{"id":348653,"date":"2025-02-23T08:28:18","date_gmt":"2025-02-23T11:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=348653"},"modified":"2025-02-23T08:52:52","modified_gmt":"2025-02-23T11:52:52","slug":"tirei-ceci-do-anonimato-para-mostrar-tambem-o-lado-b-da-menina-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tirei-ceci-do-anonimato-para-mostrar-tambem-o-lado-b-da-menina-mulher\/","title":{"rendered":"&#8216;Tirei Ceci do anonimato para mostrar tamb\u00e9m o Lado B da menina-mulher&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Cissa, Ceci ou Mariazinha. S\u00e3o os apelidos com que os amigos e mais \u00edntimos usam para se dirigir a Cec\u00edlia Maria C\u00f4rtes da Silveira Baumann. Errante, viajante, sobrevivente, como ela mesma ressalta, \u00e9 uma pessoa doce. Dificilmente se percebe sua chegada quando, j\u00e1 estando em algum ambiente numa conversa\u00e7\u00e3o, ela se aproxima. Ceci anda como gatos. Gatos, ali\u00e1s, s\u00e3o sua paix\u00e3o. Al\u00e9m de gatos, adora discos e livros. E tem com os tr\u00eas uma rela\u00e7\u00e3o de perfeita sintonia. Coincidentemente, olho para ela e vejo uma mo\u00e7a muito parecida com a que foi retratada na capa de um disco do antigo grupo musical The Mamas and The Papas. Acho ela a cara da Michelle Phillips. Digo isso a ela e abre-se um sorriso.<\/p>\n<p>\u2014 Eu tenho esse LP, Cond\u00e9. Adoro LP\u2019s antigos. Minha m\u00e3e e duas tias s\u00e3o professoras de m\u00fasica. Eu quase fui pelo mesmo caminho. Meu pai tinha uma pequena f\u00e1brica de m\u00f3veis planejados. E gostava mais de livros que minha m\u00e3e. Fiquei ali pelo meio. Adoro m\u00fasica e livros. O interesse pelos gatos veio depois. Queria ser atriz, mas sou muito t\u00edmida. Andei fazendo uns poucos trabalhos de modelo. De joias. \u00c9 bom porque, na maioria das vezes, eu apare\u00e7o menos que as pe\u00e7as e ainda d\u00e1 uma graninha (risos soltos). Eles fotografam muito os detalhes&#8230; Uma vez sa\u00ed numa revista e foi um custo provar para uma amiga que a orelha do brinco era a minha (mais risos).<\/p>\n<p>Na primeira vez que vi Ceci, j\u00e1 havia tido contato com ela por mensagens. N\u00e3o havia visto uma foto dela sequer. Fiquei espantado. \u00c9 uma mulher pequena, com uma apar\u00eancia fr\u00e1gil. Mas n\u00e3o se enganem. \u00c9 fort\u00edssima, com s\u00f3lidas ra\u00edzes.<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 morei em muitos lugares. Casei cedo, sa\u00ed de minha cidade do interior direto para a Europa, de onde era meu ex-marido. Infelizmente, ou felizmente, n\u00e3o deu certo e voltei. No caminho de volta, esses muitos lugares em que estive serviram para eu me reencontrar.<\/p>\n<p>E quem \u00e9, em verdade, Cec\u00edlia Baumann?. Eu quis saber?<\/p>\n<p>\u2014 Sou uma pessoa (ia dizer que sou uma garota, mas n\u00e3o quero me enganar) muito simples. Gosto de ficar em casa, no meio dos meus livros, dos meus filmes e dos meus bichos. Vendo minhas novelinhas antigas da Globo, escrevendo umas coisas&#8230;<\/p>\n<p>Mas Ceci \u00e9 muito mais que isso. Ela \u00e9 a espinha dorsal do <em>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio<\/em>, em <strong>Notibras<\/strong>. Recebe os textos, seleciona, classifica, registra e encaminha para o Jos\u00e9 Seabra, ap\u00f3s discuti-los com o Edu e o Dan, seus amigos queridos. Ela se refere a Eduardo Mart\u00ednez e Daniel Marchi, os editores do <em>Caf\u00e9<\/em>.<\/p>\n<p>\u2014 Edu e Dan se conhecem desde sempre. Mas tivemos, n\u00f3s tr\u00eas, uma identifica\u00e7\u00e3o imediata. Pouco nos vemos, mas, quando nos encontramos, parecemos velhos amigos conversando. E, apesar de eu ser a mais nova do grupo, eu me sinto a irm\u00e3 mais velha da fam\u00edlia (risos). Admiro Edu demais. Ele \u00e9 um contista excelente, e tem um bom humor que surpreende. Sensato, sempre diz a coisa certa na hora certa. A fam\u00edlia dele \u00e9 linda, Dona Irene, a primeira-dama, \u00e9 inteligente, elegante. O Dan \u00e9 outra figura rara. Poeta, bom prosador, um lorde ou fidalgo nas maneiras. Sem qualquer afeta\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma eleg\u00e2ncia genu\u00edna. Com ambos do meu lado (mesmo que espalhados pelo Brasil), sinto que vou longe, e sempre tenho com quem contar.<\/p>\n<p>Mas a coluna hoje \u00e9 sobre voc\u00ea, Ceci, deixa esses marmanjos para l\u00e1. Quero saber mais sobre sua hist\u00f3ria de vida, sobre suas origens&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Alem\u00e3s e portuguesas. Por parte de m\u00e3e, sou neta de uma portuguesa. De pai, sou neta de um filho de alem\u00e3es, cujas origens eram desconhecidas at\u00e9 por ele mesmo e eu fui descobrir quando estive na Alemanha, com alguns dados de que dispunha. Os alem\u00e3es, luteranos, vieram para o Brasil e fincaram ra\u00edzes em Minas Gerais, onde foram fabricantes de cerveja e, depois, de aguardente. O av\u00f4 de minha av\u00f3 portuguesa, dizem, foi degredado de Portugal para col\u00f4nias d\u2019\u00c1frica e, mais tarde, acabou no Brasil, onde mudou de nome e viveu bem.<\/p>\n<p>\u2014 De onde eram, ent\u00e3o, essas ra\u00edzes?<\/p>\n<p>\u2014 Da Mog\u00fancia, ou Mainz, e de Braga.<\/p>\n<p>Pois n\u00e3o foi na Mog\u00fancia, na Ren\u00e2nia-Palatinado, que Gutemberg inventou a tipografia para proporcionar os livros e a imprensa?<\/p>\n<p>\u2014 Pois \u00e9. A prop\u00f3sito, o pessoal fica espalhando por a\u00ed que sou jornalista. N\u00e3o sou. Faltou isso aqui (e ela faz um sinalzinho com o indicador e o polegar) para eu terminar a faculdade. Tenho medo de ser processada por acreditarem que sou jornalista (risos). Mas eu vou resolver isso, brevemente.<\/p>\n<p>\u2014 E o que voc\u00ea faz no seu dia a dia, Ceci?<\/p>\n<p>\u2014 Trabalho muito, vou na academia, fa\u00e7o minha pr\u00f3pria comida vegana e, raramente, abro um vinho e um livro. Quer dizer, o livro \u00e9 minha companhia di\u00e1ria. O vinho \u00e9 que nem tanto. Deito numa rede e viajo sem sair da minha salinha.<\/p>\n<p>\u2014 E como \u00e9 tocar o <em>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio<\/em>?<\/p>\n<p>\u2014 Ah, \u00e9 uma del\u00edcia. A qualidade dos textos que chegam engrandece qualquer um. \u00c9 tanta gente de talento que devia estar na grande m\u00eddia, quero dizer, devia ser amplamente divulgado, na boca do povo mesmo.<\/p>\n<p>\u2014 Quer mencionar alguns, para ficar numa saia justa?<\/p>\n<p>\u2014 Toma jeito, Seu Cond\u00e9! Se eu citar, vou falar de todo mundo. Se falo da Sarah Munck ou do Cadu Matos e n\u00e3o menciono Tania Miranda ou Luzia Couto, cometo uma gafe. Ent\u00e3o preciso pontuar Hannah Carpeso, Ana Pujol, Pilar Domingo, Edna Domenica, Rafaela Fernanda Lopes, Graci Apolin\u00e1rio, Gilberto Motta, \u00c1lvaro Eduardo, Guilherme de Queiroz, enfim&#8230; Todos os autores do Caf\u00e9 Liter\u00e1rio s\u00e3o especiais, por isso est\u00e3o l\u00e1. Sim, eu sei que s\u00e3o, na maioria, mulheres. N\u00e3o escolho literatura pelo g\u00eanero, mas, enquanto me for poss\u00edvel (e o Chefe nos d\u00e1 total liberdade), as mulheres ter\u00e3o a prefer\u00eancia porque, por s\u00e9culos, elas foram silenciadas, desprezadas, jogadas para debaixo do tapete. Aqui no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio elas t\u00eam voz. Mas n\u00e3o exclu\u00edmos quem quer que seja.<\/p>\n<p>\u2014 Eu queria cavar mais fundo, Ceci. Conhecer o seu lado B de verdade. Voc\u00ea s\u00f3 veio com hist\u00f3rias limpas at\u00e9 agora. Eu quero saber \u00e9 do bas-fond.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o p\u00f5e a\u00ed que eu acho futebol um saco, detesto andar descal\u00e7a, tenho medo de trovoada e julgo as pessoas pelo gosto musical (risos).<\/p>\n<p>\u2014 Deixa alguma coisa pra gente, para fechar com chave de ouro a coluna de hoje, Ceci?<\/p>\n<p>\u2014 Pode ser um poeminha? Ent\u00e3o segura essa, \u201cLiving Room\u201d.<\/p>\n<p><strong>Deram um nome esquisito<\/strong><br \/>\n<strong>A essa sala de estar<\/strong><br \/>\n<strong>E a coisa ficou mais complexa<\/strong><br \/>\n<strong>Mais refinada<\/strong><\/p>\n<p><strong>Antes eu s\u00f3 estava<\/strong><br \/>\n<strong>Me deixava ficar, abalada<\/strong><br \/>\n<strong>Sonolenta, entediada<\/strong><br \/>\n<strong>Curiosa das coisas que ainda n\u00e3o entendia<\/strong><br \/>\n<strong>Malvestida, largada<\/strong><br \/>\n<strong>E muito atarefada<\/strong><br \/>\n<strong>Da mudan\u00e7a que, aos poucos, ia pro lugar<\/strong><\/p>\n<p><strong>E, de repente, deixei apenas de estar<\/strong><br \/>\n<strong>E passei a viver<\/strong><br \/>\n<strong>Living room<\/strong><\/p>\n<p><strong>Perspectiva assombrada<\/strong><br \/>\n<strong>Viver o resto da vida<\/strong><br \/>\n<strong>Naquela sala arrumada.<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, leitores, eis o Lado B de Cec\u00edlia Baumann, que n\u00e3o se acha mais uma garota, embora tenha acabado de chegar aos 30 anos, e \u00e9 toda essa delicadeza de pessoa que mostramos aqui.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Cassiano Cond\u00e9, 81, ga\u00facho, deixou de teclar reportagens nas reda\u00e7\u00f5es por onde passou. Agora finca os p\u00e9s nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai p\u00e9rolas que se transformam em cr\u00f4nicas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cissa, Ceci ou Mariazinha. S\u00e3o os apelidos com que os amigos e mais \u00edntimos usam para se dirigir a Cec\u00edlia Maria C\u00f4rtes da Silveira Baumann. Errante, viajante, sobrevivente, como ela mesma ressalta, \u00e9 uma pessoa doce. Dificilmente se percebe sua chegada quando, j\u00e1 estando em algum ambiente numa conversa\u00e7\u00e3o, ela se aproxima. 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