{"id":348074,"date":"2025-02-16T07:48:40","date_gmt":"2025-02-16T10:48:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=348074"},"modified":"2025-02-16T07:48:40","modified_gmt":"2025-02-16T10:48:40","slug":"ha-120-anos-nascia-nise-a-psiquiatra-rebelde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ha-120-anos-nascia-nise-a-psiquiatra-rebelde\/","title":{"rendered":"H\u00e1 120 anos nascia Nise, a &#8220;psiquiatra rebelde&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Ningu\u00e9m hoje, no Brasil, que se interesse pelas quest\u00f5es ligadas \u00e0 express\u00e3o art\u00edstica ou \u00e0 psiquiatria, ou a ambas, pode ignorar a contribui\u00e7\u00e3o de Nise da Silveira. Contribui\u00e7\u00e3o essa que \u00e9 marcada, de um lado, pela coragem intelectual de romper com o estabelecido e, de outro, pela identifica\u00e7\u00e3o profunda com o sofrimento do seu semelhante.&#8221;<\/p>\n<p>As palavras escritas por Ferreira Gullar, em 1996, j\u00e1 eram v\u00e1lidas 50 anos antes e permanecem verdadeiras at\u00e9 hoje. Assim ele come\u00e7a seu livro Nise da Silveira &#8211; Uma Psiquiatra Rebelde, biografia da m\u00e9dica que revolucionou o tratamento psiqui\u00e1trico, nascida em Macei\u00f3, no dia 15 de fevereiro de 1905, h\u00e1 exatos 120 anos e um dia.<\/p>\n<p>A &#8220;coragem&#8221; mencionada por Gullar se revelou logo cedo, quando ela decidiu cursar medicina em 1921, apesar de se sentir mal ao ver sangue e de ser a \u00fanica mulher entre mais de 150 homens na sua turma na Faculdade de Medicina da Bahia. Nise tinha apenas 15 anos. Um ano depois de concluir o curso, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se especializou em neurologia e psiquiatria e passou a trabalhar na unidade p\u00fablica de sa\u00fade mental ent\u00e3o denominada Assist\u00eancia a Psicopatas e Profilaxia Mental. Mas, assim como muitos intelectuais, ela foi presa pelo governo Vargas acusada de envolvimento com a causa comunista e foi afastada do servi\u00e7o p\u00fablico at\u00e9 1944.<\/p>\n<p>A parte mais conhecida de sua trajet\u00f3ria come\u00e7a neste mesmo ano, quando ela consegue ser reintegrada aos quadros p\u00fablicos e assume um posto no Centro Psiqui\u00e1trico Pedro II, no bairro de Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro. Os quase 2 anos que Nise passou no c\u00e1rcere aprofundaram nela a &#8220;mania de liberdade&#8221;, termo que ela iria repetir muitas vezes posteriormente, e tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de n\u00e3o se deixar consumir pelo vazio.<\/p>\n<p>E o Pedro II guardava muitas semelhan\u00e7as com a pris\u00e3o. Eram mais de 1 mil pacientes, de ambos os sexos e de todas as idades. A maioria tinha diagn\u00f3stico de esquizofrenia cr\u00f4nica e, para muitos, o hospital tinha uma porta de entrada, mas n\u00e3o de sa\u00edda.<\/p>\n<p>Os pacientes viviam enclausurados, em condi\u00e7\u00f5es insalubres, sem realizar nenhuma atividade criativa e eram submetidos a tratamentos reconhecidos atualmente como violentos, mas completamente aceitos e disseminados entre os psiquiatras de todo mundo naquela \u00e9poca, como a lobotomia, o eletrochoque e a terapia de choque por insulina. Mas Nise n\u00e3o era como todo mundo. Bastou assistir a uma sess\u00e3o de eletrochoque e ver os efeitos danosos da terapia com insulina, para que a m\u00e9dica se recusasse a aplicar esses &#8220;tratamentos&#8221;, o que lhe rendeu o t\u00edtulo de &#8220;rebelde&#8221; que ela fez quest\u00e3o de nunca mais abandonar.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do hospital, ent\u00e3o, relegou \u00e0 Nise uma atividade considerada de segunda classe, a terapia ocupacional. Em entrevista a Ferreira Gullar, publicada no mesmo livro, Nise conta que a ocupa\u00e7\u00e3o dos pacientes era &#8220;varrer, limpar os vasos sanit\u00e1rios, servir os outros doentes&#8221;. A m\u00e9dica ent\u00e3o criou uma sala de costura e depois um ateli\u00ea de pintura.<\/p>\n<p>&#8220;A inova\u00e7\u00e3o consistiu exatamente em abrir para eles o caminho da express\u00e3o, da criatividade, da emo\u00e7\u00e3o de lidar com os diferentes materiais de trabalho&#8221;, explicou a m\u00e9dica ao escritor.<\/p>\n<p><strong>Rebeldia<\/strong><br \/>\nA partir da\u00ed, a revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, inclusive com os nomes. Nise se recusava a chamar os internos de pacientes e preferia o termo &#8220;clientes&#8221;. Durante as oficinas, os tratava com afeto, e n\u00e3o com indiferen\u00e7a. O setor de terapia ocupacional chegou a ter 17 atividades diferentes, e ela tamb\u00e9m utilizava os p\u00e1tios, onde os \u201cclientes\u201d eram colocados para tomar sol, em um local para festas e outras atividades coletivas. E o resultado dessas atividades era cuidadosamente guardado ou registrado pela m\u00e9dica, como material de pesquisa.<\/p>\n<p>Poucas pessoas conhecem esse material t\u00e3o bem quanto Luiz Carlos Mello. O atual diretor do Museu de Imagens do Inconsciente &#8211; fundado por Nise &#8211; trabalhou com a m\u00e9dica por 26 anos, contribuindo com suas pesquisas e com a organiza\u00e7\u00e3o do seu gigantesco acervo, reconhecido como Mem\u00f3ria do Mundo pela Unesco. Ele conheceu Nise em 1974, quando entrou no Pedro II como estagi\u00e1rio, &#8220;muito jovem e muito t\u00edmido&#8221; e come\u00e7ou a participar do seu grupo de pesquisas. Mas s\u00f3 se tornou seu colaborador em 1975, ano em que a m\u00e9dica foi aposentada compulsoriamente por completar 70 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu cheguei, o acervo j\u00e1 tinha quase 200 mil obras. Foi a fase reflexiva dela, de pegar o saber, os conhecimentos dela e transformar em livros, cursos, document\u00e1rios. Ela tinha um rigor de trabalho impressionante e um conhecimento universal extraordin\u00e1rio, ent\u00e3o gerou muitos frutos&#8221;, lembra Luiz Mello.<\/p>\n<p>Segundo o diretor do museu, os resultados da terapia ocupacional orientada por Nise foram r\u00e1pidos e vis\u00edveis, mas ainda assim ela enfrentou resist\u00eancia durante toda sua carreira: &#8220;Ela criava um ambiente sem grades. Os clientes eram chamados pelo nome, uma das bases do trabalho dela era a rela\u00e7\u00e3o afetiva. E em qualquer doen\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 a doen\u00e7a mental, com um ambiente favor\u00e1vel, o progn\u00f3stico \u00e9 melhor&#8221;.<\/p>\n<p>As obras produzidas pelos clientes revelavam emo\u00e7\u00f5es que eles n\u00e3o conseguiam organizar e exprimir em palavras, e com o passar do tempo, comprovavam tamb\u00e9m sua melhora. Em outros casos, atestavam o malef\u00edcio das terapias tradicionais. Um dos exemplos mais contundentes \u00e9 o de L\u00facio Noeman, que esculpia guerreiros em gesso com muita t\u00e9cnica e precis\u00e3o, mas foi submetido a uma lobotomia, e depois disso s\u00f3 conseguia produzir figuras disformes.<\/p>\n<p>&#8220;Segundo a psiquiatria da \u00e9poca, a principal caracter\u00edstica da loucura \u00e9 a perda da unidade do indiv\u00edduo. Mas no atelier eram feitas imagens de mandalas em c\u00edrculos, o que era uma contradi\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria doen\u00e7a, porque o c\u00edrculo, por excel\u00eancia, \u00e9 o s\u00edmbolo da unidade. Foi a\u00ed que ela escreveu uma carta ao Jung [psiquiatra e psicoterapeuta su\u00ed\u00e7o], com fotografias, perguntando se realmente eram mandalas e por que elas apareciam em t\u00e3o grande quantidade na produ\u00e7\u00e3o deles. Menos de um m\u00eas depois, ele respondeu dizendo que realmente eram mandalas e que corresponderiam \u00e0s for\u00e7as auto-curativas da psiqu\u00ea. Ent\u00e3o, se a pessoa vive um estado de confus\u00e3o mental, de dissocia\u00e7\u00e3o, existem for\u00e7as no inconsciente que contrabalanceiam isso, que buscam a unidade, a reestrutura\u00e7\u00e3o&#8221;, destaca Luiz Carlos Mello.<\/p>\n<p>Em uma carta seguinte, Jung escreveu: &#8220;O signat\u00e1rio desta carta convida a senhora doutora Nise da Silveira a se juntar ao semestre de ver\u00e3o de 1957 do Instituto C. G. Jung &#8211; Zurique&#8221;, o que deu in\u00edcio a uma prof\u00edcua rela\u00e7\u00e3o de Nise com os pesquisadores do instituto &#8211; ela chegou a ser analisada por uma de suas disc\u00edpulas, a psicoterapeuta Marie-Louise von Franz &#8211; e com o pr\u00f3prio Jung. A partir da\u00ed, Nise se tornou grande disseminadora das teorias de Jung no Brasil, e seus trabalhos tamb\u00e9m ganharam maior dimens\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Nise tamb\u00e9m foi pioneira na terapia com animais, algo que hoje \u00e9 largamente utilizado, com evid\u00eancias cient\u00edficas da sua efetividade. De acordo com Luiz Mello, essa ideia partiu da observa\u00e7\u00e3o atenta dos clientes.<\/p>\n<p>&#8220;Nise sempre gostou de bicho. E um doente chegou para ela com um cachorro machucado e perguntou se poderia cuidar desse cachorro. A doutora Nise deu condi\u00e7\u00f5es e come\u00e7ou a observar que, \u00e0 medida que o bicho melhorava, o paciente tamb\u00e9m melhorava&#8221;, recorda Luiz Mello.<\/p>\n<p>Inconformada com a grande reincid\u00eancia de pacientes internados &#8211; que chegava a 70% -, Nise tamb\u00e9m se lan\u00e7ou a um empreendimento que Luiz Mello considera uma antecipa\u00e7\u00e3o, em mais de 30 anos, dos centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial, que hoje s\u00e3o as grandes \u00e2ncoras do servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade mental do Brasil. A Casa das Palmeiras, fundada pela m\u00e9dica em 1956, atendia pessoas com transtornos mentais de forma gratuita, sem interna\u00e7\u00e3o, aplicando a reabilita\u00e7\u00e3o ocupacional que ela criou. O local permanece aberto at\u00e9 hoje, mas depois de enfrentar dificuldades financeiras, passou a cobrar mensalidade dos pacientes.<\/p>\n<p><strong>Legado<\/strong><br \/>\nPor todas essas rebeldias, Nise \u00e9 tida como uma grande inspira\u00e7\u00e3o do movimento de reforma psiqui\u00e1trica, que ganhou for\u00e7a no Brasil nos anos 80. Mas um dos principais expoentes dessa luta, o pesquisador s\u00eanior da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz Paulo Amarante, diz que a m\u00e9dica desconfiava da proposta de acabar com os manic\u00f4mios.<\/p>\n<p>&#8220;Assim como muitas pessoas importantes na hist\u00f3ria da psiquiatria, ela achava que seria poss\u00edvel existir uma institui\u00e7\u00e3o em regime controlado, de uma maneira humanizada. E ela tinha medo: &#8216;Voc\u00ea vai dar alta pra pessoa e ela vai pra onde? Vai comer aonde? Ela vai ser v\u00edtima de viol\u00eancia'&#8221;, explica Amarante.<\/p>\n<p>Amarante passou a ter contato frequente com Nise ao ser convidado para planejar a extin\u00e7\u00e3o justamente do Hospital Psiqui\u00e1trico Pedro II, e fez quest\u00e3o de consultar a m\u00e9dica, iniciando uma verdadeira jornada para convenc\u00ea-la a apoiar o movimento antimanicomial, o que ficou mais f\u00e1cil depois que alguns disc\u00edpulos de Nise embarcaram no projeto.<\/p>\n<p>&#8220;A gente trabalhava n\u00e3o para melhorar o hosp\u00edcio, mas para acabar com aquilo, superar aquele modelo. E ela tinha uma experi\u00eancia pessoal com a Casa das Palmeiras, ent\u00e3o a gente usava isso [para convenc\u00ea-la]: &#8216;Olha, Nise, a gente quer fazer v\u00e1rias Casas das Palmeiras, locais onde as pessoas passam o dia, fazem atividades, n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio, n\u00e3o t\u00eam que dormir, n\u00e3o ficam presa, entendeu?&#8217;\u201d<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m levou diversos estudiosos favor\u00e1veis \u00e0 causa para conhecerem Nise, at\u00e9 que a desconfian\u00e7a da m\u00e9dica se desfez. &#8220;Foi uma pena ela n\u00e3o poder assistir aquela institui\u00e7\u00e3o deixar de ser um hospital psiqui\u00e1trico&#8221;, lamenta Amarante.<\/p>\n<p>Nos anos 2000, o hospital foi rebatizado e passou a se chamar Instituto Municipal Nise da Silveira, diminuindo sua capacidade ao longo dos anos, at\u00e9 a realoca\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos internos em resid\u00eancias terap\u00eauticas, em outubro de 2021. Desde ent\u00e3o, a sua enorme \u00e1rea de 79 mil metros quadrados funciona como parque, com atividades esportivas, art\u00edsticas, culturais e de lazer e abriga ainda o Museu de Imagens do Inconsciente. O instituto tamb\u00e9m mant\u00e9m atividades de reabilita\u00e7\u00e3o psicossocial e de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Apesar da batalha, Amarante reafirma que Nise \u00e9 uma grande inspira\u00e7\u00e3o. &#8220;No Brasil, ela foi a primeira pessoa a recusar-se a fazer uma psiquiatria baseada na viol\u00eancia. E a Nise tinha essa forma\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, humanista, e era uma pessoa comprometida com os direitos humanos, com a liberdade, e os direitos das pessoas&#8221;.<\/p>\n<p>E o movimento antimanicomial acabou refor\u00e7ando ideias que Nise j\u00e1 defendia. &#8220;N\u00f3s temos que mudar as rela\u00e7\u00f5es que a sociedade tem com essas pessoas, por isso a gente faz um grande investimento em atividades de arte e cultura. E a gente conseguiu questionar a teoria da irreversibilidade da doen\u00e7a mental. A maior parte daquelas pessoas que estavam nos manic\u00f4mios, que se dizia que eram cr\u00f4nicas por causa da doen\u00e7a, n\u00f3s mostramos que a institucionaliza\u00e7\u00e3o, a falta de direito, de protagonismo, de possibilidade de exercer a cidadania, \u00e9 que criava essa cronicidade&#8221;<\/p>\n<p>Nise da Silveira continuou trabalhando durante toda a sua vida e morreu em 30 de outubro de 1999, j\u00e1 com 94 anos de idade. Sua trajet\u00f3ria parece confirmar uma reflex\u00e3o que ela escreveu, assim que chegou \u00e0 casa de Jung para conhec\u00ea-lo: &#8220;Nosso plano de desenvolvimento est\u00e1 inserido dentro de n\u00f3s. Se n\u00f3s desviamos dele \u2013 e esses desvios s\u00e3o sempre trabalho do consciente \u2013 \u201csobressai\u201d a neurose. Reencontrar o seu plano pessoal de desenvolvimento \u00e9 a cura.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ningu\u00e9m hoje, no Brasil, que se interesse pelas quest\u00f5es ligadas \u00e0 express\u00e3o art\u00edstica ou \u00e0 psiquiatria, ou a ambas, pode ignorar a contribui\u00e7\u00e3o de Nise da Silveira. 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