{"id":349140,"date":"2025-03-02T01:59:44","date_gmt":"2025-03-02T04:59:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=349140"},"modified":"2025-03-01T22:02:24","modified_gmt":"2025-03-02T01:02:24","slug":"ze-peinha-ze-pretinho-chico-e-o-amor-por-caldo-de-cana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ze-peinha-ze-pretinho-chico-e-o-amor-por-caldo-de-cana\/","title":{"rendered":"Z\u00e9 Peinha, Z\u00e9 Pretinho, Chico e o amor por caldo-de-cana"},"content":{"rendered":"<p>Na Recife da segunda metade dos anos 50, um pequeno g\u00eanio das artimanhas circulava pelas ruas de Casa Forte. Z\u00e9 Peinha, neto de um renomado industrial da panifica\u00e7\u00e3o, tinha um paladar refinado para aquilo que considerava a mais divina das iguarias: um copo de caldo-de-cana bem gelado. Para ele, nada se comparava \u00e0quela do\u00e7ura dourada servida no modesto ponto do Chico, na Estrada do Encanamento.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o amor pelo caldo-de-cana drenava a sua mesada. O dinheiro que recebia mal dava para sustentar o h\u00e1bito e ainda garantir sua presen\u00e7a nas matin\u00eas do velho cinema Trianon. Mas Z\u00e9 Peinha era um menino de solu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o de problemas.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que ele teve um lampejo de g\u00eanio, tra\u00e7ando um acordo comercial improv\u00e1vel. O padeiro-chefe da padaria do av\u00f4, o bondoso Z\u00e9 Pretinho, foi convencido a fornecer semanalmente uma bandeja de p\u00e3es doces ou sovados. Munido do precioso carregamento, Z\u00e9 Peinha prop\u00f4s ao Chico uma troca vantajosa: para cada unidade de p\u00e3o, um copo de caldo-de-cana. O dono da banca, que tamb\u00e9m apreciava um bom lanche, topou de imediato.<\/p>\n<p>A partir desse dia, o mundo de Z\u00e9 Peinha mudou. Ele n\u00e3o apenas manteve sua dose regular de caldo-de-cana, como tamb\u00e9m passou a direcionar a mesada para outras aventuras e divers\u00f5es infantis. Um menino que sabia fazer o dinheiro render sem abrir m\u00e3o do prazer.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de suas engenhosas estrat\u00e9gias para obter caldo-de-cana, Z\u00e9 Peinha vivia intensamente as travessuras de sua inf\u00e2ncia. Passava as tardes subindo em \u00e1rvores para pegar mangas, carambolas, sapotis e cajus maduros, organizava campeonatos de bola de gude nas cal\u00e7adas e empinava papagaios que riscavam o c\u00e9u de Casa Forte. E, como todo menino curioso, tamb\u00e9m se aventurava em espiar, pelo buraco da fechadura, a irm\u00e3 mais velha e as primas tomando banho, sempre correndo o risco de levar um safan\u00e3o da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Hoje, ao ler essa hist\u00f3ria, \u00e9 prov\u00e1vel que o av\u00f4 de Z\u00e9 Peinha, onde quer que esteja, solte uma boa gargalhada e acene com a cabe\u00e7a em aprova\u00e7\u00e3o. Afinal, talento para os neg\u00f3cios parece ser heredit\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Seabra \u00e9 diretor da Sucursal Regional Nordeste de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Recife da segunda metade dos anos 50, um pequeno g\u00eanio das artimanhas circulava pelas ruas de Casa Forte. Z\u00e9 Peinha, neto de um renomado industrial da panifica\u00e7\u00e3o, tinha um paladar refinado para aquilo que considerava a mais divina das iguarias: um copo de caldo-de-cana bem gelado. 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