{"id":348489,"date":"2025-02-21T06:04:44","date_gmt":"2025-02-21T09:04:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=348489"},"modified":"2025-02-21T11:00:01","modified_gmt":"2025-02-21T14:00:01","slug":"a-menina-da-paraiba-e-o-seu-primeiro-prato-de-pedreiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-menina-da-paraiba-e-o-seu-primeiro-prato-de-pedreiro\/","title":{"rendered":"A menina da Para\u00edba e o seu primeiro prato de pedreiro"},"content":{"rendered":"<p>Cresci no interior. N\u00e3o numa cidade pequena, mas na parte mais distante do centro de qualquer povoado, por menor que seja. Por isso, quando algu\u00e9m me pergunta se o local onde nasci est\u00e1 no mapa, respondo que Deus, talvez propositalmente, deixou de inclu\u00ed-lo. O mal-estar \u00e9 instant\u00e2neo, como se eu fosse uma aberra\u00e7\u00e3o. Mal sabem eles que eu, Maria das Dores dos Santos, carrego todas as dores comigo e jamais contei com a ajuda de qualquer santo.<\/p>\n<p>Lembro-me bem da primeira vez que estive em S\u00e3o Jos\u00e9 do Brejo do Cruz, aqui na Para\u00edba. Foi pouco antes das regras me chegarem. Acompanhei meu pai, que foi vender a sobra da farinha de macaxeira. Ele tratou com um sujeito, dono de com\u00e9rcio, que pagou uma ninharia por tantas horas de trabalho de sol a sol, sem contar as l\u00e9guas vencidas para chegar \u00e0quele lugar.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se o homem, um tipo encorpado e suarento, ficou com d\u00f3 ou, ent\u00e3o, quis garantir que papai retornasse na pr\u00f3xima colheita. O certo \u00e9 que nos convidou para almo\u00e7ar. Arroz, feij\u00e3o de corda e um tanto de farinha. Comida conhecida, mas em quantidade muito maior do que estava acostumada.<\/p>\n<p>Devo ter arregalado meus grandes olhos castanhos, pois a cozinheira, talvez tocada por minha magreza, foi generosa. Encheu meu prato igual ao de papai. Mal me acostumei com o peso, andei com cautela de veado-catingueiro para n\u00e3o deixar nem farelo cair.<\/p>\n<p>Sentada ao lado de papai num canto, trocamos olhares. N\u00e3o me atrevi a tocar na comida at\u00e9 que ele me cutucou o ombro e me disse:<\/p>\n<p>\u2014 Pode comer, Maria.<\/p>\n<p>Tratei de obedecer e comecei a levar aquela comida \u00e0 boca, quando dois homens chegaram. O mais alto se virou para o menor, como se espantado pelo que viu. Em seguida, se dirigiu \u00e0 cozinheira:<\/p>\n<p>\u2014 Raimunda, quero um prato de pedreiro que nem o daquela menina ali.<\/p>\n<p>Olhei para meu pai, que me mandou continuar comendo. Naquele tempo, ainda desconhecia o sentido das palavras daquele homem. No entanto, quando descobri, percebi que, talvez, ele n\u00e3o soubesse o real significado da fome.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro 57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor Muito Velho\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/15.0.3\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">https:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cresci no interior. 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