{"id":347951,"date":"2025-02-14T13:11:24","date_gmt":"2025-02-14T16:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=347951"},"modified":"2025-02-14T13:24:44","modified_gmt":"2025-02-14T16:24:44","slug":"como-dizia-meu-avo-nesse-mato-tem-capim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/como-dizia-meu-avo-nesse-mato-tem-capim\/","title":{"rendered":"Como dizia meu av\u00f4, nesse mato tem capim"},"content":{"rendered":"<p>O tempo de digest\u00e3o nos ruminantes varia conforme a esp\u00e9cie e a composi\u00e7\u00e3o do alimento. Eu, uma mam\u00edfera on\u00edvora n\u00e3o-ruminante, precisei de meses para processar o impacto.<\/p>\n<p>Nesse mato h\u00e1 capim!<br \/>\n\u201cOnde voc\u00ea est\u00e1 com a cabe\u00e7a?\u201d\/ \u201cNo pesco\u00e7o, pensei\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o, esse n\u00e3o \u00e9 um ensaio para vender livro. Tampouco uma chamada para colecionar votos. Eis aqui, em ato p\u00fablico, meu processo de digest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Nesse mato h\u00e1 capim<\/strong><br \/>\nH\u00e1 meses ou h\u00e1 quase um ano, creio eu, enviei meu original de poesia para determinada editora. A promessa era bonita: ver o livro em m\u00e3os independentes que, apesar da sanguinol\u00eancia do meio editorial, romperiam as fronteiras iniciais.<\/p>\n<p>N\u00e3o se enganem: o retorno r\u00e1pido e n\u00e3o menos violento veio como uma foice:<\/p>\n<p>\u201cFoi imposs\u00edvel ler seu livro, n\u00e3o cheguei nem \u00e0 metade. Um ter\u00e7o, talvez\u201d.<\/p>\n<p>Algo do tipo, j\u00e1 que, meses ap\u00f3s o ocorrido, ainda digiro as palavras.<\/p>\n<p>Palavras-farpas, certamente. Por\u00e9m, seu repouso tem endere\u00e7o, cama e daycare.<\/p>\n<p>No epis\u00f3dio, o que me impactou n\u00e3o foi a rejei\u00e7\u00e3o &#8211; afinal qualquer artista, cedo ou tarde, se depara com recusas. O que me assustou foi o clima de batalha criado pela aus\u00eancia de di\u00e1logo.<\/p>\n<p>O contr\u00e1rio do di\u00e1logo \u00e9 a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Lembro aqui o pensamento benjaminiano*, de que \u201ctodo documento de civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um documento de barb\u00e1rie\u201d. A aus\u00eancia do di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 somente um sintoma da barb\u00e1rie, mas sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer que os bens culturais carregam as injusti\u00e7as e viol\u00eancias hist\u00f3ricas que facilitaram sua preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o pode falar? A quais grupos foi sepultado o direito ao discurso? E, ainda mais, se a barb\u00e1rie est\u00e1 presente na civiliza\u00e7\u00e3o, quais comunidades s\u00e3o reduzidas \u00e0 mera exist\u00eancia? A quem se inculca o estigma da barbaridade?<\/p>\n<p>Lembro-me de que, quando estudante do Ensino M\u00e9dio, havia uma professora de reda\u00e7\u00e3o que devolvia nossos textos de forma irreconhec\u00edvel. Eram riscos, gritos, vermelhid\u00f5es. Aquilo mais parecia um tra\u00e7ado de guerra de Bonaparte.<\/p>\n<p>A batalha era contra a linguagem ou contra o autor?<\/p>\n<p>O efeito era reverso: diante de tantas rasuras, o texto se tornava labirinto. Um beco sem sa\u00edda. Muitos de n\u00f3s desist\u00edamos e nos transform\u00e1vamos no pr\u00f3prio Minotauro: entre aquilo que n\u00e3o se podia dizer mas que, dizendo, n\u00e3o era dito.<\/p>\n<p>Como professora de L\u00edngua Portuguesa, uma das li\u00e7\u00f5es mais importantes que venho amadurecendo \u00e9: n\u00e3o se pode podar o discurso, nem corromper sua infinitude. \u00c9 preciso ceder-lhe o sof\u00e1 da sala, \u00e0 beira do crep\u00fasculo.<\/p>\n<p>A poesia \u00e9 ingovern\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Inspira\u00e7\u00e3o versus trabalho<\/strong><br \/>\n\u00c9 preciso desmistificar a teoria da inspira\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o falo aqui sobre a teoria da conspira\u00e7\u00e3o, embora em muitos contextos seja oportuno tocar no tema.<\/p>\n<p><strong>\u201cO tiro saiu pela culatra\u201d, j\u00e1 ouviu essa express\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Quando o\/a professor\/a ou o\/a editor\/a recebe um manuscrito como se estivesse segurando um cacho de espinhos, isso n\u00e3o corresponde \u00e0 ideia da escrita liter\u00e1ria como trabalho, mas sim como inspira\u00e7\u00e3o. Sabe o porqu\u00ea? Exatamente porque o trabalho exige tempo, f\u00f4lego, dedica\u00e7\u00e3o e, em alguns momentos, mudan\u00e7a de rota. Um manuscrito, portanto, deve ser tratado como fruto de trabalho e devo\u00e7\u00e3o. E, por isso, minhas caras e caros, \u00e9 preciso que haja, sobretudo, respeito.<\/p>\n<p>Sendo assim, o tiro sai pela culatra, exatamente porque, ao recusarmos ou descartarmos veementemente a liberdade e a multiplicidade da escrita, n\u00f3s a tratamos como um raio ca\u00eddo dos c\u00e9us, essa terr\u00edvel ideia rom\u00e2ntica de que, por nascimento, nos \u00e9 endere\u00e7ado o divinal, isto \u00e9, o pr\u00f3prio talento, sem que tenhamos qualquer participa\u00e7\u00e3o real nessa trama. O perigo, a meu ver, \u00e9 que o rom\u00e2ntico cria estruturas e padr\u00f5es que, uma vez contestados, remetem ao caos.<\/p>\n<p>E aqui surge um paradoxo: ao enxergarmos a escrita apenas como fruto da inspira\u00e7\u00e3o, desconsideramos o trabalho, o esfor\u00e7o e a normalidade de sua ruptura. Essa perspectiva nos leva, contraditoriamente, a buscar textos padronizados, alinhavados ao c\u00e2none e desprovidos de qualquer fa\u00edsca. Em outras palavras, ao privilegiarmos apenas aquilo que, hipoteticamente, consideramos ser espontaneamente genial, acabamos enquadrando a escrita em modelos pr\u00e9-estabelecidos, criando justamente a rigidez que pretend\u00edamos evitar.<\/p>\n<p>Parece paradoxal, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>Mas a poesia \u00e9 ingovern\u00e1vel. N\u00e3o se reduz, portanto, a uma f\u00f3rmula mec\u00e2nica.<\/p>\n<p>E \u00e9 por isso que ela resiste. N\u00e3o porque oferece a resposta adequada \u00e0s expectativas, mas porque existe nas fissuras das imposi\u00e7\u00f5es. A poesia resiste na disfun\u00e7\u00e3o, na transforma\u00e7\u00e3o, na reescrita e na imprevisibilidade. A poesia prospera no trabalho \u00e1rduo que, longe de negar o talento, o molda at\u00e9 que se torne subst\u00e2ncia e verdade.<\/p>\n<p>A poesia \u00e9 ingovern\u00e1vel e isso n\u00e3o significa que ela n\u00e3o seja trabalho.<\/p>\n<p>N\u00e3o significa que n\u00e3o exija estrutura, revis\u00e3o e t\u00e9cnica. O dilema est\u00e1 em equilibrar essa exig\u00eancia sem intimidar, tampouco domesticar a multiplicidade da linguagem. A literatura exige um lugar de respiro e de tens\u00e3o criativa, onde tanto a liberdade absoluta quanto a normatiza\u00e7\u00e3o coexistam. A arte liter\u00e1ria n\u00e3o deve ser apenas um produto para o mercado, mas tamb\u00e9m a reescrita infinita do mundo.<\/p>\n<p>\u201cNesse mato tem capim\u201d, disse meu v\u00f4.<\/p>\n<p>Quando crian\u00e7a, em nossa terra, meu v\u00f4 plantava braqui\u00e1ria para alimentar as vacas de leite de sua cria\u00e7\u00e3o. Para quem n\u00e3o conhece, a planta \u00e9 comumente usada como pastagem para gado, devido \u00e0 sua alta produtividade, pois cresce muito rapidamente e apresenta grande resist\u00eancia aos per\u00edodos de seca.<\/p>\n<p>De tempos em tempos, meu v\u00f4 separava parte da terra para outras vegeta\u00e7\u00f5es e animais, mas era dif\u00edcil reter a multiplica\u00e7\u00e3o da braqui\u00e1ria. Apesar da capina frequente, seus ramos apareciam selvagemente por todos os lados. Era dif\u00edcil de controlar. De crescimento vigoroso, era, pois, ingovern\u00e1vel.<\/p>\n<p>Lembro-me perfeitamente de admirar o crescimento de seu denso tapete e de mexer em sua espigueta, onde se escondiam as sementes. Havia \u00e9pocas em que eu corria morro abaixo com um verdadeiro buqu\u00ea de espigas nas m\u00e3os.<br \/>\nOutro dia, visitando aquelas terras, minha m\u00e3e encontrou uns tufos da planta.<\/p>\n<p>\u201cNesse mato tem capim\u201d.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-347953 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/sarah.2.cbb38beb-9d90-419f-8500-868fa0317462-208x300.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/sarah.2.cbb38beb-9d90-419f-8500-868fa0317462-208x300.jpg 208w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/sarah.2.cbb38beb-9d90-419f-8500-868fa0317462.jpg 381w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/p>\n<p>Naquela tarde, n\u00e3o conversamos sobre as rosas no jardim, mas sobre os ramos que crescem nos barrancos, levianamente.<\/p>\n<p><strong>El poder m\u00e1gico de la palabra se intensifica por su car\u00e1ter prohibido<\/strong>, Octavio Paz.<\/p>\n<p>A luta pela linguagem e a luta contra a comunica\u00e7\u00e3o perfeita, contra o c\u00f3digo \u00fanico que traduz todo significado perfeitamente, s\u00e3o a mesma luta, Donna Haraway.*<\/p>\n<p>Poss\u00edveis (e discretos) di\u00e1logos iniciais:<\/p>\n<p>Octavio Paz* (1924-1998) e Donna Haraway* (1944 -), embora perten\u00e7am a tradi-\u00e7\u00f5es intelectuais diferentes, compartilham o interesse pela escrita na constru\u00e7\u00e3o da realidade. Dessa forma, enquanto Paz v\u00ea a escrita po\u00e9tica como um meio que rompe com o ordin\u00e1rio e revela dimens\u00f5es secretas da realidade, Haraway a entende como uma ferramenta cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Se \u201co poder m\u00e1gico da palavra se intensifica por seu car\u00e1ter proibido\u201d, conforme Paz, a poesia se fortalece exatamente naquilo que foge ao nosso controle, seja pela ruptura ou pela resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em conson\u00e2ncia, conforme Haraway, por n\u00e3o ser neutra, a escrita torna-se um ato de resist\u00eancia e de transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Temos aqui uma abordagem mais construtivista.<\/p>\n<p>Em paz, a escrita revela mist\u00e9rios e rompe o ordin\u00e1rio, enquanto em Haraway desconstr\u00f3i categorias fixas. Contudo, em ambas as vis\u00f5es, a escrita n\u00e3o se rende, nem se submete, mas resiste e reconfigura a realidade.<\/p>\n<p>A poesia \u00e9, pois, ingovern\u00e1vel.<\/p>\n<p>E eu tamb\u00e9m o sou.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p>Dicas de leituras:<br \/>\n\u2022 AGAMBEN, Giorgio. Il linguaggio e la morte: Un seminario sul luogo della negativit\u00e0. Torino: Giulio Einaudi, 1982.<br \/>\n_. Homo sacer: Il potere sovrano e la nuda vita. Torino: Einaudi, 1995.<br \/>\n_. Homo Sacer: O Poder Soberano e a Vida Nua I. Tradu\u00e7\u00e3o de Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.<br \/>\n_. A Linguagem e a Morte: Um Semin\u00e1rio sobre o Lugar da Negatividade. Tradu\u00e7\u00e3o de Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.<br \/>\n\u2022 BENJAMIN, Walter. \u00dcber den Begriff der Geschichte. In: __. Gesammelte Schriften I-2. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1974. p. 693-704.<br \/>\n_. Magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica: ensaios sobre literatura e hist\u00f3ria da cultura. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Paulo Rouanet. 7. ed. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1994.<br \/>\n\u2022 GOFFMAN, Erving. Stigma: Notes on the Management of Spoiled Identity. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1963.<br \/>\n\u2022 HARAWAY, Donna. &#8220;A Cyborg Manifesto: Science, Technology, and Socia-list-Feminism in the Late Twentieth Century&#8221;. In: __. Simians, Cyborgs and Women: The Reinvention of Nature. New York: Routledge, 1991. p. 149-181.<br \/>\n\u2022 MACHADO, L. A. Z. et al. Cons\u00f3rcio milho-braqui\u00e1ria. Bras\u00edlia, DF: Embrapa, 2013.<br \/>\n\u2022 PAZ, Octavio. El laberinto de la soledad. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 1950.<br \/>\n__. El arco y la lira. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 1956.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Agradecimentos da autora<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quero agradecer \u00e0 equipe do Caf\u00e9 Liter\u00e1rio Notibras (Eduardo Mart\u00ednez e Daniel Marchi) pela incr\u00edvel recep\u00e7\u00e3o aos meus ensaios, que t\u00eam sido publicados na coluna Caf\u00e9 Liter\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Meu agradecimento tamb\u00e9m vai para a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Alfredo Ferreira Lage &#8211; FUNALFA, que, por meio do Edital Muril\u00e3o, da cidade de Juiz de Fora, Minas Ge-rais, publicar\u00e1 meu pr\u00f3ximo livro de poesia, exatamente este de que falo no ensaio.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por fim, sou grata aos que t\u00eam chegado de peito aberto e com di\u00e1logo honesto.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cUm poema a mais\/e s\u00f3\/um poema fraco, sem m\u00e9trica\/sem rima\/ Sem met\u00e1foras ou\/sem imagens banais (\u2026) E ainda assim\/ matam um le\u00e3o\u201d. (Daniel Marchi)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo de digest\u00e3o nos ruminantes varia conforme a esp\u00e9cie e a composi\u00e7\u00e3o do alimento. Eu, uma mam\u00edfera on\u00edvora n\u00e3o-ruminante, precisei de meses para processar o impacto. Nesse mato h\u00e1 capim! \u201cOnde voc\u00ea est\u00e1 com a cabe\u00e7a?\u201d\/ \u201cNo pesco\u00e7o, pensei\u201d. N\u00e3o, esse n\u00e3o \u00e9 um ensaio para vender livro. Tampouco uma chamada para colecionar votos. 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