{"id":349159,"date":"2025-03-02T09:42:07","date_gmt":"2025-03-02T12:42:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=349159"},"modified":"2025-03-02T09:42:07","modified_gmt":"2025-03-02T12:42:07","slug":"cem-sem-zen-os-sonetos-de-claudio-carvalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cem-sem-zen-os-sonetos-de-claudio-carvalho\/","title":{"rendered":"Cem, Sem, Zen, os sonetos de Cl\u00e1udio Carvalho"},"content":{"rendered":"<p>Dia desses, fui chamado de retratista do dia a dia dos escritores. Quem disse? A Cec\u00edlia Baumann, minha jovem colega aqui no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio. Nem sabia se a Ceci, como todos a chamamos, tinha conhecimento desse termo t\u00e3o antigo. N\u00e3o por falta de capacidade, mas porque retratista \u00e9 uma palavra em desuso desde quando, arrisco a dizer, o Daniel Marchi, vulgo Dan, utilizava fraldas. Pois gostei! A partir de agora, tomei para mim o carinhoso apelido dado pela Ceci.<\/p>\n<p>Por falar em retratista, hoje \u00e9 dia de falar sobre o escritor Claudio Carvalho, que foi pego de surpresa enquanto viajava confortavelmente de \u00f4nibus para, como ele disse, suas gulosas f\u00e9rias:<\/p>\n<p>&#8220;&#8230; estou neste momento no \u00f4nibus a caminho da segunda parte das f\u00e9rias, aquele em que vejo mato, falo pouco e bebo \u00e1gua. Escrevi uma pequena cr\u00f4nica sobre a primeira fase das f\u00e9rias, paulistana e gastron\u00f4mica. Acho que pode servir aos prop\u00f3sitos do tal Lado B.&#8221;<\/p>\n<p>Gulosas f\u00e9rias? Ser\u00e1 que o nosso querido escritor \u00e9 do tipo que s\u00f3 consegue pensar quando a barriga est\u00e1 cheia? Vejamos, ent\u00e3o, mais um trecho da sua missiva.<\/p>\n<p>&#8220;Estou indo, agora, para a segunda perna das minhas justas f\u00e9rias. Agora, \u00e9 desintoxica\u00e7\u00e3o de corpo e esp\u00edrito, no mato. Logo no come\u00e7o do ano, terei muito trabalho de ensino, pesquisa, extens\u00e3o e o lan\u00e7amento de meu livro de sonetos Cem, Sem, Zen (sonetos), pela Mondru. Voc\u00eas v\u00e3o comprar, ler e gostar, n\u00e9? Al\u00e9m disso, os livros da Luz Marina Cavalcanti e a estreia da Tatiane da Silva Lima s\u00e3o tarefas nas quais quero ajudar.&#8221;<\/p>\n<p>A primeira parte das f\u00e9rias do talentoso escritor Claudio (sem acento, por favor) revela que ele poderia arrumar um bico como guia da gastronomia paulistana.<\/p>\n<p>Os passeios a S\u00e3o Paulo, a primeira perna das f\u00e9rias, s\u00e3o cada vez mais gastron\u00f4micos e menos especificamente culturais. \u00c9 justo, n\u00e9? Trabalho todo o tempo com &#8220;cultura&#8221;, \u00e0 base de dois caf\u00e9s e uma \u00e1gua. Poder saborear algo sem pressa, sem medir muito os gastos e sabendo que \u00e9 um investimento, vale a pena e \u00e9 um conforto para quem, por boa parte de sua inf\u00e2ncia e juventude sofreu, se n\u00e3o com fome, com inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Desta vez, meus destaques s\u00e3o: o Balaio IMS, do Rodrigo Oliveira, no t\u00e9rreo da Moreira Salles, na Paulista. Pagamos cerca de 500,00, tr\u00eas pessoas. N\u00e3o \u00e9 caro para um Michelin 2024, n\u00e9? Eu comi um Pirarucu com pur\u00ea de banana. \u00d3timo. Vinicius comeu uma carne de sol de porco com um bai\u00e3o de dois cremoso maravilhoso. E a Regina, minha companheira, sempre menos regional, comeu um fil\u00e9. Tudo muito bom. Entradas excelentes. Mas, o campe\u00e3o \u00e9 o sorvete de coco queimado com rapadura. Quero voltar l\u00e1 pra comprar aquela sobremesa dos deuses.<\/p>\n<p>O segundo destaque \u00e9 o Momo, na Liberdade. Um restaurante especializado em L\u00e1men. Pedimos dois l\u00e1mens e um curry. Eu pedi o curry, com camar\u00e3o, mas provei de tudo. Muito bons os tr\u00eas pratos. O da Regina com frango e o do Vivi com porco, devo dizer, estavam melhores que o meu curry. Em m\u00e9dia, 60,00 cada prato. Vou voltar, se Deus e o pa\u00eds permitirem.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o terceiro destaque e o mais expressivo \u00e9 o rod\u00edzio de sushi do Hojiro, na Mo\u00f3ca. Custou 140,00 por pessoa, com sobremesa, bebidas n\u00e3o inclu\u00eddas. Fica um pouco longe, mas, foi simplesmente o melhor rod\u00edzio de sushis que comi em minha longa vida de sessenta e quatro anos. Tudo perfeito. O \u00fanico item que eu n\u00e3o pediria novamente seria a ostra gratinada. N\u00e3o porque estivesse mal-feita, mas, ostra exige f\u00e9 na natureza e simplicidade: sal, lim\u00e3o, no m\u00e1ximo um azeite e&#8230; beira da praia. E havia muito tempero naquela ostra deslocada e perdida na Mo\u00f3ca, onde todos sabemos que n\u00e3o h\u00e1 praia. Mas, quem mandou eu pedir?&#8221;<\/p>\n<p>Para terminar, o Claudio revela certa preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 poss\u00edvel abertura de um restaurante na Cidade Maravilhosa. N\u00e3o que ele n\u00e3o goste da comilan\u00e7a, j\u00e1 que o motivo \u00e9 outro.<\/p>\n<p>Pra meu desespero, soube que v\u00e3o abrir um Hojiro no Rio de Janeiro. Tomara que seja bem longe de onde moro. Meu sal\u00e1rio de professor e minhas andan\u00e7as liter\u00e1rias n\u00e3o podem sustentar tal estilo de vida. Por isso, pe\u00e7o que voc\u00eas comprem meus sonetos e outros livros meus. Se renderem uma nova ida ao Hojiro ou mais um sorvete de coco queimado com rapadura, ficarei muito feliz. Como escreveu Bandeira: &#8220;a vida assim nos afei\u00e7oa&#8221;.<\/p>\n<p>Espero que voc\u00ea tenha gostado de conhecer um pouco sobre o outro lado do nosso escritor brasileiro Claudio Carvalho. O talento \u00e9 imensur\u00e1vel, mas o sal\u00e1rio&#8230; \u00d3!<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Cassiano Cond\u00e9, 81, ga\u00facho, deixou de teclar reportagens nas reda\u00e7\u00f5es por onde passou. Agora finca os p\u00e9s nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai p\u00e9rolas que se transformam em cr\u00f4nicas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia desses, fui chamado de retratista do dia a dia dos escritores. Quem disse? A Cec\u00edlia Baumann, minha jovem colega aqui no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio. Nem sabia se a Ceci, como todos a chamamos, tinha conhecimento desse termo t\u00e3o antigo. 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