{"id":347579,"date":"2025-02-10T00:43:03","date_gmt":"2025-02-10T03:43:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=347579"},"modified":"2025-02-10T06:45:16","modified_gmt":"2025-02-10T09:45:16","slug":"arquiteta-e-premiada-por-pesquisa-sobre-sustentabilidade-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/arquiteta-e-premiada-por-pesquisa-sobre-sustentabilidade-urbana\/","title":{"rendered":"Arquiteta \u00e9 premiada por pesquisa sobre sustentabilidade urbana"},"content":{"rendered":"<p>Para se formar em arquitetura, a jovem Ang\u00e9lica Azevedo e Silva, 26 anos, pegava tr\u00eas \u00f4nibus para a viagem di\u00e1ria de 1 hora e 30 minutos entre o Gama, regi\u00e3o administrativa do Distrito Federal, e a Universidade de Bras\u00edlia (UnB), onde fez sua gradua\u00e7\u00e3o, de 2018 a 2023. No longo e cansativo deslocamento, percebia as disparidades entre estar na sede da capital federal e morar na periferia do DF.<\/p>\n<p>\u201cEu reparava na diferen\u00e7a do tratamento dado a Bras\u00edlia e ao Gama. Mas sabemos que todos t\u00eam direito a morar bem, com boa qualidade de vida. As pessoas que vieram trabalhar aqui para construir a capital federal foram mandadas para longe do centro\u201d, aponta.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as cotidianas foram insumos para que a universit\u00e1ria refletisse sobre a import\u00e2ncia de sua futura profiss\u00e3o e sobre formas de melhorar o acesso das pessoas a uma arquitetura sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ang\u00e9lica \u00e9 uma das adolescentes e jovens mulheres agraciadas pela Sociedade Brasileira de Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) com o Pr\u00eamio Carolina Bori Ci\u00eancia &amp; Mulher \u2013 Meninas na Ci\u00eancia. Ela vai receber R$ 10 mil, na categoria humanidades, como reconhecimento do seu trabalho de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Diagn\u00f3stico das dimens\u00f5es da sustentabilidade urbana no munic\u00edpio de Cavalcante-GO e Urbanismo Kalunga: sustentabilidade, ancestralidade e identidade, desenvolvido na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UnB.<\/p>\n<p>Se os exaustivos percursos inspiraram reflex\u00f5es urban\u00edsticas em Ang\u00e9lica quando universit\u00e1ria, foi a expectativa da fam\u00edlia em receber uma casa pr\u00f3pria que levou a futura arquiteta, ainda crian\u00e7a, com 4 anos, a fazer seus primeiros desenhos de casa. \u201cEu ficava desenhando, imaginando como \u00e9 que seria a nossa casa. Como \u00e9 que eu ia decorar meu quarto<\/p>\n<p>Apesar de inscrita h\u00e1 20 anos em programas habitacionais para fam\u00edlias carentes, a m\u00e3e de Ang\u00e9lica nunca foi contemplada com um im\u00f3vel. A casa e o quarto ficaram na imagina\u00e7\u00e3o, mas os primeiros esbo\u00e7os da menina n\u00e3o foram em v\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu sempre gostei de arquitetura, e sempre pensei nela como algo para ajudar as pessoas. Acho que \u00e9 porque n\u00e3o temos casa pr\u00f3pria.\u201d<\/p>\n<p><strong>Pesquisa<\/strong><br \/>\nA pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Ang\u00e9lica teve continuidade no trabalho de conclus\u00e3o de curso, onde Ang\u00e9lica apresentou propostas para o plano diretor de Cavalcante, com sugest\u00f5es para o desenvolvimento do munic\u00edpio goiano. Ela tamb\u00e9m tra\u00e7ou o projeto urban\u00edstico de revitaliza\u00e7\u00e3o da Avenida da Vila Morro Encantado, bairro majoritariamente quilombola na cidade.<\/p>\n<p>Cavalcante, no norte de Goi\u00e1s, faz parte do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Al\u00e9m de ponto tur\u00edstico marcado pela paisagem natural do cerrado e muitas cachoeiras, a regi\u00e3o abriga o S\u00edtio Hist\u00f3rico e Patrim\u00f4nio Cultural Kalunga, o maior territ\u00f3rio remanescente de comunidades quilombolas do Brasil.<\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia de entrega da 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio ser\u00e1 na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira (11), Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ci\u00eancia. A premia\u00e7\u00e3o foi criada para valorizar pesquisas de impacto social desenvolvidas por jovens talentos femininos.<\/p>\n<p><strong>Novos projetos <\/strong><br \/>\nFormada h\u00e1 um pouco mais de um ano, Ang\u00e9lica integra o Programa Periferia Viva, do Minist\u00e9rio das Cidades, desenvolvendo um projeto de urbanismo sustent\u00e1vel no assentamento Dorothy Stang, em Sobradinho (DF), e segue como pesquisadora j\u00fanior no Laborat\u00f3rio Perif\u00e9rico da FAU\/UnB. Na faculdade, ainda faz p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (resid\u00eancia) em Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade, enquanto espera a pr\u00f3xima sele\u00e7\u00e3o de mestrado.<\/p>\n<p>Nas tr\u00eas atividades, lida com problemas habitacionais comuns \u00e0 parte mais pobre da popula\u00e7\u00e3o. Em sua vis\u00e3o, as solu\u00e7\u00f5es podem ocorrer quando os arquitetos e urbanistas est\u00e3o atentos \u00e0s demandas sociais. \u201cEu quero um urbanismo participativo. Quero que as comunidades tenham direito \u00e0 moradia e que elas morem com dignidade. Eu quero uma cidade que tenha a infraestrutura b\u00e1sica, bem estabelecida, com tudo que deve ter em uma cidade: \u00e1reas verdes, drenagem correta, \u00e1reas de lazer, parques, \u00e1reas institucionais, tudo o que elas precisem.\u201d<\/p>\n<p>Os pontos de vista de Ang\u00e9lica s\u00e3o endossados por sua orientadora, a professora Liza Maria Souza de Andrade, que estimula o trabalho dos estudantes com pessoas em territ\u00f3rios como os das periferias, assentamentos, quilombos e observa nessas intera\u00e7\u00f5es uma importante oportunidade de conhecimento e aprendizagem.<\/p>\n<p>\u201cEla veio da periferia e \u00e9 uma pessoa que se dedicou muito para passar no vestibular e conseguir entrar na universidade. \u00c9 uma pessoa que tem habilidades como pesquisadora e como projetista. Creio que ela descobriu parte de seus talentos aqui estando nesse ambiente.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para se formar em arquitetura, a jovem Ang\u00e9lica Azevedo e Silva, 26 anos, pegava tr\u00eas \u00f4nibus para a viagem di\u00e1ria de 1 hora e 30 minutos entre o Gama, regi\u00e3o administrativa do Distrito Federal, e a Universidade de Bras\u00edlia (UnB), onde fez sua gradua\u00e7\u00e3o, de 2018 a 2023. 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