{"id":349662,"date":"2025-03-09T06:56:46","date_gmt":"2025-03-09T09:56:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=349662"},"modified":"2025-03-10T04:21:37","modified_gmt":"2025-03-10T07:21:37","slug":"valdizar-de-frases-memoraveis-partiu-ai-que-saudades-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/valdizar-de-frases-memoraveis-partiu-ai-que-saudades-doce\/","title":{"rendered":"Valdizar, de frases memor\u00e1veis, partiu (&#8230; ai que saudades doc\u00ea)"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sou Sele\u00e7\u00f5es do Reader\u2019s Digest mas tenho meus tipos inesquec\u00edveis. Este texto homenageia um deles, Valdizar, que acabou de partir para sempre. Trata-se, ent\u00e3o, de uma v\u00eania chicocesaresca, um boi de reisado oferecido a partir de um sentimento que Zeca Baleiro expressou bem: Ai que saudade doc\u00ea.<\/p>\n<p>Conheci Valdizar quando trabalh\u00e1vamos na Abril Cultural. Todos n\u00f3s, da Reda\u00e7\u00e3o, escrev\u00edamos relativamente bem, mas o cearense Valdizar ia mais longe: criava bord\u00f5es inesquec\u00edveis, frases memor\u00e1veis. Uma delas surgiu quando ele, preso pol\u00edtico, estava atr\u00e1s das grades: no momento em que os detidos recebiam presentes dos familiares, ele come\u00e7ava a gritar, no estilo discreto dos nascidos em Tau\u00e1: \u201ccu que \u00e9 bom ningu\u00e9m traz!\u201d.<\/p>\n<p>Vi nascer outro de seus bord\u00f5es. Passou uma linda mulher pelos corredores da Abril Cultural e comentei com Valdizar: \u201cQue mo\u00e7a bonita. Quem \u00e9?\u201d Ele, de bate pronto: \u201cN\u00e3o sei. Se comi, paguei\u201d. Frase de um machismo atroz, bem \u00e0 Tau\u00e1, mas inesquec\u00edvel. E, que, \u00e9 evidente, tornou-se uma das cita\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias da minha galera.<\/p>\n<p>Valdizar me fez constatar que eu estava envelhecendo \u2013 isso, h\u00e1 mais de 20 anos. Quando convers\u00e1vamos, muitas vezes ele me chamava de \u201cmacho\u201d, \u00e0 nordestina. Mas certa vez, ao se despedir, falou, \u201ctchau, macho v\u00e9io\u201d. Engoli em seco, mas fui em frente. Estou indo at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Outra cria\u00e7\u00e3o valdizaresca que sempre uso \u00e9 a rabissaca. Trata-se do gesto nordestino de supremo desd\u00e9m, de meter a m\u00e3o entre os cabelos junto ao pesco\u00e7o e jog\u00e1-los para tr\u00e1s. Bord\u00e3o visual, \u00e9 o equivalente do beijinho no ombro \u2013 mas apareceu para n\u00f3s, veteranos da Abril Cultural, quase meio s\u00e9culo antes.<\/p>\n<p>Por todas essas cria\u00e7\u00f5es, pelos bons momentos partilhados e pelo apoio que nunca faltou nas horas dif\u00edceis, Valdizar, o meu muito obrigado. Parafraseando Drummond, tenho poucos, raros amigos, e considero um privil\u00e9gio cont\u00e1-lo entre eles. Um amigo de quem vou sentir muitas, mas muitas saudades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sou Sele\u00e7\u00f5es do Reader\u2019s Digest mas tenho meus tipos inesquec\u00edveis. Este texto homenageia um deles, Valdizar, que acabou de partir para sempre. Trata-se, ent\u00e3o, de uma v\u00eania chicocesaresca, um boi de reisado oferecido a partir de um sentimento que Zeca Baleiro expressou bem: Ai que saudade doc\u00ea. Conheci Valdizar quando trabalh\u00e1vamos na Abril Cultural. 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