{"id":348666,"date":"2025-02-23T09:42:27","date_gmt":"2025-02-23T12:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=348666"},"modified":"2025-02-23T09:42:27","modified_gmt":"2025-02-23T12:42:27","slug":"agroecologia-pode-retardar-perdas-nas-lavouras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/agroecologia-pode-retardar-perdas-nas-lavouras\/","title":{"rendered":"Agroecologia pode retardar perdas nas lavouras"},"content":{"rendered":"<p>O excesso de calor dos \u00faltimos dias est\u00e1 afetando lavouras de soja, milho e arroz na Regi\u00e3o Sul do Brasil e tamb\u00e9m planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 e de frutas na Regi\u00e3o Sudeste. A cada ano aumentam os impactos causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre a produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>De acordo com a climatologista Francis Lacerda, pesquisadora do Instituto Agron\u00f4mico de Pernambuco, estrat\u00e9gias de agroecologia podem retardar esses efeitos e diminuir a amea\u00e7a de inseguran\u00e7a alimentar. Pelo menos por enquanto. &#8220;Existem pr\u00e1ticas que podem ainda reduzir esses efeitos. Eu digo ainda porque daqui a pouco n\u00e3o vai poder mais&#8221;, alerta a especialista.<\/p>\n<p>A primeira miss\u00e3o \u00e9 reflorestar. &#8220;Uma pr\u00e1tica que se faz muito na agroecologia \u00e9 o cons\u00f3rcio. Voc\u00ea planta uma \u00e1rvore frut\u00edfera e, do lado, voc\u00ea planta uma leguminosa, feij\u00e3o, milho, faz esse plantio todo junto&#8230; E essas plantas v\u00e3o interagir de uma forma que v\u00e3o beneficiar umas \u00e0s outras. Tem uma que vai buscar \u00e1gua l\u00e1 no fundo, porque a raiz dela \u00e9 pivotante, mas outra que n\u00e3o consegue. Aquelas plantas que n\u00e3o aguentam muita incid\u00eancia de radia\u00e7\u00e3o ficam melhores [quando] associadas a \u00e1rvores grandes, que fazem sombra para elas. A gente precisa fazer um reflorestamento e implementar esse modelo do sistema agroflorestal,&#8221; diz a especialista.<\/p>\n<p>Ela acrescenta que a diversifica\u00e7\u00e3o de culturas favorece a fertilidade e prote\u00e7\u00e3o dos solos, al\u00e9m de reduzir os riscos de pragas e doen\u00e7as, &#8220;contribuindo para a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos e garantindo ao agricultor vantagens ambientais e financeiras, tais como investimentos mais baixos e colheita de produtos diversificados, evitando riscos econ\u00f4micos provenientes de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as surpreendem agricultores<\/strong><br \/>\nA climatologista lembra que a grande maioria dos alimentos consumidos pelas fam\u00edlias brasileiras \u00e9 produzida por agricultores familiares, que se veem cada vez mais surpreendidos com as mudan\u00e7as no clima.<\/p>\n<p>&#8220;Porque eles n\u00e3o conseguem mais ter as pr\u00e1ticas que tinham de plantar em tal per\u00edodo, de colher em outro. E geralmente quando a gente tem essas ondas de calor, [o total] de alguns organismos no ecossistema que s\u00e3o mais resilientes &#8211; insetos, fungos e bact\u00e9rias &#8211; aumenta muito e eles arrasam com a produ\u00e7\u00e3o&#8221;, acentua.<\/p>\n<p>Por isso, Francis defende tamb\u00e9m pol\u00edticas p\u00fablicas de implementa\u00e7\u00e3o de tecnologias para que as comunidades consigam captar e armazenar a pr\u00f3pria \u00e1gua e gerar a energia consumida, ficando menos vulner\u00e1veis aos efeitos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Deve-se &#8220;dar autonomia a essas comunidades para produzir o pr\u00f3prio alimento dentro dessas condi\u00e7\u00f5es, e ainda fazer o reflorestamento da sua propriedade, \u00e9 poss\u00edvel, \u00e9 barato e os agricultores querem&#8221;, salienta.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o \u00e9 feito em larga escala, a incid\u00eancia de algumas esp\u00e9cies vegetais end\u00eamicas dos biomas brasileiros est\u00e1 diminuindo, de acordo com a climatologista, &#8220;inclusive esp\u00e9cies adaptadas para se desenvolver em \u00e1reas secas e quentes&#8221;.<\/p>\n<p><strong>\u00c1gua nas ra\u00edzes<\/strong><br \/>\n&#8220;O umbuzeiro, por exemplo, uma planta que \u00e9 uma refer\u00eancia para o semi\u00e1rido. Ela \u00e9 muito resiliente e guarda \u00e1gua nas suas ra\u00edzes porque est\u00e1 acostumada a lidar com as secas. Os umbuzeiros est\u00e3o sumindo da paisagem porque eles n\u00e3o conseguem mais se adaptar a essas vari\u00e1veis clim\u00e1ticas atuais&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>A climatologista do Instituto Agron\u00f4mico de Pernambuco diz tamb\u00e9m que essas li\u00e7\u00f5es podem ser aplicadas ao meio urbano, \u201creservando espa\u00e7os na cidade que possam servir para o cultivo de alimento, como quintais produtivos e farm\u00e1cias vivas. Mas \u00e9 preciso ter uma pol\u00edtica p\u00fablica que oriente e que financie. Porque quem tem dinheiro manda buscar a comida, mas sem justi\u00e7a social n\u00e3o se combate as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00c9 preciso pensar em formas inovadoras de produzir e garantir a seguran\u00e7a h\u00eddrica, energ\u00e9tica e alimentar para as popula\u00e7\u00f5es do campo e da cidade&#8221;, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O excesso de calor dos \u00faltimos dias est\u00e1 afetando lavouras de soja, milho e arroz na Regi\u00e3o Sul do Brasil e tamb\u00e9m planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 e de frutas na Regi\u00e3o Sudeste. A cada ano aumentam os impactos causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. 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