{"id":347556,"date":"2025-02-10T00:02:27","date_gmt":"2025-02-10T03:02:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=347556"},"modified":"2025-02-10T05:52:58","modified_gmt":"2025-02-10T08:52:58","slug":"mortalidade-por-cancer-e-maior-entre-criancas-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mortalidade-por-cancer-e-maior-entre-criancas-indigenas\/","title":{"rendered":"Mortalidade por c\u00e2ncer \u00e9 maior entre crian\u00e7as ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p>A mortalidade de crian\u00e7as e adolescentes com c\u00e2ncer \u00e9 maior entre os ind\u00edgenas, de acordo com a nova edi\u00e7\u00e3o do Panorama de Oncologia Pedi\u00e1trica, do Instituto Desiderata. O recorte dos dados obtidos com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e com o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca) mostram uma taxa de 76 \u00f3bitos a cada 1 milh\u00e3o de ind\u00edgenas por ano. J\u00e1 entre as crian\u00e7as e os adolescentes brancos essa taxa \u00e9 de 42.6\/milh\u00e3o, caindo para 38.9\/milh\u00e3o entre os negros e 38.9\/milh\u00e3o entre aqueles identificados como amarelos, que t\u00eam origem oriental.<\/p>\n<p>De acordo com o \u00faltimo Censo, quase 45% dos ind\u00edgenas no Brasil vive na Regi\u00e3o Norte, seguida pela Regi\u00e3o Nordeste, onde vive 31,22% dessa popula\u00e7\u00e3o. Essas s\u00e3o as regi\u00f5es que t\u00eam a menor incid\u00eancia de novos casos: 111,1 a cada 1 milh\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes no Norte e 138,1 no Nordeste. Mas tamb\u00e9m s\u00e3o as duas com as maiores taxas de mortalidade: 47,5 e 44,5\/milh\u00e3o, respectivamente.<\/p>\n<p>A coordenadora do Servi\u00e7o de Oncopediatria do Hospital Oncol\u00f3gico Infantil Oct\u00e1vio Lobo, em Bel\u00e9m, no Par\u00e1, Alayde Vieira, n\u00e3o descarta que o n\u00famero de casos possa ser maior e que haja subnotifica\u00e7\u00e3o. De acordo com ela, m\u00faltiplos fatores podem estar contribuindo para essa alta mortalidade na Regi\u00e3o Norte, a come\u00e7ar por quest\u00f5es geogr\u00e1ficas que dificultam o acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade:<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem muita dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o. No estado do Par\u00e1, por exemplo, n\u00f3s temos 144 munic\u00edpios, e \u00e0s vezes, no pr\u00f3prio munic\u00edpio, como \u00e9 o exemplo de Altamira, para me deslocar de uma comunidade ribeirinha ind\u00edgena para a pr\u00f3pria cidade de Altamira, eu levo 1 mil km de deslocamento. E isso n\u00e3o d\u00e1 para ser feito a p\u00e9 nem de carro, s\u00f3 de aeronave ou de barco&#8221;, detalha a coordenadora.<\/p>\n<p><strong>Atendimento<\/strong><br \/>\nOs pr\u00f3prios servi\u00e7os existem em menor quantidade na regi\u00e3o. Atualmente, o Brasil tem 77 hospitais habilitados em oncologia pedi\u00e1trica. Mais da metade deles &#8211; 36 &#8211; est\u00e3o no Sudeste, apenas 3 deles est\u00e3o no Norte. Como consequ\u00eancia, mais de 40% dos pacientes com at\u00e9 19 anos precisam ser atendidos em hospital sem servi\u00e7o especializado e mais de 20% t\u00eam que se deslocar para cidades diferentes das que moram para conseguir tratamento.<\/p>\n<p>E essas dificuldades ainda se juntam a um cen\u00e1rio socioecon\u00f4mico desfavor\u00e1vel &#8220;A gente tem um abandono de tratamento superior ao que \u00e9 encontrado na regi\u00e3o Nordeste, Sul e Sudeste, porque n\u00f3s temos uma crian\u00e7a que mora numa regi\u00e3o ribeirinha, num quilombo, numa aldeia&#8230; E aquela m\u00e3e que tem uma baixa renda, que o pai precisa trabalhar, com quem vai deixar as demais crian\u00e7as? Ent\u00e3o n\u00f3s j\u00e1 tivemos v\u00e1rios relatos de abandono de tratamento, n\u00e3o \u00e9 porque a m\u00e3e n\u00e3o quer, n\u00e3o tem interesse, ou n\u00e3o ama seu filho, \u00e9 pela condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica&#8221;, complementa Alayde Vieira.<\/p>\n<p>A oncologista explica ainda que o cuidado de crian\u00e7as ind\u00edgenas requer abordagem especial, porque alguns pacientes, por raz\u00f5es gen\u00e9ticas, metabolizam os medicamentos de forma diferente:<\/p>\n<p>&#8220;A gente usava a mesma medica\u00e7\u00e3o, o mesmo volume, a mesma dose, e as nossas crian\u00e7as evolu\u00edam com toxicidades. E isso nos chamou muito a aten\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a gente fez um estudo de mais de 10 anos, e a gente come\u00e7ou a observar que a nossa popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, ou a popula\u00e7\u00e3o miscigenada, que \u00e9 a maioria do nosso estado, quando ela tinha geneticamente a ancestralidade ind\u00edgena acima de um determinado valor, ela come\u00e7ava a apresentar efeitos colaterais maiores. Elas t\u00eam 28 vezes mais chances de intoxicar e evoluir para infec\u00e7\u00f5es graves e severas do que outras crian\u00e7as&#8221;, explica a especialista.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o foi criar um protocolo diferenciado, com maior hidrata\u00e7\u00e3o, e administra\u00e7\u00e3o de ant\u00edgenos para proteger os \u00f3rg\u00e3os dos efeitos colaterais, por exemplo, o que de acordo com a m\u00e9dica aumenta o desafio de tratar essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Panorama de Oncologia Pedi\u00e1trica est\u00e1 dispon\u00edvel no site para consulta do p\u00fablico e de especialistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mortalidade de crian\u00e7as e adolescentes com c\u00e2ncer \u00e9 maior entre os ind\u00edgenas, de acordo com a nova edi\u00e7\u00e3o do Panorama de Oncologia Pedi\u00e1trica, do Instituto Desiderata. 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