{"id":349152,"date":"2025-03-02T09:21:07","date_gmt":"2025-03-02T12:21:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=349152"},"modified":"2025-03-02T09:21:07","modified_gmt":"2025-03-02T12:21:07","slug":"comeca-plantio-do-trigo-safrinha-no-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/comeca-plantio-do-trigo-safrinha-no-cerrado\/","title":{"rendered":"Come\u00e7a plantio do trigo safrinha no Cerrado"},"content":{"rendered":"<p>O in\u00edcio de mar\u00e7o marca a abertura do per\u00edodo indicado para o plantio do trigo de segunda safra (safrinha) ou de sequeiro no Cerrado do Brasil Central. O trigo safrinha \u00e9 cultivado ap\u00f3s a colheita da soja e sem irriga\u00e7\u00e3o, aproveitando o final da esta\u00e7\u00e3o chuvosa. A cultura tem chamado a aten\u00e7\u00e3o dos produtores, seja pelos benef\u00edcios conferidos ao sistema de produ\u00e7\u00e3o, seja pela rentabilidade que ela pode proporcionar, conforme as cota\u00e7\u00f5es do mercado. Estima-se que na atual safra devam ser semeados cerca de 200 a 250 mil ha do cereal na regi\u00e3o, com crescimento de 5% a 10% na \u00e1rea plantada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 safra anterior. Em Goi\u00e1s, a estimativa \u00e9 de que o aumento seja ainda maior, podendo chegar a 15%.<\/p>\n<p>Segundo pesquisadores da Embrapa, o cultivo do trigo safrinha tem avan\u00e7ado principalmente entre produtores que desejam diversificar culturas, mitigar problemas e diminuir riscos ou, ainda, para aproveitar \u00e1reas que ficariam em pousio ou seriam cultivadas com plantas de cobertura.<\/p>\n<p>Com o desenvolvimento de cultivares mais adaptadas \u00e0 regi\u00e3o, como a BRS 404, da Embrapa, o trigo tem sido adotado no sistema de cultivo em plantio direto, principalmente em sucess\u00e3o \u00e0 soja e em rota\u00e7\u00e3o com o milho e o sorgo, promovendo a diversifica\u00e7\u00e3o do sistema de produ\u00e7\u00e3o e diminuindo riscos. O uso do cereal em rota\u00e7\u00e3o de culturas tem proporcionado in\u00fameros benef\u00edcios agron\u00f4micos ao sistema, como a quebra do ciclo de pragas e doen\u00e7as, sobretudo fungos de solo, plantas daninhas e nematoides.<\/p>\n<p>Outro benef\u00edcio \u00e9 a possibilidade de rotacionar princ\u00edpios ativos de defensivos agr\u00edcolas, como herbicidas que podem agir no controle de plantas daninhas resistentes ao glifosato usado nas lavouras de soja RR, assim como no controle de plantas dessa cultura germinadas ap\u00f3s a colheita, contribuindo tanto com o vazio sanit\u00e1rio como para eliminar plantas tigueras de cultivos de milho na \u00e1rea. &#8220;Al\u00e9m de proporcionar o controle de plantas daninhas, o cultivo do trigo fornece uma excelente palhada, favorecendo o plantio direto nas \u00e1reas&#8221;, aponta o pesquisador Jorge Chagas, da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS).<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o do trigo ap\u00f3s a soja permite que o produtor utilize cultivares de soja com ciclos mais tardios e com tetos produtivos superiores aos de variedades precoces e superprecoces, mais voltadas ao cultivo do milho safrinha. Outro ponto positivo \u00e9 que o trigo produzido na regi\u00e3o do Cerrado \u00e9 o primeiro a ser colhido na safra brasileira, podendo ser comercializado a pre\u00e7os mais atrativos.<\/p>\n<p>&#8220;A colheita do trigo safrinha \u00e9 realizada no per\u00edodo seco, entre os meses de junho e julho, o que tem garantido um produto de excelente qualidade de gr\u00e3os e livre das micotoxinas que costumam afetar lavouras do Sul do Pa\u00eds em anos de muita chuva na colheita, como a giberela&#8221;, observa J\u00falio Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados (DF). Os rendimentos das lavouras t\u00eam variado de 35 a 65 sc\/ha em anos de precipita\u00e7\u00e3o normal, e as receitas com as vendas t\u00eam estimulado os produtores a ampliarem a \u00e1rea cultivada na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ressaltam que o trigo de sequeiro \u00e9 indicado para cultivo em regi\u00f5es de altitude igual ou acima de 800 metros. O produtor deve verificar se o trigo safrinha \u00e9 indicado para a sua regi\u00e3o e utilizar cultivares adequadas. As portarias com as informa\u00e7\u00f5es sobre o zoneamento agr\u00edcola de risco clim\u00e1tico para o trigo est\u00e3o dispon\u00edveis na p\u00e1gina do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria e no aplicativo Zarc Plantio Certo, da Embrapa, dispon\u00edvel para Android e iOS.<\/p>\n<p>Segundo Albrecht e Chagas, \u00e9 fundamental que o produtor fa\u00e7a a an\u00e1lise do solo, que deve ser corrigido quanto \u00e0 acidez com o uso de calc\u00e1rio, enquanto o alum\u00ednio em profundidade deve ser neutralizado com o uso de gesso agr\u00edcola. O solo tamb\u00e9m deve estar livre de camadas compactadas, o que permite o aprofundamento das ra\u00edzes das plantas e o melhor aproveitamento de \u00e1gua e nutrientes \u2013 isso minimiza os efeitos dos per\u00edodos secos, como os veranicos.<\/p>\n<p>Outra recomenda\u00e7\u00e3o para amenizar os problemas com a falta de chuvas \u00e9 o plantio direto, com a semeadura direta na palhada da cultura de ver\u00e3o. A palhada protege o solo das altas temperaturas, amenizando a perda de \u00e1gua por evapotranspira\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de permitir maior infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua das chuvas, entre outros benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Para obter ganhos de produtividade, a semeadura deve ser realizada do in\u00edcio de mar\u00e7o at\u00e9 o final do m\u00eas, de acordo com as precipita\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o: onde as chuvas param mais cedo, o trigo safrinha deve ser plantado no come\u00e7o do m\u00eas. O escalonamento da semeadura, ou seja, a semeadura das \u00e1reas em diferentes momentos dentro do per\u00edodo recomendado, ou a semeadura de cultivares de ciclos diferentes podem ser estrat\u00e9gias interessantes, dizem os pesquisadores.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, a lavoura ter\u00e1 talh\u00f5es com plantas em diferentes est\u00e1dios de desenvolvimento. Isso reduz o risco de a falta de chuva afetar todo o plantio num \u00fanico momento cr\u00edtico, como a flora\u00e7\u00e3o das plantas&#8221;, diz Jorge Chagas, lembrando que \u00e9 fundamental seguir as recomenda\u00e7\u00f5es de manejo de cada cultivar para a regi\u00e3o, como a densidade ideal de semeadura.<\/p>\n<p>O pesquisador acrescenta que, no in\u00edcio da janela de plantio, \u00e9 importante o uso de cultivares mais tolerantes a doen\u00e7as, principalmente as manchas foliares e a brusone, doen\u00e7a f\u00fangica que pode causar preju\u00edzos em anos com excesso de chuvas nos meses de abril e maio na regi\u00e3o do Cerrado do Brasil Central. J\u00e1 para semeaduras mais tardias, realizadas ap\u00f3s o dia 15 de mar\u00e7o, o produtor deve utilizar cultivares mais tolerantes \u00e0 seca. A baixa precipita\u00e7\u00e3o e as temperaturas acima do normal tamb\u00e9m podem causar preju\u00edzos, principalmente pela ocorr\u00eancia de veranicos comuns nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>A cultivar de trigo BRS 404 foi desenvolvida para condi\u00e7\u00f5es de baixa precipita\u00e7\u00e3o, aproveitando a umidade do solo e o restante das chuvas dos meses de mar\u00e7o, abril e maio no Brasil Central. A cultivar tem como principais caracter\u00edsticas maior toler\u00e2ncia ao d\u00e9ficit h\u00eddrico, ao calor e ao alum\u00ednio no solo, al\u00e9m de elevada produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria seca (palhada) e excelente qualidade tecnol\u00f3gica de gr\u00e3os. Tem ciclo precoce, variando de 105 a 118 dias, sendo que o per\u00edodo entre a semeadura e o espigamento \u00e9 de 57 a 67 dias, dependendo do local e da altitude do cultivo. \u00c9 moderadamente suscet\u00edvel \u00e0 brusone e \u00e0 mancha amarela.<\/p>\n<p>&#8220;Em algumas regi\u00f5es com maior volume de chuvas, como o Sul de Minas Gerais, os produtores t\u00eam alcan\u00e7ado produtividades de at\u00e9 80 sc\/ha com a cultivar BRS 404. Aqui no Planalto Central, a produtividade pode chegar a 60 sc\/ha, desde que as chuvas tenham uma boa distribui\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de safrinha&#8221;, diz J\u00falio Albrecht.<\/p>\n<p>Classificada pela ind\u00fastria como trigo p\u00e3o, a cultivar, mesmo em anos de menos chuvas, tem entregado pesos hectol\u00edtricos (PH) de gr\u00e3os acima de 80 kg\/hl, sendo muito bem aceita pelos moinhos da regi\u00e3o. A for\u00e7a de gl\u00faten (W), medida que representa o trabalho (energia) de deforma\u00e7\u00e3o da massa e indica a for\u00e7a de panifica\u00e7\u00e3o da farinha, varia de 250 a 400 x 10-4 J, sendo bem superior \u00e0 exig\u00eancia m\u00ednima dos moinhos (220 x 10-4 J). Al\u00e9m disso, a elevada estabilidade (tempo de batimento da massa acima de 15 minutos) favorece a panifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O in\u00edcio de mar\u00e7o marca a abertura do per\u00edodo indicado para o plantio do trigo de segunda safra (safrinha) ou de sequeiro no Cerrado do Brasil Central. O trigo safrinha \u00e9 cultivado ap\u00f3s a colheita da soja e sem irriga\u00e7\u00e3o, aproveitando o final da esta\u00e7\u00e3o chuvosa. 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