhatsApp, 22,6% no Instagram e 17,7% no Facebook. Os resultados apontaram tamb\u00e9m que 7,3% dos golpes tiveram origem no Telegram e 5% em uma das duas plataformas do Google: o sistema de busca ou o YouTube. O restante foi associado a aplicativos de jogos, TikTok, e-mail e outros.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores do NetLab, diferentes estudos t\u00eam apontado as fragilidades no controle de conte\u00fado publicit\u00e1rio pelas plataformas da Meta. Eles apontam que uma das consequ\u00eancias \u00e9 a perda de credibilidade das institui\u00e7\u00f5es governamentais e p\u00fablicas. Isso porque, com o alto volume de an\u00fancios fraudulentos, se reduz a capacidade dos usu\u00e1rios de identificar os an\u00fancios aut\u00eanticos.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m preocupa\u00e7\u00f5es envolvendo as altera\u00e7\u00f5es nas regras das redes sociais Facebook e Instagram que foram anunciadas recentemente por Mark Zuckerberg, presidente executivo da Meta. Entre elas est\u00e1 o fim do programa de checagem de fatos e outras mudan\u00e7as envolvendo modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, como a redu\u00e7\u00e3o na utiliza\u00e7\u00e3o de filtros que buscam por publica\u00e7\u00f5es que violam os termos de uso.<\/p>\n<p>De acordo com o NetLab, h\u00e1 incertezas sobre o alcance dessas medidas. &#8220;A aus\u00eancia de men\u00e7\u00e3o espec\u00edfica \u00e0 modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado publicit\u00e1rio por Zuckerberg em sua fala n\u00e3o deixa claro se as mudan\u00e7as impactam a circula\u00e7\u00e3o de an\u00fancios fraudulentos&#8221;, registra o estudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Laborat\u00f3rio de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), vinculado \u00e0 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicou os resultados de um estudo sobre a presen\u00e7a de an\u00fancios maliciosos nas redes sociais administradas pela Meta, como Facebook, Instagram e WhatsApp. O objetivo foi ampliar o conhecimento sobre a publicidade enganosa, por meio da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":347366,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[161],"tags":[],"class_list":["post-347365","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-quadradinho-em-foco"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/347365","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=347365"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/347365\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":347367,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/347365\/revisions\/347367"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/347366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=347365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=347365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=347365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}